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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; Comércio e desenvolvimento</title>
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		<title>Enredos institucionais e desindustrializa&#231;&#227;o afetam o Mercosul</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 11:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil, 6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&#225; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&#231;a gerada com a incorpora&#231;&#227;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&#227;o travando a integra&#231;&#227;o. H&#225; um &#34;vazio jur&#237;dico&#34; diante da possibilidade do retorno do Paraguai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil,  6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&aacute; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&ccedil;a gerada com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&atilde;o travando a integra&ccedil;&atilde;o.                         </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16428"></span></p>
<p>H&aacute; um &quot;vazio jur&iacute;dico&quot; diante da possibilidade do retorno do Paraguai como s&oacute;cio de pleno direito do Mercosul, junto aos outros s&oacute;cios fundadores, Brasil, Argentina e Uruguai, afirmou Tullo Vig&eacute;vani, professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especializado em rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>
<p>A ades&atilde;o plena da Venezuela ao bloco foi aprovada na c&uacute;pula de 29 de junho de 2012, aproveitando a aus&ecirc;ncia do Paraguai, suspenso nessa mesma reuni&atilde;o em raz&atilde;o do golpe parlamentar daquele m&ecirc;s contra o ent&atilde;o presidente Fernando Lugo. Esse julgamento pol&iacute;tico sum&aacute;rio, sem tempo para o direito &agrave; defesa, foi considerado como viola&ccedil;&atilde;o &agrave; cl&aacute;usula democr&aacute;tica.</p>
<p>O Senado paraguaio, &uacute;nico corpo legislativo do bloco que havia congelado a ratifica&ccedil;&atilde;o de ades&atilde;o assinada em 2006 pela Venezuela, acabou por rejeit&aacute;-la em agosto, uma vota&ccedil;&atilde;o mais simb&oacute;lica do que efetiva. A solu&ccedil;&atilde;o para este enredo institucional provavelmente ser&aacute; &quot;um acordo pol&iacute;tico&quot; at&eacute; agosto, quando tomar posse o presidente eleito do Paraguai, o empres&aacute;rio Horacio Cartes, j&aacute; que os interesses econ&ocirc;micos d&atilde;o um forte poder de press&atilde;o a Buenos Aires e Bras&iacute;lia sobre Assun&ccedil;&atilde;o, ponderou Vig&eacute;vani &agrave; IPS.</p>
<p>O novo governo, que representa o retorno da direitista Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, conseguiria que o parlamento ratificasse finalmente a entrada da Venezuela, fato que agrega ao bloco novas incertezas devido &agrave;s dificuldades econ&ocirc;micas deste &uacute;ltimo pa&iacute;s, agora sem a lideran&ccedil;a de Hugo Ch&aacute;vez, falecido em 5 de mar&ccedil;o e sucedido por Nicol&aacute;s Maduro.</p>
<p>No entanto, o Mercosul claudica principalmente pelas &quot;conflitivas rela&ccedil;&otilde;es&quot; entre Argentina e Brasil, os s&oacute;cios fundamentais enfrentados em diferentes processos de industrializa&ccedil;&atilde;o, segundo an&aacute;lise do professor da Unesp. A Argentina perdeu boa parte de suas ind&uacute;strias em um longo processo iniciado nos anos 1970, recordou. Pol&iacute;ticas privatizadoras e de abertura de fronteiras adotadas em diferentes per&iacute;odos, como na &uacute;ltima ditadura (1976-1983) e no governo de Carlos Menen (1989-1999), levaram ao desastre.</p>
<p>O problema &eacute; que esse pa&iacute;s agora tenta uma &quot;reindustrializa&ccedil;&atilde;o &agrave; antiga&quot;, protegendo setores pouco competitivos, sem as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que apontem para um futuro sustent&aacute;vel, embora se compreenda a press&atilde;o pela gera&ccedil;&atilde;o de empregos, criticou Vig&eacute;vani. Nesse quadro, as disputas com o Brasil se repetem desde a cria&ccedil;&atilde;o do Mercosul, em 1991, como no caso da tentativa de criar um espa&ccedil;o comum de livre circula&ccedil;&atilde;o de bens e pessoas, que em alguns momentos foi discutido, com metas ambiciosas como a harmoniza&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica, cadeias produtivas e moeda comum, que se revelaram irreais.</p>
<p>O dinamismo comercial entre os dois pa&iacute;ses parece ter alcan&ccedil;ado seu limite em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,709 bilh&otilde;es para a Argentina e dela importou US$ 16,906 bilh&otilde;es, segundo dados oficiais brasileiros. Este balan&ccedil;o culmina um desequil&iacute;brio iniciado em 2004. O interc&acirc;mbio bilateral aumentou 13 vezes desde a assinatura do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, que criou o Mercosul. No ano passado, as vendas brasileiras ca&iacute;ram 20,75%, enquanto as argentinas baixaram apenas 2,73%. Desde outubro, a balan&ccedil;a comercial se inclinou ligeiramente a favor de Buenos Aires.</p>
<p>Tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais sofreram pela fuga de grandes investimentos brasileiros do pa&iacute;s vizinho. A Petrobras deixou o mercado argentino onde havia adquirido uma importante rede de distribui&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis, enquanto a gigante da minera&ccedil;&atilde;o Vale, privatizada em 1997, suspendeu seu projeto de extra&ccedil;&atilde;o de pot&aacute;ssio no Rio Colorado, despertando iradas rea&ccedil;&otilde;es em Buenos Aires.</p>
<p>O Brasil tamb&eacute;m entrou em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o, embora mais recente e menos dram&aacute;tico do que o sofrido pela Argentina no passado. Por isso tenta defender alguns segmentos industriais com medidas como altas tarifas alfandeg&aacute;rias, exig&ecirc;ncia de conte&uacute;do nacional m&iacute;nimo nas compras governamentais, redu&ccedil;&atilde;o de impostos e do custo da energia, como um importante elemento para sustentar a conjuntura de quase pleno emprego, gra&ccedil;as &agrave; r&aacute;pida expans&atilde;o dos setores de servi&ccedil;os, agricultura e constru&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>No entanto, essa ind&uacute;stria que Bras&iacute;lia procura preservar est&aacute; &quot;atrasada&quot;, com predom&iacute;nio da &aacute;rea metalmec&acirc;nica e escassa participa&ccedil;&atilde;o dos setores de maior inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, como o eletr&ocirc;nico e o qu&iacute;mico, explicou J&uacute;lio de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Com o auge do fen&ocirc;meno chin&ecirc;s na economia mundial, no Brasil acentuou-se a perda de participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria no produto interno bruto e nas exporta&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>Este problema, por&eacute;m, &eacute; enfrentado em todo o Mercosul, que se consolida como exportador de produtos prim&aacute;rios e importador de manufaturados. O desafio do bloco &eacute; desenvolver &quot;pol&iacute;ticas que fortale&ccedil;am seus processos de inova&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o competitiva, em uma produ&ccedil;&atilde;o que incorpore tecnologias&quot;, pontuou Vig&eacute;vani, em um diagn&oacute;stico que a cada dia obt&eacute;m mais consenso, mas sem solu&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis e vis&iacute;veis no curto prazo.</p>
<p>Assim, a plena incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul n&atilde;o melhora tais perspectivas. Com um com&eacute;rcio exterior muito mais desbalanceado, exportando petr&oacute;leo e necessitando todo o restante do exterior, o mercado desse pa&iacute;s j&aacute; &eacute; um grande comprador de alimentos e bens industriais da Argentina e do Brasil. Por exemplo, o Brasil exportou para a Venezuela, em 2012, US$ 5,056 bilh&otilde;es e s&oacute; importou US$ 997 milh&otilde;es, segundo estat&iacute;sticas brasileiras. Os investimentos do pa&iacute;s na Venezuela, al&eacute;m disso, est&atilde;o em retrocesso, com suspens&atilde;o das atividades por v&aacute;rias empresas.</p>
<p>As empresas brasileiras s&oacute; realizaram quatro opera&ccedil;&otilde;es de investimento nesse pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cinco anos, contra 20 na Col&ocirc;mbia, 19 no Chile e oito no Peru, segundo o banco de dados do Centro de Estudos de Integra&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (Cindes), do Rio de Janeiro. Com a deteriora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a ser enfrentada por Maduro, aumentam as incertezas sobre os efeitos da presen&ccedil;a do quinto s&oacute;cio pleno no Mercosul.</p>
<p>A negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo comercial com a Uni&atilde;o Europeia (UE), que voltou &agrave; mesa, tampouco aponta muitos benef&iacute;cios, j&aacute; que se trata basicamente de abrir esse mercado aos produtos agropecu&aacute;rios do Mercosul, como contrapartida para melhor acesso da ind&uacute;stria e dos servi&ccedil;os do bloco europeu &agrave;s duas maiores economias sul-americanas, o que agravaria os problemas. Al&eacute;m disso, a severa crise econ&ocirc;mico-financeira que a UE enfrenta limita as poss&iacute;veis ambi&ccedil;&otilde;es de tal negocia&ccedil;&atilde;o. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>O primeiro abra&#231;o salva-vidas na &#193;frica do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 10:38:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Stanley Karombo [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &#195;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Stanley Karombo</p>
