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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; Headlines</title>
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		<title>DESTAQUES&#058; Ind&#237;genas brasileiros aprendem a lutar pelo direito &#224; alimenta&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 08:41:09 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Clarinha Glock PORTO ALEGRE, Brasil, 20 de maio de 2103 (IPS) &#8211; (Tierram&#233;rica).- Jovens ticunas e kokomas, do extremo noroeste do Brasil, eram prisioneiros da desesperan&#231;a e do alcoolismo. Em pontos remotos do Brasil, a popula&#231;&#227;o ind&#237;gena come&#231;a a assumir seu direito de n&#227;o passar fome e descobre que a seguran&#231;a alimentar &#233; muito mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Clarinha Glock</p>
<p> <div id="attachment_16437" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/629_Indigenas_Brasil.jpg"><img class="size-medium wp-image-16437" title="Dois estudantes ind&Atilde;&shy;genas operam equipamentos em uma oficina de comunica&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/629_Indigenas_Brasil.jpg" alt="Dois estudantes ind&Atilde;&shy;genas operam equipamentos em uma oficina de comunica&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Dois estudantes ind&Atilde;&shy;genas operam equipamentos em uma oficina de comunica&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o</p></div> <strong>PORTO ALEGRE, Brasil, 20 de maio de 2103 (IPS) &#8211; (Tierram&eacute;rica).- Jovens ticunas e kokomas, do extremo noroeste do Brasil, eram prisioneiros da desesperan&ccedil;a e do alcoolismo.                       </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16437"></span></p>
<p> Em pontos remotos do Brasil, a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena come&ccedil;a a assumir seu direito de n&atilde;o passar fome e descobre que a seguran&ccedil;a alimentar &eacute; muito mais do que um prato de comida na mesa. Rosil&eacute;ia Cruz, de 19 anos, sonha estudar jornalismo. Escolhe as palavras com cuidado para dar esta entrevista ao Terram&eacute;rica por telefone celular, de Tabatinga, no Estado do Amazonas, onde s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel chegar de avi&atilde;o ou de barco.</p>
<p>Ela &eacute; parte do povo ind&iacute;gena ticuna, um dos mais numerosos do Brasil, assentado na regi&atilde;o do Alto Solim&otilde;es, perto do rio de mesmo nome e das fronteiras com Peru e Col&ocirc;mbia. A terra de seus antepassados foi invadida durante d&eacute;cadas por seringueiros, pescadores e madeireiros, que deixaram um rastro de pobreza e destrui&ccedil;&atilde;o. H&aacute; cerca de tr&ecirc;s anos, jovens como Rosil&eacute;ia careciam de perspectivas e buscavam al&iacute;vio no &aacute;lcool e no suic&iacute;dio.</p>
<p>Entretanto, em janeiro de 2010, o Programa Conjunto de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional para Mulheres e Inf&acirc;ncia Ind&iacute;genas abriu uma porta de esperan&ccedil;a, com atividades para criar solu&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e alimentares, mas, sobretudo, forma&ccedil;&atilde;o e conscientiza&ccedil;&atilde;o. Rosil&eacute;ia integra um grupo de 50 jovens dos povos ticuna e kokama que participaram de pain&eacute;is de comunica&ccedil;&atilde;o em cada escola. Na comunidade Umaria&ccedil;u II de Tabatinga aprendeu a entrevistar, fazer fotografias e produzir um di&aacute;rio mural e programas de r&aacute;dio.</p>
<p>Ela ficou maravilhada com a possibilidade de empunhar um microfone ou uma c&acirc;mera para entrevistar o cacique da aldeia sobre problemas comunit&aacute;rios, explicar &agrave;s gestantes a import&acirc;ncia de amamentar ou informar meninas e meninos sobre h&aacute;bitos saud&aacute;veis, refrigerantes, alimentos processados e frutas da regi&atilde;o. &quot;H&aacute; muito jovem que podemos resgatar da bebida&quot;, afirmou Rosil&eacute;ia. &quot;Acabamos de fazer um jornal sobre o Dia do &Iacute;ndio (19 de abril) e vou participar da Semana do Beb&ecirc; Ind&iacute;gena&quot;, contou.</p>
<p>O objetivo dos pain&eacute;is &eacute; motivar a juventude para que promova e defenda seus direitos. Um acordo com uma canal de televis&atilde;o local permitiu que os jovens treinassem no uso dos equipamentos doados pelo Programa. A emissora de r&aacute;dio de Tabatinga cedeu um espa&ccedil;o em sua programa&ccedil;&atilde;o dos s&aacute;bados, para que os jovens apresentassem seu programa. O grupo tamb&eacute;m usa as &quot;bocas de ferro&quot;, alto-falantes colocados em postes da aldeia para transmitir sua mensagem.</p>
<p>Os jornais murais s&atilde;o colocados em paredes de cl&iacute;nicas e escolas, e os pain&eacute;is sobre internet permitem que alimentem um site pr&oacute;prio, que ser&aacute; lan&ccedil;ado no dia 21. Conclu&iacute;dos as oficinas, seus participantes v&atilde;o transmitir o que aprenderam para outros estudantes. Associa&ccedil;&otilde;es com prefeituras, universidades e organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas permitir&atilde;o a continuidade, enquanto a internet servir&aacute; para divulgar o fato, ampliar a comunica&ccedil;&atilde;o e inspirar outros adolescentes.</p>
<p>Estas experi&ecirc;ncias fazem parte de um projeto mais amplo para ajudar ticunas e kokamas a se organizar para cobrar sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica. O Programa &eacute; uma iniciativa do Fundo para o &Ecirc;xito dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, que conta com doa&ccedil;&atilde;o do governo da Espanha, e sua execu&ccedil;&atilde;o est&aacute; a cargo de v&aacute;rias ag&ecirc;ncias das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, entre elas a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), em associa&ccedil;&atilde;o com o governo brasileiro.</p>
<p>O Programa, agora na fase de sistematizar dados e avaliar resultados, pois deve estar conclu&iacute;do em junho, se focou nos munic&iacute;pios de Tabatinga, Benjamin Constant e S&atilde;o Paulo de Oliven&ccedil;a, no Estado do Amazonas, e em Dourados, no Mato Grosso do Sul, onde vive um total de 53 mil ind&iacute;genas. Estas cidades foram escolhidas por causa de seus problemas de desnutri&ccedil;&atilde;o, consumo de drogas, viol&ecirc;ncia e por serem locais pouco ou nada acess&iacute;veis.</p>
<p>A expectativa &eacute; que os bons resultados que se antecipam possam ser levados para outras regi&otilde;es do pa&iacute;s, disse ao Terram&eacute;rica o coordenador nacional do Programa, Fernando Moretti. Nestes tr&ecirc;s anos e meio, o Conv&ecirc;nio 169 da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) sobre povos ind&iacute;genas e tribais foi traduzido para as l&iacute;nguas guarani, terena e ticuna. O Brasil ratificou esta conven&ccedil;&atilde;o em 2002, mas sua aplica&ccedil;&atilde;o continua sendo um desafio.</p>
<p>Tamb&eacute;m foi publicado um livro com a vis&atilde;o de 25 meninas, meninos e adolescentes de aldeias do Mato Grosso do Sul e do vizinho Paraguai, sobre seguran&ccedil;a alimentar e nutricional. O trabalho, que reproduz fotos, cartas e objetos de arte, ser&aacute; distribu&iacute;do em edi&ccedil;&atilde;o bil&iacute;ngue portugu&ecirc;s-guarani em escolas, bibliotecas e centros de cultura.</p>
<p>&quot;Quando se fala de seguran&ccedil;a alimentar, n&atilde;o se trata apenas de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, mas tamb&eacute;m de capacita&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de e autoestima&quot;, destacou Fernando. As a&ccedil;&otilde;es buscam incentivar as pessoas a usarem de maneira sustent&aacute;vel a diversidade biol&oacute;gica e agr&iacute;cola da regi&atilde;o. As popula&ccedil;&otilde;es tiveram acesso a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica rural e orienta&ccedil;&atilde;o para implanta&ccedil;&atilde;o de sistemas agroflorestais &#8211; que combinam cultivos com aproveitamento sustent&aacute;vel e recupera&ccedil;&atilde;o da floresta local -, e hortas escolares.</p>
<p>Em Dourados, os ind&iacute;genas reintroduziram a erva-mate e outras esp&eacute;cies nativas com grande potencial comercial. Na aldeia de Panambizinho foram constru&iacute;dos dois viveiros e os habitantes aprenderam a fabricar fog&otilde;es ecol&oacute;gicos, que reduzem o consumo de lenha, preservam o ecossistema de selva e diminuem a nociva emana&ccedil;&atilde;o de fuma&ccedil;a. Tamb&eacute;m foram discutidos conceitos e pr&aacute;ticas de alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e preven&ccedil;&atilde;o de enfermidades. A conscientiza&ccedil;&atilde;o e as oportunidades permitiram que o projeto crescesse naturalmente, segundo Fernando.</p>
<p>Algumas fam&iacute;lias iniciaram hortas em suas casas. Foram treinados agentes ind&iacute;genas para medir e pesar beb&ecirc;s e crian&ccedil;as, de modo a passar informa&ccedil;&atilde;o sobre estas popula&ccedil;&otilde;es ao Sistema de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional. Em Alto Solim&otilde;es, a OIT apoia uma associa&ccedil;&atilde;o de artes&atilde;s com o estudo de mercado para que seus produtos possam chegar a feiras e aos compradores.</p>
<p>Para Fernando, o mais importante foi fortalecer as institui&ccedil;&otilde;es e ampliar a intera&ccedil;&atilde;o com a popula&ccedil;&atilde;o abor&iacute;gine. A partir de agora, esta conta com dois representantes no Conselho Nacional de Seguran&ccedil;a Alimentar e Nutricional, &oacute;rg&atilde;o diretor da pol&iacute;tica do programa Fome Zero, iniciado no governo do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011). Os ind&iacute;genas tamb&eacute;m est&atilde;o se organizando para participar dos conselhos municipais.</p>
<p>Em Dourados, o n&atilde;o governamental Fundo Nacional do &Iacute;ndio (Funai) e o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) organizaram um encontro para estender uma rede de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia ind&iacute;genas, e definir o que fazer diante de casos de maus-tratos, abandono e alcoolismo. A experi&ecirc;ncia se repetir&aacute; entre 17 e 19 de junho com as comunidades de Alto Solim&otilde;es. Tamb&eacute;m foi feito um mapeamento &eacute;tnico que inclui a identifica&ccedil;&atilde;o do que cada regi&atilde;o produz. &quot;Estas s&atilde;o ferramentas que poder&atilde;o ser usadas pelos pr&oacute;prios ind&iacute;genas&quot;, ressaltou Fernando.</p>
