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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; Sul-Sul</title>
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		<title>H&#225; um Bricsit no horizonte</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Nov 2012 09:05:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[John Freaser Johannesburgo, &#193;frica do Sul, 22/11/2012 (IPS) &#8211; Analistas sul-africanos vislumbram que o Brics, formado por Brasil, R&#250;ssia, &#205;ndia, China e &#193;frica do Sul, poderia somar no futuro Indon&#233;sia e Turquia, para expandir rumo a novas regi&#245;es. &#34;Estive em Moscou h&#225; pouco tempo, e ali conversei sobre a possibilidade de o Brics se ampliar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>John Freaser</p>
<p><strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 22/11/2012 (IPS) &#8211; Analistas sul-africanos vislumbram que o Brics, formado por Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul, poderia somar no futuro Indon&eacute;sia e Turquia, para expandir rumo a novas regi&otilde;es. &quot;Estive em Moscou h&aacute; pouco tempo, e ali conversei sobre a possibilidade de o Brics se ampliar e se converter no Bricsit&quot;, disse o chefe-executivo da consultoria sobre mercados emergentes Frontier Advisory, Martyn Davies.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16358"></span></p>
<p>Segundo Daveis, &quot;h&aacute; s&oacute;lidas raz&otilde;es geopol&iacute;ticas e geoecon&ocirc;micas para incorporar a Indon&eacute;sia e a Turquia ao bloco&quot;. Estes dois pa&iacute;ses s&atilde;o os que ocupam os primeiros lugares na fila de entrada para o clube de na&ccedil;&otilde;es emergentes do Sul em desenvolvimento. O primeiro porque sua entrada permitiria a extens&atilde;o do Brics &agrave; importante regi&atilde;o do sudeste asi&aacute;tico, e o segundo porque acrescentaria ao bloco maior diversidade geogr&aacute;fica.</p>
<p>&quot;N&atilde;o haveria nenhum conflito com os atuais membros, pois a R&uacute;ssia &eacute; o &uacute;nico integrante do Brics que abrange mais de uma regi&atilde;o&quot; (Europa e &Aacute;sia), acrescentou Davies. Por outro lado, destacou que o Brics &eacute; uma alian&ccedil;a que n&atilde;o conta com uma secretaria nem com uma infraestrutura elaborada. Isto permitiria a r&aacute;pida admiss&atilde;o de novos membros, como ocorreu com a &Aacute;frica do Sul em 2010, por consenso entre os integrantes e sem necessidade de longas negocia&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;N&atilde;o existe nenhum processo normativo. Seria f&aacute;cil faz&ecirc;-lo&quot;, observou Davies. Como exemplo contr&aacute;rio, citou o que ocorre na Uni&atilde;o Europeia, onde os candidatos a membros devem subscrever uma s&eacute;rie de legisla&ccedil;&otilde;es e tamb&eacute;m contar com aprova&ccedil;&atilde;o do Parlamento Europeu, bem como das assembleias legislativas nacionais.</p>
<p>Por sua vez, o analista Chris Gilmour, da ABSA Investments, bra&ccedil;o de investimentos de um dos maiores bancos sul-africanos, disse &agrave; IPS que o atual governo da &Aacute;frica do Sul colocou como prioridade fortalecer as rela&ccedil;&otilde;es com outras na&ccedil;&otilde;es emergentes. &quot;Creio que o Brics se converter&aacute; em um esteio central da pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul&quot;, previu. &quot;Este pa&iacute;s sozinho &eacute; muito pequeno e insignificante para ter influ&ecirc;ncia em n&iacute;vel global, mas, aliado a pa&iacute;ses de interesses semelhantes, pode conseguir um impacto&quot;, acrescentou.</p>
<p>Entretanto, Gilmour reconhece que ainda h&aacute; d&uacute;vidas sobre o compromisso da &Aacute;frica do Sul com o Brics. &quot;Um dos perigos que vejo &eacute; a &Aacute;frica do Sul n&atilde;o ter capacidade para permanecer no bloco&quot;, apontou. &quot;Nossa taxa de crescimento, comparada com as de outros pa&iacute;ses-membros, &eacute; muito baixa, completamente irris&oacute;ria. Assim, temos um longo caminho pela frente para justificar nossa inclus&atilde;o neste grupo&quot;, afirmou o analista.</p>
<p>Calcula-se que o crescimento econ&ocirc;mico da &Aacute;frica do Sul ser&aacute; menor do que 3% este ano. Por&eacute;m, Davies destacou que houve uma &quot;dr&aacute;stica mudan&ccedil;a, real ou percebida&quot;, na pol&iacute;tica externa sul-africana a favor de um v&iacute;nculo mais estreito com as demais na&ccedil;&otilde;es emergentes, desde que Jacob Zuma assumiu a Presid&ecirc;ncia, em 2009. O governo de Thabo Mbeki (1999-2008) &quot;sempre esteve c&ocirc;modo em Washington, Londres, Paris ou T&oacute;quio, menos no mundo em desenvolvimento&quot;, ressaltou.</p>
<p>&quot;A &Aacute;frica e o Sul em desenvolvimento estiveram relativamente marginalizados&quot; no governo de Mbeki. Em contraste, Zuma est&aacute; &quot;muito mais &agrave; vontade&quot; entre seus colegas das na&ccedil;&otilde;es emergentes, destacou Davies. &quot;Isto se v&ecirc; estimulado pela rela&ccedil;&atilde;o que a &Aacute;frica do Sul mant&eacute;m com a China, pa&iacute;s com o qual goza dos mais fortes v&iacute;nculos bilaterais dentro do Brics&quot;, acrescentou. O analista tamb&eacute;m explicou que Pequim e Pret&oacute;ria se aproximaram mais, ideologicamente, desde a crise econ&ocirc;mica mundial, que afetou a credibilidade do livre mercado. &quot;O Brics est&aacute; na primeira fila dos mercados emergentes, e representa uma nova realidade mundial&quot;, afirmou Davies.</p>
<p>A cidade sul-africana de Durban ser&aacute; sede da pr&oacute;xima c&uacute;pula do Brics, em mar&ccedil;o de 2013, e espera-se que Zuma aproveite a ocasi&atilde;o para dissipar toda d&uacute;vida sobre o compromisso de seu pa&iacute;s com o bloco. Tamb&eacute;m se espera que no encontro haja avan&ccedil;os nas diferentes iniciativas econ&ocirc;micas discutidas dentro do grupo. A mais elaborada destas &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um banco do Brics, onde seriam reunidas as reservas estrangeiras dos pa&iacute;ses-membros, assim mantendo um fundo que serviria &agrave;s na&ccedil;&otilde;es do Sul. Para Davies, a iniciativa poderia servir de &quot;contrapeso do Fundo Monet&aacute;rio Internacional&quot;.</p>
<p>A c&uacute;pula tamb&eacute;m revisar&aacute; os progressos sobre a alian&ccedil;a alcan&ccedil;ada entre as diferentes bolsas de valores do Brics, bem como uma iniciativa pela qual os membros outorgar&atilde;o cr&eacute;ditos uns aos outros em moedas locais. Esta &uacute;ltima &eacute; uma ideia da China, pela qual o com&eacute;rcio aconteceria sem necessidade de d&oacute;lares ou euros dentro do Brics, ou Bricsit, se Indon&eacute;sia e Turquia se tornarem membros. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Livre comércio? Não, obrigado</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Sep 2012 16:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Marcela Valente Buenos Aires, Argentina, 9/8/2012, (IPS) &#8211; Mais além da predisposição dos governantes do Mercosul, a proposta da China de transitar para um acordo de livre comércio carece de possibilidades, ao menos no curto prazo.  Especialistas e industriais temem a invasão de produtos asiáticos e que a competição seja muito desigual. Embora as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Marcela Valente</p>
<div id="attachment_16175" class="wp-caption alignright" style="width: 280px"><a href="http://www.ibsanews.com/pt/livre-comercio-nao-obrigado/mercosur-china-small/" rel="attachment wp-att-16175"><img class="size-medium wp-image-16175 " title="Mercosur-China-small" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/Mercosur-China-small-300x180.jpg" alt="" width="270" height="162" /></a><p class="wp-caption-text">Cristina Fernández e Wen Jiabao em teleconferência com seus pares Dilma Rousseff e José Mujica. Crédito: Presidência da Argentina</p></div>
<p><strong>Buenos Aires, Argentina, 9/8/2012, (IPS) &#8211; Mais além da predisposição dos governantes do Mercosul, a proposta da China de transitar para um acordo de livre comércio carece de possibilidades, ao menos no curto prazo. <span id="more-16173"></span></strong></p>
<p><strong></strong>Especialistas e industriais temem a invasão de produtos asiáticos e que a competição seja muito desigual. Embora as fontes ouvidas pela IPS concordem com as perspectivas de um forte aumento do comércio e dos investimentos entre o Mercosul e a China, a possibilidade de um acordo de livre comércio parece pouco realista no atual cenário.</p>
<p>O projeto de associação foi transmitido pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, aos governos do bloco em Buenos Aires, quando em 25 de junho visitou a presidente argentina, Cristina Fernández. Por videoconferência, ambos somaram às deliberações a presidente Dilma Rousseff, e seu colega do Uruguai, José Mujica. Os quatro governantes celebraram a ideia de ampliar a aproximação comercial entre as partes.</p>