<p> [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &Atilde;</p>
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		<title>Ativistas compram a&#231;&#245;es da mineradora Vale para serem ouvidos</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 10:41:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&#231;&#245;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos. A compra de a&#231;&#245;es de grandes transnacionais, que d&#225; direito a participar das assembleias de acionistas, j&#225; &#233; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16423" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/n88-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16423" title="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/n88-300x225.jpg" alt="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&ccedil;&otilde;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16423"></span></p>
<p>A compra de a&ccedil;&otilde;es de grandes transnacionais, que d&aacute; direito a participar das assembleias de acionistas, j&aacute; &eacute; uma pr&aacute;tica instaurada entre movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para apresentarem reclama&ccedil;&otilde;es ou den&uacute;ncias diretamente aos investidores das empresas.</p>
<p>Seis ativistas da Articula&ccedil;&atilde;o Internacional dos Afetados pela Vale estiveram presentes no dia 17 na reuni&atilde;o de acionistas da companhia, realizada no Rio de Janeiro. As empresas de capital aberto &#8211; aquelas que vendem a&ccedil;&otilde;es no mercado para capitalizar suas atividades e seus investimentos &#8211; est&atilde;o obrigadas por lei a realizar ao menos uma assembleia geral anual em sua sede. Nessas reuni&otilde;es os investidores recebem informa&ccedil;&atilde;o sobre o rumo das companhias e podem cobrar da dire&ccedil;&atilde;o a respeito do que foi feito no ano passado, bem como dividendos.</p>
<p>&quot;Esta &eacute; a quarta vez que a Articula&ccedil;&atilde;o adota esta iniciativa. A reuni&atilde;o teve sucesso. A assembleia prev&ecirc; que os acionistas intervenham, e nossa &uacute;nica oportunidade de fazer isso foi quando votou-se a ordem do dia. Ent&atilde;o, pedimos a palavra&quot;, contou &agrave; IPS o advogado Danilo Chammas, sobre sua participa&ccedil;&atilde;o na reuni&atilde;o que durou tr&ecirc;s horas e teve e presen&ccedil;a de 50 acionistas. Enquanto os ativistas faziam uso da palavra, a maior parte dos presentes manteve sil&ecirc;ncio e n&atilde;o faltaram momentos de tens&atilde;o, quando eram expostos questionamentos e cr&iacute;ticas.</p>
<p>&quot;Foi positiva a possibilidade de di&aacute;logo, mas sem grandes perspectivas de mudan&ccedil;a. Nossa ideia &eacute; divulgar um lado que os acionistas ignoram e que tamb&eacute;m deve ser considerado&quot;, argumentou Chammas. Segundo c&aacute;lculos das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, a Vale, privatizada em 1997, causou em 2010 danos em uma &aacute;rea correspondente a 741,8 quil&ocirc;metros quadrados.</p>
<p>Dezenas de manifestantes da Articula&ccedil;&atilde;o, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es de dez dos 38 pa&iacute;ses onde a Vale atua, se reuniram diante da sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para tornarem vis&iacute;veis suas den&uacute;ncias. &quot;Como acionistas, explicamos o que significam os riscos e as viola&ccedil;&otilde;es (da empresa) para as comunidades prejudicadas&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Sandra Quintela, do Instituto de Pol&iacute;ticas Alternativas para o Cone Sul.</p>
<p>Em sua opini&atilde;o, esta estrat&eacute;gia multiplica a press&atilde;o sobre a empresa e na justi&ccedil;a. &quot;Tentamos refor&ccedil;ar as lutas, vincular as resist&ecirc;ncias e pensar estrat&eacute;gias comuns. A forma como esta empresa atua nos territ&oacute;rios &eacute; muito cruel. Isso n&atilde;o &eacute; desenvolvimento, &eacute; destrui&ccedil;&atilde;o&quot;, criticou Quintela.</p>
<p>Este &eacute; o segundo ano em que seis habitantes do pequeno povoado de Piqui&aacute; de Baixo, no munic&iacute;pio de A&ccedil;ail&acirc;ndia, no Maranh&atilde;o, chegam ao Rio para denunciar seu caso. Nesse povoado de 380 fam&iacute;lias, foi instalado um polo sider&uacute;rgico de fundi&ccedil;&atilde;o de ferro. A poeira que contamina o ar, a &aacute;gua e o solo &eacute; permanente. H&aacute; cinco anos os moradores pedem para serem transferidos para uma &aacute;rea segura.</p>
<p>&quot;Piqui&aacute; de Baixo deixar&aacute; de existir. Estamos sendo obrigados a nos mudar para outro lugar, n&atilde;o h&aacute; alternativa. O trem em que a Vale transporta min&eacute;rio atravessa o povoado e o dep&oacute;sito est&aacute; sobre n&oacute;s. As cinco sider&uacute;rgicas est&atilde;o quase em cima de nossas hortas&quot;, contou &quot;Seu&quot; Edvard Dantas, de 69 anos.</p>
<p>Ele vive em Piqui&aacute; h&aacute; 26 anos e &eacute; testemunha da extin&ccedil;&atilde;o do povoado. Antes da chegada da sider&uacute;rgica, a &aacute;rea era rural. Seu Edvard plantava arroz, milho e mandioca para alimentar sua numerosa fam&iacute;lia. Hoje apenas sua mulher e uma filha continuam vivendo com ele. Seus outros cinco filhos j&aacute; deixaram Piqui&aacute;, assim como muitos outros habitantes.</p>
<p>Os casos de c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, problemas respirat&oacute;rios e alergias n&atilde;o s&atilde;o raros. &quot;Na horta e no telhado da minha casa h&aacute; uma camada permanente de p&oacute;. Estamos sofrendo muito, esperamos n&atilde;o demore mais do que dois anos&quot; o traslado para um novo lugar. Por&eacute;m, as novas moradias que deveriam ocupar ainda n&atilde;o foram constru&iacute;das, acrescentou.</p>
<p>Os pa&iacute;ses mudam, mas os problemas s&atilde;o os mesmos, destacou o mo&ccedil;ambicano Fabi&atilde;o Mani&ccedil;a, da Associa&ccedil;&atilde;o de Assist&ecirc;ncia e Apoio Jur&iacute;dico &agrave;s Comunidades de Tete, na regi&atilde;o central de Mo&ccedil;ambique, onde a Vale obteve concess&atilde;o para explorar por 35 anos a mina de carv&atilde;o Moatize. &quot;Estamos juntando for&ccedil;as para fazer reivindica&ccedil;&otilde;es. A empresa n&atilde;o abre espa&ccedil;o para negociar de forma direta com as associa&ccedil;&otilde;es ou as comunidades&quot;, afirmou.</p>
<p>O maior problema ali foi o deslocamento de 1.300 fam&iacute;lias, pois as casas rec&eacute;m-constru&iacute;das que lhes foram entregues j&aacute; apresentam falhas estruturais. &quot;As fam&iacute;lias se mudaram h&aacute; um ano e meio e h&aacute; rachaduras; s&atilde;o casas mal constru&iacute;das. As crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;gua pot&aacute;vel. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para plantar nem criar os filhos. Prometeram que nos ajudariam durante um ano, entregando alimentos, transporte gratuito e empregos, mas n&atilde;o cumpriram&quot;, acrescentou Mani&ccedil;a.</p>
<p>Em alguns casos, as fam&iacute;lias foram reassentadas em lugares distantes at&eacute; 50 quil&ocirc;metros de onde viviam, segundo Mani&ccedil;a. &quot;Est&aacute;vamos em &aacute;reas f&eacute;rteis e nossa atividade principal &eacute; a agricultura. Na &Aacute;frica, meu pai est&aacute; enterrado na horta. As pessoas foram obrigadas a abandonar seus antepassados e partir&quot;, lamentou.</p>
<p>A pedido da IPS, a empresa entregou &agrave; ag&ecirc;ncia um comunicado no qual afirma que &quot;respeita o direito &agrave; livre express&atilde;o&quot; e que &quot;se coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para receber sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas sobre seus empreendimentos&quot;. A Vale assegura que participa do processo de reassentamento das fam&iacute;lias de Piqui&aacute; de Baixo. Em julho de 2012, assinou com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico de A&ccedil;ail&acirc;ndia uma proposta para transferir cerca de US$ 200 mil para o projeto habitacional do novo bairro.</p>
<p>Quanto a Mo&ccedil;ambique, foram delimitadas duas &aacute;reas para reassentar as fam&iacute;lias, com &quot;participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que consistiu em tr&ecirc;s audi&ecirc;ncias, 20 apresenta&ccedil;&otilde;es teatrais na l&iacute;ngua local mais falada (nyungwe), 110 reuni&otilde;es com a comunidade e seus l&iacute;deres, 4.927 visitas domiciliares e 639 consultas realizadas no servi&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o permanente ao in&iacute;cio do reassentamento&quot;, segundo a empresa.</p>
<p>Como parte do projeto Carv&atilde;o Moatize, al&eacute;m das casas, foram constru&iacute;das ou reformadas escolas, postos de sa&uacute;de e uma maternidade, um posto policial e ruas. Tamb&eacute;m foi instalada energia el&eacute;trica nas vias principais. E, segundo a Vale, as casas que apresentaram problemas, j&aacute; come&ccedil;aram a ser reparadas. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Sobreviventes de Eldorado dos Caraj&#225;s enfrentam outra extin&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 11:07:43 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Eldorado dos Caraj&#225;s, Brasil, 17/4/2013 (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&#243;rio do ent&#227;o governador do Par&#225;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&#231;&#227;o social pela reforma agr&#225;ria. Nessa estrada que une as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16421" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/troncos.jpg"><img class="size-medium wp-image-16421" title="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/troncos.jpg" alt="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s.</p></div> <strong>Eldorado dos Caraj&aacute;s, Brasil, 17/4/2013  (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&oacute;rio do ent&atilde;o governador do Par&aacute;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&ccedil;&atilde;o social pela reforma agr&aacute;ria.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16421"></span></p>
