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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; Opinião</title>
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		<title>&#205;NDIA&#058; A farm&#225;cia dos pobres est&#225; em perigo</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2012 09:14:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ásia e Pacífico]]></category>
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		<description><![CDATA[Martin Khor* Genebra, Su&#237;&#231;a, junho/2012 (IPS) &#8211; A &#205;ndia &#233; famosa pelo Taj Mahal, por suas cerim&#244;nias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econ&#244;mico nos anos recentes. Por&#233;m, &#233; mais importante e menos conhecida sua contribui&#231;&#227;o na &#225;rea de medicamentos gen&#233;ricos de boa qualidade e baixo custo, que salvam ou prolongam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Martin Khor*</p>
<p> <div id="attachment_16277" class="wp-caption alignright" style="width: 164px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/Artigo.jpg"><img class="size-medium wp-image-16277" title="Martin Khor." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/Artigo.jpg" alt="Martin Khor." width="154" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Martin Khor.</p></div> <strong>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, junho/2012 (IPS) &#8211; A &Iacute;ndia &eacute; famosa pelo Taj Mahal, por suas cerim&ocirc;nias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econ&ocirc;mico nos anos recentes.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16277"></span></p>
<p>Por&eacute;m, &eacute; mais importante e menos conhecida sua contribui&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de medicamentos gen&eacute;ricos de boa qualidade e baixo custo, que salvam ou prolongam milh&otilde;es de vidas.</p>
<p>Muitas pessoas v&atilde;o &agrave; &Iacute;ndia para comprar rem&eacute;dios gen&eacute;ricos e levar para familiares que n&atilde;o podem comprar os caros medicamentos originais de marca.</p>
<p>H&aacute; uma d&eacute;cada, a companhia farmac&ecirc;utica indiana Cipla produziu rem&eacute;dios gen&eacute;ricos contra HIV/aids ao pre&ccedil;o de US$ 300 para um tratamento anual, enquanto os produtos de marca custavam US$ 10 mil. Atualmente, a vers&atilde;o gen&eacute;rica indiana custa ainda mais barata: menos de US$ 80.</p>
<p>Isso permitiu estender o fornecimento de medicamentos a muitos milh&otilde;es de doentes de aids de escassos recursos. De fato, a &Iacute;ndia fornece 70% dos rem&eacute;dios contra a s&iacute;ndrome de imunodefici&ecirc;ncia adquirida ao Unicef, ao Fundo Global e &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o William J. Clinton.</p>
<p>Al&eacute;m disso, entre 75% e 80% dos rem&eacute;dios (n&atilde;o apenas contra a aids) distribu&iacute;dos pela Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Dispens&aacute;rios nos pa&iacute;ses em desenvolvimento procedem da &Iacute;ndia, que por isso &eacute; qualificada de &quot;farm&aacute;cia do mundo em desenvolvimento&quot;.</p>
<p>Em janeiro passado, a Associa&ccedil;&atilde;o Indiana de Fabricantes de Medicamentos, que re&uacute;ne 700 empresas, comemorou seu 50&ordm; anivers&aacute;rio e o grande crescimento da ind&uacute;stria, a ampla variedade de seus produtos e sua contribui&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de medicamentos seguros e a pre&ccedil;os razo&aacute;veis.</p>
<p>No entanto, tamb&eacute;m h&aacute; fatores que podem impedir a continuidade da produ&ccedil;&atilde;o indiana de rem&eacute;dios acess&iacute;veis aos pobres.</p>
<p>Um fator b&aacute;sico para o &ecirc;xito da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica foi a decis&atilde;o do governo indiano, em 1970, de excluir os medicamentos da lista de produtos necessariamente patente&aacute;veis. Assim, foi poss&iacute;vel que os laborat&oacute;rios locais produzissem vers&otilde;es gen&eacute;ricas de caros rem&eacute;dios estrangeiros e em poucas d&eacute;cadas dominaram mais de 80% do mercado interno e exportaram medicamentos baratos em grande escala.</p>