<p>A crise institucional, que surgiu em 22 de junho no Paraguai, com a fulminante destituição do presidente Fernando Lugo, impediu a participação deste país, o quarto membro fundador do bloco. De todo modo, Assunção enfrenta a encruzilhada de continuar mantendo relações diplomáticas com Taiwan ou aceitar a exigência de acabar com elas para poder negociar com Pequim. Já a Venezuela ainda não tinha sido aceita com quinto membro pleno, o que ocorreu em 31 de julho, em Brasília.</p>
<p>Na última cúpula ordinária semestral do Mercosul, realizada na província argentina de Mendoza, quatro dias após a visita de Jiabao, os governos de Argentina, Brasil e Uruguai se comprometeram a aumentar a cooperação com a China. Também aprovaram uma proposta para enviar uma missão comercial conjunta este ano à cidade chinesa de Xangai, principal centro financeiro e comercial desse país. Contudo, não foram longe na oferta de livre comércio do gigante asiático que, se for acertado, será um processo longo e complexo.</p>
<p>Para o brasileiro Mauricio Mesquita Moreira, especialista em comércio internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), não há condições para implantar este tipo de acordo no futuro próximo. &#8220;Por um lado, Argentina e Brasil têm uma indústria muito vulnerável à competição asiática, e na economia chinesa o peso do Estado ainda é muito forte na promoção industrial&#8221; para aceitar a liberalização, explicou à IPS. &#8220;Os sócios menores, como Uruguai e Paraguai, carecem de estrutura industrial e poderiam se beneficiar de um acordo com a China, mas estar no Mercosul também lhes dá benefícios, como o acesso privilegiado a mercados maiores&#8221; do próprio bloco, detalhou.</p>
<p>Moreira esteve este mês em Buenos Aires para apresentar uma pesquisa, que fez para o BID junto com especialistas do Instituto do Banco Asiático de Desenvolvimento, na qual é analisado o futuro da vinculação entre Ásia e América Latina. O estudo recomenda um aumento no volume do comércio e dos investimentos entre os dois mundos. Tampouco o economista Guillermo Rozenwurcel, diretor do Centro de Pesquisas sobre Desenvolvimento Econômico da América do Sul (Ideas), vê &#8220;pouca viabilidade para a proposta chinesa nos próximos dez ou 15 anos&#8221;.</p>
<p>Rozenwurcel afirmou à IPS que &#8220;os presidentes deram uma resposta diplomática aos interlocutores chineses para mostrar que escutaram a proposta, mas, enquanto o campo de jogo não se nivelar, o debate sobre um acordo de livre comércio tem pouco espaço&#8221;, e que também não há &#8220;margem política&#8221; para isso. Por outro lado, acrescentou, &#8220;há um horizonte desafiante e complexo, mas possível&#8221;, para incrementar o comércio, os investimentos e a cooperação científica e tecnológica entre a América Latina e a Ásia.</p>
<p>Segundo o estudo do BID e do Instituto do Banco Asiático de Desenvolvimento, o comércio entre América Latina e Ásia aumentou, em média, 20,5% ao ano desde 2000, e atualmente está em US$ 442 bilhões. Com esse crescimento tão acentuado na última década, a China, principal vendedor do lado asiático, avançou na América Latina até colocar-se como segundo sócio comercial da região depois dos Estados Unidos. Porém, o padrão desse intercâmbio está bastante definido, dizem os especialistas. A grande maioria das vendas latino-americanas para a Ásia é de matérias-primas e grande parte do comércio asiático para esta região é de bens industriais.</p>
<p>A consultoria argentina Abeceb informou que o comércio entre Mercosul e China passou de US$ 10,342 bilhões em 2003 para US$ 77,882 bilhões em 2011, e a perspectiva é que chegue a US$ 200 bilhões em 2016. No entanto, a Abeceb também alerta que nesse mesmo período as compras argentinas de itens industriais brasileiros, como têxteis, bens de capital, plásticos ou produtos farmacêuticos foram deslocadas pela competição chinesa.</p>
<p>Um exemplo é o dos produtos têxteis: 56% das importações argentinas chegavam do Brasil em 2003, e atualmente essa participação caiu para 22,6%. Já as compras argentinas de produtos chineses no mesmo setor passaram de 2% para 34,1%. Quanto aos calçados, a importação procedente do Brasil caiu de 79,2% para 37,5% entre 2003 e 2011, enquanto o acesso chinês ao mercado argentino esse mesmo período nessa área cresceu de 12,6% para 36%.</p>
<p>O presidente da Câmara Argentina da Indústria de Brinquedos, Miguel Faraoni, entende que um acordo de livre comércio entre Mercosul e China &#8220;seria muito contraproducente&#8221;, e ressaltou que &#8220;a competição é impossível pela disparidade nas políticas de cada um. A China produz entre 75% e 80% dos brinquedos que são vendidos no mundo, por isso seria uma luta desigual&#8221;.</p>
<p>Faraoni explicou que a participação da indústria nacional de brinquedos no mercado doméstico passou de 10$ em 2002 para 50% atualmente, e que há mais empresas estrangeiras radicadas na Argentina para produzir localmente. &#8220;Cresceu a produção, o emprego, o investimento em máquinas e novas tecnologias e estamos exportando 8% do produzido para a região e o mercado latino dos Estados Unidos&#8221;, ressaltou. Para Faroni, a indústria argentina pode competir em preço e qualidade com a do Brasil, &#8220;que tem as mesmas regras de jogo, mas seria um retrocesso nos avanços dos últimos anos abrir o mercado para a China&#8221;, enfatizou. Envolverde/IPS (FIN/2012)</p>
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		<title>Cooperação Sul-Sul acompanha aumento demográfico</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 07:46:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Thalif Deen Nações Unidas, 13/2/2012 (IPS) &#8211; Quando foi atingido o recorde de sete bilhões de habitantes no planeta, a Organização das Nações Unidas (ONU) previu que o crescimento da população mundial aumentaria o ritmo até chegar a 9,3 bilhões em 2050. Este aumento deve ser acompanhado de uma eficaz cooperação entre os países em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Thalif Deen</p>
<p><strong>Nações Unidas, 13/2/2012 (IPS) &#8211; Quando foi atingido o recorde de sete bilhões de habitantes no planeta, a Organização das Nações Unidas (ONU) previu que o crescimento da população mundial aumentaria o ritmo até chegar a 9,3 bilhões em 2050.  </strong></p>
<p><span id="more-15876"></span></p>
<p>Este aumento deve ser acompanhado de uma eficaz cooperação entre os países em desenvolvimento. Trata-se da cooperação Sul-Sul entre nações que compartilham experiências inovadoras em matéria de saúde reprodutiva, planejamento familiar, poder de gênero e integração da população ao planejamento do desenvolvimento.</p>
<p>“Internacionalmente, se reconhece que a cooperação Sul-Sul e triangular para o desenvolvimento continua crescendo em importância, e atualmente representa cerca de 10% da cooperação total ao desenvolvimento”, informou à IPS o observador permanente da Partners in Population and Development (PPD) junto à ONU, Sethuramiah L. Rao. Também é reconhecido que a cooperação Sul-Sul não é substituta mas complementar da cooperação Norte-Sul, afirmou Rao, que, entre outros, apontou Brasil, China, Índia e África do Sul como alguns dos países que realizam contribuições significativas para a cooperação Sul-Sul.</p>
<p>O PPD, que Rao representa em Nova York, foi criado na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, de 1994, especificamente para promover e fortalecer a cooperação Sul-Sul em matéria demográfica e de saúde reprodutiva. O PPD representa quase 70% da população dos países em desenvolvimento, 25 dos quais o integram: África do Sul, Bangladesh, Benin, China, Colômbia, Egito, Etiópia, Gâmbia, Gana, Índia, Indonésia, Jordânia, Quênia, Mali, Marrocos, México, Nigéria, Paquistão, Senegal, Tailândia, Tunísia, Uganda, Vietnã, Iêmen e Zimbábue.</p>
<p>O livro Sharing Innovative Experiences (Compartilhando Experiências Inovadoras), publicado pela Unidade Especial para a Cooperação Sul-Sul do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) e o PPD, reconhece que o aumento da população mundial é “fenomenal”. “Enquanto, por um lado, isto reflete o enorme êxito da humanidade na redução da mortalidade e na melhoria da qualidade de vida para milhares de milhões de pessoas, por outro apresenta o sério desafio das implicações sociais, políticas, ambientais e de desenvolvimento de somar mais milhares de milhões de pessoas tão rapidamente”, afirma o livro.</p>
<p>Segundo a publicação, de 260 páginas, a população mundial não chegou a um bilhão de pessoas até 1804. Depois, demorou 124 anos para chegar a dois bilhões, em 1927, 33 anos para alcançar os três bilhões, 14 para os quatro bilhões, 13 para os cinco bilhões, 12 para os seis bilhões e outros 12 para os sete bilhões, registrados em 2011. Consultado sobre os pontos altos da cooperação Sul-Sul em saúde reprodutiva, Rao explicou que os governos de Egito, Índia e Marrocos ofereceram bolsas de longo prazo para educação sobre população e saúde pública. Ao mesmo tempo, China, Índia, Tailândia, Egito, Marrocos, Tunísia e África do Sul ofereceram outras, de curto prazo, para capacitar demógrafos e especialistas em saúde.</p>
