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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; Brasil</title>
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		<title>Traficantes trocam crime pela paz no Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 11:13:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 10/5/2013 (IPS) &#8211; Os que desejam abandonar a criminalidade encontram in&#250;meros obst&#225;culos para deixar no passado um destino de pris&#227;o e morte. Contudo, nesta cidade v&#225;rios projetos come&#231;am a abrir-lhes uma porta de sa&#237;da. Francisco Paulo Monteiro Cejas Rio, conhecido como Tuchinha, chegou &#224; c&#250;pula da hierarquia criminal. Como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16431" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/traficantes-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16431" title="Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/traficantes-300x225.jpg" alt="Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Yuri Fedotov, diretor-executivo da ONUDD durante visita &Atilde;&nbsp; favela Pav&Atilde;&pound;o-Pav&Atilde;&pound;ozinho, no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 10/5/2013 (IPS) &#8211; Os que desejam abandonar a criminalidade encontram in&uacute;meros obst&aacute;culos para deixar no passado um destino de pris&atilde;o e morte.</strong></p>
<p><span id="more-16431"></span></p>
<p>Contudo, nesta cidade v&aacute;rios projetos come&ccedil;am a abrir-lhes uma porta de sa&iacute;da. Francisco Paulo Monteiro Cejas Rio, conhecido como Tuchinha, chegou &agrave; c&uacute;pula da hierarquia criminal.                        </p>
<p>Como sabia ler e escrever, estudara cinco s&eacute;ries prim&aacute;rias e era bom de c&aacute;lculo, ficou encarregado das contas de um dos grandes grupos da cidade.</p>
<p>Tuchinha se converteu em figura m&iacute;tica dentro do crime organizado e, inclusive, da pol&iacute;cia. Chegou a dominar o tr&aacute;fico de drogas no morro da Mangueira. Metade de sua vida, 25 anos, foi dedicada a atividades ligadas o tr&aacute;fico. Ganhou dinheiro, mulheres e outras recompensas, mas em sua escalada criminosa pagou um pre&ccedil;o caro. No total ficou 21 anos preso, por duas condena&ccedil;&otilde;es distintas, e tanto ele quanto sua fam&iacute;lia foram amea&ccedil;ados de morte.</p>
<p>Agora, com 49 anos, se diz arrependido. &quot;Cresci na Mangueira, fui um l&iacute;der. Tinha dinheiro, mulheres, joias, mas faltava liberdade. Quando sa&iacute;a do bairro tinha que ser escondido ou ir para fora do Rio. Se tivesse tido a oportunidade antes, minha vida teria mudado antes&quot;, contou &agrave; IPS. Foi em 5 de agosto de 2011 que deixou totalmente e para sempre o tr&aacute;fico de drogas, depois de ser convidado pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental AfroReggae para ajudar as pessoas a deixarem o crime e dar palestras mostrando como fazer isso.</p>
<p>&quot;Cometi muitas maldades e mandei fazer outras tantas. Paguei muito caro, com minha liberdade. Hoje, meu papel &eacute; resgatar os que querem deixar o crime, e sou a prova viva de que vale a pena viver em paz&quot;, afirmou Tuchinha. Ele visita pris&otilde;es para conversar com jovens condenados e inclusive ajuda a mediar conflitos em &aacute;reas afetadas pela viol&ecirc;ncia. &quot;Queremos dar a mesma oportunidade a pessoas que querem seguir pelo bom caminho, deixar a criminalidade e poder viver em paz com suas fam&iacute;lias. Muitos est&atilde;o sem esperan&ccedil;a, mas lhes digo que ela existe e est&aacute; viva&quot;, explicou.</p>
<p>Este ex-l&iacute;der do tr&aacute;fico defende que sejam anistiados os presos e ex-criminosos, para que tenham oportunidade de come&ccedil;ar uma nova vida. Tuchinha acredita que ainda pode terminar seus estudos e que pode convencer jovens que foram ou s&atilde;o traficantes a entrarem no projeto de Empregabilidade do AfroReggae. Essa iniciativa, criada em 2008, j&aacute; conseguiu empregar mais de 3.100 pessoas.</p>
<p>Daniela Pereira da Silva, de 35 anos, esteve presa por tr&ecirc;s anos e agora &eacute; uma das coordenadoras do programa. &quot;Fa&ccedil;o parte das estat&iacute;sticas femininas, em que as mulheres, em sua maioria, caem presas por seu envolvimento amoroso com um traficante&quot;, contou &agrave; IPS. O objetivo do projeto &eacute; abrir para ex-presos o acesso ao mercado de trabalho, destacou. &quot;A demanda tem sido genial e tamb&eacute;m inclui moradores das comunidades onde opera o tr&aacute;fico e parentes de ex-presidi&aacute;rios, para aumentar a renda familiar e evitar que voltem &agrave; criminalidade&quot;, ressaltou.</p>
<p>Daniela e Tuchinha fazem parte do grupo de ex-traficantes apoiados pelo AfroReggae que se reuniu com o diretor-executivo do Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas Contra a Droga e o Crime (ONUDD), Yuri Fedotov, durante sua primeira visita oficial ao Brasil, entre 7 e 9 deste m&ecirc;s. O encontro, do qual a IPS participou, aconteceu na sede da organiza&ccedil;&atilde;o da favela Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho, que fica atr&aacute;s da praia de Ipanema e j&aacute; foi pacificada pelas autoridades.</p>
<p>A visita de Fedotov &agrave; cidade teve por objetivo conhecer os programas sociais e de seguran&ccedil;a p&uacute;blica implantados nas favelas. &quot;O projeto de pacifica&ccedil;&atilde;o parece estar funcionando. &Eacute; a primeira vez que vejo algo parecido em rela&ccedil;&atilde;o a uma pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o e fiquei muito impressionado&quot;, disse o diplomata russo. &quot;Estive h&aacute; dez anos no Rio e posso sentir mudan&ccedil;as vis&iacute;veis. Quero expressar minha admira&ccedil;&atilde;o pelas pessoas que tiveram a coragem de deixar o crime, uma vida ilegal, para viver uma vida legal&quot;, pontuou, ao defender a inclus&atilde;o social como uma ferramenta de preven&ccedil;&atilde;o ao crime.</p>