<p>*                                         </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Autoritarismo oculto atr&#225;s de megaeventos esportivos no Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 11:52:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 20/5/2013 (IPS) &#8211; Os preparativos para receber v&#225;rios megaeventos esportivos no Brasil ocultam a interven&#231;&#227;o autorit&#225;ria dos poderes p&#250;blicos e a viola&#231;&#227;o dos direitos humanos, em favor de grandes projetos urban&#237;sticos e de remodela&#231;&#227;o de est&#225;dios, segundo den&#250;ncia de um estudo. Cerca de 30 mil fam&#237;lias tiveram que abandonar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16435" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/estadio.jpg"><img class="size-medium wp-image-16435" title="O rec&Atilde;&copy;m-constru&Atilde;&shy;do est&Atilde;&iexcl;dio do Maracan&Atilde;&pound;, no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/estadio.jpg" alt="O rec&Atilde;&copy;m-constru&Atilde;&shy;do est&Atilde;&iexcl;dio do Maracan&Atilde;&pound;, no Rio de Janeiro." width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">O rec&Atilde;&copy;m-constru&Atilde;&shy;do est&Atilde;&iexcl;dio do Maracan&Atilde;&pound;, no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 20/5/2013 (IPS) &#8211; Os preparativos para receber v&aacute;rios megaeventos esportivos no Brasil ocultam a interven&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria dos poderes p&uacute;blicos e a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, em favor de grandes projetos urban&iacute;sticos e de remodela&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios, segundo den&uacute;ncia de um estudo.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16435"></span></p>
<p>Cerca de 30 mil fam&iacute;lias tiveram que abandonar suas casas no pa&iacute;s, for&ccedil;adas pelo Estado, revelou o Comit&ecirc; Popular da Copa e das Olimp&iacute;adas, que re&uacute;ne cerca de 50 organiza&ccedil;&otilde;es, entre movimentos sociais, investigativos, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais e sindicatos.</p>
<p>O informe Megaeventos e Viola&ccedil;&atilde;o de Direitos Humanos no Rio de Janeiro, elaborado pelo Comit&ecirc;, destaca que apenas nesta cidade, que receber&aacute; os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, j&aacute; foram desalojadas de suas casas tr&ecirc;s mil fam&iacute;lias, e outras 7.800 est&atilde;o amea&ccedil;adas. O despejo for&ccedil;ado de milhares de pessoas e a privatiza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos s&atilde;o alguns dos aspectos obscuros dos projetos desportivos em que o Brasil est&aacute; imerso, critica o documento, apresentado nesta cidade no dia 15.</p>
<p>O Brasil tamb&eacute;m ser&aacute; sede do Mundial da Fifa, que acontecer&aacute; em 12 cidades no ano que vem, e, de 15 a 30 de junho, receber&aacute; a Copa das Confedera&ccedil;&otilde;es, com as presen&ccedil;as dos campe&otilde;es de cada continente. &quot;Era o que mais tem&iacute;amos que acontecesse. Os benef&iacute;cios e o legado social t&atilde;o apregoados escondem, na verdade, um legado oculto: uma sociedade elitista, segregada e desigual. &Eacute; triste observar isso&quot;, opinou o soci&oacute;logo e planejador urbano Orlando Alves dos Santos J&uacute;nior, um dos coordenadores do estudo.</p>
<p>Para este pesquisador do Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, os multimilion&aacute;rios investimentos que s&atilde;o feitos sob o manto da Copa do Mundo e das Olimp&iacute;adas ultrapassam o campo esportivo e envolvem um grande projeto de reforma urban&iacute;stica. Os impactos da interven&ccedil;&atilde;o urbana t&ecirc;m grandes dimens&otilde;es e implicam diversos processos de exclus&atilde;o social, como os despejos, revela o informe.</p>
<p>&quot;Demonstramos que h&aacute; processo de relocaliza&ccedil;&atilde;o dos pobres fora das &aacute;reas onde acontecem os investimentos, concentradas no centro e em zonas do sul e norte do Rio de Janeiro. S&atilde;o polos onde os bens de raiz tiveram uma grande valoriza&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Orlando. Para ele, essa valoriza&ccedil;&atilde;o tem por base o deslocamento da popula&ccedil;&atilde;o pobre para a periferia. &quot;Tudo isso acompanhado por uma total falta de informa&ccedil;&atilde;o para as fam&iacute;lias desalojadas, bem como a coa&ccedil;&atilde;o, o uso da viol&ecirc;ncia e a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. &Eacute; muito grave o que est&aacute; ocorrendo na cidade&quot;, ressaltou.</p>
<p>O ge&oacute;grafo norte-americano Christopher Gaffney, estudioso das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de esportes e de seguran&ccedil;a em grandes acontecimentos, disse &agrave; IPS que os despejos e a privatiza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos representam uma grande falha da democracia do Brasil. &quot;Essa pol&iacute;tica &eacute; um grande retrocesso. Representa mudan&ccedil;a de valores, que elimina o papel do governo como garantidor de servi&ccedil;os essenciais para os cidad&atilde;os, como moradia e cultura. Os despejos for&ccedil;ados s&atilde;o uma evidente viola&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; moradia. A especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria est&aacute; desenfreada no Rio&quot;, pontuou.</p>
<p>Christopher, que tamb&eacute;m integra o Comit&ecirc; Popular e &eacute; pesquisador do Observat&oacute;rio das Metr&oacute;poles, afirmou que n&atilde;o existe um &quot;crit&eacute;rio coerente e aplic&aacute;vel&quot; no processo de despejo de milhares de fam&iacute;lias e que a popula&ccedil;&atilde;o afetada denuncia falta de di&aacute;logo, de transpar&ecirc;ncia e de informa&ccedil;&atilde;o. &quot;A incerteza de n&atilde;o ter onde viver gera p&acirc;nico constante, assim como o uso de m&eacute;todos de terror para expulsar as pessoas de suas comunidades a qualquer pre&ccedil;o&quot;, acrescentou.</p>
<p>&quot;H&aacute; casos em que as fam&iacute;lias foram informadas que deveriam abandonar suas casas sem terem tempo de retirar seus pertences. Em outros, a negocia&ccedil;&atilde;o para deixarem as casas aconteceu ao lado de retroescavadeiras, prontas para a demoli&ccedil;&atilde;o. Toda uma press&atilde;o psicol&oacute;gica&quot;, contou Christopher. Poucas fam&iacute;lias receberam uma casa digna, afirmou. As autoridades compensam a expropria&ccedil;&atilde;o com indeniza&ccedil;&atilde;o insuficiente para a compra de uma nova casa digna, ou colocam as fam&iacute;lias em planos de moradia, com exig&ecirc;ncias que muitas n&atilde;o podem cumprir, como o chefe da fam&iacute;lia ter emprego formal e conta em banco.</p>
<p>Segundo o informe, o verdadeiro legado para o Rio de Janeiro ser&aacute; &quot;uma cidade mais desigual, com a exclus&atilde;o de milhares de fam&iacute;lias e a destrui&ccedil;&atilde;o de comunidades inteiras, bem como a apropria&ccedil;&atilde;o da maior parte dos benef&iacute;cios por uns poucos atores econ&ocirc;micos e sociais&quot;. Uma das principais cr&iacute;ticas se faz &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os p&uacute;blicos de custo multimilion&aacute;rio. Nesta cidade s&atilde;o reformadas instala&ccedil;&otilde;es esportivas, como o lend&aacute;rio est&aacute;dio do Maracan&atilde;, infraestruturas e mobilidade, enquanto multiplicam-se os projetos de remodela&ccedil;&atilde;o urbana.</p>
<p>O investimento total previsto na cidade aumentou 95% sobre o or&ccedil;amento inicial, passando de US$ 1,1 bilh&atilde;o para US$ 2,1 bilh&otilde;es. Dessa quantia, a constru&ccedil;&atilde;o e renova&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios representam quase 25%. O Maracan&atilde;, onde acontecer&aacute; a final da Copa 2014 e a abertura dos Jogos Ol&iacute;mpicos, est&aacute; envolto pela pol&ecirc;mica entrega em concess&atilde;o do novo complexo a um cons&oacute;rcio privado pelo prazo de 35 anos. O custo da obra foi de US$ 600 milh&otilde;es, contra os US$ 370 milh&otilde;es previstos inicialmente.</p>
<p>A entrega do est&aacute;dio, pela primeira vez, a m&atilde;os privadas levou a Procuradoria a iniciar uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre os investimentos feitos pelo Estado para os megaencontros esportivos. Para Christopher, as instala&ccedil;&otilde;es esportivas passar&atilde;o de espa&ccedil;os de cultura a centros de consumo. &quot;Os est&aacute;dios s&atilde;o palco de manifesta&ccedil;&atilde;o da cultural local expressa no futebol. Ser&aacute; praticamente um assassinato cultural que neles seja substitu&iacute;da a tradi&ccedil;&atilde;o da popular e fiel torcida pela figura do cliente, do consumidor de classe mais alta&quot;, afirmou.</p>
<p>Al&eacute;m disso, a iniciativa privada tamb&eacute;m vai demolir um importante parque aqu&aacute;tico, uma escola p&uacute;blica, um gin&aacute;sio de atletismo e uma pris&atilde;o para construir dois pr&eacute;dios de estacionamento para dois mil ve&iacute;culos, um heliporto, um centro comercial e um museu do futebol. &quot;A partir desta realidade vemos as vulnerabilidades da democracia brasileira, inclusive do Brasil que trata de construir institui&ccedil;&otilde;es mais fortes. A Copa do Mundo e os Jogos Ol&iacute;mpicos aceleram processos antidemocr&aacute;ticos&quot;, enfatizou Christopher.</p>