<p>Um giro negativo ocorreu quando o tratado internacional sobre propriedade intelectual, conhecido como Trips, foi estabelecido em 1995 e invalidou a decis&atilde;o de alguns pa&iacute;ses de excluir os medicamentos da obriga&ccedil;&atilde;o de patentear.</p>
<p>Entretanto, o tratado aceitou que os pa&iacute;ses determinassem individualmente o crit&eacute;rio para conceder uma patente a uma inven&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, deu aos governos a faculdade de expedir licen&ccedil;as para as companhias locais para fabricar os produtos patenteados, se n&atilde;o tivessem &ecirc;xito em seus pedidos aos donos da patente de ceder voluntariamente a licen&ccedil;a.</p>
<p>Para cumprir suas obriga&ccedil;&otilde;es, a &Iacute;ndia aprovou em 2005 mudan&ccedil;as em sua lei de patentes de modo que seus medicamentos pudessem ser patenteados. No entanto, a nova lei tamb&eacute;m cont&eacute;m crit&eacute;rios r&iacute;gidos (mudan&ccedil;as m&iacute;nimas para um produto cuja patente expirou poderiam n&atilde;o dar o direito a uma nova patente) e autoriza a oposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de uma patente antes que seja tomada uma decis&atilde;o.</p>
<p>A &Iacute;ndia tem uma das melhores leis de patentes do mundo e gra&ccedil;as a ela ainda possui algum espa&ccedil;o para produzir medicamentos gen&eacute;ricos. Por&eacute;m, a amplitude permitida pela legisla&ccedil;&atilde;o anterior diminuiu, porque muitos novos medicamentos foram, desde 2005, patenteados por multinacionais que os vendem a pre&ccedil;os exorbitantes.</p>
<p>As empresas indianas j&aacute; n&atilde;o podem fazer suas vers&otilde;es gen&eacute;ricas destes novos medicamentos a menos que pe&ccedil;am licen&ccedil;as ao governo, e, mediante um processo muito complicado, a obt&ecirc;m, ou chegam a um acordo com a multinacional dona da patente, que seria dada sob duras condi&ccedil;&otilde;es, principalmente para a exporta&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que a &Iacute;ndia est&aacute; negociando um tratado de livre com&eacute;rcio com a Uni&atilde;o Europeia. Tais tratados normalmente cont&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es que impedem ou criam obst&aacute;culos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica, como a exclusividade dos dados e a extens&atilde;o do prazo da patente.</p>
<p>Al&eacute;m disso, seis companhias indianas foram compradas recentemente por grandes empresas estrangeiras. Se esta tend&ecirc;ncia continuar, o mercado indiano de medicamentos poder&aacute; ser novamente controlado pelas multinacionais. &Eacute; incerto se elas v&atilde;o querer continuar exportando para o mundo em desenvolvimento medicamentos gen&eacute;ricos competindo com seus pr&oacute;prios produtos de marca.</p>
<p>Organiza&ccedil;&otilde;es internacionais como Onusida, Unitaid e M&eacute;dicos Sem Fronteiras se preocupam com a possibilidade de essas tend&ecirc;ncias colocarem em perigo o papel da &Iacute;ndia como principal fornecedor de rem&eacute;dios a pre&ccedil;o baixo para a &Aacute;frica e outras regi&otilde;es em desenvolvimento. Milh&otilde;es morrer&atilde;o se a &Iacute;ndia n&atilde;o puder produzir no futuro os novos rem&eacute;dios contra o HIV/aids. &quot;&Eacute; uma quest&atilde;o de vida ou morte&quot;, disse Michel Sidib&eacute;, diretor-executivo da Onusida.</p>
<p>Da&iacute; a necessidade de uma estrat&eacute;gia que envolva o governo e as companhias farmac&ecirc;uticas, que assegure que a ind&uacute;stria local de medicamentos continue prosperando, que produza n&atilde;o apenas os rem&eacute;dios existentes, mas tamb&eacute;m os novos, embora j&aacute; estejam patenteados, e que sejam fornecidos a pre&ccedil;os baixos n&atilde;o apenas na &Iacute;ndia. Envolverde/IPS</p>
<p>* Martin Khor &eacute; diretor-executivo do South Centre, com sede em Genebra.                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Índia: a farmácia dos pobres está em perigo</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jun 2012 11:11:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>editor</dc:creator>