<p>Mangueira e Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho fazem parte das 32 favelas do Rio de Janeiro que estiveram dominadas pelo narcotr&aacute;fico e que foram pacificadas pelas for&ccedil;as policiais. A meta das autoridades para 2014 &eacute; instalar 40 Unidades de Pol&iacute;cia Pacificadora (UPP). No Rio de Janeiro vivem cerca de seis milh&otilde;es de pessoas, das quais pelo menos um milh&atilde;o residem em favelas, algumas ainda dominadas pelos traficantes.</p>
<p>&quot;Tivemos uma pol&iacute;tica focada na repress&atilde;o, o que gerou mais conflitos e morte. A pol&iacute;cia n&atilde;o agia sobre a causa da viol&ecirc;ncia, mas sobre seus efeitos. As armas nas m&atilde;os dos criminosos, no entanto, eram cada vez mais potentes&quot;, disse durante a reuni&atilde;o na Pav&atilde;o-Pav&atilde;ozinho o comandante da UPP, major Felipe Magalh&atilde;es dos Reis. Os custos da &quot;guerra contra as drogas&quot; foram muito grandes e houve muitas perdas humanas, afirmou.</p>
<p>Entre 1991 e 2008, a pol&iacute;cia assegura que morreram dois mil agentes e outras dez mil pessoas nos enfrentamentos com as for&ccedil;as da ordem, e que foram apreendidas 170 mil armas. &quot;N&atilde;o havia sa&iacute;da, at&eacute; que surgiu a ideia de criar a UPP&quot;, afirmou o major. Para Fedotov, a experi&ecirc;ncia brasileira pode ser adaptada para outros pa&iacute;ses. &quot;&Eacute; um processo desenhado para o Rio, mas alguns de seus elementos servem para outros pa&iacute;ses, especialmente as ideias de integra&ccedil;&atilde;o social, pacifica&ccedil;&atilde;o e alternativas de vida&quot;, afirmou.</p>
<p>O Brasil agora serve apenas como rota dentro do narcotr&aacute;fico internacional, mas o pa&iacute;s se converteu em importante consumidor de drogas. Durante sua visita a Bras&iacute;lia, Fedotov se encontrou com funcion&aacute;rios para discutir a futura coopera&ccedil;&atilde;o, como as associa&ccedil;&otilde;es regionais e mundiais. &quot;O Brasil &eacute; um ator global e estamos interessados em contar com seu apoio e sua participa&ccedil;&atilde;o em temas globais, como a luta contra o crime organizado transnacional e as drogas il&iacute;citas&quot;, afirmou o diretor-executivo do ONUDD. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Enredos institucionais e desindustrializa&#231;&#227;o afetam o Mercosul</title>
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		<pubDate>Mon, 06 May 2013 11:37:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio e desenvolvimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil, 6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&#225; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&#231;a gerada com a incorpora&#231;&#227;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&#227;o travando a integra&#231;&#227;o. H&#225; um &#34;vazio jur&#237;dico&#34; diante da possibilidade do retorno do Paraguai [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil,  6/5/2013 (IPS) &#8211; O Mercado Comum do Sul (Mercosul) inaugurar&aacute; em julho sua nova fase, com cinco membros plenos, caso supere a bagun&ccedil;a gerada com a incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela, mas seus problemas de fundo continuar&atilde;o travando a integra&ccedil;&atilde;o.                         </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16428"></span></p>
<p>H&aacute; um &quot;vazio jur&iacute;dico&quot; diante da possibilidade do retorno do Paraguai como s&oacute;cio de pleno direito do Mercosul, junto aos outros s&oacute;cios fundadores, Brasil, Argentina e Uruguai, afirmou Tullo Vig&eacute;vani, professor de ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), especializado em rela&ccedil;&otilde;es internacionais.</p>
<p>A ades&atilde;o plena da Venezuela ao bloco foi aprovada na c&uacute;pula de 29 de junho de 2012, aproveitando a aus&ecirc;ncia do Paraguai, suspenso nessa mesma reuni&atilde;o em raz&atilde;o do golpe parlamentar daquele m&ecirc;s contra o ent&atilde;o presidente Fernando Lugo. Esse julgamento pol&iacute;tico sum&aacute;rio, sem tempo para o direito &agrave; defesa, foi considerado como viola&ccedil;&atilde;o &agrave; cl&aacute;usula democr&aacute;tica.</p>
<p>O Senado paraguaio, &uacute;nico corpo legislativo do bloco que havia congelado a ratifica&ccedil;&atilde;o de ades&atilde;o assinada em 2006 pela Venezuela, acabou por rejeit&aacute;-la em agosto, uma vota&ccedil;&atilde;o mais simb&oacute;lica do que efetiva. A solu&ccedil;&atilde;o para este enredo institucional provavelmente ser&aacute; &quot;um acordo pol&iacute;tico&quot; at&eacute; agosto, quando tomar posse o presidente eleito do Paraguai, o empres&aacute;rio Horacio Cartes, j&aacute; que os interesses econ&ocirc;micos d&atilde;o um forte poder de press&atilde;o a Buenos Aires e Bras&iacute;lia sobre Assun&ccedil;&atilde;o, ponderou Vig&eacute;vani &agrave; IPS.</p>
<p>O novo governo, que representa o retorno da direitista Associa&ccedil;&atilde;o Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, conseguiria que o parlamento ratificasse finalmente a entrada da Venezuela, fato que agrega ao bloco novas incertezas devido &agrave;s dificuldades econ&ocirc;micas deste &uacute;ltimo pa&iacute;s, agora sem a lideran&ccedil;a de Hugo Ch&aacute;vez, falecido em 5 de mar&ccedil;o e sucedido por Nicol&aacute;s Maduro.</p>