<p>Nessa estrada que une as cidades de Marab&aacute; e Parauapebas, no sudeste do Estado, se concentravam os maiores projetos de minera&ccedil;&atilde;o e pecu&aacute;rios. Nesse dia, em uma &aacute;rea conhecida como curva do S, perto do munic&iacute;pio de Eldorado dos Caraj&aacute;s, a 800 quil&ocirc;metros da capital do Par&aacute;, Bel&eacute;m, 150 policiais abriram fogo contra cerca de mil manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que bloqueavam a passagem.</p>
<p>Dezenove pessoas morreram e 70 ficaram feridas. Os manifestantes se dirigiam a Bel&eacute;m para cobrar a expropria&ccedil;&atilde;o da fazenda Macaxeira, que j&aacute; era ocupada por 1.500 fam&iacute;lias de Curion&oacute;polis, perto de Eldorado, e a distribui&ccedil;&atilde;o de suas terras na reforma agr&aacute;ria. A trag&eacute;dia colocou o problema agr&aacute;rio na agenda pol&iacute;tica do pa&iacute;s, e o dia 17 de abril se converteu em Dia Mundial de Luta pela Terra.</p>
<p>Este ano, se completam 17 anos do massacre e 15 da cria&ccedil;&atilde;o do assentamento 17 de Abril, que fez justi&ccedil;a ao que era reclamado. O assentamento foi fundado quase dois anos depois do massacre, quando o Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) declarou improdutiva a fazenda, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para sua expropria&ccedil;&atilde;o. Cerca de 700 fam&iacute;lias sobreviventes moram hoje no acampamento de 27 mil hectares na fazenda Macaxeira e lutam para sobreviver sem empregos nem apoio para tornarem suas &aacute;reas produtivas.</p>
<p>Ivagno Brito, filho de camponeses, tinha 13 anos quando testemunhou os fatos. Hoje, com 30, dedica-se &agrave; causa do MST. &quot;Foi um desespero, uma loucura. Imagine muita gente e fogo cruzado. A cena que mais me marcou foi ver mulheres e crian&ccedil;as se escondendo em uma pequena capela que hoje n&atilde;o existe mais&quot;, contou Brito &agrave; IPS, apontando para o lugar exato do massacre na curva do S. &quot;N&atilde;o posso esquecer. Desmaiei. N&atilde;o encontrava meu pai e comecei a correr. Logo me vi no meio do mato&quot;, acrescentou.</p>
<p>Maria Zelzuita, de 48 anos, tamb&eacute;m foi parte da trag&eacute;dia. &quot;Queriam que desocup&aacute;ssemos a estrada, mas est&aacute;vamos a p&eacute;. A forma que a pol&iacute;cia encontrou foi atirar contra n&oacute;s. O que n&atilde;o esque&ccedil;o s&atilde;o os gritos das pessoas e das crian&ccedil;as chamando por suas m&atilde;es&quot;, contou. &quot;J&aacute; havia gente morta sobre o asfalto, peguei a m&atilde;o de quatro crian&ccedil;as para salv&aacute;-las. Sa&iacute; da estrada correndo para os arbustos, carregamos inclusive uma crian&ccedil;a baleada&quot;, afirmou.</p>
<p>Zelzuita tem um lote de 25 hectares onde cultiva arroz, mandioca, milho e ab&oacute;bora. Mas os anos mostraram que n&atilde;o basta repartir terras, se n&atilde;o forem fornecidos instrumentos e conhecimentos para desenvolver uma agricultura sustent&aacute;vel. Ela trabalha em associa&ccedil;&atilde;o com a aldeia dos assentados, ganha a vida como ajudante de cozinha na escola local, estuda e &eacute; m&atilde;e sozinha de tr&ecirc;s filhos. Em sua casa tem &aacute;gua encanada e eletricidade.</p>
<p>&quot;Me sinto feliz como assentada; tenho onde viver e criar meus filhos. Antes n&atilde;o tinha, e n&atilde;o me vejo na cidade. Mas aqui n&atilde;o h&aacute; trabalho e muitos precisam partir para as cidades em busca de sustento&quot;, explicou Zelzuita &agrave; IPS. Diante destas dificuldades, muitos assentados pelo Incra venderam seus lotes e foram embora. A comercializa&ccedil;&atilde;o dos assentamentos &eacute; um fen&ocirc;meno frequente no Par&aacute;.</p>
<p>Aos 49 anos, &quot;dona&quot; Rosa Costa Miranda n&atilde;o pensa em deixar o campo, mas, superada pelo esfor&ccedil;o de cultivar uma horta em um solo t&atilde;o pobre, decidiu arrendar a &aacute;rea para cria&ccedil;&atilde;o de gado. &quot;Hoje tenho um lote e uma casa. N&atilde;o produzo quase nada porque sou sozinha, mas alugo a terra. A vida no assentamento &eacute; dif&iacute;cil porque n&atilde;o h&aacute; trabalho. Tem gente endividada com o banco sem ter como pagar&quot;, contou &agrave; IPS.</p>
<p>Dona Rosa nasceu no Maranh&atilde;o, no extremo nordeste. Aos 16 anos se mudou para o Par&aacute; com o marido agricultor. Ela estava presente na ocupa&ccedil;&atilde;o da fazenda, e no dia do massacre foi uma das mulheres que se esconderam na pequena igreja. H&aacute; pouco tempo conseguiu dinheiro para plantar cupua&ccedil;u. Mas o fogo que seus vizinhos colocaram em uma &aacute;rea adjacente &#8211; pr&aacute;tica frequente para limpar e fertilizar o terreno &#8211; fugiu ao controle e queimou as plantas.</p>
<p>Apesar das dificuldades, &quot;&eacute; melhor viver na periferia do que nas cidades ou favelas. Quem tem um peda&ccedil;o de terra hoje est&aacute; seguro. N&atilde;o penso em mudar. A rua &eacute; muito perigosa&quot;, afirmou dona Rosa. As expropria&ccedil;&otilde;es de fazendas s&atilde;o lentas e podem demorar at&eacute; uma d&eacute;cada. Para o assentamento 17 de Abril, a expropria&ccedil;&atilde;o foi obtida &quot;dois anos depois (do massacre) em raz&atilde;o do derramamento de sangue. H&aacute; acampamentos que est&atilde;o esperando h&aacute; 12 anos e para eles a reforma agr&aacute;ria nunca chega&quot;, pontuou.</p>
<p>A Amaz&ocirc;nia j&aacute; n&atilde;o &eacute; o que era quando ela veio do nordeste. Para chegar ao 17 de Abril, &eacute; preciso cruzar pequenas aldeias e zonas urbanas que crescem ao lado da estrada, como Soror&oacute;, Eldorado dos Caraj&aacute;s e Curion&oacute;polis, centros de grande circula&ccedil;&atilde;o de caminh&otilde;es carregados de min&eacute;rios.</p>
<p>Pela antiga estrada PA-150, hoje a estrada federal asfaltada BR-155, se passa perto do distrito industrial de Marab&aacute;, que conta com 12 sider&uacute;rgicas e grandes propriedades pecu&aacute;rias, tudo em plena Amaz&ocirc;nia. Dali se divisa uma paisagem sem uma &uacute;nica &aacute;rvore, apenas pastagens. &quot;Est&aacute; mudando muito, por isso estamos morrendo de seca. Daqui a alguns anos n&atilde;o haver&aacute; nem chuva, porque n&atilde;o h&aacute; &aacute;rvores&quot;, lamentou dona Rosa. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>REPORTAGEM&#058; Par&#225;, onde a terra &#233; poder</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Apr 2013 08:55:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz MARAB&#193;, Brasil, 15 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Tierram&#233;rica).- A vida dos camponeses sem terra que ocupam fazendas no Par&#225;, o Estado onde a luta agr&#225;ria &#233; das mais violentas, oscila entre as intimida&#231;&#245;es e a aspers&#227;o de agrot&#243;xicos sobre casas e planta&#231;&#245;es. Sob o sol abrasador e a umidade do clima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16419" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/624_ninios_campamento_frei_Henri.jpg"><img class="size-medium wp-image-16419" title="Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/624_ninios_campamento_frei_Henri.jpg" alt="Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;</p></div> <strong>MARAB&Aacute;, Brasil, 15 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Tierram&eacute;rica).- A vida dos camponeses sem terra que ocupam fazendas no Par&aacute;, o Estado onde a luta agr&aacute;ria &eacute; das mais violentas, oscila entre as intimida&ccedil;&otilde;es e a aspers&atilde;o de agrot&oacute;xicos sobre casas e planta&ccedil;&otilde;es.                       </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16419"></span></p>
<p>Sob o sol abrasador e a umidade do clima amaz&ocirc;nico, Waldemar dos Santos, de 60 anos, cuida da horta comunit&aacute;ria de camponeses sem terra no Estado do Par&aacute;, &agrave; espera de que a reforma agr&aacute;ria lhe proporcione uma vida melhor. &quot;Meu sonho &eacute; um terreninho. Nosso desejo &eacute; acabar com a fome neste pa&iacute;s, que est&aacute; caindo montanha abaixo pela necessidade&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o campon&ecirc;s natural da Bahia, que ainda crian&ccedil;a, para fugir da seca, emigrou para o Par&aacute;.</p>
<p>Sua fam&iacute;lia &eacute; uma das 280 que desde 8 de agosto de 2010 vivem no acampamento que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) batizou de Frei Henri des Roziers, em homenagem ao padre dominicano de 82 anos que, como advogado da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, continua defendendo os direitos humanos na regi&atilde;o.</p>
<p>&Agrave;s margens da rodovia federal BR-155, a cerca de cem quil&ocirc;metros da cidade de Marab&aacute;, estes camponeses ocupam a propriedade Fazendinha, uma &aacute;rea com mais de 400 hectares sobre a qual pesam den&uacute;ncias de ter sido ganha com o desmonte da Amaz&ocirc;nia e a invas&atilde;o de terras p&uacute;blicas, al&eacute;m de ser improdutiva. Este &eacute; o argumento de quase todas as ocupa&ccedil;&otilde;es de movimentos sociais que reivindicam a reforma agr&aacute;ria no Brasil.</p>
<p>S&oacute; no sudeste do Par&aacute;, onde a luta pela terra &eacute; mais violenta, h&aacute; mais de 500 assentamentos de pequenos agricultores que foram legalizados pelo Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra). Mas restam mais de cem acampamentos de fam&iacute;lias que vivem em barracas e ranchos de palha &agrave; espera de que o governo federal concretize a legaliza&ccedil;&atilde;o. Conseguir do governo o confisco de uma fazenda e sua destina&ccedil;&atilde;o &agrave; reforma agr&aacute;ria demora, em m&eacute;dia, cinco anos.</p>