				<category><![CDATA[Desenvolvimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Martin Khor* Genebra, Suíça, junho/2012 – A Índia é famosa pelo Taj Mahal, por suas cerimônias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econômico nos anos recentes. Porém, é mais importante e menos conhecida sua contribuição na área de medicamentos genéricos de boa qualidade e baixo custo, que salvam ou prolongam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16222" class="wp-caption alignright" style="width: 218px"><a href="http://www.ibsanews.com/pt/india-a-farmacia-dos-pobres-esta-em-perigo/mkhor/" rel="attachment wp-att-16222"><img class="size-full wp-image-16222" title="MKhor" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/MKhor.jpg" alt="" width="208" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Martin Khor. Crédito: Courtesy South Center website.</p></div>
<p>Por Martin Khor*</p>
<p>Genebra, Suíça, junho/2012 – A Índia é famosa pelo Taj Mahal, por suas cerimônias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econômico nos anos recentes. Porém, é mais importante e menos conhecida sua contribuição na área de medicamentos genéricos de boa qualidade e baixo custo, que salvam ou prolongam milhões de vidas.<span id="more-16221"></span></p>
<p>Muitas pessoas vão à Índia para comprar remédios genéricos e levar para familiares que não podem comprar os caros medicamentos originais de marca.</p>
<p>Há uma década, a companhia farmacêutica indiana Cipla produziu remédios genéricos contra HIV/aids ao preço de US$ 300 para um tratamento anual, enquanto os produtos de marca custavam US$ 10 mil. Atualmente, a versão genérica indiana custa ainda mais barata: menos de US$ 80.</p>
<p>Isso permitiu estender o fornecimento de medicamentos a muitos milhões de doentes de aids de escassos recursos. De fato, a Índia fornece 70% dos remédios contra a síndrome de imunodeficiência adquirida ao Unicef, ao Fundo Global e à Fundação William J. Clinton.</p>
<p>Além disso, entre 75% e 80% dos remédios (não apenas contra a aids) distribuídos pela Associação Internacional de Dispensários nos países em desenvolvimento procedem da Índia, que por isso é qualificada de “farmácia do mundo em desenvolvimento”.</p>
<p>Em janeiro passado, a Associação Indiana de Fabricantes de Medicamentos, que reúne 700 empresas, comemorou seu 50º aniversário e o grande crescimento da indústria, a ampla variedade de seus produtos e sua contribuição para a criação de medicamentos seguros e a preços razoáveis.</p>
<p>No entanto, também há fatores que podem impedir a continuidade da produção indiana de remédios acessíveis aos pobres.</p>
<p>Um fator básico para o êxito da indústria farmacêutica foi a decisão do governo indiano, em 1970, de excluir os medicamentos da lista de produtos necessariamente patenteáveis. Assim, foi possível que os laboratórios locais produzissem versões genéricas de caros remédios estrangeiros e em poucas décadas dominaram mais de 80% do mercado interno e exportaram medicamentos baratos em grande escala.</p>
<p>Um giro negativo ocorreu quando o tratado internacional sobre propriedade intelectual, conhecido como Trips, foi estabelecido em 1995 e invalidou a decisão de alguns países de excluir os medicamentos da obrigação de patentear.</p>
<p>Entretanto, o tratado aceitou que os países determinassem individualmente o critério para conceder uma patente a uma invenção. Além disso, deu aos governos a faculdade de expedir licenças para as companhias locais para fabricar os produtos patenteados, se não tivessem êxito em seus pedidos aos donos da patente de ceder voluntariamente a licença.</p>
<p>Para cumprir suas obrigações, a Índia aprovou em 2005 mudanças em sua lei de patentes de modo que seus medicamentos pudessem ser patenteados. No entanto, a nova lei também contém critérios rígidos (mudanças mínimas para um produto cuja patente expirou poderiam não dar o direito a uma nova patente) e autoriza a oposição pública à aplicação de uma patente antes que seja tomada uma decisão.</p>
<p>A Índia tem uma das melhores leis de patentes do mundo e graças a ela ainda possui algum espaço para produzir medicamentos genéricos. Porém, a amplitude permitida pela legislação anterior diminuiu, porque muitos novos medicamentos foram, desde 2005, patenteados por multinacionais que os vendem a preços exorbitantes.</p>