<p>O PPD criou uma rede interregional de sucesso com 25 instituições sócias, todas ativas na área de população, saúde reprodutiva e desenvolvimento, para criar infraestrutura em seus países-membros e em outros. As instituições sócias ajudam adaptando entre si seus programas de capacitação e assinando cartas de entendimento em matéria de colaboração. Segundo Rao, a experiência indica que na rede do PPD há capacidades técnicas de primeira ordem nas áreas de população e saúde reprodutiva, e que deveriam ser feitos maiores esforços para capitalizá-las plenamente mediante a cooperação Sul-Sul e triangular.</p>
<p>Rao também disse que atividades de diálogo político e lobby assumidas pelo PPD sobre temas urgentes de população, saúde reprodutiva e desenvolvimento, sob a forma de conferências e painéis internacionais, tiveram resultado excelente. Sobre os inconvenientes, Rao respondeu à IPS que “há, pelo menos, duas limitações programáticas ou práticas”. Primeiro, a experiência exitosa quase sempre é documentada em retrospectiva e, portanto, muitas decisões importantes que são cruciais para seu sucesso se perdem devido a esse lapso de tempo transcorrido, afirmou.</p>
<p>Frequentemente falta registro de detalhes, o que piora a situação porque com o tempo vai mudando o pessoal responsável pelo projeto e a implantação desta prática no país. E, o que é mais importante, gerentes e documentadores nem sempre são as mesmas pessoas, o que dificulta obter um equilíbrio entre substância e narração. Rao acrescentou que o projeto e a implementação de intervenções programáticas costuma encaixar com os imperativos políticos, culturais, administrativos e humanos de um determinado país, fazendo com que tudo seja um desafio quanto a adaptar o enfoque a outros contextos. Envolverde/IPS                                                            </p>
<p>(FIN/2012)</p>
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		<title>Coopera&#231;&#227;o Sul-Sul promove mudan&#231;a de modelo</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 15:08:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[An&#225;lise de Miriam Gathigah Busan, Coreia do Sul, 29/11/2011 (IPS) &#8211; Quando o Grupo dos Oito (G-8) pa&#237;ses mais industrializados decidiu priorizar o acesso &#224; internet na ajuda ao desenvolvimento, muitos l&#237;deres do Sul pobre se opuseram, por entenderem que antes se deveria atender com maior efic&#225;cia a luta contra a indig&#234;ncia e as epidemias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>An&aacute;lise de Miriam Gathigah</p>
<p> <div id="attachment_15851" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/1410-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-15851" title="Richard Ssewakiryanga, especialista em assist&ecirc;ncia global. &#47; Miriam Gathigah&#47;IPS" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/1410-300x225.jpg" alt="Richard Ssewakiryanga, especialista em assist&ecirc;ncia global. &#47; Miriam Gathigah&#47;IPS" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Richard Ssewakiryanga, especialista em assist&ecirc;ncia global. &#47; Miriam Gathigah&#47;IPS</p></div> <strong>Busan, Coreia do Sul, 29/11/2011 (IPS) &#8211; Quando o Grupo dos Oito (G-8) pa&iacute;ses mais industrializados decidiu priorizar o acesso &agrave; internet na ajuda ao desenvolvimento, muitos l&iacute;deres do Sul pobre se opuseram, por entenderem que antes se deveria atender com maior efic&aacute;cia a luta contra a indig&ecirc;ncia e as epidemias mortais.</strong></p>
<p><span id="more-15851"></span></p>
<p>Enquanto houver milh&otilde;es de mulheres e crian&ccedil;as morrendo por causa da aids, da mal&aacute;ria e de outras doen&ccedil;as infecciosas, a internet n&atilde;o parece uma prioridade. A preval&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas culturais prejudiciais, como mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina e o fato de mulheres e meninas terem de caminhar v&aacute;rios quil&ocirc;metros em busca de &aacute;gua e lenha, coloca longe a necessidade da tecnologia da internet.</p>
<p>&ldquo;O compromisso de oferecer ajuda &agrave;s na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento para melhorar o acesso &agrave; internet foi recebido como um insulto&rdquo;, afirmou a ativista queniana Esther Suchia. &ldquo;Quando milh&otilde;es de meninas africanas n&atilde;o t&ecirc;m acesso a educa&ccedil;&atilde;o, nem oportunidade de escapar de casamentos precoces e da carga das tarefas dom&eacute;sticas, os l&iacute;deres africanos se perguntam se n&atilde;o seria mais prudente primeiro tentar alcan&ccedil;ar os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>Em sua defesa, o Norte disse que a tecnologia permitir&aacute; ao Sul vencer as causas da extrema pobreza, que assentam as bases para uma infinidade de doen&ccedil;as preven&iacute;veis. Nunca estiveram em discuss&atilde;o os benef&iacute;cios da tecnologia, da assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento e at&eacute; da ajuda humanit&aacute;ria para o Sul, como a outorgada pelo Ocidente em resposta &agrave; seca que atingiu o Chifre da &Aacute;frica, quando pelo menos quatro milh&otilde;es de pessoas sofriam de fome.</p>
<p>No entanto, a ajuda humanit&aacute;ria nunca deteve os cr&iacute;ticos da ajuda Norte-Sul. Delega&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios pa&iacute;ses se reuniram, entre os dias 26 e 28 deste m&ecirc;s, no F&oacute;rum Aberto da Sociedade Civil, pr&eacute;vio ao 4&ordm; F&oacute;rum de Alto N&iacute;vel sobre a Efic&aacute;cia da Ajuda, que acontece do dia 29 deste m&ecirc;s at&eacute; 1 de dezembro, nesta cidade sul-coreana. Muitas pessoas recordaram que Theo-Ben Gurirab, ex-chanceler da Nam&iacute;bia que presidiu a Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) em 1999 e 2000, criticou os motivos do Norte, pois ali est&atilde;o as ex-pot&ecirc;ncias coloniais. Essa desconfian&ccedil;a faz com que os pa&iacute;ses do Sul se apoiem na iniciativa chamada Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul (CSS).</p>
<p>&ldquo;A CSS trata de na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento ajudando-se entre si. S&atilde;o pa&iacute;ses que em grande parte enfrentam os mesmos desafios em mat&eacute;ria de desenvolvimento&rdquo;, disse Richard Ssewakiryanga, especialista em assist&ecirc;ncia global. &ldquo;Tem impacto na coopera&ccedil;&atilde;o tradicional Norte-Sul. A CSS reestrutura a forma com se oferece a assist&ecirc;ncia. A iniciativa envolve o setor privado, o que implica um novo modelo&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>A especialista Roselynn Musa, da Femnet, a Rede de Desenvolvimento e de Comunica&ccedil;&otilde;es da Mulher Africana, disse que a &ldquo;popula&ccedil;&atilde;o global faz parte do Conselho de Seguran&ccedil;a sem mesmo saber disso. Mesmo um programa de interc&acirc;mbio por meio do qual um estudante africano se especializa na &Iacute;ndia faz parte do paradigma&rdquo;, criada em 1998, a Femnet promove o progresso feminino no continente. A CSS se considera uma rebeli&atilde;o necess&aacute;ria para o acordo Norte-Sul por seus desequil&iacute;brios &oacute;bvios de poder, embora agora tamb&eacute;m seja alvo de cr&iacute;ticas.</p>
<p>&ldquo;A assist&ecirc;ncia Sul-Sul deve se alinhar com as pol&iacute;ticas de assist&ecirc;ncia que, infelizmente, muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento ainda devem criar&rdquo;, explicou Musa. Um estudo feito pela Femnet em cinco pa&iacute;ses africanos de diversas regi&otilde;es revelou que apenas um deles contava com uma pol&iacute;tica de desenvolvimento. &ldquo;Egito, Uganda e Z&acirc;mbia n&atilde;o tinham nada parecido, e Qu&ecirc;nia contava com um rascunho. Somente o Zimb&aacute;bue tinha &ldquo;uma iniciativa de desenvolvimento concebida&rdquo;, diz o informe.</p>
<p>A falta de pol&iacute;ticas de desenvolvimento abre as portas para viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, segundo especialistas, porque o Estado assina acordos de assist&ecirc;ncia sem pautas nem transpar&ecirc;ncia e, por conseguinte, responsabilidade. &ldquo;A CSS pode replicar acordos Norte-Sul quando surgem poderosos entre os pobres&rdquo;, disse Ssewakiryanga. &ldquo;Por exemplo, a ajuda vinculante concedida pela China aos pa&iacute;ses africanos pode melhorar a infraestrutura, mas toda a concorr&ecirc;ncia, o trabalho e os materiais s&atilde;o enviados por Pequim&rdquo;, afirmou.</p>