<p>O soci&oacute;logo Orlando destacou que a sociedade recebeu passivamente a multimilion&aacute;ria renova&ccedil;&atilde;o, e recordou que a constru&ccedil;&atilde;o do complexo do Maracan&atilde; &quot;representa a destrui&ccedil;&atilde;o de estruturas multiuso que abrigavam a pr&aacute;tica de outros esportes. Ser&aacute; apenas um espa&ccedil;o para mostrar e um centro comercial. Os atletas de outras modalidades ficar&atilde;o sem local para treinar. Al&eacute;m disso, os ingressos ser&atilde;o muito caros&quot;. O Comit&ecirc; Popular pretende apresentar seu estudo &agrave;s autoridades p&uacute;blicas, &agrave; Fifa, ao Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional e a organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, como o Relator Especial sobre Direito Humano &agrave; Moradia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Envolverde/IPS                                                            </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Brasil na contram&#227;o do combate ao tr&#225;fico de pessoas</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 11:46:48 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 20/5/2013 (IPS) &#8211; O Brasil contradiz a legisla&#231;&#227;o internacional no combate ao tr&#225;fico de pessoas, porque a mant&#233;m invis&#237;vel e impune. Isto incentiva este crime praticado com fins sexuais, trabalho for&#231;ado, ado&#231;&#227;o ilegal e transplante de &#243;rg&#227;os, afirmam especialistas. As leis no pa&#237;s punem mais severamente o narcotr&#225;fico do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16433" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/trafico.jpg"><img class="size-medium wp-image-16433" title="O tr&Atilde;&iexcl;fico transforma as pessoas em mercadoria." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/trafico.jpg" alt="O tr&Atilde;&iexcl;fico transforma as pessoas em mercadoria." width="200" height="132" /></a><p class="wp-caption-text">O tr&Atilde;&iexcl;fico transforma as pessoas em mercadoria.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil,  20/5/2013 (IPS) &#8211; O Brasil contradiz a legisla&ccedil;&atilde;o internacional no combate ao tr&aacute;fico de pessoas, porque a mant&eacute;m invis&iacute;vel e impune.                       </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16433"></span></p>
<p> Isto incentiva este crime praticado com fins sexuais, trabalho for&ccedil;ado, ado&ccedil;&atilde;o ilegal e transplante de &oacute;rg&atilde;os, afirmam especialistas. As leis no pa&iacute;s punem mais severamente o narcotr&aacute;fico do que os casos em que o tr&aacute;fico de gente &eacute; considerado crime.</p>
<p>A venda de drogas, por exemplo, tem penas de pris&atilde;o entre cinco e 15 anos, em regime fechado, enquanto o tr&aacute;fico para fins de explora&ccedil;&atilde;o sexual &eacute; punido com um m&aacute;ximo de oito anos em regime semiaberto. &quot;O tr&aacute;fico de pessoas ainda &eacute; um crime invis&iacute;vel. O que ocorre atualmente &eacute; uma aut&ecirc;ntica impunidade&quot;, disse &agrave; IPS o juiz Rinaldo Aparecido Barros, membro do Grupo de Trabalho contra o Tr&aacute;fico do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a.</p>
<p>O Brasil registra, em m&eacute;dia, por ano, mil casos de pessoas captadas para serem enviadas ao exterior, segundo o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, que promoveu no Rio de Janeiro uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, no dia 17, sobre &quot;Tr&aacute;fico de pessoas: preven&ccedil;&atilde;o, repress&atilde;o, aten&ccedil;&atilde;o com as v&iacute;timas e associa&ccedil;&otilde;es&quot;. Seu objetivo foi reunir e trocar informa&ccedil;&atilde;o sobre o combate a esse crime, articular a&ccedil;&otilde;es conjuntas para prevenir e reprimir o crime, e se concentrou no aspecto do pa&iacute;s como emissor de v&iacute;timas de tr&aacute;fico para o exterior.</p>
<p>O Brasil tamb&eacute;m &eacute; receptor do tr&aacute;fico humano, e, al&eacute;m disso, h&aacute; brasileiras e brasileiros captados para explora&ccedil;&atilde;o dentro de suas fronteiras. Os tr&ecirc;s mil brasileiros e brasileiras levados ao exterior no &uacute;ltimo tri&ecirc;nio foram submetidos em sua maioria a explora&ccedil;&atilde;o sexual e trabalho escravo. &quot;&Eacute; um n&uacute;mero significativo. Um grande n&uacute;mero de pessoas &eacute; privado de sua dignidade. Os milhares de casos registrados a cada ano n&atilde;o representam o total, pois n&atilde;o sabemos quantos fugiram ao nosso controle&quot;, disse a subprocuradora-geral brasileira, Raquel Elias Ferreira Dodge.</p>
<p>O sub-registro impede, de fato, conhecer o alcance real de v&iacute;timas enviadas ao exterior pelas m&aacute;fias do tr&aacute;fico humano, segundo os participantes do encontro. &quot;Temos que trabalhar de forma mais eficaz para que estes crimes sejam condenados e sem indevidas dila&ccedil;&otilde;es. O crime de tr&aacute;fico humano fere a dignidade humana&quot;, afirmou Dodge, integrante do Conselho Superior do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal.</p>
<p>Dodge acrescentou que &quot;a m&atilde;o de obra escrava nega a personalidade do indiv&iacute;duo e converte a v&iacute;tima em uma mercadoria, que pode ser objeto de contrabando e tr&aacute;fico&quot;. Entretanto, o que torna mais dif&iacute;cil o combate ao tr&aacute;fico de pessoas &eacute; o fato de no Brasil s&oacute; existir o crime quando h&aacute; explora&ccedil;&atilde;o sexual ou trabalho escravo, disse &agrave; IPS o delegado da Pol&iacute;cia Federal no Rio de Janeiro, Erick Blatt.</p>
<p>&quot;Descobrir o crime &eacute; muito dif&iacute;cil, somente diante da den&uacute;ncia se pode iniciar uma investiga&ccedil;&atilde;o, sem que seja certo que o crime ser&aacute; provado&quot;, pontuou Blatt, tamb&eacute;m representante da Interpol (Pol&iacute;cia Internacional) no Estado do Rio de Janeiro. &quot;Em geral, as pessoas v&atilde;o ao lugar de sua explora&ccedil;&atilde;o voluntariamente, a maioria sem saber que ter&aacute; seu passaporte retido&quot;, afirmou.</p>
<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para as Migra&ccedil;&otilde;es define o tr&aacute;fico humano como &quot;a capta&ccedil;&atilde;o, o transporte, o traslado, a acolhida ou a recep&ccedil;&atilde;o de pessoas, recorrendo &agrave; amea&ccedil;a ou ao uso da for&ccedil;a ou outras formas de coa&ccedil;&atilde;o&quot;. Como coa&ccedil;&otilde;es cita &quot;o rapto, a fraude, o engodo, o abuso de poder, ou uma situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade ou concess&atilde;o ou recep&ccedil;&atilde;o de pagamentos ou benef&iacute;cios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra, com fins de explora&ccedil;&atilde;o&quot;.</p>
<p>O c&oacute;digo penal brasileiro s&oacute; contempla, no Artigo 231, o crime de explora&ccedil;&atilde;o sexual, e no Artigo 149 o de submeter a condi&ccedil;&atilde;o de escravid&atilde;o. Ambos s&atilde;o punidos com penas leves, muito inferiores a crimes que n&atilde;o comercializam seres humanos e sua dignidade. A Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra o Crime Organizado Transnacional, assinada em 2000 e que o Brasil ratificou em 2003, tipifica especificamente os crimes de tr&aacute;fico de pessoas e prop&otilde;e castigos amplos, algo que o pa&iacute;s ainda n&atilde;o colocou em suas leis.</p>
<p>&quot;Estamos na contram&atilde;o do direito internacional. No Brasil o tema &eacute; tratado de maneira inadequada. &Eacute; um crime contra a humanidade e atenta contra a dignidade humana&quot;, queixou-se Barros. O juiz afirma que os instrumentos mais adequados para combater o tr&aacute;fico de pessoas s&atilde;o as medidas que permitem o bloqueio dos ativos de suas m&aacute;fias, para dessa forma atacar seu lado econ&ocirc;mico.</p>
<p>O tr&aacute;fico humano est&aacute; em m&atilde;os de complexas redes de organiza&ccedil;&otilde;es criminais transnacionais que, no Brasil, captam mulheres geralmente pobres, sem perspectiva de ter uma vida melhor, disse &agrave; IPS a advogada Michelle Gueraldi, do Projeto Trama, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais dedicadas ao combate a esse crime. Quando emigram, elas o fazem voluntariamente, em ocasi&otilde;es movidas pelo desejo de melhorar de vida, e acabam exploradas na Espanha, nos Estados Unidos, em Portugal e pa&iacute;ses do Caribe, entre outros lugares, explicou.</p>
<p>Por sua vez, Blatt acrescentou que o Brasil &eacute; receptor de mulheres v&iacute;timas do tr&aacute;fico humano procedentes do leste europeu, especialmente Hungria e Pol&ocirc;nia. &quot;Este crime &eacute; uma viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos. Trabalhamos na preven&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o de suas v&iacute;timas. Tamb&eacute;m recebemos den&uacute;ncias de casos em que notamos que a maioria dos recrutadores &eacute; de pessoas conhecidas e de confian&ccedil;a das v&iacute;timas&quot;, detalhou Gueraldi.</p>
<p>Bras&iacute;lia estabeleceu, em fevereiro, o II Plano de Combate Contra o Tr&aacute;fico de Pessoas, mas o desafio &eacute; levar &agrave; pr&aacute;tica as pol&iacute;ticas estabelecidas, informou a advogada. Por seu lado, Blatt reconheceu que fazer um acompanhamento das v&iacute;timas do tr&aacute;fico humano em sua mobiliza&ccedil;&atilde;o internacional &eacute; complexo para as policiais locais e a Interpol. &quot;Se no Brasil &eacute; lento o sistema de comunica&ccedil;&atilde;o entre a pol&iacute;cia e os procuradores, imaginem o que &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;cias em n&iacute;vel internacional&quot;, pontuou.</p>