<p>As empresas indianas já não podem fazer suas versões genéricas destes novos medicamentos a menos que peçam licenças ao governo, e, mediante um processo muito complicado, a obtêm, ou chegam a um acordo com a multinacional dona da patente, que seria dada sob duras condições, principalmente para a exportação.</p>
<p>Outra preocupação é que a Índia está negociando um tratado de livre comércio com a União Europeia. Tais tratados normalmente contêm condições que impedem ou criam obstáculos à produção genérica, como a exclusividade dos dados e a extensão do prazo da patente.</p>
<p>Além disso, seis companhias indianas foram compradas recentemente por grandes empresas estrangeiras. Se esta tendência continuar, o mercado indiano de medicamentos poderá ser novamente controlado pelas multinacionais. É incerto se elas vão querer continuar exportando para o mundo em desenvolvimento medicamentos genéricos competindo com seus próprios produtos de marca.</p>
<p>Organizações internacionais como Onusida, Unitaid e Médicos Sem Fronteiras se preocupam com a possibilidade de essas tendências colocarem em perigo o papel da Índia como principal fornecedor de remédios a preço baixo para a África e outras regiões em desenvolvimento. Milhões morrerão se a Índia não puder produzir no futuro os novos remédios contra o HIV/aids. “É uma questão de vida ou morte”, disse Michel Sidibé, diretor-executivo da Onusida.</p>
<p>Daí a necessidade de uma estratégia que envolva o governo e as companhias farmacêuticas, que assegure que a indústria local de medicamentos continue prosperando, que produza não apenas os remédios existentes, mas também os novos, embora já estejam patenteados, e que sejam fornecidos a preços baixos não apenas na Índia. Envolverde/IPS</p>
<p>* Martin Khor é diretor-executivo do South Centre, com sede em Genebra.</p>
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		<title>IV Cúpula Brics: sabores chineses com curry indiano</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/iv-cupula-brics-sabores-chineses-com-curry-indiano/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 12:46:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Portuguese]]></category>

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		<description><![CDATA[por Shyam Saran* Nova Délhi, Índia, abril/2012 – A Declaração e o Plano de Ação adotados em Nova Délhi na Quarta Cúpula Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no dia 29 de março, deveriam ter dissipado qualquer ansiedade que restasse nas capitais do Ocidente sobre a perspectiva de que um sério foco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16148" class="wp-caption alignright" style="width: 259px"><img class="size-full wp-image-16148" title="SSaran2" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/SSaran2.jpg" alt="" width="249" height="206" /><p class="wp-caption-text">Shyam Saran. Foto: Divulgação</p></div>
<p>por Shyam Saran*</p>
<p>Nova Délhi, Índia, abril/2012 – A Declaração e o Plano de Ação adotados em Nova Délhi na Quarta Cúpula Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no dia 29 de março, deveriam ter dissipado qualquer ansiedade que restasse nas capitais do Ocidente sobre a perspectiva de que um sério foco de poder estivesse se formando na capital indiana.<span id="more-16147"></span></p>
<p>Um simples olhar no Plano de Ação bastaria para acabar com qualquer ilusão de que a Quarta Cúpula fosse uma tentativa concreta nesse sentido. Enquanto a Declaração promete muito, o Plano de Ação é interpretado prevalentemente como uma mera enumeração de metas. Teria sido correto apresentá-lo como uma tentativa de calendários de possíveis reuniões, mas não lhe cabe um status de Plano de Ação.</p>
<p>A Declaração leva a clara marca da China e em parte da Rússia, em algumas questões econômicas e políticas. Isto se lê nas apenas veladas mas incomuns duras críticas à Associação Transpacífica (TPP) patrocinada pelos Estados Unidos e dirigida principalmente contra a China.</p>
<p>A Declaração diz: “Nós não apoiamos iniciativas unilaterais contrárias aos princípios fundamentais de transparência, inclusão e multilateralismo. Tais iniciativas distraem os membros de sua tarefa de obter resultados coletivos e não servem para compensar o déficit em matéria de desenvolvimento herdado de rodadas anteriores”.</p>