<p>Para chegar ao acampamento Frei Henri &eacute; preciso percorrer um longo trecho da poeirenta BR-155, cheia de ondula&ccedil;&otilde;es e caminh&otilde;es carregados de minerais que viajam dia e noite. A regi&atilde;o era rica em castanheiros, dizimados para dar lugar a pastagens. Em plena Amaz&ocirc;nia profunda, a beleza das &aacute;rvores de copas altas deixou de existir h&aacute; muito tempo, e a paisagem &eacute; plana e lisa, sem rastros da selva exuberante.</p>
<p>A ocupa&ccedil;&atilde;o da Fazendinha acontece em meio a um duro confronto com os latifundi&aacute;rios locais, que est&atilde;o organizados e contratam seguran&ccedil;a privada armada para intimidar os camponeses e arruinar seus cultivos. &quot;Plantamos para ter um alimento saud&aacute;vel. Os fazendeiros n&atilde;o produzem nada e dizem que suas terras s&atilde;o produtivas. As amea&ccedil;as s&atilde;o constantes. A justi&ccedil;a no Par&aacute; &eacute; muito lenta. &Eacute; um espera e desespera&quot;, descreveu Santos.</p>
<p>&quot;Aqui a terra &eacute; poder&quot;, definiu Maria Raimunda C&eacute;sar, de 39 anos e integrante da coordena&ccedil;&atilde;o do MST no Par&aacute;. &quot;O conflito &eacute; permanente. No Par&aacute; se mata gente como se mata boi. Um corte bovino para exporta&ccedil;&atilde;o vale mais do que um ser humano. H&aacute; muita injusti&ccedil;a e um processo de opress&atilde;o e viol&ecirc;ncia crescentes&quot;, afirmou. E acrescentou que a reforma agr&aacute;ria est&aacute; ausente das pol&iacute;ticas nacionais. Tanto o atual governo de Dilma Rousseff como o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011) &quot;retiraram o tema da agenda&quot;.</p>
<p>Aqui ocorre um ciclo perverso no uso da terra, segundo Raimunda. Primeiro se abre caminho para a minera&ccedil;&atilde;o e o corte de &aacute;rvores para carv&atilde;o, depois chega a invas&atilde;o privada de terrenos fiscais, a devasta&ccedil;&atilde;o da selva e a planta&ccedil;&atilde;o de capim, uma gram&iacute;nea que serve de pasto para o gado. Em m&eacute;dia, h&aacute; uma cabe&ccedil;a de gado por hectare, garantiu.</p>
<p>Pela mesma BR-155, mas pr&oacute;ximo de Marab&aacute;, fica o acampamento Helenira Resende, que desde 1&ordm; de mar&ccedil;o de 2010 abriga 150 fam&iacute;lias sem terra. Al&eacute;m das provoca&ccedil;&otilde;es por parte de homens armados, a amea&ccedil;a aqui tamb&eacute;m chega pelo ar. Os camponeses denunciam o uso de venenos agr&iacute;colas jogados sobre suas casas e planta&ccedil;&otilde;es. Segundo o argentino Ra&uacute;l Montenegro, que integrou uma miss&atilde;o internacional de solidariedade aos camponeses do Par&aacute;, &quot;o uso de bala e veneno combinados &eacute; como uma luta qu&iacute;mica contra essas popula&ccedil;&otilde;es&quot;.</p>
<p>&quot;Os latifundi&aacute;rios dizem que jogam esses produtos em suas terras, mas &eacute; uma maneira de se livrar da responsabilidade&quot;, acrescentou Montenegro, ganhador em 2004 do pr&ecirc;mio Nobel alternativo concedido pela Funda&ccedil;&atilde;o Right Livelihood Award, com sede em Estocolmo.</p>
<p>&quot;Pudemos comprovar que grupos armados chegaram a sitiar uma comunidade inteira sob uma chuva noturna de disparos e bombas que provocavam barulho ensurdecedor no acampamento Frei Henri des Rozier. Tamb&eacute;m vimos que empresas como a Santa B&aacute;rbara aplicam pesticidas por via a&eacute;rea&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o presidente da Funda&ccedil;&atilde;o para a Defesa do Meio Ambiente, com sede na cidade argentina de C&oacute;rdoba. &quot;Esse veneno chega com total impunidade a crian&ccedil;as, adolescentes e adultos, sem que o Estado controle, sem a exist&ecirc;ncia de estudos epidemiol&oacute;gicos ou ambientais&quot;, criticou Montenegro.</p>
<p>&quot;Nosso lema &eacute; ocupar e resistir, mas eles s&atilde;o um grupo poderos&iacute;ssimo. Os homens da fazenda est&atilde;o fortemente armados e atiram&quot;, contou Aldemir Monteiro de Souza, de 28 anos, que vive no acampamento Helenira Resende, uma &aacute;rea de 50 hectares dentro da fazenda Cedro, com extens&atilde;o de quase 15 mil hectares. Os poderosos a que se refere s&atilde;o os propriet&aacute;rios da Agropecu&aacute;ria Santa B&aacute;rbara, que tem como um de seus principais acionistas o banqueiro Daniel Dantas, detido em 2008 por crimes financeiros e lavagem de dinheiro.</p>
<p>Segundo o MST e a Comiss&atilde;o Pastoral, apenas nos &uacute;ltimos dez anos, esse grupo comprou 800 mil hectares de terras em seis munic&iacute;pios do Par&aacute;. &quot;O grupo se apropria de terras p&uacute;blicas, utiliza trabalho escravo e comete crimes ambientais&quot;, denunciou Charles Trocate, da coordena&ccedil;&atilde;o do MST neste Estado.</p>
<p>A esperan&ccedil;a &eacute; que t&eacute;cnicos do Incra inspecionem a fazenda Cedro para determinar se &eacute; produtiva e legal. Caso constatem irregularidades, ter&aacute; in&iacute;cio um processo de expropria&ccedil;&atilde;o e depois ser&atilde;o entregues parcelas aos camponeses. Para 22 de maio est&aacute; prevista uma audi&ecirc;ncia com a fiscaliza&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria do Incra no F&oacute;rum de Justi&ccedil;a de Marab&aacute;. Este ser&aacute; o primeiro passo, ap&oacute;s anos de ocupa&ccedil;&atilde;o e acampamento.</p>
<p>*                                                                                 </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Agroexportadores brasileiros alertam que o &quot;apag&#227;o log&#237;stico&quot; &#233; agora</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/agroexportadores-brasileiros-alertam-que-o-apago-logstico-agora/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Apr 2013 10:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil,, 9/4/2013 (IPS) &#8211; Edson Godinho, caminhoneiro h&#225; 35 anos, teve sorte desta vez. Nos primeiros dias do m&#234;s, quando chegou ao porto de Santos, j&#225; havia diminu&#237;do muito a fila de espera de caminh&#245;es. Precisou aguardar 12 horas para descarregar a soja. Nas semanas anteriores, muitos outros caminhoneiros tiveram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil,, 9/4/2013 (IPS) &#8211; Edson Godinho, caminhoneiro h&aacute; 35 anos, teve sorte desta vez. Nos primeiros dias do m&ecirc;s, quando chegou ao porto de Santos, j&aacute; havia diminu&iacute;do muito a fila de espera de caminh&otilde;es.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16418"></span></p>
<p>Precisou aguardar 12 horas para descarregar a soja. Nas semanas anteriores, muitos outros caminhoneiros tiveram que esperar mais de 24 horas para ter acesso &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias por onde sai a maior parte das exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas brasileiras. Durante v&aacute;rios dias o ac&uacute;mulo de ve&iacute;culos de carga superou os 20 quil&ocirc;metros.</p>
<p>Os portos s&atilde;o o funil que mais contribui para o &quot;apag&atilde;o log&iacute;stico anunciado&quot; para este ano de produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;colas recordes, segundo Marcos Jank, especialista do setor e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). O Brasil duplicou sua produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os no come&ccedil;o deste s&eacute;culo, sem melhorar sua log&iacute;stica. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que as exporta&ccedil;&otilde;es de soja e milho crescer&atilde;o 30% este ano em rela&ccedil;&atilde;o a 2012, alcan&ccedil;ando 41 milh&otilde;es e 25 milh&otilde;es de toneladas, respectivamente, e dessa forma superando os Estados Unidos.</p>
<p>Essa lideran&ccedil;a se estende &agrave; pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o de soja, que chegar&aacute; a 84 milh&otilde;es de toneladas este ano, segundo a consultoria Agroconsult. Estes s&atilde;o resultados conjunturais, ajudados pela seca nos Estados Unidos, mas que adiantam uma tend&ecirc;ncia marcada pela expans&atilde;o dos cultivos de soja, inclusive em zonas da semi&aacute;rida regi&atilde;o nordeste. O crescimento das vendas externas e as chuvas em excesso que ca&iacute;ram em janeiro retardaram os embarques de milho que, acumulados com os da soja, superlotaram em mar&ccedil;o os portos de Santos e Paranagu&aacute;, os principais do pa&iacute;s. Esse gargalo ser&aacute; novamente sentido com as vendas de a&ccedil;&uacute;car a partir deste m&ecirc;s e da nova colheita do milho, em julho, segundo Jank.</p>
<p>Embora este caos n&atilde;o seja novo, agora se agravou. Diante disso, espera-se que sejam aceleradas as mudan&ccedil;as nas normas da atividade portu&aacute;ria, j&aacute; definidas pelo governo da presidente Dilma Rousseff mas de aprova&ccedil;&atilde;o incerta no parlamento, onde o projeto j&aacute; recebeu mais de 600 propostas de emendas. Tamb&eacute;m s&atilde;o necess&aacute;rios elevados investimentos. Uma &quot;solu&ccedil;&atilde;o definitiva exigir&aacute; dez anos&quot;, afirmou Jank &agrave; IPS. &quot;Temos uma agricultura do s&eacute;culo 21 e uma log&iacute;stica do s&eacute;culo 19&quot;, acrescentou.</p>
<p>Segundo Jank, um al&iacute;vio r&aacute;pido dos entraves vir&aacute; com a implanta&ccedil;&atilde;o de hidrovias, o aumento das ferrovias, a pavimenta&ccedil;&atilde;o de estradas para o norte, a amplia&ccedil;&atilde;o de portos fluviais e mar&iacute;timos dessa mesma regi&atilde;o e dos locais de armazenamento em terminais mar&iacute;timos do sul. Santos, no Estado de S&atilde;o Paulo, fica a dois mil quil&ocirc;metros da principal zona produtora de soja, no norte do Mato Grosso. Por seu porto &eacute; exportada quase 60% dessa produ&ccedil;&atilde;o, a maior parte levada at&eacute; ali por caminh&otilde;es.</p>