<p>No entanto, o Mercosul claudica principalmente pelas &quot;conflitivas rela&ccedil;&otilde;es&quot; entre Argentina e Brasil, os s&oacute;cios fundamentais enfrentados em diferentes processos de industrializa&ccedil;&atilde;o, segundo an&aacute;lise do professor da Unesp. A Argentina perdeu boa parte de suas ind&uacute;strias em um longo processo iniciado nos anos 1970, recordou. Pol&iacute;ticas privatizadoras e de abertura de fronteiras adotadas em diferentes per&iacute;odos, como na &uacute;ltima ditadura (1976-1983) e no governo de Carlos Menen (1989-1999), levaram ao desastre.</p>
<p>O problema &eacute; que esse pa&iacute;s agora tenta uma &quot;reindustrializa&ccedil;&atilde;o &agrave; antiga&quot;, protegendo setores pouco competitivos, sem as inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas que apontem para um futuro sustent&aacute;vel, embora se compreenda a press&atilde;o pela gera&ccedil;&atilde;o de empregos, criticou Vig&eacute;vani. Nesse quadro, as disputas com o Brasil se repetem desde a cria&ccedil;&atilde;o do Mercosul, em 1991, como no caso da tentativa de criar um espa&ccedil;o comum de livre circula&ccedil;&atilde;o de bens e pessoas, que em alguns momentos foi discutido, com metas ambiciosas como a harmoniza&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica, cadeias produtivas e moeda comum, que se revelaram irreais.</p>
<p>O dinamismo comercial entre os dois pa&iacute;ses parece ter alcan&ccedil;ado seu limite em 2011, quando o Brasil exportou US$ 22,709 bilh&otilde;es para a Argentina e dela importou US$ 16,906 bilh&otilde;es, segundo dados oficiais brasileiros. Este balan&ccedil;o culmina um desequil&iacute;brio iniciado em 2004. O interc&acirc;mbio bilateral aumentou 13 vezes desde a assinatura do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, que criou o Mercosul. No ano passado, as vendas brasileiras ca&iacute;ram 20,75%, enquanto as argentinas baixaram apenas 2,73%. Desde outubro, a balan&ccedil;a comercial se inclinou ligeiramente a favor de Buenos Aires.</p>
<p>Tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es bilaterais sofreram pela fuga de grandes investimentos brasileiros do pa&iacute;s vizinho. A Petrobras deixou o mercado argentino onde havia adquirido uma importante rede de distribui&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis, enquanto a gigante da minera&ccedil;&atilde;o Vale, privatizada em 1997, suspendeu seu projeto de extra&ccedil;&atilde;o de pot&aacute;ssio no Rio Colorado, despertando iradas rea&ccedil;&otilde;es em Buenos Aires.</p>
<p>O Brasil tamb&eacute;m entrou em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o, embora mais recente e menos dram&aacute;tico do que o sofrido pela Argentina no passado. Por isso tenta defender alguns segmentos industriais com medidas como altas tarifas alfandeg&aacute;rias, exig&ecirc;ncia de conte&uacute;do nacional m&iacute;nimo nas compras governamentais, redu&ccedil;&atilde;o de impostos e do custo da energia, como um importante elemento para sustentar a conjuntura de quase pleno emprego, gra&ccedil;as &agrave; r&aacute;pida expans&atilde;o dos setores de servi&ccedil;os, agricultura e constru&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>No entanto, essa ind&uacute;stria que Bras&iacute;lia procura preservar est&aacute; &quot;atrasada&quot;, com predom&iacute;nio da &aacute;rea metalmec&acirc;nica e escassa participa&ccedil;&atilde;o dos setores de maior inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, como o eletr&ocirc;nico e o qu&iacute;mico, explicou J&uacute;lio de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Com o auge do fen&ocirc;meno chin&ecirc;s na economia mundial, no Brasil acentuou-se a perda de participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria no produto interno bruto e nas exporta&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>Este problema, por&eacute;m, &eacute; enfrentado em todo o Mercosul, que se consolida como exportador de produtos prim&aacute;rios e importador de manufaturados. O desafio do bloco &eacute; desenvolver &quot;pol&iacute;ticas que fortale&ccedil;am seus processos de inova&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o competitiva, em uma produ&ccedil;&atilde;o que incorpore tecnologias&quot;, pontuou Vig&eacute;vani, em um diagn&oacute;stico que a cada dia obt&eacute;m mais consenso, mas sem solu&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis e vis&iacute;veis no curto prazo.</p>
<p>Assim, a plena incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul n&atilde;o melhora tais perspectivas. Com um com&eacute;rcio exterior muito mais desbalanceado, exportando petr&oacute;leo e necessitando todo o restante do exterior, o mercado desse pa&iacute;s j&aacute; &eacute; um grande comprador de alimentos e bens industriais da Argentina e do Brasil. Por exemplo, o Brasil exportou para a Venezuela, em 2012, US$ 5,056 bilh&otilde;es e s&oacute; importou US$ 997 milh&otilde;es, segundo estat&iacute;sticas brasileiras. Os investimentos do pa&iacute;s na Venezuela, al&eacute;m disso, est&atilde;o em retrocesso, com suspens&atilde;o das atividades por v&aacute;rias empresas.</p>
<p>As empresas brasileiras s&oacute; realizaram quatro opera&ccedil;&otilde;es de investimento nesse pa&iacute;s nos &uacute;ltimos cinco anos, contra 20 na Col&ocirc;mbia, 19 no Chile e oito no Peru, segundo o banco de dados do Centro de Estudos de Integra&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (Cindes), do Rio de Janeiro. Com a deteriora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica a ser enfrentada por Maduro, aumentam as incertezas sobre os efeitos da presen&ccedil;a do quinto s&oacute;cio pleno no Mercosul.</p>