<p>A Declaração critica indiretamente os Estados Unidos por sua política de excessiva expansão monetária. A China está preocupada porque isto reduz o valor de suas ingentes reservas em dólares e inunda alguns mercados, como os da China e do Brasil, com capitais especulativos.</p>
<p>Mas a Índia prefere que continuem essas medidas de estímulo de Washington, de modo que não diminua a demanda por suas exportações. Apesar dos riscos que representam os fluxos de capitais em busca de rendimentos fáceis, a Índia parece ansiosa por recebê-los quando experimenta a queda do nível de investimentos.</p>
<p>As posições políticas articuladas na Declaração do Brics seguem as linhas previstas, mas a linguagem reflete a postura mais firme adotada por Rússia e China sobre a possibilidade de uma intervenção na Síria e a imposição de sanções ao Irã. Nas capitais ocidentais se interpreta que essas formulações implicam um predomínio de China e Rússia, apesar das posturas mais matizadas de Brasil, Índia e África do Sul.</p>
<p>Sobre a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração adota a conhecida posição chinesa de apoiar as aspirações de Brasil, Índia e África do Sul “de terem um papel maior na ONU”, sem apoiar suas candidaturas a membros permanentes do Conselho de Segurança. A Rússia, que havia apoiado formalmente a candidatura da Índia, agora se alinhou com a China.<br />
Na cúpula foram adotados dois relevantes acordos. O primeiro, denominado “extensão de facilidades creditícias”, abre a perspectiva de que as relações comerciais entre os cinco países sejam efetuadas entre suas próprias moedas, deixando de lado o dólar.</p>
<p>Contudo, um desafio sério somente poderá surgir quando as moedas dos Brics forem de livre conversão e estiverem apoiadas por uma sólida e variada infraestrutura financeira e bancária semelhante às das economias ocidentais.</p>
<p>O segundo acordo também objetiva incentivar o comércio mediante facilitações de crédito entre os países do grupo e, uma vez implementado, é provável que diminuam os custos das transações.</p>
<p>O Fórum de Negócios do Brics, reunido na véspera da Cúpula, recomendou que seus membros atinjam a meta de US$ 500 bilhões de intercâmbio comercial até 2015, o que significaria mais do que duplicar os US$ 230 bilhões atuais. A premissa de liberalizar as regulações comerciais foi assinalada, mas sem a adoção de compromissos.</p>
<p>Antes da realização da Cúpula se antecipava que seria anunciada a criação de um banco de desenvolvimento do Brics, que seguiria as linhas do Banco Mundial, mas focado fundamentalmente no financiamento de projetos nos países do grupo e em outras nações em desenvolvimento.</p>
<p>No entanto, a prudência parece ter ganho a partida. Os ministros de Finanças foram encarregados do exame da viabilidade dessa proposta.</p>
<p>Esta iniciativa era vista como importante contribuição das economias emergentes para a promoção do crescimento em seus próprios países e em outras nações em desenvolvimento, junto com um empurrão conjunto a favor da reforma das instituições financeiras internacionais e a elevação do papel do grupo no cenário internacional. Porém, em lugar de ser aprovada, foi entregue à consideração de uma comissão.</p>
<p>O Brics já é considerado um fator influente nas relações internacionais. Tem peso econômico e político suficiente para desempenhar um papel, já que é capaz de atuar conjuntamente em assuntos fundamentais.</p>
<p>Entretanto, ao contrário do G-7, o grupo carece de um ponto ideológico e cultural comum. As perspectivas em matéria de segurança de seus membros não estão alinhadas. Em termos de objetivos econômicos, estes países têm interesses tanto convergentes quanto divergentes.</p>
<p>Em um futuro previsível as perspectivas mais realistas para o Brics parecem ser as de trabalhar como uma coalizão nos assuntos de interesse comum, como a reforma das instituições financeiras internacionais, a resistência ao protecionismo e a promoção do crescimento econômico nos países em vias de desenvolvimento.</p>
<p>Não há dúvida de que fazer parte deste grupo dá a cada um de seus membros um pequeno espaço adicional para manobrar cara a cara diante de países avançados. Índia e China, operando conjuntamente com o Brics, podem mitigar os elementos de confrontação entre eles próprios. É claro, no entanto, que a China está emergindo como o sócio proeminente deste grupo. Envolverde/IPS</p>