<p>O transporte de cada tonelada de soja custa cerca de US$ 70 a mais do que nos Estados Unidos, ressaltam analistas, alertando que &eacute; poss&iacute;vel aliviar essa drenagem de ganhos retirando a produ&ccedil;&atilde;o pelos portos do norte, mais pr&oacute;ximos dos cultivos e dos mercados de destino. O predom&iacute;nio dos caminh&otilde;es, que respondem por 60% do transporte de cargas no Brasil, tamb&eacute;m encarece a log&iacute;stica.</p>
<p>Godinho &eacute; um dos cerca de 600 mil caminhoneiros aut&ocirc;nomos que percorrem as estradas do Brasil, &agrave;s vezes em estado prec&aacute;rio, sem pavimenta&ccedil;&atilde;o. Em geral, transporta soja e milho das proximidades de onde vive, a cidade paulista de Ituverava, at&eacute; Santos, 480 quil&ocirc;metros para o sul, de onde regressa carregando fertilizantes.</p>
<p>Se n&atilde;o houver carga na volta &quot;n&atilde;o compensam&quot; os custos, porque os ped&aacute;gios somam R$ 580, quase o mesmo que se deve desembolsar para o combust&iacute;vel do caminh&atilde;o, que pode carregar at&eacute; 32 toneladas, explicou &agrave; IPS, ap&oacute;s deixar a soja no porto. A vantagem &eacute; que as estradas que percorre, no Estado de S&atilde;o Paulo, s&atilde;o mantidas em boas condi&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;O ped&aacute;gio e os ladr&otilde;es&quot; s&atilde;o os piores inimigos dos caminhoneiros, contou Godinho, que n&atilde;o sofreu nenhum assalto nas estradas, &quot;mas muitos amigos foram assaltados&quot;, disse. Aos 57 anos de idade, considera que teve &quot;uma boa vida&quot; em seu trabalho, mas comemora o fato de seus tr&ecirc;s filhos terem optado por outras profiss&otilde;es. Os portos congestionados s&atilde;o a ponta mais vis&iacute;vel, mas a longa cadeia log&iacute;stica compreende muitos outros gargalos.</p>
<p>Volmar Michelon, cofundador da empresa Pedromar Transportes, que conta com 85 ve&iacute;culos e uma centena de empregados, contou &agrave; IPS que seu pessoal &quot;espera at&eacute; 48 horas para descarregar a soja&quot; em Alto Araguaia, na fronteira sudeste do Mato Grosso, onde chegam trens que percorrem 1.420 quil&ocirc;metros at&eacute; Santos.</p>
<p>Esse tempo perdido &quot;por falta de infraestrutura de descarga e mais vag&otilde;es&quot; priva a empresa de outras tr&ecirc;s viagens do mesmo caminh&atilde;o no trajeto usual, lamentou Volmar. Nessas ocasi&otilde;es h&aacute; milhares de ve&iacute;culos estacionados nas estradas, que acabam servindo como &quot;armaz&eacute;ns&quot;, ressaltou. N&atilde;o h&aacute; d&eacute;ficit de caminh&otilde;es, como avaliam muitos analistas e a imprensa, &quot;mas excesso&quot;, porque s&atilde;o necess&aacute;rios dois ou tr&ecirc;s ve&iacute;culos para fazer o trabalho de um, devido &agrave;s demoras nos transbordos e outros obst&aacute;culos, pontuou o empres&aacute;rio. Aumentar sua quantidade sem corrigir esses entraves seria obstruir definitivamente as estradas, concluiu.</p>
<p>A Pedromar Transportes nasceu em 1981 no sul do Brasil e acompanhou o desenvolvimento agr&iacute;cola no centro-oeste. Em 2001, instalou-se em Rondon&oacute;polis, centro comercial e industrial no sudeste do Mato Grosso. Seus caminh&otilde;es operam apenas dentro desse Estado, que se consolidou como o maior produtor de gr&atilde;os do pa&iacute;s.</p>
<p>Entre 1950 e 1980, os governos brasileiros constru&iacute;ram longas estradas, sonhando levar o desenvolvimento agr&iacute;cola para o oeste e norte do pa&iacute;s. Assim, produziram ondas de migra&ccedil;&otilde;es, desmatamento, mal&aacute;ria e conflitos pela posse da terra. Mas o agroneg&oacute;cio, especialmente o da soja, n&atilde;o seguiu exatamente esses grandes eixos vi&aacute;rios e agora reclama uma infraestrutura log&iacute;stica que lhe d&ecirc; acesso menos caro aos seus mercados, sobretudo os externos. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Uma senten&#231;a saud&#225;vel desde a &#205;ndia</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 10:12:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gustavo Capdevila Genebra, Su&#237;&#231;a, 5/4/2013 (IPS) &#8211; A decis&#227;o da &#205;ndia de n&#227;o modificar sua lei de patentes, como pretendia o laborat&#243;rio Novartis para proteger seu medicamento Glivec, &#233; uma vit&#243;ria de todo o mundo em desenvolvimento, que depende dos medicamentos gen&#233;ricos que esse pa&#237;s produz a pre&#231;os acess&#237;veis, destacou o sanitarista Germ&#225;n Vel&#225;squez. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Gustavo Capdevila</p>
<p><strong>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 5/4/2013 (IPS) &#8211; A decis&atilde;o da &Iacute;ndia de n&atilde;o modificar sua lei de patentes, como pretendia o laborat&oacute;rio Novartis para proteger seu medicamento Glivec, &eacute; uma vit&oacute;ria de todo o mundo em desenvolvimento, que depende dos medicamentos gen&eacute;ricos que esse pa&iacute;s produz a pre&ccedil;os acess&iacute;veis, destacou o sanitarista Germ&aacute;n Vel&aacute;squez.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16417"></span></p>
<p>A conquista comemorada por este especialista colombiano, conselheiro especial do Centro do Sul, &eacute; a senten&ccedil;a divulgada no dia 1&ordm; pelo Supremo Tribunal da &Iacute;ndia, rejeitando o recurso apresentado em 2009 pela multinacional farmac&ecirc;utica Novartis, de origem su&iacute;&ccedil;a.</p>
<p>Com sede em Genebra, o Centro do Sul &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o intergovernamental que envolve mais de 50 pa&iacute;ses em desenvolvimento e se dedica &agrave; an&aacute;lise dos problemas nessas na&ccedil;&otilde;es. Vel&aacute;squez, que trabalhou por mais de 20 anos na Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), exp&ocirc;s &agrave; IPS seu ponto de vista sobre esse processo tramitado nos tribunais de Nova D&eacute;lhi e sobre suas consequ&ecirc;ncias para os pa&iacute;ses em desenvolvimento.</p>
<p>IPS: Como interpreta a senten&ccedil;a do Supremo Tribunal da &Iacute;ndia?</p>
<p>GERM&Aacute;N VEL&Aacute;SQUEZ: H&aacute; problemas com a informa&ccedil;&atilde;o que est&aacute; sendo divulgada. Quase todo o mundo diz que a &Iacute;ndia rejeitou a patente do Glivec. Isso &eacute; verdade, mas n&atilde;o &eacute; isso o que diz a senten&ccedil;a.</p>
<p>IPS: Ent&atilde;o?</p>
<p>GV: O X da quest&atilde;o &eacute; a ratifica&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios fixados pela lei indiana para aprovar a patente de um rem&eacute;dio. Isto &eacute;, se cumpre os requisitos de apresentar uma inova&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o.</p>
<p>IPS: Como explica a quest&atilde;o?</p>
<p>GV: Tudo come&ccedil;a com a ado&ccedil;&atilde;o do Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados com o Com&eacute;rcio (ADPIC), um dos tratados estabelecidos ao mesmo tempo em que nascia, em 1995, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC). A &Iacute;ndia foi, ent&atilde;o, o &uacute;nico pa&iacute;s em desenvolvimento que utilizou todo o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o para aplicar o ADPIC, at&eacute; 2005, quando promulgou sua lei de patentes.</p>
<p>IPS: O que ocorreu com os pedidos de patentes apresentados durante essa d&eacute;cada de transi&ccedil;&atilde;o?</p>
<p>GV: Foram se acumulando at&eacute; somar cerca de dez mil, e apenas em 2005 o escrit&oacute;rio de patentes come&ccedil;ou a examin&aacute;-las. Entre elas figurava o Glivec. Mas os novos crit&eacute;rios normativos resultaram ser mais r&iacute;gidos, como o que indica que a inova&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode consistir em uma mudan&ccedil;a menor em uma mol&eacute;cula, mas tem que apresentar algo substancial. Resumindo, em 2006 foi negada a patente de venda local do Glivec, um medicamento contra o c&acirc;ncer.</p>
<p>IPS: Como continua a hist&oacute;ria?</p>
<p>GV: A Novartis questiona essa resolu&ccedil;&atilde;o e abre uma causa judicial diante de um tribunal da cidade de Madr&aacute;s (capital do Estado de Tamil Nadu que desde 1996 passou a se chamar Chennai). Mas o Supremo Tribunal dessa cidade, ap&oacute;s tr&ecirc;s anos, tamb&eacute;m rejeita a peti&ccedil;&atilde;o. Nesse mesmo 2009 apela em uma inst&acirc;ncia superior e novamente perde.</p>
<p>IPS: Agora, qual outro recurso lhe resta?</p>
<p>GV: Aqui h&aacute; um aspecto que n&atilde;o est&aacute; sendo suficientemente divulgado. Em um gesto muito c&iacute;nico, perverso e grave, a Novartis disse: &quot;Se n&atilde;o me derem a patente irei ao Supremo Tribunal, mas agora pedindo que seja eliminado esse crit&eacute;rio r&iacute;gido estabelecido no Artigo 3 da lei de patentes. Se forem fixados padr&otilde;es mais flex&iacute;veis, menores, ent&atilde;o meu medicamento entrar&aacute;&quot;, argumentou.</p>
<p>IPS: O processo, ent&atilde;o, tomou outro aspecto&#8230;</p>
<p>GV: Sim, pois com a inten&ccedil;&atilde;o de introduzir seu medicamento &agrave; for&ccedil;a, a firma transnacional pretendia modificar a lei de um pa&iacute;s. E de um pa&iacute;s como a &Iacute;ndia. Creio que nisso seus diretores pecaram por falta de vis&atilde;o ao tomarem essa decis&atilde;o. Isto custou muito caro para eles em termos de imagem.</p>
<p>IPS: Como chega a essa conclus&atilde;o?</p>