<p>A negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo comercial com a Uni&atilde;o Europeia (UE), que voltou &agrave; mesa, tampouco aponta muitos benef&iacute;cios, j&aacute; que se trata basicamente de abrir esse mercado aos produtos agropecu&aacute;rios do Mercosul, como contrapartida para melhor acesso da ind&uacute;stria e dos servi&ccedil;os do bloco europeu &agrave;s duas maiores economias sul-americanas, o que agravaria os problemas. Al&eacute;m disso, a severa crise econ&ocirc;mico-financeira que a UE enfrenta limita as poss&iacute;veis ambi&ccedil;&otilde;es de tal negocia&ccedil;&atilde;o. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2013)</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Iminente foco de viol&#234;ncia agr&#225;ria no Par&#225;</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 11:30:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Marab&#225;, Brasil, 2/5/2013 (IPS) &#8211; Est&#225; a ponto de explodir um novo epis&#243;dio violento entre propriet&#225;rios de grandes fazendas e camponeses sem terra no amaz&#244;nico Estado do Par&#225;, norte do Brasil. A fazenda Itacaiunas fica no sudeste do Par&#225;, no munic&#237;pio de Marab&#225;, a 684 quil&#244;metros da capital, Bel&#233;m. Sua propriet&#225;ria &#233; o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p><strong>Marab&aacute;, Brasil, 2/5/2013 (IPS) &#8211; Est&aacute; a ponto de explodir um novo epis&oacute;dio violento entre propriet&aacute;rios de grandes fazendas e camponeses sem terra no amaz&ocirc;nico Estado do Par&aacute;, norte do Brasil.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16427"></span></p>
<p>A fazenda Itacaiunas fica no sudeste do Par&aacute;, no munic&iacute;pio de Marab&aacute;, a 684 quil&ocirc;metros da capital, Bel&eacute;m. Sua propriet&aacute;ria &eacute; o Agro Santa B&aacute;rbara, grupo econ&ocirc;mico que possui ao menos 600 mil hectares de terras neste Estado.</p>
<p>Desde 2002, a Federa&ccedil;&atilde;o dos Trabalhadores da Agricultura do Par&aacute; (Fetagri) reclama que essa propriedade seja confiscada e sujeita &agrave; reforma agr&aacute;ria. Nela vivem acampadas cerca de 300 fam&iacute;lias. Nos &uacute;ltimos dias de abril, estes camponeses sem terra anunciaram que executariam uma ocupa&ccedil;&atilde;o definitiva da fazenda, e no dia 29 iniciaram o loteamento para &quot;fazer o assentamento por conta pr&oacute;pria&quot;, segundo um comunicado da organiza&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>A empresa, por sua vez, considera os camponeses como delinquentes e informou que os denunciou &agrave; pol&iacute;cia militar para garantir a ordem e evitar choques. &quot;O grupo de invasores planeja come&ccedil;ar o loteamento da propriedade. O objetivo &eacute; ampliar a ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal. Este &eacute; um novo ato criminoso dos invasores, que mant&ecirc;m a fazenda sob seu controle e n&atilde;o permitem o acesso a outras pessoas&quot;, diz o Agro Santa B&aacute;rbara em um comunicado.</p>
<p>A imin&ecirc;ncia de um choque violento &eacute; real, pois h&aacute; den&uacute;ncias de presen&ccedil;a na &aacute;rea de grupos fortemente armados, contratados pelos donos da fazenda. Segundo informou &agrave; IPS o advogado da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, da Igreja Cat&oacute;lica, Jos&eacute; Batista, que acompanha de perto a situa&ccedil;&atilde;o, o conflito em Itacaiunas &eacute; &quot;bastante grave&quot;.</p>
<p>&quot;H&aacute; muito tempo estas fam&iacute;lias t&ecirc;m expectativas de que se fa&ccedil;a o assentamento (a distribui&ccedil;&atilde;o legal de terras da reforma agr&aacute;ria). A empresa colocou guardas armados e j&aacute; recebemos informa&ccedil;&otilde;es de que envenenou as pastagens para expulsar as fam&iacute;lias. Isso aumentou a tens&atilde;o e, ent&atilde;o, os camponeses resolveram ocupar uma &aacute;rea maior&quot;, explicou. Embora a pol&iacute;cia tenha sido chamada para evitar um choque direto entre os dois lados, &agrave;s vezes a presen&ccedil;a policial &eacute; que gera conflitos.</p>
<p>Segundo Batista, em 2010, o governo determinou a expropria&ccedil;&atilde;o da fazenda, mas o grupo empresarial entrou com recurso que suspendeu a emiss&atilde;o do t&iacute;tulo de propriedade para os assentados pelo Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra). &quot;As fam&iacute;lias acampadas est&atilde;o irredut&iacute;veis, mas querem resolver o problema de forma pac&iacute;fica&quot;, disse o advogado.</p>
<p>Entretanto, h&aacute; uma discuss&atilde;o sobre o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o que o governo deveria pagar ao Agro Santa B&aacute;rbara por expropriar a fazenda. A empresa teria aceitado negociar com o Incra por um valor equivalente a US$ 11,5 milh&otilde;es. Mas dessa quantia foi descontado o valor do passivo ambiental deixado pela empresa &#8211; que desmatou a regi&atilde;o de selva da fazenda -, estimado em US$ 3 milh&otilde;es. Ent&atilde;o, a companhia apresentou um documento com a taxa&ccedil;&atilde;o de sua propriedade em US$ 21 milh&otilde;es.</p>
<p>Segundo Batista, a fazenda tem 10.600 hectares, e h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es de que mais de 60% s&atilde;o terras p&uacute;blicas e de que a fazenda &eacute; improdutiva.</p>
<p>Boa parte dos conflitos e das mortes por quest&otilde;es agr&aacute;rias ocorrem na Amaz&ocirc;nia, at&eacute; onde chegou a nova fronteira agr&iacute;cola e os projetos de infraestrutura e minera&ccedil;&atilde;o. Esta &eacute; uma das causas principais da viol&ecirc;ncia no sul e sudeste do Par&aacute;, o segundo maior estado brasileiro e l&iacute;der nacional em assassinatos e viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos por conflitos agr&aacute;rios.</p>