<p>O tr&aacute;fico de pessoas &eacute; um neg&oacute;cio extremamente lucrativo. Apenas na Europa, gera anualmente cerca de US$ 3,2 bilh&otilde;es, segundo foi informado no encontro do Rio de Janeiro. O Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra a Droga e o Crime indica que ao menos 2,5 milh&otilde;es de pessoas s&atilde;o v&iacute;timas de tr&aacute;fico humano no mundo. Uma pesquisa deste organismo mostra que 58% dessas v&iacute;timas s&atilde;o objeto de explora&ccedil;&atilde;o sexual e 36% de trabalho escravo. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Traficantes trocam crime pela paz no Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 11:13:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Humanos]]></category>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 10/5/2013 (IPS) &#8211; Os que desejam abandonar a criminalidade encontram in&#250;meros obst&#225;culos para deixar no passado um destino de pris&#227;o e morte. Contudo, nesta cidade v&#225;rios projetos come&#231;am a abrir-lhes uma porta de sa&#237;da. Francisco Paulo Monteiro Cejas Rio, conhecido como Tuchinha, chegou &#224; c&#250;pula da hierarquia criminal. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16431" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/traficantes-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16431" title="Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/traficantes-300x225.jpg" alt="Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 10/5/2013 (IPS) &#8211; Os que desejam abandonar a criminalidade encontram in&uacute;meros obst&aacute;culos para deixar no passado um destino de pris&atilde;o e morte.</strong></p>
<p><span id="more-16431"></span></p>
<p>Contudo, nesta cidade v&aacute;rios projetos come&ccedil;am a abrir-lhes uma porta de sa&iacute;da. Francisco Paulo Monteiro Cejas Rio, conhecido como Tuchinha, chegou &agrave; c&uacute;pula da hierarquia criminal.                        </p>
<p>Como sabia ler e escrever, estudara cinco s&eacute;ries prim&aacute;rias e era bom de c&aacute;lculo, ficou encarregado das contas de um dos grandes grupos da cidade.</p>
<p>Tuchinha se converteu em figura m&iacute;tica dentro do crime organizado e, inclusive, da pol&iacute;cia. Chegou a dominar o tr&aacute;fico de drogas no morro da Mangueira. Metade de sua vida, 25 anos, foi dedicada a atividades ligadas o tr&aacute;fico. Ganhou dinheiro, mulheres e outras recompensas, mas em sua escalada criminosa pagou um pre&ccedil;o caro. No total ficou 21 anos preso, por duas condena&ccedil;&otilde;es distintas, e tanto ele quanto sua fam&iacute;lia foram amea&ccedil;ados de morte.</p>
<p>Agora, com 49 anos, se diz arrependido. &quot;Cresci na Mangueira, fui um l&iacute;der. Tinha dinheiro, mulheres, joias, mas faltava liberdade. Quando sa&iacute;a do bairro tinha que ser escondido ou ir para fora do Rio. Se tivesse tido a oportunidade antes, minha vida teria mudado antes&quot;, contou &agrave; IPS. Foi em 5 de agosto de 2011 que deixou totalmente e para sempre o tr&aacute;fico de drogas, depois de ser convidado pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental AfroReggae para ajudar as pessoas a deixarem o crime e dar palestras mostrando como fazer isso.</p>
<p>&quot;Cometi muitas maldades e mandei fazer outras tantas. Paguei muito caro, com minha liberdade. Hoje, meu papel &eacute; resgatar os que querem deixar o crime, e sou a prova viva de que vale a pena viver em paz&quot;, afirmou Tuchinha. Ele visita pris&otilde;es para conversar com jovens condenados e inclusive ajuda a mediar conflitos em &aacute;reas afetadas pela viol&ecirc;ncia. &quot;Queremos dar a mesma oportunidade a pessoas que querem seguir pelo bom caminho, deixar a criminalidade e poder viver em paz com suas fam&iacute;lias. Muitos est&atilde;o sem esperan&ccedil;a, mas lhes digo que ela existe e est&aacute; viva&quot;, explicou.</p>
<p>Este ex-l&iacute;der do tr&aacute;fico defende que sejam anistiados os presos e ex-criminosos, para que tenham oportunidade de come&ccedil;ar uma nova vida. Tuchinha acredita que ainda pode terminar seus estudos e que pode convencer jovens que foram ou s&atilde;o traficantes a entrarem no projeto de Empregabilidade do AfroReggae. Essa iniciativa, criada em 2008, j&aacute; conseguiu empregar mais de 3.100 pessoas.</p>
<p>Daniela Pereira da Silva, de 35 anos, esteve presa por tr&ecirc;s anos e agora &eacute; uma das coordenadoras do programa. &quot;Fa&ccedil;o parte das estat&iacute;sticas femininas, em que as mulheres, em sua maioria, caem presas por seu envolvimento amoroso com um traficante&quot;, contou &agrave; IPS. O objetivo do projeto &eacute; abrir para ex-presos o acesso ao mercado de trabalho, destacou. &quot;A demanda tem sido genial e tamb&eacute;m inclui moradores das comunidades onde opera o tr&aacute;fico e parentes de ex-presidi&aacute;rios, para aumentar a renda familiar e evitar que voltem &agrave; criminalidade&quot;, ressaltou.</p>
<p>Daniela e Tuchinha fazem parte do grupo de ex-traficantes apoiados pelo AfroReggae que se reuniu com o diretor-executivo do Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra a Droga e o Crime (ONUDD), Yuri Fedotov, durante sua primeira visita oficial ao Brasil, entre 7 e 9 deste m&ecirc;s. O encontro, do qual a IPS participou, aconteceu na sede da organiza&ccedil;&atilde;o da favela Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho, que fica atr&aacute;s da praia de Ipanema e j&aacute; foi pacificada pelas autoridades.</p>
<p>A visita de Fedotov &agrave; cidade teve por objetivo conhecer os programas sociais e de seguran&ccedil;a p&uacute;blica implantados nas favelas. &quot;O projeto de pacifica&ccedil;&atilde;o parece estar funcionando. &Eacute; a primeira vez que vejo algo parecido em rela&ccedil;&atilde;o a uma pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o e fiquei muito impressionado&quot;, disse o diplomata russo. &quot;Estive h&aacute; dez anos no Rio e posso sentir mudan&ccedil;as vis&iacute;veis. Quero expressar minha admira&ccedil;&atilde;o pelas pessoas que tiveram a coragem de deixar o crime, uma vida ilegal, para viver uma vida legal&quot;, pontuou, ao defender a inclus&atilde;o social como uma ferramenta de preven&ccedil;&atilde;o ao crime.</p>
<p>Mangueira e Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho fazem parte das 32 favelas do Rio de Janeiro que estiveram dominadas pelo narcotr&aacute;fico e que foram pacificadas pelas for&ccedil;as policiais. A meta das autoridades para 2014 &eacute; instalar 40 Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora (UPP). No Rio de Janeiro vivem cerca de seis milh&otilde;es de pessoas, das quais pelo menos um milh&atilde;o residem em favelas, algumas ainda dominadas pelos traficantes.</p>
<p>&quot;Tivemos uma pol&iacute;tica focada na repress&atilde;o, o que gerou mais conflitos e morte. A pol&iacute;cia n&atilde;o agia sobre a causa da viol&ecirc;ncia, mas sobre seus efeitos. As armas nas m&atilde;os dos criminosos, no entanto, eram cada vez mais potentes&quot;, disse durante a reuni&atilde;o na Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho o comandante da UPP, major Felipe Magalh&atilde;es dos Reis. Os custos da &quot;guerra contra as drogas&quot; foram muito grandes e houve muitas perdas humanas, afirmou.</p>
<p>Entre 1991 e 2008, a pol&iacute;cia assegura que morreram dois mil agentes e outras dez mil pessoas nos enfrentamentos com as for&ccedil;as da ordem, e que foram apreendidas 170 mil armas. &quot;N&atilde;o havia sa&iacute;da, at&eacute; que surgiu a ideia de criar a UPP&quot;, afirmou o major. Para Fedotov, a experi&ecirc;ncia brasileira pode ser adaptada para outros pa&iacute;ses. &quot;&Eacute; um processo desenhado para o Rio, mas alguns de seus elementos servem para outros pa&iacute;ses, especialmente as ideias de integra&ccedil;&atilde;o social, pacifica&ccedil;&atilde;o e alternativas de vida&quot;, afirmou.</p>
<p>O Brasil agora serve apenas como rota dentro do narcotr&aacute;fico internacional, mas o pa&iacute;s se converteu em importante consumidor de drogas. Durante sua visita a Bras&iacute;lia, Fedotov se encontrou com funcion&aacute;rios para discutir a futura coopera&ccedil;&atilde;o, como as associa&ccedil;&otilde;es regionais e mundiais. &quot;O Brasil &eacute; um ator global e estamos interessados em contar com seu apoio e sua participa&ccedil;&atilde;o em temas globais, como a luta contra o crime organizado transnacional e as drogas il&iacute;citas&quot;, afirmou o diretor-executivo do ONUDD. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Novo regime contra o HIV gera temores na &#193;frica do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 11:12:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Melany Bendix Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 9/5/2013 (IPS) &#8211; &#34;Se ficar sem meus comprimidos, n&#227;o sei o que acontecer&#225;. Provavelmente adoecerei de novo, muito gravemente. Talvez morra&#34;, disse Xoliswa Mbana (nome fict&#237;cio) enquanto arrumava seus quatro filhos para irem &#224; escola em um assentamento informal desta cidade. Mbana foi diagnosticada como portadora do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Melany Bendix</p>
<p> <div id="attachment_16429" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/ips-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16429" title="Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/ips-300x225.jpg" alt="Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV.</p></div> <strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 9/5/2013 (IPS) &#8211; &quot;Se ficar sem meus comprimidos, n&atilde;o sei o que acontecer&aacute;. Provavelmente adoecerei de novo, muito gravemente. Talvez morra&quot;, disse Xoliswa Mbana (nome fict&iacute;cio) enquanto arrumava seus quatro filhos para irem &agrave; escola em um assentamento informal desta cidade.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16429"></span></p>
<p>Mbana foi diagnosticada como portadora do v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia humana (HIV, causador da aids) em 2008, e sua recontagem de c&eacute;lulas CD4 h&aacute; dois anos foi menor do que 200. Adoeceu gravemente e na cl&iacute;nica do superpovoado bairro de Masiphumelele a convenceram a iniciar um tratamento antirretroviral.</p>
<p>&quot;Eu n&atilde;o confiava muito na &#39;muti&#39; (palavra zulu para se referir &agrave; medicina) porque havia escutado muitas coisas ruins sobre ela. Mas estava morrendo e n&atilde;o tive op&ccedil;&atilde;o. Quando comecei a me sentir melhor me alegrei. Espero que o governo n&atilde;o me tire a felicidade&quot;, disse &agrave; IPS esta mulher de 42 anos, que tem medo de n&atilde;o receber mais esses comprimidos que salvam a sua vida.</p>