<p>&ldquo;A China constr&oacute;i atualmente estradas modernas no Qu&ecirc;nia, mas h&aacute; cidad&atilde;os chineses trabalhando em todas as etapas da constru&ccedil;&atilde;o. O que esse pa&iacute;s aprende com a assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento? Pouco ou nada sobre como construir estradas&rdquo;, concordou Suchia. Enquanto isso, a CSS e a coopera&ccedil;&atilde;o Norte-Sul continuam se sobrepondo e se conforma um modelo triangular no qual o Norte se une com a CSS por respeito &agrave; sua miss&atilde;o e vis&atilde;o de desenvolvimento. Os debates no F&oacute;rum da Sociedade Civil deram a entender que o F&oacute;rum de Alto N&iacute;vel sobre a Efic&aacute;cia da Ajuda produzir&aacute; modelos de assist&ecirc;ncia, independentemente de ser Sul-Sul ou Norte-Sul. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>Coopera&#231;&#227;o Sul-Sul sem restri&#231;&#245;es</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Aug 2011 15:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marwaan Macan-Markar Bangcoc, Tail&#226;ndia, 31/8/2011 (IPS) &#8211; A Indon&#233;sia recebeu da Alemanha 40 vag&#245;es de um trem el&#233;trico que de nada lhe serviram, porque n&#227;o eram adequados &#224;s suas ferrovias. O ativista Don Marut usou este exemplo para questionar as dificuldades da assist&#234;ncia que o mundo rico presta ao Sul em desenvolvimento. Comprados da Alemanha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marwaan Macan-Markar</p>
<p><strong>Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 31/8/2011 (IPS) &#8211; A Indon&eacute;sia recebeu da Alemanha 40 vag&otilde;es de um trem el&eacute;trico que de nada lhe serviram, porque n&atilde;o eram adequados &agrave;s suas ferrovias.</strong></p>
<p><span id="more-15782"></span></p>
<p>O ativista Don Marut usou este exemplo para questionar as dificuldades da assist&ecirc;ncia que o mundo rico presta ao Sul em desenvolvimento. Comprados da Alemanha dentro de um pacote de &ldquo;ajuda condicionada&rdquo;, os vag&otilde;es, constru&iacute;dos para ferrovias mais largas, est&atilde;o enferrujando em uma esta&ccedil;&atilde;o de trem da Indon&eacute;sia, apesar de fazer parte de um projeto para melhorar a efici&ecirc;ncia do setor e contar com apoio do Banco Mundial.</p>
<p>&ldquo;Ajuda condicionada&rdquo; &eacute; um &ldquo;eufemismo para imposi&ccedil;&otilde;es rigorosas que as na&ccedil;&otilde;es do Sul t&ecirc;m de aceitar para receberem um empr&eacute;stimo para o desenvolvimento feito por um pa&iacute;s ocidental&rdquo;, disse Marut, diretor-executivo do n&atilde;o governamental F&oacute;rum Internacional para o Desenvolvimento da Indon&eacute;sia. As ataduras disfar&ccedil;adas de assist&ecirc;ncia ao &ldquo;desenvolvimento&rdquo; s&atilde;o uma artimanha comum dos pa&iacute;ses ricos para &ldquo;recolocar tecnologia n&atilde;o utilizada&rdquo;, explicou Marut na confer&ecirc;ncia sobre assist&ecirc;ncia e desenvolvimento realizada na capital da Tail&acirc;ndia. &ldquo;N&atilde;o pode continuar assim. Estamos apoiando o neg&oacute;cio da assist&ecirc;ncia para garantir o emprego nas ag&ecirc;ncias doadoras&rdquo;, ressaltou.</p>
<p>A entrada em cena de atores como a China e, cada vez mais, a &Iacute;ndia, que oferecem milh&otilde;es de d&oacute;lares em ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA) sem condi&ccedil;&otilde;es mudam as regras do jogo, segundo analistas. Numerosos ativistas afirmam que o quarto F&oacute;rum de Alto N&iacute;vel sobre a Efetividade da Assist&ecirc;ncia, que acontecer&aacute; de 29 de novembro a 1&ordm; de dezembro na cidade sul-coreana de Busan, ser&aacute; um ponto de inflex&atilde;o para a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;micos (OCDE), um grupo de pa&iacute;ses ricos que h&aacute; d&eacute;cadas fixa a pol&iacute;tica de assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento.</p>
<p>&ldquo;A legitimidade da OCDE foi questionada pelos novos doadores, especialmente China e &Iacute;ndia, na &Aacute;sia, e Brasil, na Am&eacute;rica Latina&rdquo;, afirmou Antonio Tujan, diretor da Ibon International, organiza&ccedil;&atilde;o com sede em Manila. &ldquo;A crise econ&ocirc;mica global complicou a OCDE e colocou em xeque sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia&rdquo;, ressaltou. A OCDE sabe que &ldquo;as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento podem recorrer &agrave; China se n&atilde;o querem aceitar as condi&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia tradicional&rdquo;, disse Tujan &agrave; IPS. &ldquo;A reuni&atilde;o de Busan ser&aacute; um processo dirigido pela OCDE, mas marcar&aacute; a mudan&ccedil;a de caminhos no cen&aacute;rio da ajuda ao desenvolvimento&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>A ajuda ao desenvolvimento Sul-Sul incluiu US$ 2,5 bilh&otilde;es dados pela China em 2009 e US$ 547 milh&otilde;es dados pela &Iacute;ndia em 2008, abaixo do valor global de US$ 140 bilh&otilde;es em 2009. Estimativas da Faculdade Wagner, da Universidade de Nova York, indicam que a contribui&ccedil;&atilde;o chinesa foi muito maior e chegou a US$ 27,5 bilh&otilde;es, em 2006, e a US$ 25 bilh&otilde;es no ano seguinte. Os n&uacute;meros manejados pela Universidade se baseiam em not&iacute;cias da imprensa, e coincidem com o estudo &ldquo;Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul: um Desafio ao Sistema de Ajuda&rdquo;, publicado pela Ibon. &ldquo;Parece consenso que a ajuda da China &eacute; substancial e que aumentou nos &uacute;ltimos anos&rdquo;, acrescenta o estudo.</p>
<p>A &Aacute;frica continua sendo o principal objetivo da generosidade da China, ao receber 45% dos fundos concedidos por Pequim. A &Iacute;ndia dividiu sua assist&ecirc;ncia entre pa&iacute;ses da &Aacute;sia meridional, como But&atilde;o e Afeganist&atilde;o, e da &Aacute;frica, como Sud&atilde;o e Eti&oacute;pia. A ajuda, a assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento e o com&eacute;rcio da China com o Camboja, pa&iacute;s que luta para se recuperar desde 1991, quando se chegou a um acordo de paz que acabou com um sanguin&aacute;rio conflito de duas d&eacute;cadas, ilustra a velocidade com a qual aumenta a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul e se corr&oacute;i o monop&oacute;lio dos doadores ocidentais. Pequim contribuiu com US$ 850 milh&otilde;es para construir 14 represas em 2008, um sens&iacute;vel aumento em rela&ccedil;&atilde;o aos US$ 45 milh&otilde;es investidos em 2003.</p>
<p>&ldquo;China e &Iacute;ndia entraram no terreno com interesses estrat&eacute;gicos e de pol&iacute;tica externa&rdquo;, disse Kavaljit Singh, diretor do Centro de Pesquisa sobre Interesse P&uacute;blico, com sede em Nova D&eacute;lhi. &ldquo;A China quer ter acesso a recursos naturais em troca de seu investimento em infraestrutura, enquanto a &Iacute;ndia pretende assegurar benef&iacute;cios geopol&iacute;ticos e uma voz mais forte no cen&aacute;rio internacional&rdquo;, acrescentou. Contudo, nem Pequim e nem Nova D&eacute;lhi revelam qual papel pretendem desempenhar na reuni&atilde;o de Busan organizada pela OCDE.</p>
<p>O grupo de pa&iacute;ses ricos &ldquo;quer &Iacute;ndia, China e Brasil porque sabem que sua legitimidade e influ&ecirc;ncia no mundo est&atilde;o diminuindo&rdquo;, afirmou Anselmo Lee, do F&oacute;rum de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional para o Desenvolvimento da Sociedade Civil Coreana. &ldquo;A OCDE n&atilde;o se sente c&ocirc;moda com a competi&ccedil;&atilde;o do Sul. &Eacute; um dos assuntos pol&iacute;ticos mais importantes que correm nos bastidores&rdquo;, declarou &agrave; IPS. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>SUL-SUL&#058; A &#193;frica pode ir al&#233;m das mat&#233;rias-primas</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 15:59:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Louise Redvers Johannesburgo, &#193;frica do Sul, 1/7/2011 (IPS) &#8211; A coopera&#231;&#227;o Sul-Sul ocupa um lugar destacado na agenda do continente africano. Liderando o caminho est&#225; a &#193;frica do Sul, que se uniu a Brasil, R&#250;ssia, &#205;ndia e China para formar o bloco Brics A IPS conversou com o ministro de Com&#233;rcio e Ind&#250;stria sul-africano, Rob [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Louise Redvers</p>
<p> <div id="attachment_15744" class="wp-caption alignright" style="width: 164px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/98557-20110107.jpg"><img class="size-medium wp-image-15744" title="Rob Davies &#47; Depto. Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria sul-africano" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/98557-20110107.jpg" alt="Rob Davies &#47; Depto. Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria sul-africano" width="154" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Rob Davies &#47; Depto. Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria sul-africano</p></div> <strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 1/7/2011 (IPS) &#8211; A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul ocupa um lugar destacado na agenda do continente africano. Liderando o caminho est&aacute; a &Aacute;frica do Sul, que se uniu a Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia e China para formar o bloco Brics</strong></p>
<p><span id="more-15744"></span></p>
<p>A IPS conversou com o ministro de Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria sul-africano, Rob Davies, sobre o futuro do com&eacute;rcio Sul-Sul e o impacto da proposta &Aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio Tripartite (T-FTA) nas rela&ccedil;&otilde;es com as emergentes economias do continente. O T-FTA estaria formado pela Comunidade da &Aacute;frica Oriental, pelo Mercado Comum para a &Aacute;frica Oriental e Austral e pela Comunidade para o Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral.</p>