<p>Segundo a Pastoral da Terra, entre 1964 e 2010, foram cometidos no Par&aacute; 914 assassinatos de trabalhadores rurais, sindicalistas, juristas e religiosos. Desse total, 654 aconteceram no sul e sudeste do Estado. Os dados n&atilde;o s&atilde;o precisos, pois muitos casos nem mesmo se tornam p&uacute;blicos, segundo o informe Viola&ccedil;&atilde;o de Direitos Humanos no Sul e Sudeste do Par&aacute;, elaborado pela Pastoral e a Fetagri, entre outras entidades, publicado em mar&ccedil;o deste ano.</p>
<p>&quot;A atua&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a tamb&eacute;m est&aacute; a anos-luz entre os crimes cometidos e a puni&ccedil;&atilde;o dos culpados&quot;, apontou Batista. Dos 914 assassinatos j&aacute; mencionados, apenas 18 chegaram a julgamento. Entre 1980 e 2003, foram cometidas 35 matan&ccedil;as no sul e sudeste do Par&aacute;, que totalizaram 212 trabalhadores rurais assassinados. As amea&ccedil;as de morte s&atilde;o moeda corrente. O informe afirma que, entre 2000 e 2011, 165 pessoas receberam amea&ccedil;as no pa&iacute;s, das quais 71 no Par&aacute;. Do total de amea&ccedil;ados, 42 acabaram assassinados, 18 deles neste Estado.</p>
<p>&quot;A reforma agr&aacute;ria &eacute; um projeto ut&oacute;pico. A viol&ecirc;ncia no Par&aacute; vem crescendo, a impunidade n&atilde;o permite avan&ccedil;ar na investiga&ccedil;&atilde;o dos casos e os objetivos dos assassinatos s&atilde;o l&iacute;deres de organiza&ccedil;&otilde;es sociais&quot;, disse &agrave; IPS o representante da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Par&aacute;, Adebral Lima J&uacute;nior.</p>
<p>Para Marianne Anderson, da funda&ccedil;&atilde;o Right Livelihood Award, que fez parte da visita de uma miss&atilde;o solid&aacute;ria realizada na regi&atilde;o em abril, internacionalizar o conflito &eacute; uma forma de pressionar por sua solu&ccedil;&atilde;o. &quot;Nunca devemos calar sobre estas injusti&ccedil;as e mortes. N&atilde;o h&aacute; outro lugar do mundo onde ocorram tantas mortes vinculadas ao meio ambiente e &agrave; terra como no Brasil. Metade dos assassinatos relacionados a conflitos agr&aacute;rios em todo o mundo acontece neste pa&iacute;s. Isto &eacute; inaceit&aacute;vel&quot;, ressaltou Anderson, ex-integrante do parlamento sueco.</p>
<p>A funda&ccedil;&atilde;o, que entrega o pr&ecirc;mio conhecido como Nobel alternativo, incentivar&aacute; sua rede global a enviar cartas de rep&uacute;dio &agrave;s embaixadas do Brasil em todo o mundo. &quot;Pedimos ao governo brasileiro que implante urgentemente a reforma agr&aacute;ria para que se fa&ccedil;a justi&ccedil;a&quot;, enfatizou Anderson.</p>
<p>Um caminh&atilde;o percorre a rodovia BR-155 no Estado do Par&aacute;, norte do pa&iacute;s. Nessa &aacute;rea j&aacute; n&atilde;o restam selvas, cortadas para dar lugar a pastagens para a pecu&aacute;ria e a explora&ccedil;&atilde;o mineral. Imagem feita no come&ccedil;o de abril de 2013. Envolverde/IPS                                         </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Ativistas compram a&#231;&#245;es da mineradora Vale para serem ouvidos</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 10:41:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&#231;&#245;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos. A compra de a&#231;&#245;es de grandes transnacionais, que d&#225; direito a participar das assembleias de acionistas, j&#225; &#233; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16423" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/n88-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16423" title="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/n88-300x225.jpg" alt="Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Mobiliza&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o de prejudicados por opera&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es da Vale no Rio de Janeiro.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 19/4/2013 (IPS) &#8211; Representantes de movimentos sociais e de comunidades que se sentem afetadas por projetos da mineradora brasileira Vale compraram a&ccedil;&otilde;es da companhia para melhor denunciarem supostos crimes e descumprimentos.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16423"></span></p>
<p>A compra de a&ccedil;&otilde;es de grandes transnacionais, que d&aacute; direito a participar das assembleias de acionistas, j&aacute; &eacute; uma pr&aacute;tica instaurada entre movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais para apresentarem reclama&ccedil;&otilde;es ou den&uacute;ncias diretamente aos investidores das empresas.</p>
<p>Seis ativistas da Articula&ccedil;&atilde;o Internacional dos Afetados pela Vale estiveram presentes no dia 17 na reuni&atilde;o de acionistas da companhia, realizada no Rio de Janeiro. As empresas de capital aberto &#8211; aquelas que vendem a&ccedil;&otilde;es no mercado para capitalizar suas atividades e seus investimentos &#8211; est&atilde;o obrigadas por lei a realizar ao menos uma assembleia geral anual em sua sede. Nessas reuni&otilde;es os investidores recebem informa&ccedil;&atilde;o sobre o rumo das companhias e podem cobrar da dire&ccedil;&atilde;o a respeito do que foi feito no ano passado, bem como dividendos.</p>
<p>&quot;Esta &eacute; a quarta vez que a Articula&ccedil;&atilde;o adota esta iniciativa. A reuni&atilde;o teve sucesso. A assembleia prev&ecirc; que os acionistas intervenham, e nossa &uacute;nica oportunidade de fazer isso foi quando votou-se a ordem do dia. Ent&atilde;o, pedimos a palavra&quot;, contou &agrave; IPS o advogado Danilo Chammas, sobre sua participa&ccedil;&atilde;o na reuni&atilde;o que durou tr&ecirc;s horas e teve e presen&ccedil;a de 50 acionistas. Enquanto os ativistas faziam uso da palavra, a maior parte dos presentes manteve sil&ecirc;ncio e n&atilde;o faltaram momentos de tens&atilde;o, quando eram expostos questionamentos e cr&iacute;ticas.</p>