<p>O Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV/aids calcula que entre 5,5 milh&otilde;es e 5,9 milh&otilde;es dos 49,3 milh&otilde;es de sul-africanos est&atilde;o infectados com o HIV. Em  maio passado, Mbana n&atilde;o p&ocirc;de receber tratamento durante tr&ecirc;s semanas porque sua cl&iacute;nica ficou sem antirretrovirais. A cl&iacute;nica foi uma das centenas de pontos de distribui&ccedil;&atilde;o em seis prov&iacute;ncias sul-africanas afetadas pela escassez geral de medicamentos, a &uacute;ltima sofrida pelo programa de tratamento antirretroviral, lan&ccedil;ado pelo governo em 2004 dentro de sua luta contra a aids.</p>
<p>Esta instabilidade no fornecimento &eacute; que leva ativistas a demonstrarem preocupa&ccedil;&atilde;o pela decis&atilde;o do Departamento de Sa&uacute;de, adotada em 1&ordm; de abril, de iniciar a distribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos de combina&ccedil;&atilde;o em dose fixa (CDF). At&eacute; agora, o tratamento fornecido pelos servi&ccedil;os estatais consistia em tr&ecirc;s comprimidos diferentes que o paciente deveria ingerir ao longo do dia. A nova dose combina os tr&ecirc;s princ&iacute;pios ativos desses comprimidos em um s&oacute;.</p>
<p>Embora a CDF pare&ccedil;a mais conveniente para os pacientes, ativistas e profissionais da sa&uacute;de alertam que um esgotamento da droga poder&aacute; ter efeito catastr&oacute;fico no programa de tratamento antirretroviral sul-africano, o maior do mundo em sua classe. Com o regime anterior, &quot;se havia escassez de um antirretroviral as pessoas ainda podiam tomar os outros dois comprimidos, embora n&atilde;o fosse o ideal. Agora, se faltarem os comprimidos de CDF, os pacientes n&atilde;o ter&atilde;o outro recurso&quot;, explicou &agrave; IPS o diretor-executivo de sa&uacute;de e justi&ccedil;a social da organiza&ccedil;&atilde;o Section 27, Mark Heywood.</p>
<p>Com ele concordou Kevin Rebe, do Instituto de Sa&uacute;de Anova, que administra o programa Health4Men, focado na preven&ccedil;&atilde;o e no tratamento do HIV. &quot;O risco da CDF &eacute; que n&atilde;o tem um bom plano B&quot;, disse &agrave; IPS, alertando que basta deixar de tomar umas poucas doses para que o organismo rejeite o tratamento. &quot;&Eacute; necess&aacute;rio administrar corretamente 95 de cada cem doses. Se n&atilde;o for assim, corre-se o risco de o tratamento fracassar e o paciente precisar optar por outro, possivelmente mais complexo e caro. Por isso, se houver uma escassez de medicamentos CDF, as consequ&ecirc;ncias poder&atilde;o ser graves&quot;, alertou Rebe.</p>
<p>Por sua vez, Linda Gail Bekker, subdiretora do Centro Desmond Tutu contra o HIV, da Universidade da Cidade do Cabo, alertou que um eventual esgotamento poder&aacute; constituir um &quot;grave perigo para a sa&uacute;de&quot; das pessoas que rec&eacute;m-iniciaram o tratamento antirretroviral. Bekker tamb&eacute;m teme que eventuais faltas das doses afetem os avan&ccedil;os conseguidos em convencer as pessoas soropositivas a fazerem o tratamento.</p>
<p>Por&eacute;m, Bekker acredita que os riscos de desabastecimento podem ser mitigados prevendo-se exatamente a demanda e assegurando um fornecimento adequado. Apesar de admitir que isto n&atilde;o &eacute; simples, insistiu que uma administra&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida das doses &eacute; a &uacute;nica maneira de assegurar o sucesso do regime com a CDF. &quot;N&atilde;o &eacute; nenhuma proeza fazer com que este grande n&uacute;mero de pessoas comece uma terapia e depois assegurar que a recebam pelo resto de suas vidas. E temos que faz&ecirc;-lo, e bem feito&quot;, ressaltou.</p>
<p>Por sua vez, Rebe destacou a import&acirc;ncia de n&atilde;o se quebrar a cadeia de fornecimento da CDF, e disse que o plano inicial do Departamento de Sa&uacute;de &eacute; promissor. &quot;Parecem ter sido bem inteligentes, especialmente com a ideia de introduzir a CDF em etapas: primeiro as mulheres gr&aacute;vidas, depois pacientes com tuberculose, e por fim os que est&atilde;o come&ccedil;ando o tratamento antirretroviral&quot;, acrescentou.</p>
<p>&quot;Esse enfoque gradual ajudar&aacute; muito a evitar um esgotamento&quot; de rem&eacute;dios, disse Rebe, destacando que o Departamento de Sa&uacute;de dividiu a licita&ccedil;&atilde;o para o tratamento do per&iacute;odo 2013-2014 em v&aacute;rios contratos. &quot;Isto &eacute; bom porque, se um fornecedor n&atilde;o entregar, outros poder&atilde;o cobrir o que faltar&quot;, ponderou.</p>
<p>Joe Maila, porta-voz do Departamento de Sa&uacute;de, disse &agrave; IPS que somente ser&atilde;o convocados outros fornecedores se os tr&ecirc;s atuais &#8211; as companhias farmac&ecirc;uticas Mylan, Cipla e Aspen &#8211; n&atilde;o puderem atender a demanda. A oferta e a demanda s&atilde;o seguidas de perto e controladas em reuni&otilde;es semanais entre os fornecedores e as autoridades provinciais de sa&uacute;de, informou. Isso permite ao departamento &quot;detectar com anteced&ecirc;ncia problemas de distribui&ccedil;&atilde;o e intervir&quot;, destacou. Por&eacute;m, o mais importante &eacute; que o departamento armazenou v&aacute;rias quantidades de CDF &quot;para aliviar a escassez quando ela ocorrer&quot;, explicou.</p>
<p>O governo sul-africano tamb&eacute;m espera que a introdu&ccedil;&atilde;o da CDF reduza significativamente os custos de seu plano de tratamento contra HIV/aids. O regime anterior custava cerca de 120 rands (US$ 13,4) por pessoa ao m&ecirc;s, enquanto no sistema com a CDF custa 93 rands (US$ 10,38). A economia de US$ 3 &eacute; significativa, considerando que 1,9 milh&atilde;o de pacientes recebem tratamento antirretroviral dos servi&ccedil;os estatais.</p>
<p>&quot;Ter os tr&ecirc;s agentes em comprimidos de dose &uacute;nica &eacute; o melhor que temos atualmente. Tamb&eacute;m est&aacute; demonstrado que reduzir o n&uacute;mero de comprimidos e as doses di&aacute;rias &eacute; fundamental para que os pacientes respeitem o regime de tratamento&quot;, enfatizou Rebe. Para Mbana, o mais importante &eacute; sempre ter seus medicamentos. &quot;N&atilde;o me importa se tenho de tomar um comprimido ao dia ou mais, desde que tenha algo para tomar&quot;, afirmou. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Enredos institucionais e desindustrializa&#231;&#227;o afetam o Mercosul</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 11:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil, 6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&#225; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&#231;a gerada com a incorpora&#231;&#227;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&#227;o travando a integra&#231;&#227;o. H&#225; um &#34;vazio jur&#237;dico&#34; diante da possibilidade do retorno do Paraguai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil,  6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&aacute; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&ccedil;a gerada com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&atilde;o travando a integra&ccedil;&atilde;o.                         </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16428"></span></p>
<p>H&aacute; um &quot;vazio jur&iacute;dico&quot; diante da possibilidade do retorno do Paraguai como s&oacute;cio de pleno direito do Mercosul, junto aos outros s&oacute;cios fundadores, Brasil, Argentina e Uruguai, afirmou Tullo Vig&eacute;vani, professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especializado em rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>
<p>A ades&atilde;o plena da Venezuela ao bloco foi aprovada na c&uacute;pula de 29 de junho de 2012, aproveitando a aus&ecirc;ncia do Paraguai, suspenso nessa mesma reuni&atilde;o em raz&atilde;o do golpe parlamentar daquele m&ecirc;s contra o ent&atilde;o presidente Fernando Lugo. Esse julgamento pol&iacute;tico sum&aacute;rio, sem tempo para o direito &agrave; defesa, foi considerado como viola&ccedil;&atilde;o &agrave; cl&aacute;usula democr&aacute;tica.</p>
<p>O Senado paraguaio, &uacute;nico corpo legislativo do bloco que havia congelado a ratifica&ccedil;&atilde;o de ades&atilde;o assinada em 2006 pela Venezuela, acabou por rejeit&aacute;-la em agosto, uma vota&ccedil;&atilde;o mais simb&oacute;lica do que efetiva. A solu&ccedil;&atilde;o para este enredo institucional provavelmente ser&aacute; &quot;um acordo pol&iacute;tico&quot; at&eacute; agosto, quando tomar posse o presidente eleito do Paraguai, o empres&aacute;rio Horacio Cartes, j&aacute; que os interesses econ&ocirc;micos d&atilde;o um forte poder de press&atilde;o a Buenos Aires e Bras&iacute;lia sobre Assun&ccedil;&atilde;o, ponderou Vig&eacute;vani &agrave; IPS.</p>
<p>O novo governo, que representa o retorno da direitista Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, conseguiria que o parlamento ratificasse finalmente a entrada da Venezuela, fato que agrega ao bloco novas incertezas devido &agrave;s dificuldades econ&ocirc;micas deste &uacute;ltimo pa&iacute;s, agora sem a lideran&ccedil;a de Hugo Ch&aacute;vez, falecido em 5 de mar&ccedil;o e sucedido por Nicol&aacute;s Maduro.</p>
<p>No entanto, o Mercosul claudica principalmente pelas &quot;conflitivas rela&ccedil;&otilde;es&quot; entre Argentina e Brasil, os s&oacute;cios fundamentais enfrentados em diferentes processos de industrializa&ccedil;&atilde;o, segundo an&aacute;lise do professor da Unesp. A Argentina perdeu boa parte de suas ind&uacute;strias em um longo processo iniciado nos anos 1970, recordou. Pol&iacute;ticas privatizadoras e de abertura de fronteiras adotadas em diferentes per&iacute;odos, como na &uacute;ltima ditadura (1976-1983) e no governo de Carlos Menen (1989-1999), levaram ao desastre.</p>
<p>O problema &eacute; que esse pa&iacute;s agora tenta uma &quot;reindustrializa&ccedil;&atilde;o &agrave; antiga&quot;, protegendo setores pouco competitivos, sem as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que apontem para um futuro sustent&aacute;vel, embora se compreenda a press&atilde;o pela gera&ccedil;&atilde;o de empregos, criticou Vig&eacute;vani. Nesse quadro, as disputas com o Brasil se repetem desde a cria&ccedil;&atilde;o do Mercosul, em 1991, como no caso da tentativa de criar um espa&ccedil;o comum de livre circula&ccedil;&atilde;o de bens e pessoas, que em alguns momentos foi discutido, com metas ambiciosas como a harmoniza&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica, cadeias produtivas e moeda comum, que se revelaram irreais.</p>