<p>GV: Nota-se que foi um mau passo ao se p&ocirc;r a denunciar a lei de patentes da &Iacute;ndia com o risco de perder. A ind&uacute;stria transnacional, em geral, vinha de uma derrota na &Aacute;frica do Sul, quando em 2001 foi obrigada a desistir de uma a&ccedil;&atilde;o contra uma lei que autorizou patentear medicamentos importados a pre&ccedil;os menores para poder enfrentar a epidemia de aids. Algu&eacute;m poderia supor que a &quot;Big Pharma&quot;, como s&atilde;o chamadas as maiores companhias farmac&ecirc;uticas, havia aprendido a li&ccedil;&atilde;o. Inclusive sabendo que o Glivec estava patenteado em 40 pa&iacute;ses, entre eles Estados Unidos, China e R&uacute;ssia.</p>
<p>IPS: Insinua um efeito domin&oacute;?</p>
<p>GV: Se a Novartis perde na &Iacute;ndia, como perdeu no dia 1&ordm;, qualquer dos governos dos 40 pa&iacute;ses pode se perguntar: &quot;Por que n&atilde;o reviso essa patente e a anulo?&quot;. &Eacute; uma faculdade que figura nas legisla&ccedil;&otilde;es de todos eles.</p>
<p>IPS: Que status t&ecirc;m esses 40 pa&iacute;ses que reconhecem a patente do Glivec?</p>
<p>GV: Em sua maioria s&atilde;o Estados industrializados, grandes mercados. Mas entre eles h&aacute; alguns com severas dificuldades econ&ocirc;micas na atualidade, como Gr&eacute;cia e Espanha, cujas autoridades podem se perguntar por que devem pagar US$ 2.500 mensais por pessoa por um tratamento contra c&acirc;ncer. Podem dizer: &quot;melhor farei fabricando o gen&eacute;rico e invalidando esta patente&quot;. Creio que os diretores da Novartis n&atilde;o tiveram isso em conta ao se lan&ccedil;arem nesta corrida judicial. Obviamente, ap&oacute;s o primeiro impulso, seguiram at&eacute; o final e hoje ter&atilde;o as repercuss&otilde;es.</p>
<p>IPS: Quais podem ser essas consequ&ecirc;ncias?</p>
<p>GV: Deve ser uma li&ccedil;&atilde;o para os demais pa&iacute;ses do Sul. Devem tratar de seguir o exemplo da &Iacute;ndia e introduzir em suas legisla&ccedil;&otilde;es cl&aacute;usulas como as do Artigo 3d, que restringe e determina alguns crit&eacute;rios a respeito do que &eacute; uma inova&ccedil;&atilde;o para ter direito a uma patente. Que n&atilde;o pode haver apenas uma pequena mudan&ccedil;a, que &agrave;s vezes &eacute; apenas cosm&eacute;tica, em uma mol&eacute;cula do rem&eacute;dio.</p>
<p>IPS: Qual a perspectiva de que esse crit&eacute;rio se estenda?</p>
<p>GV: Na &Iacute;ndia, Argentina e nas Filipinas j&aacute; existe essa proibi&ccedil;&atilde;o, enquanto outros a est&atilde;o introduzindo por vias alternativas.</p>
<p>IPS: Outras consequ&ecirc;ncias?</p>
<p>GV: A &Iacute;ndia poder&aacute; continuar fabricando gen&eacute;ricos de todos os novos medicamentos que n&atilde;o sejam verdadeiramente originais e continuar&aacute; exportando-os com tranquilidade. Deve-se ter em conta que 95% dos retrovirais consumidos na &Aacute;frica s&atilde;o indianos. Assim, a senten&ccedil;a do tribunal indiano &eacute; brutalmente importante, com uma repercuss&atilde;o muito concreta para esse medicamento e mais cerca de dez mil que est&atilde;o na lista de espera no escrit&oacute;rio de patentes em Nova D&eacute;lhi.</p>
<p>IPS: Qual porcentagem desse n&uacute;mero poder&aacute; obter uma patente?</p>
<p>GV: Em 2010, a Argentina aprovou duas mil novas patentes farmac&ecirc;uticas e a China quatro mil. Mas, na realidade, as verdadeiras inova&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de apenas 40 ou 50 produtos por ano.</p>
<p>IPS: Por que essa tremenda diferen&ccedil;a entre patentes acordadas e verdadeiros produtos inovadores?</p>
<p>GV: A ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica enfrenta dificuldades muito grandes para inovar. Ent&atilde;o se aferra a uma l&oacute;gica muito m&iacute;ope, muito imediata, mas de elevados lucros. Consiste em lan&ccedil;ar inova&ccedil;&otilde;es incrementadas, como se chama em ingl&ecirc;s, ou seja, um produto pequeno com apenas uma mudan&ccedil;a gradual, mas acompanhado de uma grande campanha comercial.</p>
<p>************************</p>
<p>&quot;Medicamento que cura, mata o mercado&quot;</p>
<p>Os farmacologistas franceses Philippe Even e Bernard Debr&eacute; afirmam que a pesquisa no setor &eacute; cada vez mais complexa e n&atilde;o se consegue desenhar medicamentos que representem um avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico forte. Os grandes laborat&oacute;rios fizeram at&eacute; o final da d&eacute;cada de 1990 inova&ccedil;&otilde;es espetaculares, que mudaram as condi&ccedil;&otilde;es de vida, come&ccedil;ando pelos antibi&oacute;ticos.</p>
<p>Contudo, desde ent&atilde;o come&ccedil;aram a ter dificuldades, mudaram de estrat&eacute;gia e se dedicaram a lan&ccedil;ar medicamentos de modo r&aacute;pido sem muitas diferen&ccedil;as entre eles, segundo Germ&aacute;n Vel&aacute;squez. &quot;Tamb&eacute;m optaram por produzir rem&eacute;dios que n&atilde;o curam, mas que apenas tratam a doen&ccedil;a, como &eacute; o caso dos medicamentos contra o colesterol, que s&atilde;o para serem consumidos por toda a vida&quot;, afirmou.</p>
<p>&quot;A filosofia do neg&oacute;cio &eacute; que o medicamento que cura mata o mercado&quot;, ressaltou Vel&aacute;squez. &quot;Imaginemos que a ind&uacute;stria invista milh&otilde;es de d&oacute;lares em um rem&eacute;dio ou dispositivo m&eacute;dico para curar a hipertens&atilde;o arterial. Isso seria o fim do com&eacute;rcio sanit&aacute;rio mais poderoso da atualidade nos pa&iacute;ses industrializados&quot;, afirmou. &quot;&Eacute; que 20% da popula&ccedil;&atilde;o sadia desses pa&iacute;ses hoje toma anti-hipertensivos&quot;. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>&#205;ndia nega patente a farmac&#234;utica Novartis e &#039;salva&#039; gen&#233;rico contra c&#226;ncer</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 11:36:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Correspondentes da IPS/Al Jazeera Doha, Catar, 2/4/2013 (IPS) &#8211; O Supremo Tribunal da &#205;ndia negou o pedido de patente de um medicamento contra c&#226;ncer elaborado pelo laborat&#243;rio su&#237;&#231;o Novartis, o que significa um duro golpe para a ind&#250;stria farmac&#234;utica multinacional que busca aumentar sua presen&#231;a nesse atraente mercado. Ap&#243;s um longo processo, o tribunal declarou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Correspondentes da IPS/Al Jazeera</p>
<p><strong>Doha, Catar, 2/4/2013 (IPS) &#8211; O Supremo Tribunal da &Iacute;ndia negou o pedido de patente de um medicamento contra c&acirc;ncer elaborado pelo laborat&oacute;rio su&iacute;&ccedil;o Novartis, o que significa um duro golpe para a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica multinacional que busca aumentar sua presen&ccedil;a nesse atraente mercado.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16414"></span></p>
<p>Ap&oacute;s um longo processo, o tribunal declarou ontem que o medicamento Glivec n&atilde;o est&aacute; qualificado para uma patente segundo a legisla&ccedil;&atilde;o indiana. </p>
<p>A Novartis pressiona Nova D&eacute;lhi desde 2004 para que a proteja das companhias locais que fabricam rem&eacute;dios gen&eacute;ricos. A senten&ccedil;a indica que o medicamento pelo qual a companhia solicitava uma patente de venda local &quot;n&atilde;o cumpriu a an&aacute;lise de inova&ccedil;&atilde;o ou inventiva&quot; exigida. O laborat&oacute;rio apresentou um recurso em 2009 no Supremo Tribunal contra uma lei que pro&iacute;be as patentes para novas formas de medicamentos j&aacute; conhecidos, mas n&atilde;o radicalmente diferentes.</p>
<p>Sohail Rahman, correspondente da rede de televis&atilde;o &aacute;rabe Al Jazeera em Nova D&eacute;lhi, afirmou que a decis&atilde;o da justi&ccedil;a representa uma &quot;enorme desilus&atilde;o&quot; para a Novartis, pois permite que os laborat&oacute;rios indianos continuem produzindo gen&eacute;ricos baratos para consumo local e internacional. Contudo, a senten&ccedil;a pode provocar d&uacute;vidas quanto &agrave; viola&ccedil;&atilde;o das normas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) pela &Iacute;ndia, acrescentou.</p>
<p>Este &eacute; o caso mais significativo dos muitos que caracterizam a luta de patentes na &Iacute;ndia e pode ter profundas consequ&ecirc;ncias na hora de definir o grau de prote&ccedil;&atilde;o legal para os grandes laborat&oacute;rios farmac&ecirc;uticos que operam em um mercado lucrativo como o desse pa&iacute;s, com 1,2 bilh&atilde;o de habitantes.</p>
<p>A companhia su&iacute;&ccedil;a amea&ccedil;ou interromper o fornecimento de novos medicamentos para a &Iacute;ndia se a senten&ccedil;a n&atilde;o lhe fosse favor&aacute;vel, informou, no dia 31 de mar&ccedil;o, o jornal The Financial Times, de Londres. &quot;Se a situa&ccedil;&atilde;o se mantiver como est&aacute; at&eacute; agora, todas as melhoras de um composto original n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de prote&ccedil;&atilde;o legal e esses medicamentos provavelmente n&atilde;o cheguem &agrave; &Iacute;ndia&quot;, disse Paul Herrling, encarregado da dire&ccedil;&atilde;o-adjunta deste caso.</p>
<p>No entanto, a advogada Leena Menghaney, da organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras (MSF), disse que uma vit&oacute;ria legal para a Novartis assentaria &quot;um antecedente perigoso e colocaria em grave risco a legisla&ccedil;&atilde;o da &Iacute;ndia contra o evergreening&quot; (tornar perene), como se conhece a pr&aacute;tica de buscar patentes para novos compostos com pequenas modifica&ccedil;&otilde;es em outros j&aacute; existentes. &quot;Seria uma situa&ccedil;&atilde;o nefasta para a popula&ccedil;&atilde;o do mundo em desenvolvimento que depende de rem&eacute;dios gen&eacute;ricos fabricados nesse pa&iacute;s. poderia afetar seriamente o acesso aos medicamentos&quot;, alertou.</p>