<p>&quot;Foi positiva a possibilidade de di&aacute;logo, mas sem grandes perspectivas de mudan&ccedil;a. Nossa ideia &eacute; divulgar um lado que os acionistas ignoram e que tamb&eacute;m deve ser considerado&quot;, argumentou Chammas. Segundo c&aacute;lculos das organiza&ccedil;&otilde;es sociais, a Vale, privatizada em 1997, causou em 2010 danos em uma &aacute;rea correspondente a 741,8 quil&ocirc;metros quadrados.</p>
<p>Dezenas de manifestantes da Articula&ccedil;&atilde;o, que re&uacute;ne organiza&ccedil;&otilde;es de dez dos 38 pa&iacute;ses onde a Vale atua, se reuniram diante da sede da empresa, no centro do Rio de Janeiro, para tornarem vis&iacute;veis suas den&uacute;ncias. &quot;Como acionistas, explicamos o que significam os riscos e as viola&ccedil;&otilde;es (da empresa) para as comunidades prejudicadas&quot;, disse &agrave; IPS a ativista Sandra Quintela, do Instituto de Pol&iacute;ticas Alternativas para o Cone Sul.</p>
<p>Em sua opini&atilde;o, esta estrat&eacute;gia multiplica a press&atilde;o sobre a empresa e na justi&ccedil;a. &quot;Tentamos refor&ccedil;ar as lutas, vincular as resist&ecirc;ncias e pensar estrat&eacute;gias comuns. A forma como esta empresa atua nos territ&oacute;rios &eacute; muito cruel. Isso n&atilde;o &eacute; desenvolvimento, &eacute; destrui&ccedil;&atilde;o&quot;, criticou Quintela.</p>
<p>Este &eacute; o segundo ano em que seis habitantes do pequeno povoado de Piqui&aacute; de Baixo, no munic&iacute;pio de A&ccedil;ail&acirc;ndia, no Maranh&atilde;o, chegam ao Rio para denunciar seu caso. Nesse povoado de 380 fam&iacute;lias, foi instalado um polo sider&uacute;rgico de fundi&ccedil;&atilde;o de ferro. A poeira que contamina o ar, a &aacute;gua e o solo &eacute; permanente. H&aacute; cinco anos os moradores pedem para serem transferidos para uma &aacute;rea segura.</p>
<p>&quot;Piqui&aacute; de Baixo deixar&aacute; de existir. Estamos sendo obrigados a nos mudar para outro lugar, n&atilde;o h&aacute; alternativa. O trem em que a Vale transporta min&eacute;rio atravessa o povoado e o dep&oacute;sito est&aacute; sobre n&oacute;s. As cinco sider&uacute;rgicas est&atilde;o quase em cima de nossas hortas&quot;, contou &quot;Seu&quot; Edvard Dantas, de 69 anos.</p>
<p>Ele vive em Piqui&aacute; h&aacute; 26 anos e &eacute; testemunha da extin&ccedil;&atilde;o do povoado. Antes da chegada da sider&uacute;rgica, a &aacute;rea era rural. Seu Edvard plantava arroz, milho e mandioca para alimentar sua numerosa fam&iacute;lia. Hoje apenas sua mulher e uma filha continuam vivendo com ele. Seus outros cinco filhos j&aacute; deixaram Piqui&aacute;, assim como muitos outros habitantes.</p>
<p>Os casos de c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, problemas respirat&oacute;rios e alergias n&atilde;o s&atilde;o raros. &quot;Na horta e no telhado da minha casa h&aacute; uma camada permanente de p&oacute;. Estamos sofrendo muito, esperamos n&atilde;o demore mais do que dois anos&quot; o traslado para um novo lugar. Por&eacute;m, as novas moradias que deveriam ocupar ainda n&atilde;o foram constru&iacute;das, acrescentou.</p>
<p>Os pa&iacute;ses mudam, mas os problemas s&atilde;o os mesmos, destacou o mo&ccedil;ambicano Fabi&atilde;o Mani&ccedil;a, da Associa&ccedil;&atilde;o de Assist&ecirc;ncia e Apoio Jur&iacute;dico &agrave;s Comunidades de Tete, na regi&atilde;o central de Mo&ccedil;ambique, onde a Vale obteve concess&atilde;o para explorar por 35 anos a mina de carv&atilde;o Moatize. &quot;Estamos juntando for&ccedil;as para fazer reivindica&ccedil;&otilde;es. A empresa n&atilde;o abre espa&ccedil;o para negociar de forma direta com as associa&ccedil;&otilde;es ou as comunidades&quot;, afirmou.</p>
<p>O maior problema ali foi o deslocamento de 1.300 fam&iacute;lias, pois as casas rec&eacute;m-constru&iacute;das que lhes foram entregues j&aacute; apresentam falhas estruturais. &quot;As fam&iacute;lias se mudaram h&aacute; um ano e meio e h&aacute; rachaduras; s&atilde;o casas mal constru&iacute;das. As crian&ccedil;as n&atilde;o t&ecirc;m &aacute;gua pot&aacute;vel. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para plantar nem criar os filhos. Prometeram que nos ajudariam durante um ano, entregando alimentos, transporte gratuito e empregos, mas n&atilde;o cumpriram&quot;, acrescentou Mani&ccedil;a.</p>
<p>Em alguns casos, as fam&iacute;lias foram reassentadas em lugares distantes at&eacute; 50 quil&ocirc;metros de onde viviam, segundo Mani&ccedil;a. &quot;Est&aacute;vamos em &aacute;reas f&eacute;rteis e nossa atividade principal &eacute; a agricultura. Na &Aacute;frica, meu pai est&aacute; enterrado na horta. As pessoas foram obrigadas a abandonar seus antepassados e partir&quot;, lamentou.</p>
<p>A pedido da IPS, a empresa entregou &agrave; ag&ecirc;ncia um comunicado no qual afirma que &quot;respeita o direito &agrave; livre express&atilde;o&quot; e que &quot;se coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para receber sugest&otilde;es e cr&iacute;ticas sobre seus empreendimentos&quot;. A Vale assegura que participa do processo de reassentamento das fam&iacute;lias de Piqui&aacute; de Baixo. Em julho de 2012, assinou com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico de A&ccedil;ail&acirc;ndia uma proposta para transferir cerca de US$ 200 mil para o projeto habitacional do novo bairro.</p>