<p>O dinamismo comercial entre os dois pa&iacute;ses parece ter alcan&ccedil;ado seu limite em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,709 bilh&otilde;es para a Argentina e dela importou US$ 16,906 bilh&otilde;es, segundo dados oficiais brasileiros. Este balan&ccedil;o culmina um desequil&iacute;brio iniciado em 2004. O interc&acirc;mbio bilateral aumentou 13 vezes desde a assinatura do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, que criou o Mercosul. No ano passado, as vendas brasileiras ca&iacute;ram 20,75%, enquanto as argentinas baixaram apenas 2,73%. Desde outubro, a balan&ccedil;a comercial se inclinou ligeiramente a favor de Buenos Aires.</p>
<p>Tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais sofreram pela fuga de grandes investimentos brasileiros do pa&iacute;s vizinho. A Petrobras deixou o mercado argentino onde havia adquirido uma importante rede de distribui&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis, enquanto a gigante da minera&ccedil;&atilde;o Vale, privatizada em 1997, suspendeu seu projeto de extra&ccedil;&atilde;o de pot&aacute;ssio no Rio Colorado, despertando iradas rea&ccedil;&otilde;es em Buenos Aires.</p>
<p>O Brasil tamb&eacute;m entrou em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o, embora mais recente e menos dram&aacute;tico do que o sofrido pela Argentina no passado. Por isso tenta defender alguns segmentos industriais com medidas como altas tarifas alfandeg&aacute;rias, exig&ecirc;ncia de conte&uacute;do nacional m&iacute;nimo nas compras governamentais, redu&ccedil;&atilde;o de impostos e do custo da energia, como um importante elemento para sustentar a conjuntura de quase pleno emprego, gra&ccedil;as &agrave; r&aacute;pida expans&atilde;o dos setores de servi&ccedil;os, agricultura e constru&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>No entanto, essa ind&uacute;stria que Bras&iacute;lia procura preservar est&aacute; &quot;atrasada&quot;, com predom&iacute;nio da &aacute;rea metalmec&acirc;nica e escassa participa&ccedil;&atilde;o dos setores de maior inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, como o eletr&ocirc;nico e o qu&iacute;mico, explicou J&uacute;lio de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Com o auge do fen&ocirc;meno chin&ecirc;s na economia mundial, no Brasil acentuou-se a perda de participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria no produto interno bruto e nas exporta&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>Este problema, por&eacute;m, &eacute; enfrentado em todo o Mercosul, que se consolida como exportador de produtos prim&aacute;rios e importador de manufaturados. O desafio do bloco &eacute; desenvolver &quot;pol&iacute;ticas que fortale&ccedil;am seus processos de inova&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o competitiva, em uma produ&ccedil;&atilde;o que incorpore tecnologias&quot;, pontuou Vig&eacute;vani, em um diagn&oacute;stico que a cada dia obt&eacute;m mais consenso, mas sem solu&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis e vis&iacute;veis no curto prazo.</p>
<p>Assim, a plena incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul n&atilde;o melhora tais perspectivas. Com um com&eacute;rcio exterior muito mais desbalanceado, exportando petr&oacute;leo e necessitando todo o restante do exterior, o mercado desse pa&iacute;s j&aacute; &eacute; um grande comprador de alimentos e bens industriais da Argentina e do Brasil. Por exemplo, o Brasil exportou para a Venezuela, em 2012, US$ 5,056 bilh&otilde;es e s&oacute; importou US$ 997 milh&otilde;es, segundo estat&iacute;sticas brasileiras. Os investimentos do pa&iacute;s na Venezuela, al&eacute;m disso, est&atilde;o em retrocesso, com suspens&atilde;o das atividades por v&aacute;rias empresas.</p>
<p>As empresas brasileiras s&oacute; realizaram quatro opera&ccedil;&otilde;es de investimento nesse pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cinco anos, contra 20 na Col&ocirc;mbia, 19 no Chile e oito no Peru, segundo o banco de dados do Centro de Estudos de Integra&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (Cindes), do Rio de Janeiro. Com a deteriora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a ser enfrentada por Maduro, aumentam as incertezas sobre os efeitos da presen&ccedil;a do quinto s&oacute;cio pleno no Mercosul.</p>
<p>A negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo comercial com a Uni&atilde;o Europeia (UE), que voltou &agrave; mesa, tampouco aponta muitos benef&iacute;cios, j&aacute; que se trata basicamente de abrir esse mercado aos produtos agropecu&aacute;rios do Mercosul, como contrapartida para melhor acesso da ind&uacute;stria e dos servi&ccedil;os do bloco europeu &agrave;s duas maiores economias sul-americanas, o que agravaria os problemas. Al&eacute;m disso, a severa crise econ&ocirc;mico-financeira que a UE enfrenta limita as poss&iacute;veis ambi&ccedil;&otilde;es de tal negocia&ccedil;&atilde;o. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Iminente foco de viol&#234;ncia agr&#225;ria no Par&#225;</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 11:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Marab&#225;, Brasil, 2/5/2013 (IPS) &#8211; Est&#225; a ponto de explodir um novo epis&#243;dio violento entre propriet&#225;rios de grandes fazendas e camponeses sem terra no amaz&#244;nico Estado do Par&#225;, norte do Brasil. A fazenda Itacaiunas fica no sudeste do Par&#225;, no munic&#237;pio de Marab&#225;, a 684 quil&#244;metros da capital, Bel&#233;m. Sua propriet&#225;ria &#233; o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p><strong>Marab&aacute;, Brasil, 2/5/2013 (IPS) &#8211; Est&aacute; a ponto de explodir um novo epis&oacute;dio violento entre propriet&aacute;rios de grandes fazendas e camponeses sem terra no amaz&ocirc;nico Estado do Par&aacute;, norte do Brasil.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16427"></span></p>
<p>A fazenda Itacaiunas fica no sudeste do Par&aacute;, no munic&iacute;pio de Marab&aacute;, a 684 quil&ocirc;metros da capital, Bel&eacute;m. Sua propriet&aacute;ria &eacute; o Agro Santa B&aacute;rbara, grupo econ&ocirc;mico que possui ao menos 600 mil hectares de terras neste Estado.</p>
<p>Desde 2002, a Federa&ccedil;&atilde;o dos Trabalhadores da Agricultura do Par&aacute; (Fetagri) reclama que essa propriedade seja confiscada e sujeita &agrave; reforma agr&aacute;ria. Nela vivem acampadas cerca de 300 fam&iacute;lias. Nos &uacute;ltimos dias de abril, estes camponeses sem terra anunciaram que executariam uma ocupa&ccedil;&atilde;o definitiva da fazenda, e no dia 29 iniciaram o loteamento para &quot;fazer o assentamento por conta pr&oacute;pria&quot;, segundo um comunicado da organiza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>A empresa, por sua vez, considera os camponeses como delinquentes e informou que os denunciou &agrave; pol&iacute;cia militar para garantir a ordem e evitar choques. &quot;O grupo de invasores planeja come&ccedil;ar o loteamento da propriedade. O objetivo &eacute; ampliar a ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal. Este &eacute; um novo ato criminoso dos invasores, que mant&ecirc;m a fazenda sob seu controle e n&atilde;o permitem o acesso a outras pessoas&quot;, diz o Agro Santa B&aacute;rbara em um comunicado.</p>
<p>A imin&ecirc;ncia de um choque violento &eacute; real, pois h&aacute; den&uacute;ncias de presen&ccedil;a na &aacute;rea de grupos fortemente armados, contratados pelos donos da fazenda. Segundo informou &agrave; IPS o advogado da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, da Igreja Cat&oacute;lica, Jos&eacute; Batista, que acompanha de perto a situa&ccedil;&atilde;o, o conflito em Itacaiunas &eacute; &quot;bastante grave&quot;.</p>
<p>&quot;H&aacute; muito tempo estas fam&iacute;lias t&ecirc;m expectativas de que se fa&ccedil;a o assentamento (a distribui&ccedil;&atilde;o legal de terras da reforma agr&aacute;ria). A empresa colocou guardas armados e j&aacute; recebemos informa&ccedil;&otilde;es de que envenenou as pastagens para expulsar as fam&iacute;lias. Isso aumentou a tens&atilde;o e, ent&atilde;o, os camponeses resolveram ocupar uma &aacute;rea maior&quot;, explicou. Embora a pol&iacute;cia tenha sido chamada para evitar um choque direto entre os dois lados, &agrave;s vezes a presen&ccedil;a policial &eacute; que gera conflitos.</p>
<p>Segundo Batista, em 2010, o governo determinou a expropria&ccedil;&atilde;o da fazenda, mas o grupo empresarial entrou com recurso que suspendeu a emiss&atilde;o do t&iacute;tulo de propriedade para os assentados pelo Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra). &quot;As fam&iacute;lias acampadas est&atilde;o irredut&iacute;veis, mas querem resolver o problema de forma pac&iacute;fica&quot;, disse o advogado.</p>
<p>Entretanto, h&aacute; uma discuss&atilde;o sobre o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o que o governo deveria pagar ao Agro Santa B&aacute;rbara por expropriar a fazenda. A empresa teria aceitado negociar com o Incra por um valor equivalente a US$ 11,5 milh&otilde;es. Mas dessa quantia foi descontado o valor do passivo ambiental deixado pela empresa &#8211; que desmatou a regi&atilde;o de selva da fazenda -, estimado em US$ 3 milh&otilde;es. Ent&atilde;o, a companhia apresentou um documento com a taxa&ccedil;&atilde;o de sua propriedade em US$ 21 milh&otilde;es.</p>
<p>Segundo Batista, a fazenda tem 10.600 hectares, e h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es de que mais de 60% s&atilde;o terras p&uacute;blicas e de que a fazenda &eacute; improdutiva.</p>