<p>IPS: Como &eacute; a atual rela&ccedil;&atilde;o comercial da &Aacute;frica do Sul com os pa&iacute;ses Bric?</p>
<p>ROB DAVIES: Vemos um grande aumento do interc&acirc;mbio entre &Aacute;frica do Sul e os pa&iacute;ses Bric. As exporta&ccedil;&otilde;es sul-africanas quadruplicaram entre 2006 e 2010, e nossas importa&ccedil;&otilde;es duplicaram no mesmo per&iacute;odo. Por outro lado, nosso com&eacute;rcio com outros pa&iacute;ses em desenvolvimento teve uma significativa queda em 2009, e, apesar de alguma recupera&ccedil;&atilde;o no ano passado, ainda est&aacute; nos n&iacute;veis de 2008. Assim, o que se pode ver &eacute; uma mudan&ccedil;a na tend&ecirc;ncia do com&eacute;rcio Sul-Sul, e essa &eacute; a pol&iacute;tica que estamos procurando.</p>
<p>IPS: Como o governo sul-africano deseja que o com&eacute;rcio Sul-Sul se desenvolva a partir de agora?</p>
<p>RD: O que tentamos &eacute; mudar algo na qualidade do com&eacute;rcio que temos com os pa&iacute;ses Bric. Por exemplo, n&oacute;s, na &Aacute;frica do Sul, fornecemos principalmente produtos prim&aacute;rios, mas tamb&eacute;m temos interc&acirc;mbios bilaterais que queremos fortalecer. Queremos vender a esses pa&iacute;ses produtos com maior valor agregado para podermos enfrentar e, inclusive, eliminar, os desequil&iacute;brios que existem nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais neste momento. E, dentro do contexto africano, queremos ter mais equil&iacute;brio comercial com o restante do continente. N&atilde;o podemos simplesmente continuar vendendo-lhes se existe um grande desequil&iacute;brio, que &eacute; algo que reconhecemos.</p>
<p>IPS: Ent&atilde;o, quer que a &Aacute;frica fa&ccedil;a mais do que exportar mat&eacute;rias-primas e recursos?</p>
<p>RD: Sim. &Eacute; isso que buscamos, construir uma s&eacute;rie de rela&ccedil;&otilde;es com outros pa&iacute;ses do Sul e do continente africano. Porque os princ&iacute;pios que s&atilde;o geralmente mencionados nos acordos comerciais n&atilde;o s&atilde;o respeitados, como os benef&iacute;cios m&uacute;tuos e a reciprocidade. Queremos que esses princ&iacute;pios sejam colocados em pr&aacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais com outros pa&iacute;ses em desenvolvimento, inclusive os do continente africano.</p>
<p>IPS: Acredita que ser parte do T-FTA d&aacute; mais peso &agrave; &Aacute;frica do Sul dentro do Brics?</p>
<p>RD: Creio que j&aacute; representamos a &Aacute;frica por termos um mandato. Est&aacute; muito claro que os pa&iacute;ses Bric sentiram que lhes faltava algo do continente africano quando decidiram ampliar o grupo. Assim, nos escolheram por sermos um ator-chave no continente. A din&acirc;mica e as rela&ccedil;&otilde;es entre n&oacute;s e o Bric, e entre n&oacute;s e a &Aacute;frica, s&atilde;o muito estreitas.</p>
<p>IPS: Portanto, acredita que os pa&iacute;ses Bric come&ccedil;aram a ver a &Aacute;frica como uma entidade mais unificada gra&ccedil;as ao T-FTA?</p>
<p>RD: Esperamos que sim. J&aacute; disse antes: n&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil encontrar algu&eacute;m que construa a infraestrutura desde a mina at&eacute; o litoral para tirar as mat&eacute;rias-primas do continente africano. H&aacute; muitos dispostos a faz&ecirc;-lo. Mas, um osso mais duro de roer &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o da infraestrutura que nos conecta, porque todas as principais rotas de comunica&ccedil;&atilde;o no continente africano v&atilde;o do interior para o mar. N&atilde;o v&atilde;o de norte a sul nem interligam popula&ccedil;&otilde;es. E acredito que &eacute; a&iacute; que est&aacute; o desafio. Gostar&iacute;amos de trabalhar com outros s&oacute;cios sobre esse tipo de desafio de infraestrutura para melhorar as conex&otilde;es, a log&iacute;stica de transporte entre centro, leste e sul da &Aacute;frica.</p>
<p>IPS: E qual a rea&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses Bric &agrave; proposta T-FTA?</p>
<p>RS: N&atilde;o sei de nenhum coment&aacute;rio espec&iacute;fico feito desde a c&uacute;pula, mas compartilhamos ideias por este projeto antes, e conversamos em v&aacute;rias ocasi&otilde;es durante nossas intera&ccedil;&otilde;es. Todos o consideram muito positivo e um acontecimento importante. Todos os pa&iacute;ses Brics se envolvem cada vez mais no continente africano, e todos sabem que a &Aacute;frica &eacute; uma fonte de oportunidades. Creio que esta &eacute; uma grande mudan&ccedil;a ocorrida desde a recess&atilde;o: a &Aacute;frica agora &eacute; cada vez mais reconhecida como uma fonte de oportunidades. V&aacute;rios estudos indicam que o continente tem as maiores possibilidades de crescer em n&iacute;vel mundial, depois de China e &Iacute;ndia.</p>
<p>IPS: O com&eacute;rcio Sul-Sul &eacute; mais atraente para a &Aacute;frica do que as hist&oacute;ricas rela&ccedil;&otilde;es Norte-Sul?</p>
<p>RD: Creio que temos uma clara oportunidade hist&oacute;rica de criar um novo padr&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es comerciais baseadas no verdadeiro cumprimento dos benef&iacute;cios m&uacute;tuos. At&eacute; certo ponto, o modelo de com&eacute;rcio Norte-Sul &eacute; replicado no com&eacute;rcio Sul-Sul, j&aacute; que a &Aacute;frica fornece mat&eacute;rias-primas. Isto ocorre por haver novos atores, a China estar se industrializando e criando um boom com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mat&eacute;rias-primas, e os pre&ccedil;os estarem em alta. Mas o continente africano est&aacute; bem consciente de que n&atilde;o pode continuar vivendo com base em um boom de mat&eacute;rias-primas, nem confiar que ele continuar&aacute; para sempre. Temos que desenvolver uma atividade que tenha maior valor agregado. Portanto, creio que, entre outras coisas, estamos procurando o com&eacute;rcio e a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul para avan&ccedil;ar. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>GRUPO DOS 20&#058; Fome de oportunidades</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 17:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marcela Valente Buenos Aires, Argentina, 23/5/2011 (IPS) &#8211; A carestia alimentar pode estar abrindo novas brechas de fome no mundo em desenvolvimento, mas os grandes produtores agropecu&#225;rios latino-americanos do Grupo dos 20 (G-20) veem nela uma oportunidade a ser explorada. Isso ficou evidente no Painel sobre Commodities (produtos b&#225;sicos) organizado pelo G-20 nos dias 19 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marcela Valente</p>
<p><strong>Buenos Aires, Argentina, 23/5/2011 (IPS) &#8211; A carestia alimentar pode estar abrindo novas brechas de fome no mundo em desenvolvimento, mas os grandes produtores agropecu&aacute;rios latino-americanos do Grupo dos 20 (G-20) veem nela uma oportunidade a ser explorada.</strong></p>
<p><span id="more-15724"></span></p>
<p>Isso ficou evidente no Painel sobre Commodities (produtos b&aacute;sicos) organizado pelo G-20 nos dias 19 e 20 deste m&ecirc;s em Buenos Aires, para discutir a nova alta dos alimentos, com a presen&ccedil;a de ministros da Economia e da Agricultura dos pa&iacute;ses-membros.</p>
<p>O painel tentou abordar as causas da nova tend&ecirc;ncia de alta do mercado de alimentos. E desfilaram como resposta a crescente demanda da China e da &Iacute;ndia, a especula&ccedil;&atilde;o financeira e os biocombust&iacute;veis. A preocupa&ccedil;&atilde;o foi apresentada pela Fran&ccedil;a, que exerce atualmente a presid&ecirc;ncia do G-20, formado pelos pa&iacute;ses industrializados e as principais economias emergentes que controlam a maior parte das terras cultiv&aacute;veis do mundo.</p>
<p>Esses pa&iacute;ses s&atilde;o Alemanha, Ar&aacute;bia Saudita, Argentina, Austr&aacute;lia, Brasil, Canad&aacute;, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha, &Iacute;ndia, Indon&eacute;sia, It&aacute;lia, Jap&atilde;o, M&eacute;xico, R&uacute;ssia, &Aacute;frica do Sul, Uni&atilde;o Europeia e Turquia. A Espanha participa das reuni&otilde;es como convidada.</p>
<p>A Fran&ccedil;a precisou guardar sua proposta original de controle de pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas diante da press&atilde;o exercida por Argentina, Brasil e outros grandes produtores de alimentos. Por outro lado, todos se comprometeram a tornar mais transparente o mercado destes bens e avan&ccedil;ar em um plano de a&ccedil;&atilde;o de cinco pontos, que os ministros da Agricultura discutir&atilde;o no final de junho em Paris.</p>
<p>Estes pontos s&atilde;o: promover o investimento agr&iacute;cola para aumentar a oferta; ampliar a informa&ccedil;&atilde;o para reduzir a especula&ccedil;&atilde;o e conseguir transpar&ecirc;ncia; mecanismos de a&ccedil;&atilde;o para vencer uma crise alimentar; dar tratamento &agrave; volatilidade de pre&ccedil;os; estabelecer regulamenta&ccedil;&otilde;es como as que existem em outros mercados mundiais.</p>