<p>Quanto a Mo&ccedil;ambique, foram delimitadas duas &aacute;reas para reassentar as fam&iacute;lias, com &quot;participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que consistiu em tr&ecirc;s audi&ecirc;ncias, 20 apresenta&ccedil;&otilde;es teatrais na l&iacute;ngua local mais falada (nyungwe), 110 reuni&otilde;es com a comunidade e seus l&iacute;deres, 4.927 visitas domiciliares e 639 consultas realizadas no servi&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o permanente ao in&iacute;cio do reassentamento&quot;, segundo a empresa.</p>
<p>Como parte do projeto Carv&atilde;o Moatize, al&eacute;m das casas, foram constru&iacute;das ou reformadas escolas, postos de sa&uacute;de e uma maternidade, um posto policial e ruas. Tamb&eacute;m foi instalada energia el&eacute;trica nas vias principais. E, segundo a Vale, as casas que apresentaram problemas, j&aacute; come&ccedil;aram a ser reparadas. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Sobreviventes de Eldorado dos Caraj&#225;s enfrentam outra extin&#231;&#227;o</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 11:07:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Eldorado dos Caraj&#225;s, Brasil, 17/4/2013 (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&#243;rio do ent&#227;o governador do Par&#225;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&#231;&#227;o social pela reforma agr&#225;ria. Nessa estrada que une as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16421" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/troncos.jpg"><img class="size-medium wp-image-16421" title="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/troncos.jpg" alt="Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Os troncos secos indicam o lugar onde aconteceu o massacre de Eldorado dos Caraj&Atilde;&iexcl;s.</p></div> <strong>Eldorado dos Caraj&aacute;s, Brasil, 17/4/2013  (IPS) &#8211; Por volta das cinco horas da tarde, do dia 17 de abril de 1996, saiu do escrit&oacute;rio do ent&atilde;o governador do Par&aacute;, Almir Gabriel, a ordem de evacuar a todo custo a estrada PA-150, epicentro de agita&ccedil;&atilde;o social pela reforma agr&aacute;ria.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16421"></span></p>
<p>Nessa estrada que une as cidades de Marab&aacute; e Parauapebas, no sudeste do Estado, se concentravam os maiores projetos de minera&ccedil;&atilde;o e pecu&aacute;rios. Nesse dia, em uma &aacute;rea conhecida como curva do S, perto do munic&iacute;pio de Eldorado dos Caraj&aacute;s, a 800 quil&ocirc;metros da capital do Par&aacute;, Bel&eacute;m, 150 policiais abriram fogo contra cerca de mil manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que bloqueavam a passagem.</p>
<p>Dezenove pessoas morreram e 70 ficaram feridas. Os manifestantes se dirigiam a Bel&eacute;m para cobrar a expropria&ccedil;&atilde;o da fazenda Macaxeira, que j&aacute; era ocupada por 1.500 fam&iacute;lias de Curion&oacute;polis, perto de Eldorado, e a distribui&ccedil;&atilde;o de suas terras na reforma agr&aacute;ria. A trag&eacute;dia colocou o problema agr&aacute;rio na agenda pol&iacute;tica do pa&iacute;s, e o dia 17 de abril se converteu em Dia Mundial de Luta pela Terra.</p>
<p>Este ano, se completam 17 anos do massacre e 15 da cria&ccedil;&atilde;o do assentamento 17 de Abril, que fez justi&ccedil;a ao que era reclamado. O assentamento foi fundado quase dois anos depois do massacre, quando o Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) declarou improdutiva a fazenda, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para sua expropria&ccedil;&atilde;o. Cerca de 700 fam&iacute;lias sobreviventes moram hoje no acampamento de 27 mil hectares na fazenda Macaxeira e lutam para sobreviver sem empregos nem apoio para tornarem suas &aacute;reas produtivas.</p>
<p>Ivagno Brito, filho de camponeses, tinha 13 anos quando testemunhou os fatos. Hoje, com 30, dedica-se &agrave; causa do MST. &quot;Foi um desespero, uma loucura. Imagine muita gente e fogo cruzado. A cena que mais me marcou foi ver mulheres e crian&ccedil;as se escondendo em uma pequena capela que hoje n&atilde;o existe mais&quot;, contou Brito &agrave; IPS, apontando para o lugar exato do massacre na curva do S. &quot;N&atilde;o posso esquecer. Desmaiei. N&atilde;o encontrava meu pai e comecei a correr. Logo me vi no meio do mato&quot;, acrescentou.</p>
<p>Maria Zelzuita, de 48 anos, tamb&eacute;m foi parte da trag&eacute;dia. &quot;Queriam que desocup&aacute;ssemos a estrada, mas est&aacute;vamos a p&eacute;. A forma que a pol&iacute;cia encontrou foi atirar contra n&oacute;s. O que n&atilde;o esque&ccedil;o s&atilde;o os gritos das pessoas e das crian&ccedil;as chamando por suas m&atilde;es&quot;, contou. &quot;J&aacute; havia gente morta sobre o asfalto, peguei a m&atilde;o de quatro crian&ccedil;as para salv&aacute;-las. Sa&iacute; da estrada correndo para os arbustos, carregamos inclusive uma crian&ccedil;a baleada&quot;, afirmou.</p>
<p>Zelzuita tem um lote de 25 hectares onde cultiva arroz, mandioca, milho e ab&oacute;bora. Mas os anos mostraram que n&atilde;o basta repartir terras, se n&atilde;o forem fornecidos instrumentos e conhecimentos para desenvolver uma agricultura sustent&aacute;vel. Ela trabalha em associa&ccedil;&atilde;o com a aldeia dos assentados, ganha a vida como ajudante de cozinha na escola local, estuda e &eacute; m&atilde;e sozinha de tr&ecirc;s filhos. Em sua casa tem &aacute;gua encanada e eletricidade.</p>
<p>&quot;Me sinto feliz como assentada; tenho onde viver e criar meus filhos. Antes n&atilde;o tinha, e n&atilde;o me vejo na cidade. Mas aqui n&atilde;o h&aacute; trabalho e muitos precisam partir para as cidades em busca de sustento&quot;, explicou Zelzuita &agrave; IPS. Diante destas dificuldades, muitos assentados pelo Incra venderam seus lotes e foram embora. A comercializa&ccedil;&atilde;o dos assentamentos &eacute; um fen&ocirc;meno frequente no Par&aacute;.</p>