<p>Boa parte dos conflitos e das mortes por quest&otilde;es agr&aacute;rias ocorrem na Amaz&ocirc;nia, at&eacute; onde chegou a nova fronteira agr&iacute;cola e os projetos de infraestrutura e minera&ccedil;&atilde;o. Esta &eacute; uma das causas principais da viol&ecirc;ncia no sul e sudeste do Par&aacute;, o segundo maior estado brasileiro e l&iacute;der nacional em assassinatos e viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos por conflitos agr&aacute;rios.</p>
<p>Segundo a Pastoral da Terra, entre 1964 e 2010, foram cometidos no Par&aacute; 914 assassinatos de trabalhadores rurais, sindicalistas, juristas e religiosos. Desse total, 654 aconteceram no sul e sudeste do Estado. Os dados n&atilde;o s&atilde;o precisos, pois muitos casos nem mesmo se tornam p&uacute;blicos, segundo o informe Viola&ccedil;&atilde;o de Direitos Humanos no Sul e Sudeste do Par&aacute;, elaborado pela Pastoral e a Fetagri, entre outras entidades, publicado em mar&ccedil;o deste ano.</p>
<p>&quot;A atua&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a tamb&eacute;m est&aacute; a anos-luz entre os crimes cometidos e a puni&ccedil;&atilde;o dos culpados&quot;, apontou Batista. Dos 914 assassinatos j&aacute; mencionados, apenas 18 chegaram a julgamento. Entre 1980 e 2003, foram cometidas 35 matan&ccedil;as no sul e sudeste do Par&aacute;, que totalizaram 212 trabalhadores rurais assassinados. As amea&ccedil;as de morte s&atilde;o moeda corrente. O informe afirma que, entre 2000 e 2011, 165 pessoas receberam amea&ccedil;as no pa&iacute;s, das quais 71 no Par&aacute;. Do total de amea&ccedil;ados, 42 acabaram assassinados, 18 deles neste Estado.</p>
<p>&quot;A reforma agr&aacute;ria &eacute; um projeto ut&oacute;pico. A viol&ecirc;ncia no Par&aacute; vem crescendo, a impunidade n&atilde;o permite avan&ccedil;ar na investiga&ccedil;&atilde;o dos casos e os objetivos dos assassinatos s&atilde;o l&iacute;deres de organiza&ccedil;&otilde;es sociais&quot;, disse &agrave; IPS o representante da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Par&aacute;, Adebral Lima J&uacute;nior.</p>
<p>Para Marianne Anderson, da funda&ccedil;&atilde;o Right Livelihood Award, que fez parte da visita de uma miss&atilde;o solid&aacute;ria realizada na regi&atilde;o em abril, internacionalizar o conflito &eacute; uma forma de pressionar por sua solu&ccedil;&atilde;o. &quot;Nunca devemos calar sobre estas injusti&ccedil;as e mortes. N&atilde;o h&aacute; outro lugar do mundo onde ocorram tantas mortes vinculadas ao meio ambiente e &agrave; terra como no Brasil. Metade dos assassinatos relacionados a conflitos agr&aacute;rios em todo o mundo acontece neste pa&iacute;s. Isto &eacute; inaceit&aacute;vel&quot;, ressaltou Anderson, ex-integrante do parlamento sueco.</p>
<p>A funda&ccedil;&atilde;o, que entrega o pr&ecirc;mio conhecido como Nobel alternativo, incentivar&aacute; sua rede global a enviar cartas de rep&uacute;dio &agrave;s embaixadas do Brasil em todo o mundo. &quot;Pedimos ao governo brasileiro que implante urgentemente a reforma agr&aacute;ria para que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a&quot;, enfatizou Anderson.</p>
<p>Um caminh&atilde;o percorre a rodovia BR-155 no Estado do Par&aacute;, norte do pa&iacute;s. Nessa &aacute;rea j&aacute; n&atilde;o restam selvas, cortadas para dar lugar a pastagens para a pecu&aacute;ria e a explora&ccedil;&atilde;o mineral. Imagem feita no come&ccedil;o de abril de 2013. Envolverde/IPS                                         </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>O primeiro abra&#231;o salva-vidas na &#193;frica do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 10:38:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Stanley Karombo [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &#195;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Stanley Karombo</p>
<p> [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &Atilde;</p>
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		<title>Ativistas compram a&#231;&#245;es da mineradora Vale para serem ouvidos</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 10:41:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&#231;&#245;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos. A compra de a&#231;&#245;es de grandes transnacionais, que d&#225; direito a participar das assembleias de acionistas, j&#225; &#233; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16423" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/n88-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16423" title="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/n88-300x225.jpg" alt="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&ccedil;&otilde;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16423"></span></p>
<p>A compra de a&ccedil;&otilde;es de grandes transnacionais, que d&aacute; direito a participar das assembleias de acionistas, j&aacute; &eacute; uma pr&aacute;tica instaurada entre movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para apresentarem reclama&ccedil;&otilde;es ou den&uacute;ncias diretamente aos investidores das empresas.</p>
<p>Seis ativistas da Articula&ccedil;&atilde;o Internacional dos Afetados pela Vale estiveram presentes no dia 17 na reuni&atilde;o de acionistas da companhia, realizada no Rio de Janeiro. As empresas de capital aberto &#8211; aquelas que vendem a&ccedil;&otilde;es no mercado para capitalizar suas atividades e seus investimentos &#8211; est&atilde;o obrigadas por lei a realizar ao menos uma assembleia geral anual em sua sede. Nessas reuni&otilde;es os investidores recebem informa&ccedil;&atilde;o sobre o rumo das companhias e podem cobrar da dire&ccedil;&atilde;o a respeito do que foi feito no ano passado, bem como dividendos.</p>
<p>&quot;Esta &eacute; a quarta vez que a Articula&ccedil;&atilde;o adota esta iniciativa. A reuni&atilde;o teve sucesso. A assembleia prev&ecirc; que os acionistas intervenham, e nossa &uacute;nica oportunidade de fazer isso foi quando votou-se a ordem do dia. Ent&atilde;o, pedimos a palavra&quot;, contou &agrave; IPS o advogado Danilo Chammas, sobre sua participa&ccedil;&atilde;o na reuni&atilde;o que durou tr&ecirc;s horas e teve e presen&ccedil;a de 50 acionistas. Enquanto os ativistas faziam uso da palavra, a maior parte dos presentes manteve sil&ecirc;ncio e n&atilde;o faltaram momentos de tens&atilde;o, quando eram expostos questionamentos e cr&iacute;ticas.</p>
<p>&quot;Foi positiva a possibilidade de di&aacute;logo, mas sem grandes perspectivas de mudan&ccedil;a. Nossa ideia &eacute; divulgar um lado que os acionistas ignoram e que tamb&eacute;m deve ser considerado&quot;, argumentou Chammas. Segundo c&aacute;lculos das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, a Vale, privatizada em 1997, causou em 2010 danos em uma &aacute;rea correspondente a 741,8 quil&ocirc;metros quadrados.</p>
<p>Dezenas de manifestantes da Articula&ccedil;&atilde;o, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es de dez dos 38 pa&iacute;ses onde a Vale atua, se reuniram diante da sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para tornarem vis&iacute;veis suas den&uacute;ncias. &quot;Como acionistas, explicamos o que significam os riscos e as viola&ccedil;&otilde;es (da empresa) para as comunidades prejudicadas&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Sandra Quintela, do Instituto de Pol&iacute;ticas Alternativas para o Cone Sul.</p>
<p>Em sua opini&atilde;o, esta estrat&eacute;gia multiplica a press&atilde;o sobre a empresa e na justi&ccedil;a. &quot;Tentamos refor&ccedil;ar as lutas, vincular as resist&ecirc;ncias e pensar estrat&eacute;gias comuns. A forma como esta empresa atua nos territ&oacute;rios &eacute; muito cruel. Isso n&atilde;o &eacute; desenvolvimento, &eacute; destrui&ccedil;&atilde;o&quot;, criticou Quintela.</p>
<p>Este &eacute; o segundo ano em que seis habitantes do pequeno povoado de Piqui&aacute; de Baixo, no munic&iacute;pio de A&ccedil;ail&acirc;ndia, no Maranh&atilde;o, chegam ao Rio para denunciar seu caso. Nesse povoado de 380 fam&iacute;lias, foi instalado um polo sider&uacute;rgico de fundi&ccedil;&atilde;o de ferro. A poeira que contamina o ar, a &aacute;gua e o solo &eacute; permanente. H&aacute; cinco anos os moradores pedem para serem transferidos para uma &aacute;rea segura.</p>
<p>&quot;Piqui&aacute; de Baixo deixar&aacute; de existir. Estamos sendo obrigados a nos mudar para outro lugar, n&atilde;o h&aacute; alternativa. O trem em que a Vale transporta min&eacute;rio atravessa o povoado e o dep&oacute;sito est&aacute; sobre n&oacute;s. As cinco sider&uacute;rgicas est&atilde;o quase em cima de nossas hortas&quot;, contou &quot;Seu&quot; Edvard Dantas, de 69 anos.</p>
<p>Ele vive em Piqui&aacute; h&aacute; 26 anos e &eacute; testemunha da extin&ccedil;&atilde;o do povoado. Antes da chegada da sider&uacute;rgica, a &aacute;rea era rural. Seu Edvard plantava arroz, milho e mandioca para alimentar sua numerosa fam&iacute;lia. Hoje apenas sua mulher e uma filha continuam vivendo com ele. Seus outros cinco filhos j&aacute; deixaram Piqui&aacute;, assim como muitos outros habitantes.</p>
<p>Os casos de c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, problemas respirat&oacute;rios e alergias n&atilde;o s&atilde;o raros. &quot;Na horta e no telhado da minha casa h&aacute; uma camada permanente de p&oacute;. Estamos sofrendo muito, esperamos n&atilde;o demore mais do que dois anos&quot; o traslado para um novo lugar. Por&eacute;m, as novas moradias que deveriam ocupar ainda n&atilde;o foram constru&iacute;das, acrescentou.</p>
<p>Os pa&iacute;ses mudam, mas os problemas s&atilde;o os mesmos, destacou o mo&ccedil;ambicano Fabi&atilde;o Mani&ccedil;a, da Associa&ccedil;&atilde;o de Assist&ecirc;ncia e Apoio Jur&iacute;dico &agrave;s Comunidades de Tete, na regi&atilde;o central de Mo&ccedil;ambique, onde a Vale obteve concess&atilde;o para explorar por 35 anos a mina de carv&atilde;o Moatize. &quot;Estamos juntando for&ccedil;as para fazer reivindica&ccedil;&otilde;es. A empresa n&atilde;o abre espa&ccedil;o para negociar de forma direta com as associa&ccedil;&otilde;es ou as comunidades&quot;, afirmou.</p>