<p>A &Iacute;ndia, conhecida como &quot;a farm&aacute;cia do mundo em desenvolvimento&quot;, &eacute; uma das maiores fornecedores de medicamentos gen&eacute;ricos para doen&ccedil;as como c&acirc;ncer, tuberculose e do v&iacute;rus HIV, causador da aids, para quem n&atilde;o pode pagar o medicamento de marca, mais caro. A diferen&ccedil;a de pre&ccedil;o entre o rem&eacute;dio gen&eacute;rico e o de marca &eacute; fundamental para as pessoas mais pobres em todo o mundo, segundo a MSF.</p>
<p>Segundo esta organiza&ccedil;&atilde;o, uma terapia mensal com Clivec, conhecido como &quot;santo rem&eacute;dio&quot; por seus resultados no tratamento de formas letais de leucemia, custa US$ 4 mil, enquanto a vers&atilde;o gen&eacute;rica pode ser comprada na &Iacute;ndia por US$ 73. E, no caso espec&iacute;fico deste medicamento, Rahman destacou que a maioria dos pacientes indianos n&atilde;o pode comprar nem a vers&atilde;o gen&eacute;rica, pois o sal&aacute;rio mensal m&eacute;dio &eacute; de US$ 120.</p>
<p>A Novartis, neste caso, e a ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, em geral, argumentam que os laborat&oacute;rios indianos inibem a inova&ccedil;&atilde;o e reduzem os incentivos comerciais para a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos de vanguarda.</p>
<p>Em 1970, a &Iacute;ndia proibiu as patentes de medicamentos, o que impulsionou o crescimento da ind&uacute;stria de rem&eacute;dios gen&eacute;ricos local. Mas um acordo da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, implementado em 2005, obrigou a &Iacute;ndia a conceder patentes de alguns medicamentos. Mesmo assim, esse pa&iacute;s continua sendo um dos maiores fabricantes de gen&eacute;ricos do mundo, fornecendo cerca de 20% do volume utilizado.</p>
<p>A ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica indiana, que cresceu entre 16% e 17% nos &uacute;ltimos anos, j&aacute; &eacute; a terceira em volume do mundo e est&aacute; avaliada em US$ 26 bilh&otilde;es. Estima-se que elabore cerca de 60 mil medicamentos diferentes. Dos rem&eacute;dios contra o HIV/aids comprados por organiza&ccedil;&otilde;es que lutam contra esta enfermidade, como o The Global Fund, cerca de 80% foram gen&eacute;ricos adquiridos na &Iacute;ndia, segundo um estudo de 2010. Envolverde/IPS</p>
<p>* Publicado sob acordo com a Al Jazeera.                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Banco do Brics chega com promessas e d&#250;vidas</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Apr 2013 11:22:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[John Fraser Johannesburgo, &#193;frica do Sul, 1/4/2013 (IPS) &#8211; O banco que os chefes de Estado e de governo de Brasil, R&#250;ssia, &#205;ndia, China e &#193;frica do Sul (Brics) acordaram criar para promover o desenvolvimento e a infraestrutura &#233; visto com ceticismo por alguns, segundo os quais n&#227;o ter&#225; o efeito esperado. &#34;N&#227;o creio que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>John Fraser</p>
<p><strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 1/4/2013 (IPS) &#8211; O banco que os chefes de Estado e de governo de Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul (Brics) acordaram criar para promover o desenvolvimento e a infraestrutura &eacute; visto com ceticismo por alguns, segundo os quais n&atilde;o ter&aacute; o efeito esperado.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16412"></span></p>
<p> &quot;N&atilde;o creio que ter&aacute; muito impacto na &Aacute;frica do Sul, onde o capital n&atilde;o &eacute; um problema, mas sim a pol&iacute;tica&quot;, disse &agrave; IPS o subchefe-executivo do Instituto Sul-Africano de Rela&ccedil;&otilde;es Raciais, Frans Cronje.</p>
<p>A constitui&ccedil;&atilde;o da entidade financeira foi aprovada na quinta c&uacute;pula do Brics, realizada nos dias 26 e 27 de mar&ccedil;o, na cidade sul-africana de Durban. H&aacute; preocupa&ccedil;&atilde;o porque alguns detalhes fundamentais ainda devem ser acordados. Analistas dizem que as opera&ccedil;&otilde;es do novo Banco de Desenvolvimento do Brics dever&atilde;o ser acompanhadas muito de perto para se conseguir um impacto real no sul. &quot;Esta nova institui&ccedil;&atilde;o ser&aacute; muito menor do que o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), por isso sua influ&ecirc;ncia ser&aacute; marginal comparada com o dessas institui&ccedil;&otilde;es&quot;, apontou Cronje.</p>
<p>A ideia com que se lida &eacute; que todas as na&ccedil;&otilde;es do Brics contribuam com US$ 10 bilh&otilde;es para o capital inicial do banco. Mas Cronje considera &quot;estranho&quot; a &Aacute;frica do Sul tamb&eacute;m pagar essa quantia, considerando que representa apenas 2% do produto interno bruto do grupo. &quot;Este &eacute; um projeto presun&ccedil;oso para a &Aacute;frica do Sul? Afastar-se do equil&iacute;brio do Banco Mundial e do FMI &eacute; simples romantismo ideol&oacute;gico?&quot;, questionou.</p>
<p>J&aacute; est&aacute; claro que o banco se concentrar&aacute; em projetos de infraestrutura, mas ainda h&aacute; incerteza sobre v&aacute;rios detalhes, incluindo seu alcance geogr&aacute;fico, o lugar onde ficar&aacute; sua sede central e a moeda, ou moedas, com a qual vai operar. &quot;A primeira aten&ccedil;&atilde;o do banco ser&aacute; a infraestrutura, e assim deve ser&quot;, disse &agrave; IPS o economista independente Mike Schussler, de Johannesburgo.</p>
<p>&quot;Haver&aacute; discuss&otilde;es sobre onde colocar o dinheiro, pois tanto &Aacute;frica do Sul quanto Brasil, R&uacute;ssia e &Iacute;ndia necessitam de infreaestrutura, e haver&aacute; car&ecirc;ncia de fundos&quot;, alertou Schussler. &quot;Assim, o desafio ser&aacute; ver at&eacute; quanto pode se comprometer com os recursos, que s&atilde;o inicialmente escassos&quot;, indicou.</p>
<p>Memory Dube, pesquisadora do n&atilde;o governamental Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais, afirmou que a decis&atilde;o dos Brics de criar um banco foi um passo &quot;significativo&quot; do grupo em sua evolu&ccedil;&atilde;o para uma alian&ccedil;a s&oacute;lida e sustent&aacute;vel. &quot;Proporciona institucionaliza&ccedil;&atilde;o ao Brics, que at&eacute; agora era uma agrupa&ccedil;&atilde;o pouco estruturada, e unir&aacute; mais os seus membros&quot;, previu. &quot;Esta &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o que pertence ao Brics e ser&aacute; administrada pelo Brics. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o grupo continuar&aacute; existindo dentro de dez ou 20 anos. Isto &eacute; algo tang&iacute;vel&quot;, declarou &agrave; IPS.</p>
<p>No entanto, o porta-voz do Congresso de Sindicatos Sul-Africanos, Patrick Craven, mostrou-se cauteloso sobre a cria&ccedil;&atilde;o do banco. &quot;&Eacute; muito cedo para fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o. Queremos saber sobre muitos detalhes a respeito de como vai operar e quem o dirigir&aacute;&quot;, acrescentou. &quot;Insistiremos em que seu mandato seja muito diferente em rela&ccedil;&atilde;o ao do Banco Mundial e do FMI, que s&atilde;o utilizados para refor&ccedil;ar o dom&iacute;nio das economias da Am&eacute;rica do Norte e Europa ocidental, e t&ecirc;m um efeito muito negativo nos pa&iacute;ses em desenvolvimento ao impor condi&ccedil;&otilde;es para os empr&eacute;stimos&quot;, afirmou. Para ele, o novo organismo do Brics &quot;dever&aacute; promover o desenvolvimento, a industrializa&ccedil;&atilde;o e a cria&ccedil;&atilde;o de empregos&quot;.</p>
<p>O empreendedor Sandile Zungu &eacute; um dos cinco delegados sul-africanos que ocupar&atilde;o o novo Conselho de Neg&oacute;cios do Brics, tamb&eacute;m lan&ccedil;ado na c&uacute;pula de Durban. &quot;No geral, os projetos de infraestrutura na &Aacute;frica do Sul e no resto da &Aacute;frica t&ecirc;m o potencial de beneficiar um ou mais pa&iacute;ses do Brics&quot;, disse &agrave; IPS por telefone, de Durban. &quot;Com o novo Banco de Desenvolvimento do Brics, esses projetos ter&atilde;o melhores possibilidades de obter financiamento do que com o Banco Mundial. Haver&aacute; maior reserva de fundos&quot;, opinou.</p>
<p>No entanto, Dube disse estar ansiosa para saber onde ficar&aacute; a sede central do banco. A &Aacute;frica do Sul expressou seu interesse em ser a sede, mas a China &eacute; outro forte candidato. Por&eacute;m, Zungu acredita que a &Aacute;frica do Sul &eacute; a melhor op&ccedil;&atilde;o entre as na&ccedil;&otilde;es do Brics. &quot;Pode-se dizer que a &Aacute;frica do Sul tem o melhor sistema de servi&ccedil;os financeiros de todos os pa&iacute;ses do Brics, e o Banco Mundial o corrobora. Tamb&eacute;m estamos mais perto da &aacute;rea necessitada de desenvolvimento de infraestrutura&quot;, destacou.</p>
<p>Dube tamb&eacute;m disse desejar conhecer mais detalhes sobre o novo banco. &quot;Se sua estrutura for adequada, poder&aacute; fazer uma grande diferen&ccedil;a&quot;, afirmou. A especialista destacou a import&acirc;ncia da estrutura de financiamento do novo organismo. &quot;Ouvimos que cada pa&iacute;s do Brics contribuir&aacute; com US$ 10 bilh&otilde;es. Mas, ser&aacute; o suficiente? Tamb&eacute;m quero saber mais detalhes da estrutura de tomada de decis&otilde;es&quot; da nova institui&ccedil;&atilde;o, pontuou.</p>
<p>&quot;Al&eacute;m disso, precisamos ver as regi&otilde;es onde vai operar. Ser&aacute; para todas as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento ou apenas para os membros do Brics? Depois, temos que ver quais ser&atilde;o suas prioridades de investimento e com qual moeda vai operar. Ser&aacute; o d&oacute;lar norte-americano ou as na&ccedil;&otilde;es do Brics decidir&atilde;o operar com suas pr&oacute;prias moedas?&quot;, perguntou Dube. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Um atalho entre o campo brasileiro e o almo&#231;o escolar</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Mar 2013 10:32:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fabiana Frayssinet Paracambi, Brasil, 11/3/2013 (IPS) &#8211; Entre a propriedade de Maria Gomes Morais e uma escola do Rio de Janeiro h&#225; campos, montes e caminhos intransit&#225;veis quando chove. Mas um programa de alimenta&#231;&#227;o escolar criou um caminho que une os frutos colhidos por pequenos agricultores como ela e a fome de 45 milh&#245;es de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> Fabiana Frayssinet</p>