<p>* Shyam Saran, ex-secretário de Relações Exteriores da Índia, preside o Sistema de Pesquisa e Informações para os Países em Desenvolvimento (RIS).</p>
<p>(IPS)</p>
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		<title>O Brasil se orienta</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/o-brasil-se-orienta/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 11:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Featured]]></category>
		<category><![CDATA[Headlines]]></category>
		<category><![CDATA[IBSA-featured]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Ásia e Pacífico]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Arte y Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Geraldinho Vieira Rio de Janeiro, Brasil, novembro/2011 (IPS) &#8211; Buscadores espirituais sedentos por uma sabedoria milenar talvez estejam na lista das principais &#8220;exporta&#231;&#245;es&#8221; do Brasil para a &#205;ndia. Para quem vai aos ashrams (comunidades) dos mestres para imers&#245;es de crescimento pessoal, a &#205;ndia n&#227;o &#233; apenas o pa&#237;s de Gandhi, mas de Buda, Sri Amma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Geraldinho Vieira</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil, novembro/2011 (IPS) &#8211; Buscadores espirituais sedentos por uma sabedoria milenar talvez estejam na lista das principais &ldquo;exporta&ccedil;&otilde;es&rdquo; do Brasil para a &Iacute;ndia.</strong></p>
<p><span id="more-15848"></span></p>
<p>Para quem vai aos ashrams (comunidades) dos mestres para imers&otilde;es de crescimento pessoal, a &Iacute;ndia n&atilde;o &eacute; apenas o pa&iacute;s de Gandhi, mas de Buda, Sri Amma Bhagavan, Osho, Dalai Lama, Yogananda, Ramakrishna, Patanjali, Ramana, Maharaj, Papaji, Sri Aurobindo, Sai Baba&#8230;</p>
<p>Nestes ashrams, um brasileiro logo percebe que os indianos s&atilde;o mestres tamb&eacute;m no trato com as flores. Nos arranjos dos altares e nas guirlandas com que enfeitam os gurus vivos ou as fotografias dos gurus que j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o no corpo, al&eacute;m das imagens de divindades, as p&eacute;talas de flores s&atilde;o tran&ccedil;adas umas &agrave;s outras e desdobra-se toda uma arquitetura de cores e formas desconhecidas das floriculturas de Ipanema, no Rio de Janeiro, dos Jardins, em S&atilde;o Paulo, ou do Plano Piloto de Bras&iacute;lia. Se eu fosse importar algo da &Iacute;ndia, importaria estes homens e mulheres de olhos negros e sorrisos brancos que reiventam flores para dar uns cursos por aqui.</p>
<p>Medita&ccedil;&atilde;o e devo&ccedil;&atilde;o levam os brasileiros aos p&eacute;s dos ensinamentos iluminados. A &Iacute;ndia trouxe &agrave; humanidade um pote cheio do melhor n&eacute;ctar da jornada religiosa. Dentro deste pote est&atilde;o &ldquo;leis espirituais&rdquo; que s&atilde;o r&eacute;gua e compasso para orientar a caminhada do m&iacute;stico, do buscador.</p>
<p>S&atilde;o milhares e milhares as divinidades, todas elas traduzindo qualidades e necessidades da natureza humana. O buscador brasileiro de perfil devocional vai encontrar nos gurus e/ou nas divindades n&atilde;o uma aliena&ccedil;&atilde;o de si mesmo, mas indica&ccedil;&otilde;es para descobrir-se como Presen&ccedil;a Divina. Destacam-se, entretanto, aos olhos ocidentais, os mestres que t&ecirc;m um p&eacute; na cultura religiosa hindu, mas desenvolvem uma busca baseada na vis&atilde;o de n&atilde;o dualidade (Advaita), cuja pr&aacute;tica &eacute; de intensa racionalidade em torno do entendimento sobre &ldquo;quem sou eu&rdquo;.</p>
<p>Para o brasileiro que faz algum roteiro tur&iacute;stico-m&iacute;stico, e a esta altura j&aacute; canta um bocado de mantras, s&atilde;o encantadores os templos que veneram Krishna, Shiva, Vishnu, Ganesha, Laksmi, Gayatri&#8230; Apaixonados pelo cr&iacute;quete, n&atilde;o creio que os indianos entrem em &ecirc;xtase quando veem o Maracan&atilde; ou o Morumbi, nossos templos do futebol. Por&eacute;m, certamente devem impressionar-se com o carnaval dos Filhos de Gandhi.</p>