<p>O maior problema ali foi o deslocamento de 1.300 fam&iacute;lias, pois as casas rec&eacute;m-constru&iacute;das que lhes foram entregues j&aacute; apresentam falhas estruturais. &quot;As fam&iacute;lias se mudaram h&aacute; um ano e meio e h&aacute; rachaduras; s&atilde;o casas mal constru&iacute;das. As crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;gua pot&aacute;vel. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para plantar nem criar os filhos. Prometeram que nos ajudariam durante um ano, entregando alimentos, transporte gratuito e empregos, mas n&atilde;o cumpriram&quot;, acrescentou Mani&ccedil;a.</p>
<p>Em alguns casos, as fam&iacute;lias foram reassentadas em lugares distantes at&eacute; 50 quil&ocirc;metros de onde viviam, segundo Mani&ccedil;a. &quot;Est&aacute;vamos em &aacute;reas f&eacute;rteis e nossa atividade principal &eacute; a agricultura. Na &Aacute;frica, meu pai est&aacute; enterrado na horta. As pessoas foram obrigadas a abandonar seus antepassados e partir&quot;, lamentou.</p>
<p>A pedido da IPS, a empresa entregou &agrave; ag&ecirc;ncia um comunicado no qual afirma que &quot;respeita o direito &agrave; livre express&atilde;o&quot; e que &quot;se coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para receber sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas sobre seus empreendimentos&quot;. A Vale assegura que participa do processo de reassentamento das fam&iacute;lias de Piqui&aacute; de Baixo. Em julho de 2012, assinou com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico de A&ccedil;ail&acirc;ndia uma proposta para transferir cerca de US$ 200 mil para o projeto habitacional do novo bairro.</p>
<p>Quanto a Mo&ccedil;ambique, foram delimitadas duas &aacute;reas para reassentar as fam&iacute;lias, com &quot;participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que consistiu em tr&ecirc;s audi&ecirc;ncias, 20 apresenta&ccedil;&otilde;es teatrais na l&iacute;ngua local mais falada (nyungwe), 110 reuni&otilde;es com a comunidade e seus l&iacute;deres, 4.927 visitas domiciliares e 639 consultas realizadas no servi&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o permanente ao in&iacute;cio do reassentamento&quot;, segundo a empresa.</p>
<p>Como parte do projeto Carv&atilde;o Moatize, al&eacute;m das casas, foram constru&iacute;das ou reformadas escolas, postos de sa&uacute;de e uma maternidade, um posto policial e ruas. Tamb&eacute;m foi instalada energia el&eacute;trica nas vias principais. E, segundo a Vale, as casas que apresentaram problemas, j&aacute; come&ccedil;aram a ser reparadas. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Sobreviventes de Eldorado dos Caraj&#225;s enfrentam outra extin&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 11:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Eldorado dos Caraj&#225;s, Brasil, 17/4/2013 (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&#243;rio do ent&#227;o governador do Par&#225;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&#231;&#227;o social pela reforma agr&#225;ria. Nessa estrada que une as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16421" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/troncos.jpg"><img class="size-medium wp-image-16421" title="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/troncos.jpg" alt="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s.</p></div> <strong>Eldorado dos Caraj&aacute;s, Brasil, 17/4/2013  (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&oacute;rio do ent&atilde;o governador do Par&aacute;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&ccedil;&atilde;o social pela reforma agr&aacute;ria.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16421"></span></p>
<p>Nessa estrada que une as cidades de Marab&aacute; e Parauapebas, no sudeste do Estado, se concentravam os maiores projetos de minera&ccedil;&atilde;o e pecu&aacute;rios. Nesse dia, em uma &aacute;rea conhecida como curva do S, perto do munic&iacute;pio de Eldorado dos Caraj&aacute;s, a 800 quil&ocirc;metros da capital do Par&aacute;, Bel&eacute;m, 150 policiais abriram fogo contra cerca de mil manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que bloqueavam a passagem.</p>
<p>Dezenove pessoas morreram e 70 ficaram feridas. Os manifestantes se dirigiam a Bel&eacute;m para cobrar a expropria&ccedil;&atilde;o da fazenda Macaxeira, que j&aacute; era ocupada por 1.500 fam&iacute;lias de Curion&oacute;polis, perto de Eldorado, e a distribui&ccedil;&atilde;o de suas terras na reforma agr&aacute;ria. A trag&eacute;dia colocou o problema agr&aacute;rio na agenda pol&iacute;tica do pa&iacute;s, e o dia 17 de abril se converteu em Dia Mundial de Luta pela Terra.</p>
<p>Este ano, se completam 17 anos do massacre e 15 da cria&ccedil;&atilde;o do assentamento 17 de Abril, que fez justi&ccedil;a ao que era reclamado. O assentamento foi fundado quase dois anos depois do massacre, quando o Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) declarou improdutiva a fazenda, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para sua expropria&ccedil;&atilde;o. Cerca de 700 fam&iacute;lias sobreviventes moram hoje no acampamento de 27 mil hectares na fazenda Macaxeira e lutam para sobreviver sem empregos nem apoio para tornarem suas &aacute;reas produtivas.</p>
<p>Ivagno Brito, filho de camponeses, tinha 13 anos quando testemunhou os fatos. Hoje, com 30, dedica-se &agrave; causa do MST. &quot;Foi um desespero, uma loucura. Imagine muita gente e fogo cruzado. A cena que mais me marcou foi ver mulheres e crian&ccedil;as se escondendo em uma pequena capela que hoje n&atilde;o existe mais&quot;, contou Brito &agrave; IPS, apontando para o lugar exato do massacre na curva do S. &quot;N&atilde;o posso esquecer. Desmaiei. N&atilde;o encontrava meu pai e comecei a correr. Logo me vi no meio do mato&quot;, acrescentou.</p>
<p>Maria Zelzuita, de 48 anos, tamb&eacute;m foi parte da trag&eacute;dia. &quot;Queriam que desocup&aacute;ssemos a estrada, mas est&aacute;vamos a p&eacute;. A forma que a pol&iacute;cia encontrou foi atirar contra n&oacute;s. O que n&atilde;o esque&ccedil;o s&atilde;o os gritos das pessoas e das crian&ccedil;as chamando por suas m&atilde;es&quot;, contou. &quot;J&aacute; havia gente morta sobre o asfalto, peguei a m&atilde;o de quatro crian&ccedil;as para salv&aacute;-las. Sa&iacute; da estrada correndo para os arbustos, carregamos inclusive uma crian&ccedil;a baleada&quot;, afirmou.</p>
<p>Zelzuita tem um lote de 25 hectares onde cultiva arroz, mandioca, milho e ab&oacute;bora. Mas os anos mostraram que n&atilde;o basta repartir terras, se n&atilde;o forem fornecidos instrumentos e conhecimentos para desenvolver uma agricultura sustent&aacute;vel. Ela trabalha em associa&ccedil;&atilde;o com a aldeia dos assentados, ganha a vida como ajudante de cozinha na escola local, estuda e &eacute; m&atilde;e sozinha de tr&ecirc;s filhos. Em sua casa tem &aacute;gua encanada e eletricidade.</p>
<p>&quot;Me sinto feliz como assentada; tenho onde viver e criar meus filhos. Antes n&atilde;o tinha, e n&atilde;o me vejo na cidade. Mas aqui n&atilde;o h&aacute; trabalho e muitos precisam partir para as cidades em busca de sustento&quot;, explicou Zelzuita &agrave; IPS. Diante destas dificuldades, muitos assentados pelo Incra venderam seus lotes e foram embora. A comercializa&ccedil;&atilde;o dos assentamentos &eacute; um fen&ocirc;meno frequente no Par&aacute;.</p>
<p>Aos 49 anos, &quot;dona&quot; Rosa Costa Miranda n&atilde;o pensa em deixar o campo, mas, superada pelo esfor&ccedil;o de cultivar uma horta em um solo t&atilde;o pobre, decidiu arrendar a &aacute;rea para cria&ccedil;&atilde;o de gado. &quot;Hoje tenho um lote e uma casa. N&atilde;o produzo quase nada porque sou sozinha, mas alugo a terra. A vida no assentamento &eacute; dif&iacute;cil porque n&atilde;o h&aacute; trabalho. Tem gente endividada com o banco sem ter como pagar&quot;, contou &agrave; IPS.</p>
<p>Dona Rosa nasceu no Maranh&atilde;o, no extremo nordeste. Aos 16 anos se mudou para o Par&aacute; com o marido agricultor. Ela estava presente na ocupa&ccedil;&atilde;o da fazenda, e no dia do massacre foi uma das mulheres que se esconderam na pequena igreja. H&aacute; pouco tempo conseguiu dinheiro para plantar cupua&ccedil;u. Mas o fogo que seus vizinhos colocaram em uma &aacute;rea adjacente &#8211; pr&aacute;tica frequente para limpar e fertilizar o terreno &#8211; fugiu ao controle e queimou as plantas.</p>
<p>Apesar das dificuldades, &quot;&eacute; melhor viver na periferia do que nas cidades ou favelas. Quem tem um peda&ccedil;o de terra hoje est&aacute; seguro. N&atilde;o penso em mudar. A rua &eacute; muito perigosa&quot;, afirmou dona Rosa. As expropria&ccedil;&otilde;es de fazendas s&atilde;o lentas e podem demorar at&eacute; uma d&eacute;cada. Para o assentamento 17 de Abril, a expropria&ccedil;&atilde;o foi obtida &quot;dois anos depois (do massacre) em raz&atilde;o do derramamento de sangue. H&aacute; acampamentos que est&atilde;o esperando h&aacute; 12 anos e para eles a reforma agr&aacute;ria nunca chega&quot;, pontuou.</p>
<p>A Amaz&ocirc;nia j&aacute; n&atilde;o &eacute; o que era quando ela veio do nordeste. Para chegar ao 17 de Abril, &eacute; preciso cruzar pequenas aldeias e zonas urbanas que crescem ao lado da estrada, como Soror&oacute;, Eldorado dos Caraj&aacute;s e Curion&oacute;polis, centros de grande circula&ccedil;&atilde;o de caminh&otilde;es carregados de min&eacute;rios.</p>
<p>Pela antiga estrada PA-150, hoje a estrada federal asfaltada BR-155, se passa perto do distrito industrial de Marab&aacute;, que conta com 12 sider&uacute;rgicas e grandes propriedades pecu&aacute;rias, tudo em plena Amaz&ocirc;nia. Dali se divisa uma paisagem sem uma &uacute;nica &aacute;rvore, apenas pastagens. &quot;Est&aacute; mudando muito, por isso estamos morrendo de seca. Daqui a alguns anos n&atilde;o haver&aacute; nem chuva, porque n&atilde;o h&aacute; &aacute;rvores&quot;, lamentou dona Rosa. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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