<p> <div id="attachment_16404" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/caderno-300x176.jpg"><img class="size-medium wp-image-16404" title="Estudantes da escola municipal Nilo Pe&Atilde;&sect;anha almo&Atilde;&sect;am no restaurante." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/caderno-300x176.jpg" alt="Estudantes da escola municipal Nilo Pe&Atilde;&sect;anha almo&Atilde;&sect;am no restaurante." width="200" height="117" /></a><p class="wp-caption-text">Estudantes da escola municipal Nilo Pe&Atilde;&sect;anha almo&Atilde;&sect;am no restaurante.</p></div> <strong>Paracambi, Brasil, 11/3/2013 (IPS) &#8211; Entre a propriedade de Maria Gomes Morais e uma escola do Rio de Janeiro h&aacute; campos, montes e caminhos intransit&aacute;veis quando chove.                         </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16404"></span></p>
<p>Mas um programa de alimenta&ccedil;&atilde;o escolar criou um caminho que une os frutos colhidos por pequenos agricultores como ela e a fome de 45 milh&otilde;es de estudantes. S&atilde;o apenas 60 quil&ocirc;metros desde a capital do Rio de Janeiro at&eacute; a localidade de Sabugo, no munic&iacute;pio de Paracambi. Contudo, os mapas por sat&eacute;lite se perdem em Sabugo, em cujas vias convivem autom&oacute;veis, bicicletas e carro&ccedil;as puxadas por cavalos cansados.</p>
<p>A &aacute;rida paisagem do povoado muda sutilmente para diferentes grada&ccedil;&otilde;es de verdes, sobreviventes da tropical Mata Atl&acirc;ntica, at&eacute; que, entre bananais nativos e bambus estrangeiros, se chega ao s&iacute;tio Recanto da Alegria, propriedade de Maria Gomes, por todos conhecida como Neta. De 61 anos, ela trabalha desde os dez nos tr&ecirc;s hectares ocupados desde ent&atilde;o por sua fam&iacute;lia, em uma parte de uma antiga fazenda da qual uma posterior reforma agr&aacute;ria lhe concedeu propriedade.</p>
<p>&quot;Nunca tive medo. Vou a qualquer parte, subo e des&ccedil;o os montes. N&atilde;o me assustam cobras e essas coisas. Parece que fugiram de mim&quot;, contou &agrave; IPS. &quot;Os grandes agricultores t&ecirc;m suas m&aacute;quinas. As nossas s&atilde;o estas: as m&atilde;os&quot;, acrescentou com um humor que emana de sua vida no campo, &quot;que n&atilde;o trocaria por nada&quot;. Seu &uacute;nico apoio &eacute; um vizinho que a ajuda a desmatar o terreno onde planta hortali&ccedil;as: quiabo (Abelmoschus esculentus), jil&oacute; (Solanum gilo) e frutas como lim&atilde;o, maracuj&aacute; e laranja-lima, entre outras. A natureza lhe presenteia com bananas de toda variedade.</p>
<p>Antes, vendia aos intermedi&aacute;rios e tinha de esperar longo tempo para receber. &quot;O que com&iacute;amos? N&atilde;o me envergonho de dizer: angu de papa de banana com farinha de milho). N&atilde;o tinha isso de agora, planos de alimenta&ccedil;&atilde;o. Esperava-se o intermedi&aacute;rio para fazer a compra mensal. E, enquanto isso, o arm&aacute;rio esvaziava e as crian&ccedil;as sem comer&quot;, lembra sobre seus tr&ecirc;s filhos, j&aacute; adultos. Contudo, mediante uma cooperativa do Estado do Rio de Janeiro, a Unacoop, Neta se converteu em fornecedora do Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE), que o Brasil desenvolveu t&atilde;o bem que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO) o tem como modelo para replicar em outros pa&iacute;ses.</p>
<p>O PNAE se vinculou &agrave; agricultura familiar em 2009, mediante uma lei que estabelece que 30% dos alimentos dos planos governamentais devem ser fornecidos por esse setor, que representa 10% do produto interno bruto. O PNAE tem duas finalidades: garantir a alimenta&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes em idade escolar e melhorar a vida de 4,3 milh&otilde;es de pequenos produtores rurais como Neta. &quot;O bom &eacute; que melhorou o pre&ccedil;o que nos pagam&quot;, explicou Neta. Antes sua casa era apenas de adobe, mas agora tem v&aacute;rias paredes de tijolo rebocado. E comprou geladeira, fog&atilde;o e lava-roupas, que pode usar porque tamb&eacute;m chegou a eletricidade.</p>
<p>O PNAE prioriza os assentamentos camponeses criados pela reforma agr&aacute;ria, as comunidades ind&iacute;genas e os quilombos, comunidades em terras onde se refugiavam os escravos. Um caminh&atilde;o, ou trator quando chove, recolhe suas frutas e verduras e as leva a um mercado local, de onde s&atilde;o transportadas para o Centro de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa) e terminam em alguma das mais de 161 mil escolas p&uacute;blicas inclu&iacute;das no programa nacional, 83% do total. Neta fornece banana, laranja, abacate, abacaxi, caju e cereja. &quot;Para a merenda escolar, tudo tem de ser de primeira qualidade&quot;, explicou.</p>
<p>Os respons&aacute;veis por programas como o PNAE os definem como &quot;interruptores do ciclo de pobreza&quot;. Trata-se de uma pol&iacute;tica intensamente aprofundada pelos governos de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011) e de sua sucessora Dilma Rousseff. O PNAE tem uma longa hist&oacute;ria. Nasceu em 1955, como um plano assistencialista para a inf&acirc;ncia mais pobre. Nos anos 1990, se descentralizou e incorporou em sua administra&ccedil;&atilde;o representantes das fam&iacute;lias, das comunidades, pessoal docente e os poderes Executivo e Legislativo, detalhou &agrave; IPS sua coordenadora nacional, Albaneide Peixinho. A partir de 2003 multiplicou seu or&ccedil;amento em 300% e foi ampliado para alcan&ccedil;ar estudantes do ensino m&eacute;dio e adultos em escolariza&ccedil;&atilde;o, acrescentou.</p>
<p>O Ceasa &eacute; um burburinho de caminh&otilde;es descarregando mercadorias na madrugada. Os produtos de Neta e demais integrantes de sua cooperativa chegam a um pavilh&atilde;o especial para pequenos camponeses. Uma &aacute;rea de Agricultura Familiar e Extens&atilde;o Rural dentro do Ceasa presta assessoria em planejamento produtivo e diversifica&ccedil;&atilde;o de cultivos. &quot;O pequeno agricultor ainda n&atilde;o est&aacute; capacitado para planejar os tempos de produ&ccedil;&atilde;o e entrega. Para uma merenda escolar, n&atilde;o se pode mandar uma banana verde como se faz quando se trata de um grande mercado que depois enviar&aacute; para a feira. Tem de chegar madura no ponto de consumo&quot;, destacou o chefe da &aacute;rea, Newton Novo.</p>
<p>Entretanto, a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica &eacute; insuficiente. &quot;Deve chegar ao pr&oacute;prio campo para fazer an&aacute;lise do solo e ver o que &eacute; adequado plantar em cada propriedade&quot;, explicou &agrave; IPS a coordenadora da Unacoop, Margarete Teixeira. Tampouco &eacute; f&aacute;cil ser um fornecedor do PNAE, que exige t&iacute;tulos da terra em ordem, em um pa&iacute;s imenso como o Brasil, que arrasta problemas de propriedade agr&aacute;ria desde a &eacute;poca colonial.</p>
<p>Contudo, o especialista em direito alimentar Leonardo Ribas destaca os resultados: fortalecer a economia local e a agricultura familiar, fundamental &quot;em uma sociedade onde, pelo agroneg&oacute;cio, o alimento se converteu em mercadoria&quot;, e acrescentou que &quot;tamb&eacute;m se conseguiu que as crian&ccedil;as tenham uma alimenta&ccedil;&atilde;o mais adequada, porque come&ccedil;aram a consumir alimentos da regi&atilde;o e produzidos de forma org&acirc;nica&quot;, sem agroqu&iacute;micos.</p>
<p>A cozinha da escola municipal Nilo Pe&ccedil;anha, cujos alunos vivem em bairros pobres e lotados como a favela da Mangueira, prepara diariamente desjejum, almo&ccedil;o e merenda para 500 estudantes. Para criar os card&aacute;pios &quot;s&atilde;o usados par&acirc;metros de alimentos saud&aacute;veis, vinculados a cada idade, ao tempo de perman&ecirc;ncia na escola, per&iacute;odo de colheita de cada produto, custo e h&aacute;bitos alimentares dos alunos&quot;, explicou a diretora do Instituto de Nutri&ccedil;&atilde;o da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de, F&aacute;tima Fran&ccedil;a.</p>
<p>A diretora da escola, M&aacute;rcia Alves, lembra que as crian&ccedil;as costumam se aborrecer com legumes e verduras, mas as aulas de ci&ecirc;ncias estimulam o consumo ensinando seus valores nutritivos. Os alunos parecem ter aprendido a li&ccedil;&atilde;o. Pelo menos com a diretora por perto. &quot;Comia muito fast food, mas agora tenho uma dieta balanceada&quot;, contou Mariana Cristina, de 12 anos. &quot;Antes comia mais doces do que comida, mas na escola isso foi mudando&quot;, acrescentou Elis&acirc;ngela, da mesma idade.</p>
<p>Na mesma hora em que os alunos almo&ccedil;am suas verduras, Neta troca de roupa e vai &agrave; cidade para tentar que a log&iacute;stica do mercado local funcione melhor: conseguir uma c&acirc;mara de amadurecimento de frutas e organizar as entregas dos produtores de seu munic&iacute;pio, o que lhes permitir&aacute; tamb&eacute;m aumentar os ganhos. &quot;Estou muito satisfeita. Estamos matando a fome n&atilde;o apenas das crian&ccedil;as, mas de todas as pessoas&quot;, enfatizou. Envolverde/IPS</p>
<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Fab&iacute;ola Ortiz (Rio de Janeiro).                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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