<p>A &Iacute;ndia fabrica cheiros, imagens e cores que v&ecirc;m se tornando comuns aos brasileiros, pelo menos desde a &eacute;poca em que pegamos carona no movimento hippie, enquanto os meninos de Liverpool visitavam Mahesh Yogi  o guru dos Beatles. D&eacute;cadas depois de muita medita&ccedil;&atilde;o, massagem ayuv&eacute;rdica, comida vegetariana, incenso e ch&aacute;, a novela da Globo selou a atra&ccedil;&atilde;o fatal que a &Iacute;ndia exerce sobre o brasileiro (sobretudo a brasileira). Reencarnado ou n&atilde;o, Cabral deve estar feliz: quem disse que aportar no Brasil seria um desvio no caminho para as &Iacute;ndias?</p>
<p>Creio que tarda mas n&atilde;o falha o dia em que os filmes populares indianos ganhar&atilde;o boa audi&ecirc;ncia por aqui. S&atilde;o coloridos, alegres, dan&ccedil;ados, rom&acirc;nticos, cafonas e f&aacute;ceis. Mais f&aacute;cil que a poesia m&iacute;stica de Rabindranath Tagore, a flauta de Hari Prassad, ou a c&iacute;tara de Ravi Shankar.</p>
<p>T&atilde;o diferentes e com tanta coisa em comum, h&aacute; obviamente um grande espa&ccedil;o de interc&acirc;mbio cient&iacute;fico, acad&ecirc;mico, nas &aacute;reas agr&iacute;cola e comercial entre Brasil e &Iacute;ndia, mas n&atilde;o consolida-se uma comunidade indiana por aqui. Encontrar um daqueles deliciosos restaurantes de curry, massala e pimenta &eacute; obra da sorte. Ambos os pa&iacute;ses s&atilde;o grandes democracias e seus milh&otilde;es de eleitores frustram-se cotidianamente com a corrup&ccedil;&atilde;o dos eleitos.</p>
<p>Quem vem da &Iacute;ndia para o Brasil certamente vai encontar no universo dos direitos da mulher e dos direitos da crian&ccedil;a princ&iacute;pios que a sociedade indiana demora em absorver, mas em comum h&aacute; uma grande afetividade na rela&ccedil;&atilde;o com os filhos.</p>
<p>Se em cada esquina h&aacute; um templo, o brasileiro tamb&eacute;m impacta-se nem tanto com a vaca na estrada, mas com o lixo que se espalha nas ruas das superpovoadas vilas indianas. As cooperativas de lixo do Brasil certamente t&ecirc;m compartilhado suas experi&ecirc;ncias com os projetos sociais indianos nos f&oacute;runs de ongs. Contudo, se h&aacute; uma &aacute;rea em que a &Iacute;ndia tem a aprender com o Brasil &eacute; a da &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o social&rdquo; (campanhas, merchandising social&#8230;), pois a mudan&ccedil;a de atitudes, em muitos aspectos da vida em sociedade, &eacute; um desafio que encontra barreiras em ra&iacute;zes culturais e religiosas muito profundas.</p>
<p>Civilizatoriamente voltado para a exterioridade, para a vida no mundo, o ocidental (e portanto o brasileiro) desenvolveu capacidade para criar riqueza e conforto, adotou o estresse e a medica&ccedil;&atilde;o enquanto negligenciou a medita&ccedil;&atilde;o e a transcend&ecirc;ncia. Por sua vez, &agrave; &Iacute;ndia dos gurus e das divindades, onde muitos encontram o mapa dos tesouros internos da espiritualidade, falta fazer o caminho contr&aacute;rio: olhar tamb&eacute;m um pouco para fora e recusar a mis&eacute;ria que n&atilde;o encanta os deuses. &Eacute; um caminho que j&aacute; est&aacute; aberto, certamente com influ&ecirc;ncias culturais do Ocidente.</p>
<p>De todos os mestres que fizeram a ponte Oriente-Ocidente, Osho foi aquele que mais alertou para a incompletude destes extremos entre pobreza-riqueza, vida mundana-religiosidade. Para Osho, o novo homem deve voltar-se tanto para o exterior (para a vida, para a celebra&ccedil;&atilde;o, o prazer e o conforto do corpo), quanto fazer o caminho de volta para sua natureza original, n&atilde;o dual, de verdade-consci&ecirc;ncia-ben&ccedil;&atilde;o (satchitanada).</p>
<p>Mencionando o mundano Zorba (o personagem de &ldquo;Zorba, o Grego&rdquo;, novela de Nikos Kazantzakis), Osho cunhou o novo homem como sendo &ldquo;Zorba, o Buda&rdquo;: o mundano andando de m&atilde;os dadas com Buda, express&atilde;o de plena consci&ecirc;ncia e quietude interior.</p>
<p>Namast&ecirc;!</p>
<p>* Geraldinho Vieira &eacute; jornalista brasileiro, medita h&aacute; 30 anos e vai &agrave; &Iacute;ndia com frequ&ecirc;ncia.</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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