<p>Na c&uacute;pula dos dias 3 e 4 de novembro, na cidade francesa de Cannes, os l&iacute;deres do G-20 tentar&atilde;o detalhar este plano de a&ccedil;&atilde;o para estabilizar os mercados e mitigar o impacto das altas nas na&ccedil;&otilde;es mais vulner&aacute;veis. O controle da volatilidade das mat&eacute;rias-primas &eacute; a terceira prioridade da presid&ecirc;ncia francesa do grupo, sendo precedida pela reforma do sistema monet&aacute;rio internacional e do fortalecimento da regula&ccedil;&atilde;o financeira.</p>
<p>Na segunda metade de 2010, os alimentos sofreram uma alta m&eacute;dia de 30%, afirma um documento assinado pela Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal), Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO) e pelo Instituto Interamericano de Coopera&ccedil;&atilde;o para a Agricultura.</p>
<p>O pre&ccedil;o do trigo aumentou 94,4% entre junho e dezembro do ano passado, diz o boletim &ldquo;Volatilidade de Pre&ccedil;os dos Mercados Agr&iacute;colas (2000-2010): Implica&ccedil;&otilde;es para a Am&eacute;rica Latina e Op&ccedil;&otilde;es de Pol&iacute;tica&rdquo;. O Banco Mundial estima que, desde junho, 44 milh&otilde;es de pessoas foram empurradas para a pobreza devido a esta carestia.</p>
<p>Embora suas popula&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m sofram estas consequ&ecirc;ncias, para os pa&iacute;ses agropecu&aacute;rios da Am&eacute;rica Latina este cen&aacute;rio representa, sobretudo, renda extraordin&aacute;ria. &Iacute;ndia e China, que se ressentem da falta de recursos como terra e &aacute;gua, s&atilde;o grandes compradores de alimentos. E a regi&atilde;o deve investir para aproveitar esta conjuntura, disse &agrave; IPS o economista brasileiro Mauricio Mesquita Moreira, do Banco Interamericano de Desenvolvimento.</p>
<p>Embora a especula&ccedil;&atilde;o financeira contribua para a volatilidade dos pre&ccedil;os, as altas obedecem, principalmente, &agrave; crescente demanda das na&ccedil;&otilde;es emergentes, insistiu Mesquita. Por isto, a regi&atilde;o precisa aproveitar ainda mais os termos do interc&acirc;mbio, em lugar de continuar planejando maior industrializa&ccedil;&atilde;o do que os pa&iacute;ses asi&aacute;ticos j&aacute; conseguiram, acrescentou.</p>
<p>&ldquo;A ideia de que a &uacute;nica sa&iacute;da &eacute; se industrializar era vi&aacute;vel nos anos 1970 e 1980. Se a Am&eacute;rica Latina tivesse migrado naquela &eacute;poca, ent&atilde;o haveria essa etapa para bens mais sofisticados e menos vulner&aacute;veis, seria outra coisa, mas hoje n&atilde;o tem sentido insistir em um mercado cada vez mais congestionado&rdquo;, afirmou Mesquita. A quest&atilde;o &eacute; &ldquo;como aproveitar esta oportunidade. Nossos pa&iacute;ses, por heran&ccedil;a colonial, t&ecirc;m grande concentra&ccedil;&atilde;o de renda, e a atividade agropecu&aacute;ria &eacute; intensiva em capital, n&atilde;o gera tanto emprego&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>&ldquo;O bom da manufatura &eacute; que gera uma quantidade de postos de trabalho que em pouco tempo permite eliminar a pobreza. Vemos isso em muitos pa&iacute;ses asi&aacute;ticos, mas creio que perdemos essa possibilidade&rdquo;, disse Mesquita. Para ele, &ldquo;o novo desafio &eacute; se especializar em recursos naturais, agregar-lhes valor, sofisticar a oferta de bens e, ao mesmo tempo, gerar emprego e planos de transfer&ecirc;ncias condicionadas de renda para os mais pobres&rdquo;.</p>
<p>Os produtores rurais do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) n&atilde;o poderiam estar mais de acordo. Representados na Federa&ccedil;&atilde;o de Associa&ccedil;&otilde;es Rurais do Mercosul, os influentes setores agropecu&aacute;rios destacaram &ldquo;a oportunidade que se abre para a regi&atilde;o pelas m&atilde;os da fortaleza dos pre&ccedil;os dos alimentos&rdquo;. A organiza&ccedil;&atilde;o recomendou aos governos incentivar uma oferta maior e uma coordena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que ajude a manter o abastecimento interno ao mesmo tempo em que s&atilde;o aproveitadas as oportunidades que o mercado mundial oferece.</p>
<p>Os especialistas presentes &agrave; reuni&atilde;o concordaram que o fator decisivo no mercado de alimentos dos &uacute;ltimos anos &eacute; a irrup&ccedil;&atilde;o de China e &Iacute;ndia, pelo lado da demanda. Sobre esta alavanca fundamental de alta de pre&ccedil;os montam-se outros fatores determinantes, pelo lado da oferta. Por exemplo, secas, inunda&ccedil;&otilde;es e outros eventos clim&aacute;ticos extremos afetaram rendimentos de colheitas em v&aacute;rios lugares do mundo.</p>
<p>Tamb&eacute;m h&aacute; desafios menos tradicionais, como os novos usos agr&iacute;colas, principalmente para produzir agrocombust&iacute;veis, e a chamada &ldquo;financeiriza&ccedil;&atilde;o&rdquo; da agricultura. Nos mercados financeiros h&aacute; um crescimento exponencial de contratos futuros no setor agr&iacute;cola, uma ferramenta criada para mitigar o risco inerente da atividade, mas que pode provocar altas artificiais, destaca o documento &ldquo;Volatilidade de pre&ccedil;os&rdquo;. Em todo caso, estes fatores causam r&aacute;pidas oscila&ccedil;&otilde;es de pre&ccedil;os, mas a tend&ecirc;ncia geral de alta responde &agrave; maior demanda, elemento que chegou para ficar. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>O bazar turco faz neg&#243;cio na c&#250;pula dos mais pobres</title>
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		<pubDate>Tue, 17 May 2011 14:29:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sanjay Suri Istambul, Turquia, 16/5/2011 (IPS) &#8211; Nos sal&#245;es superiores, onde acontecia a confer&#234;ncia dos pa&#237;ses menos adiantados (PMA), foi dito tudo o que &#233; necess&#225;rio sobre as mis&#233;rias da pobreza e as virtudes do desenvolvimento. Alguns andares abaixo, as chamadas &#8220;for&#231;as do mercado&#8221; ocupavam seus espa&#231;os, minando quase todas as grandes declara&#231;&#245;es da IV [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sanjay Suri</p>
<p> <div id="attachment_15717" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/1228.jpg"><img class="size-medium wp-image-15717" title="Estande de roupa masculina na se&ccedil;&atilde;o turca da feira, repleta de ofertas para compradores dos pa&iacute;ses menos adiantados. &#47; Sanjay Suri&#47;IPS" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/1228.jpg" alt="Estande de roupa masculina na se&ccedil;&atilde;o turca da feira, repleta de ofertas para compradores dos pa&iacute;ses menos adiantados. &#47; Sanjay Suri&#47;IPS" width="200" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Estande de roupa masculina na se&ccedil;&atilde;o turca da feira, repleta de ofertas para compradores dos pa&iacute;ses menos adiantados. &#47; Sanjay Suri&#47;IPS</p></div> <strong>Istambul, Turquia, 16/5/2011 (IPS) &#8211; Nos sal&otilde;es superiores, onde acontecia a confer&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses menos adiantados (PMA), foi dito tudo o que &eacute; necess&aacute;rio sobre as mis&eacute;rias da pobreza e as virtudes do desenvolvimento.</strong></p>
<p><span id="more-15717"></span></p>
<p>Alguns andares abaixo, as chamadas &ldquo;for&ccedil;as do mercado&rdquo; ocupavam seus espa&ccedil;os, minando quase todas as grandes declara&ccedil;&otilde;es da IV C&uacute;pula das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os PMA, encerrada no dia 13.</p>
<p>Uma bateria de empresas turcas instalou suas bancas do S&eacute;culo 21 neste bazar, &aacute;vidas por neg&oacute;cios com suas contrapartes dos 48 PMA, do Haiti &agrave; Birm&acirc;nia, passando por Sud&atilde;o e I&ecirc;men, sendo 33 pa&iacute;ses africanos, 14 asi&aacute;ticos e um americano. Muitos gerentes dessas contrapartes receberam ajuda financeira para estarem em Istambul e conhecer os produtos em oferta. Este &eacute; &ldquo;o caminho do setor privado&rdquo; da Confer&ecirc;ncia, paralelo &agrave;s conversa&ccedil;&otilde;es oficiais.</p>
<p>A feira distribuiu de maneira igual espa&ccedil;os para cada um dos PMA. Mas a se&ccedil;&atilde;o turca esteve repleta de objetos, enquanto a dos pa&iacute;ses mais pobres entre os pobres permaneceu vazia, a ponto de a maioria dos pa&iacute;ses n&atilde;o colocarem nem mesmo uma mesa e uma cadeira, por fim, desnecess&aacute;rias diante da falta de algu&eacute;m para ocup&aacute;-las desde o dia 8, in&iacute;cio do encontro. O bazar do setor privado &eacute; uma express&atilde;o simb&oacute;lica do dram&aacute;tico desequil&iacute;brio do qual falaram e tentaram, em v&atilde;o, superar os delegados no andar de cima. Era um instant&acirc;neo da dizimada empresa privada do mundo pobre.</p>
<p>&ldquo;O setor privado est&aacute; bastante atrasado em muitos PMA&rdquo;, disse &agrave; IPS a subdiretora-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), Valentine Rugwabiza. &ldquo;H&aacute; um grande dinamismo em Bangladesh, mas n&atilde;o podemos dizer o mesmo da maioria dos africanos&rdquo;. A funcion&aacute;ria destacou o not&aacute;vel contraste entre estes pa&iacute;ses e a Turquia, que &eacute; a 12&ordf; economia do mundo. &ldquo;Os empres&aacute;rios dos menos adiantados necessitam de uma associa&ccedil;&atilde;o mais estreita. E o pa&iacute;s anfitri&atilde;o desta Confer&ecirc;ncia &eacute; um exemplo excelente. Fiquei encantada com o modo que empresas e governo trabalham lado a lado. &Eacute; impressionante a forma com se re&uacute;nem com seus governos e ministros, e o governo lhes d&aacute; respostas em duas semanas&rdquo;, destacou.</p>
<p>Em muitos pa&iacute;ses existem organiza&ccedil;&otilde;es empresariais que se agrupam em nome de interesses comuns, ou grupos industriais que pressionam seus governos, acompanham as negocia&ccedil;&otilde;es e fazem indica&ccedil;&otilde;es claras sobre o que suas ind&uacute;strias est&atilde;o em condi&ccedil;&atilde;o de aceitar, de oferecer e de rejeitar. Os governos dos PMA, n&atilde;o t&ecirc;m tradi&ccedil;&atilde;o de trabalhar com as empresas, explicou Rugwabiza. E este &eacute; um fator central do desequil&iacute;brio. &ldquo;Queremos que os PMA exportem m&oacute;veis, n&atilde;o madeira&rdquo;, disse &agrave; IPS o diretor-executivo do n&atilde;o governamental South Centre, Martin Khor, com sede em Genebra.</p>
<p>Contudo, estes pa&iacute;ses t&ecirc;m pouqu&iacute;ssimos produtos acabados a oferecer. Segundo dado da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, o com&eacute;rcio proporciona 70% da renda nacional destas economias, mas quase tr&ecirc;s quartos do que exportam s&atilde;o compostos por um punhado de mat&eacute;ria-prima. Lar de quase 900 milh&otilde;es de pessoas, os PMA sempre foram fornecedores de produtos b&aacute;sicos e compradores de manufaturados.</p>
<p>O bazar exportador no centro de conven&ccedil;&otilde;es de Istambul oferecia uma viva imagem do que as empresas querem vender. V&aacute;rias companhias turcas apresentavam camas e equipamentos hospitalares, um neg&oacute;cio promissor em pa&iacute;ses com altos n&iacute;veis de enfermidades e escassa infraestrutura m&eacute;dica. Havia tamb&eacute;m grande variedade de bens de consumo, desde acess&oacute;rios de alta costura at&eacute; decora&ccedil;&atilde;o e m&oacute;veis. Boa parte era dirigida a uns poucos das popula&ccedil;&otilde;es mais pobres, uma fra&ccedil;&atilde;o da classe m&eacute;dia e alta em quase 900 milh&otilde;es de pessoas.</p>
<p>Em meio aos espa&ccedil;os desertos que deveriam estar ocupados por empresas dos menos adiantados, o estande de Bangladesh era virtualmente uma ilha de atividade. &ldquo;De fato, esperamos deixar em breve a categoria de pa&iacute;s menos adiantado&rdquo;, disse &agrave; IPS a presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Mulheres Empres&aacute;rias de Bangladesh, Nasreen Awal Mintoo.</p>
<p>Boa parte do crescimento &eacute; conduzida pelo setor privado, acrescentou. &ldquo;As empresas de Bangladesh est&atilde;o fazendo muito e est&atilde;o crescendo em maior velocidade. E o empresariado feminino cresce r&aacute;pido tamb&eacute;m, o que ajuda o crescimento do pa&iacute;s.&rdquo; Talvez os espa&ccedil;os vazios nesse grande bazar devessem estar ocupados pelos empres&aacute;rios, com uma grande participa&ccedil;&atilde;o feminina, em lugar de esperar que fossem ocupados por meio das pr&aacute;ticas das confer&ecirc;ncias internacionais. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>Pontes Sul-Sul para os menos adiantados</title>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2011 17:30:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Rousbeh Legatis Na&#231;&#245;es Unidas, 12/5/2011 (IPS) &#8211; Nos esfor&#231;os de colabora&#231;&#227;o entre pa&#237;ses em desenvolvimento &#8220;somos todos s&#243;cios&#8221;, disse &#224; IPS Josephine Ojiambo, embaixadora do Qu&#234;nia na Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas e presidente do Comit&#234; de Alto N&#237;vel da Assembleia Geral sobre Coopera&#231;&#227;o Sul-Sul. Este tipo de coopera&#231;&#227;o &#8220;especificamente se afasta da rela&#231;&#227;o doador-cliente&#8221;, acrescentou. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Rousbeh Legatis</p>
<p> <div id="attachment_15713" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/1202.jpg"><img class="size-medium wp-image-15713" title="Josephine Ojiambo. &#47; Cortesia de GSSD Expo" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/1202.jpg" alt="Josephine Ojiambo. &#47; Cortesia de GSSD Expo" width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Josephine Ojiambo. &#47; Cortesia de GSSD Expo</p></div> <strong>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 12/5/2011 (IPS) &#8211; Nos esfor&ccedil;os de colabora&ccedil;&atilde;o entre pa&iacute;ses em desenvolvimento &ldquo;somos todos s&oacute;cios&rdquo;, disse &agrave; IPS Josephine Ojiambo, embaixadora do Qu&ecirc;nia na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e presidente do Comit&ecirc; de Alto N&iacute;vel da Assembleia Geral sobre Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul.</strong></p>
<p><span id="more-15713"></span></p>
<p>Este tipo de coopera&ccedil;&atilde;o &ldquo;especificamente se afasta da rela&ccedil;&atilde;o doador-cliente&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>O apoio dos doadores tradicionais aos chamados pa&iacute;ses menos adiantados (PMA) &eacute;, em geral, &ldquo;menos do que adequado&rdquo;, enquanto o interc&acirc;mbio de recursos, tecnologia, conhecimento e melhores pr&aacute;ticas entre as pr&oacute;prias na&ccedil;&otilde;es do Sul ganha impulso, destacou Ojiambo. Enquanto se desenvolve em Istambul a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Pa&iacute;ses Menos Adiantados (LDC-IV), a IPS conversou com Ojiambo sobre como as solu&ccedil;&otilde;es entre as pr&oacute;prias na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento podem complementar a coopera&ccedil;&atilde;o Norte-Sul.</p>
<p>IPS: O que faz a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul ser &uacute;til para os PMA?</p>
<p>JOSEPHINE OJIAMBO: Os pa&iacute;ses do Sul s&atilde;o uma impressionante fonte de solu&ccedil;&otilde;es para os desafios do desenvolvimento, especialmente dos PMA. A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul oferece novas ideias concretas, modelos e pr&aacute;ticas para os PMA, e, portanto, proporcionam grandes oportunidades adicionais. Al&eacute;m disso, os pa&iacute;ses do Sul tendem a oferecer tecnologias e solu&ccedil;&otilde;es mais apropriadas para as necessidades especiais e circunstanciais dos PMA, devido &agrave; suas semelhan&ccedil;as em meio ambiente, contexto e curso de desenvolvimento. As na&ccedil;&otilde;es do Sul, al&eacute;m de seu tamanho ou n&iacute;vel de desenvolvimento, t&ecirc;m algo para colocar na mesa. Hoje, quando os PMA participam de negocia&ccedil;&otilde;es internacionais como grupo, podem fazer ouvir uma voz mais forte ao mesmo tempo em que oferecem tecnologias apropriadas, modelos agr&iacute;colas e outras solu&ccedil;&otilde;es de sucesso. Os pa&iacute;ses do Sul agora est&atilde;o no centro da nova geografia do com&eacute;rcio internacional, com produtores, comerciantes e consumidores nos mercados globais. O investimento estrangeiro direto (IED) Sul-Sul atingiu um pico de US$ 187 bilh&otilde;es em 2008 (14% do IED global), quando em 1990 era de US$ 12 bilh&otilde;es (4% do n&iacute;vel mundial). Os PMA receberam 40% do IED das na&ccedil;&otilde;es do Sul.</p>
<p>IPS: As pot&ecirc;ncias emergentes do Sul (Brasil, China, &Iacute;ndia e &Aacute;frica do Sul), ajudam os PMA? Como?</p>
<p>JO: Muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento adquiriram substancial conhecimento, capacidade e experi&ecirc;ncia para criar institui&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas de sucesso destinadas &agrave; administra&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica, bem como para o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia, tecnologia e administra&ccedil;&atilde;o ambiental. H&aacute; potencial para compartilhar experi&ecirc;ncias concretas entre as na&ccedil;&otilde;es do Sul. Um cen&aacute;rio no qual todos ganham. Alguns exemplos de sucesso s&atilde;o o Bolsa Fam&iacute;lia, no Brasil, e o Programa Nacional Alimento por Trabalho, na &Iacute;ndia, bem como as pol&iacute;ticas de liberaliza&ccedil;&atilde;o adotadas pela China. S&atilde;o pr&aacute;ticas potencialmente &uacute;teis que podem ser replicadas em outros pa&iacute;ses. China e &Iacute;ndia tamb&eacute;m t&ecirc;m estrat&eacute;gias na &Aacute;frica, algo importante devido ao grande n&uacute;mero de PMA nesse continente.</p>
<p>IPS: Que papel os pa&iacute;ses do Norte devem desempenhar?</p>
<p>JO: A coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul n&atilde;o substitui a coopera&ccedil;&atilde;o Norte-Sul. Opera sobre princ&iacute;pios muito diferentes da ajuda dos doadores. N&atilde;o s&oacute; engloba os fluxos financeiros, como os empr&eacute;stimos e programas para projetos sociais e de investimento em infraestrutura, mas que tamb&eacute;m inclui o interc&acirc;mbio de experi&ecirc;ncias, tecnologia e capacidades, acesso preferencial a mercados, e apoio e investimentos, transmitindo e estimulando similares tipos e n&iacute;veis de desenvolvimento, gerando emprego e construindo capital e capacidade. Entretanto, apesar dos r&aacute;pidos progressos na coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul em escala, alcance e dimens&atilde;o, tamb&eacute;m h&aacute; limita&ccedil;&otilde;es. Os pa&iacute;ses do Sul, particularmente os PMA, enfrentam grandes desafios em termos de alta preval&ecirc;ncia de pobreza, desnutri&ccedil;&atilde;o e desemprego, s&eacute;rio d&eacute;ficit em infraestrutura e capacidades produtivas, e o impacto de golpes externos. A coopera&ccedil;&atilde;o Norte-Sul e as sociedades triangulares continuam sendo fundamentais neste sentido. As oportunidades de desenvolvimento podem ser levadas &agrave; mesa por meio de mecanismos multilaterais, como o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul, administrado pela Unidade Especial para a Coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento. O sistema multilateral de desenvolvimento pode ser uma ponte entre pa&iacute;ses do Sul e s&oacute;cios do Norte, pode mobilizar os doadores e ser um catalisador para as na&ccedil;&otilde;es industrializadas e em desenvolvimento para que intervenham quando e onde for necess&aacute;rio.</p>
<p>IPS: Quais s&atilde;o os limites da coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul para apoiar os PMA e por qu&ecirc;?</p>
<p>JO: O financiamento e os recursos t&ecirc;m limites significativos. Nos &uacute;ltimos anos, durante as crises financeiras, os PMA expressaram seu temor de que mesmo os avan&ccedil;os obtidos no desenvolvimento sejam perdidos. Envolverde/IPS<br />(IPS)</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>DESENVOLVIMENTO&#058; Ibas ajuda sem compromisso</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 12:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Marina Penderis Johannesburgo, &#193;frica do Sul,, 15/4/2011 (IPS) &#8211; Os doadores do mundo industrializado costumam impor condi&#231;&#245;es r&#237;gidas aos pa&#237;ses beneficiados. Mas a coopera&#231;&#227;o Sul-Sul permite um novo enfoque de financiamento pelo Fundo Ibas para Aliviar a Pobreza e a Fome. O novo mecanismo &#8220;tem a ver com as prioridades do pa&#237;s ou do governo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Marina Penderis</p>
<p><strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul,, 15/4/2011 (IPS) &#8211; Os doadores do mundo industrializado costumam impor condi&ccedil;&otilde;es r&iacute;gidas aos pa&iacute;ses beneficiados.</strong></p>
<p><span id="more-15705"></span></p>
<p>Mas a coopera&ccedil;&atilde;o Sul-Sul permite um novo enfoque de financiamento pelo Fundo Ibas para Aliviar a Pobreza e a Fome. O novo mecanismo &ldquo;tem a ver com as prioridades do pa&iacute;s ou do governo receptor, ao contr&aacute;rio das rela&ccedil;&otilde;es com outros doadores. N&atilde;o se trata de impor condi&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirmou o embaixador do Brasil na &Aacute;frica do Sul, Fernando Sena.</p>
<p>O grupo Ibas (&Iacute;ndia, Brasil, &Aacute;frica do Sul) come&ccedil;ou em 2003 com o objetivo de promover a coopera&ccedil;&atilde;o entre os tr&ecirc;s pa&iacute;ses, o que fez aumentar o com&eacute;rcio entre eles, que chegou a US$ 15 bilh&otilde;es em 2010, bem mais do que os US$ 3,8 bilh&otilde;es de 2004. O Fundo Ibas foi criado em 2004 com US$ 1 milh&atilde;o entregue por cada um dos s&oacute;cios. O dinheiro se destina a projetos de desenvolvimento em pa&iacute;ses de baixa renda. O mecanismo n&atilde;o tem sua pr&oacute;pria secretaria, por isto &eacute; gerido pelo Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).</p>
<p>Com o Fundo Ibas, foi financiada uma iniciativa para melhorar as pr&aacute;ticas agr&iacute;colas na Guin&eacute;-Bissau e outra para reunir fac&ccedil;&otilde;es em confronto no Haiti na zona de Carrefour Feuilles, propensa &agrave; viol&ecirc;ncia, mediante um projeto conjunto de coleta de lixo s&oacute;lido. &ldquo;N&atilde;o &eacute; um empr&eacute;stimo e n&atilde;o pretendemos que nos devolvam&rdquo;, explicou Sena. Enquanto economias emergentes que ainda t&ecirc;m necessidades em mat&eacute;ria de desenvolvimento, os membros do Ibas est&atilde;o decididos a se afastar o m&aacute;ximo poss&iacute;vel da tradicional rela&ccedil;&atilde;o doador-benefici&aacute;rio.</p>
<p>&ldquo;Temos nossas pr&oacute;prias necessidades, e nos move um interesse solid&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o aos outros. A ideia &eacute; apoiar projetos vi&aacute;veis que posam ser reproduzidos, com base nas capacidades do Ibas e nas experi&ecirc;ncias de sucesso em nossos territ&oacute;rios. Os projetos devem se basear nas necessidades locais, ser geridos e de propriedade da popula&ccedil;&atilde;o local&rdquo;, explicou Sena. &ldquo;Compartilhamos nossa experi&ecirc;ncia enquanto pa&iacute;s em desenvolvimento. Quando falamos de coopera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tentamos impor nossa posi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma conversa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o dizemos ao benefici&aacute;rio o que deve fazer. N&atilde;o somos arrogantes&rdquo;, acrescentou o embaixador.</p>
<p>As raz&otilde;es para criar o Ibas inclu&iacute;ram o desejo de operar &ldquo;de forma independente dos preconceitos das na&ccedil;&otilde;es ricas&rdquo;, disse o enviado brasileiro &agrave; &Aacute;frica do Sul, Jos&eacute; de S&aacute; Pimentel, em um discurso pronunciado em mar&ccedil;o. &ldquo;A guerra do Iraque e o colapso econ&ocirc;mico de 2008 corroeram a ordem mundial e deixaram claro que s&atilde;o necess&aacute;rias novas regras e novos atores se quisermos que o sistema funcione de forma mais adequada. No momento, n&atilde;o h&aacute; resposta das pot&ecirc;ncias nem das organiza&ccedil;&otilde;es que devem abrir o caminho&rdquo;, ressaltou.</p>
<p>&ldquo;Os sinais de algo novo s&atilde;o indiscut&iacute;veis, mas restam d&uacute;vidas sobre seu alcance, sua profundidade e dire&ccedil;&atilde;o. H&aacute; um caminho em marcha a respeito do equil&iacute;brio econ&ocirc;mico, embora lento, que beneficia os pa&iacute;ses do Sul. No entanto, os principais atores n&atilde;o parecem estar no banco do motorista&rdquo;, acrescentou. O Fundo Ibas oferece uma oportunidade para testar um enfoque vi&aacute;vel de desenvolvimento Sul-Sul, embora limitado. Tamb&eacute;m permite que novos atores coloquem &agrave; prova suas capacidades &ldquo;no banco do motorista&rdquo;, segundo Pimentel.</p>
<p>&ldquo;O motor do Brasil s&atilde;o os recursos naturais e a minera&ccedil;&atilde;o. A &Iacute;ndia se prop&otilde;e a impulsionar o desenvolvimento na &Aacute;frica porque lhe conv&eacute;m ampliar seus mercados. J&aacute; o papel da &Aacute;frica do Sul est&aacute; baseado em sua influ&ecirc;ncia no continente&rdquo;, disse Petrus de Kock, pesquisador do Instituto de Assuntos Internacionais, com sede em Johannesburgo.</p>
<p>&ldquo;&Eacute; um indicador interessante que, em 2008, &Iacute;ndia tenha gasto US$ 547 milh&otilde;es em assist&ecirc;ncia, seja de forma direta ou indireta, vinculados ao Ibas&rdquo;, afirmou Kock, pesquisador do programa &ldquo;governan&ccedil;a de recursos da &Aacute;frica&rdquo;, do Instituto. No mesmo ano, a &Iacute;ndia entrou com outros US$ 2,96 milh&otilde;es em linhas de cr&eacute;dito, a maioria para pa&iacute;ses da &Aacute;frica subsaariana. Esta contribui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se relaciona com o Ibas, mas &ldquo;mostra como a &Iacute;ndia se converte em um ator importante na assist&ecirc;ncia ao desenvolvimento&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>Para Lyal White, diretora do Centro de Mercados Din&acirc;micos do Instituto Gordon de Ci&ecirc;ncias Empresariais, da Universidade de Pret&oacute;ria, o Brasil &eacute; o ator pol&iacute;tico mais forte do Ibas. Esse pa&iacute;s &ldquo;tem mais interesses criados&rdquo;, disse White. &ldquo;A &Iacute;ndia tende a se concentrar em seu compromisso unilateral e a &Aacute;frica do Sul faz parte da &Aacute;frica&rdquo;, acrescentou, lembrando que &ldquo;Bras&iacute;lia utiliza a plataforma Ibas de forma mais efetiva como f&oacute;rum diplom&aacute;tico e pol&iacute;tico&rdquo;.</p>
<p>Os membros do Ibas podem ter diferentes prioridades, mas as democracias multiculturais com economias emergentes que compartilham fazem com que no futuro possam desempenhar um papel no cen&aacute;rio mundial. &ldquo;As economias do Norte vivem em perp&eacute;tua crise. A popula&ccedil;&atilde;o da Europa envelhece e diminui, o que implica ficar mais dependente do Estado. Para um panorama sobre o futuro crescimento da economia global &eacute; preciso olhar os Ibas do mundo&rdquo;, disse Kock. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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