<p>Aos 49 anos, &quot;dona&quot; Rosa Costa Miranda n&atilde;o pensa em deixar o campo, mas, superada pelo esfor&ccedil;o de cultivar uma horta em um solo t&atilde;o pobre, decidiu arrendar a &aacute;rea para cria&ccedil;&atilde;o de gado. &quot;Hoje tenho um lote e uma casa. N&atilde;o produzo quase nada porque sou sozinha, mas alugo a terra. A vida no assentamento &eacute; dif&iacute;cil porque n&atilde;o h&aacute; trabalho. Tem gente endividada com o banco sem ter como pagar&quot;, contou &agrave; IPS.</p>
<p>Dona Rosa nasceu no Maranh&atilde;o, no extremo nordeste. Aos 16 anos se mudou para o Par&aacute; com o marido agricultor. Ela estava presente na ocupa&ccedil;&atilde;o da fazenda, e no dia do massacre foi uma das mulheres que se esconderam na pequena igreja. H&aacute; pouco tempo conseguiu dinheiro para plantar cupua&ccedil;u. Mas o fogo que seus vizinhos colocaram em uma &aacute;rea adjacente &#8211; pr&aacute;tica frequente para limpar e fertilizar o terreno &#8211; fugiu ao controle e queimou as plantas.</p>
<p>Apesar das dificuldades, &quot;&eacute; melhor viver na periferia do que nas cidades ou favelas. Quem tem um peda&ccedil;o de terra hoje est&aacute; seguro. N&atilde;o penso em mudar. A rua &eacute; muito perigosa&quot;, afirmou dona Rosa. As expropria&ccedil;&otilde;es de fazendas s&atilde;o lentas e podem demorar at&eacute; uma d&eacute;cada. Para o assentamento 17 de Abril, a expropria&ccedil;&atilde;o foi obtida &quot;dois anos depois (do massacre) em raz&atilde;o do derramamento de sangue. H&aacute; acampamentos que est&atilde;o esperando h&aacute; 12 anos e para eles a reforma agr&aacute;ria nunca chega&quot;, pontuou.</p>
<p>A Amaz&ocirc;nia j&aacute; n&atilde;o &eacute; o que era quando ela veio do nordeste. Para chegar ao 17 de Abril, &eacute; preciso cruzar pequenas aldeias e zonas urbanas que crescem ao lado da estrada, como Soror&oacute;, Eldorado dos Caraj&aacute;s e Curion&oacute;polis, centros de grande circula&ccedil;&atilde;o de caminh&otilde;es carregados de min&eacute;rios.</p>
<p>Pela antiga estrada PA-150, hoje a estrada federal asfaltada BR-155, se passa perto do distrito industrial de Marab&aacute;, que conta com 12 sider&uacute;rgicas e grandes propriedades pecu&aacute;rias, tudo em plena Amaz&ocirc;nia. Dali se divisa uma paisagem sem uma &uacute;nica &aacute;rvore, apenas pastagens. &quot;Est&aacute; mudando muito, por isso estamos morrendo de seca. Daqui a alguns anos n&atilde;o haver&aacute; nem chuva, porque n&atilde;o h&aacute; &aacute;rvores&quot;, lamentou dona Rosa. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>REPORTAGEM&#058; Par&#225;, onde a terra &#233; poder</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Apr 2013 08:55:02 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz MARAB&#193;, Brasil, 15 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Tierram&#233;rica).- A vida dos camponeses sem terra que ocupam fazendas no Par&#225;, o Estado onde a luta agr&#225;ria &#233; das mais violentas, oscila entre as intimida&#231;&#245;es e a aspers&#227;o de agrot&#243;xicos sobre casas e planta&#231;&#245;es. Sob o sol abrasador e a umidade do clima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16419" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/624_ninios_campamento_frei_Henri.jpg"><img class="size-medium wp-image-16419" title="Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/624_ninios_campamento_frei_Henri.jpg" alt="Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;" width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Crian&Atilde;&sect;as no acampamento Frei Henri des Roziers, do MST, no Par&Atilde;&iexcl;</p></div> <strong>MARAB&Aacute;, Brasil, 15 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Tierram&eacute;rica).- A vida dos camponeses sem terra que ocupam fazendas no Par&aacute;, o Estado onde a luta agr&aacute;ria &eacute; das mais violentas, oscila entre as intimida&ccedil;&otilde;es e a aspers&atilde;o de agrot&oacute;xicos sobre casas e planta&ccedil;&otilde;es.                       </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16419"></span></p>
<p>Sob o sol abrasador e a umidade do clima amaz&ocirc;nico, Waldemar dos Santos, de 60 anos, cuida da horta comunit&aacute;ria de camponeses sem terra no Estado do Par&aacute;, &agrave; espera de que a reforma agr&aacute;ria lhe proporcione uma vida melhor. &quot;Meu sonho &eacute; um terreninho. Nosso desejo &eacute; acabar com a fome neste pa&iacute;s, que est&aacute; caindo montanha abaixo pela necessidade&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o campon&ecirc;s natural da Bahia, que ainda crian&ccedil;a, para fugir da seca, emigrou para o Par&aacute;.</p>
<p>Sua fam&iacute;lia &eacute; uma das 280 que desde 8 de agosto de 2010 vivem no acampamento que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) batizou de Frei Henri des Roziers, em homenagem ao padre dominicano de 82 anos que, como advogado da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, continua defendendo os direitos humanos na regi&atilde;o.</p>
<p>&Agrave;s margens da rodovia federal BR-155, a cerca de cem quil&ocirc;metros da cidade de Marab&aacute;, estes camponeses ocupam a propriedade Fazendinha, uma &aacute;rea com mais de 400 hectares sobre a qual pesam den&uacute;ncias de ter sido ganha com o desmonte da Amaz&ocirc;nia e a invas&atilde;o de terras p&uacute;blicas, al&eacute;m de ser improdutiva. Este &eacute; o argumento de quase todas as ocupa&ccedil;&otilde;es de movimentos sociais que reivindicam a reforma agr&aacute;ria no Brasil.</p>
<p>S&oacute; no sudeste do Par&aacute;, onde a luta pela terra &eacute; mais violenta, h&aacute; mais de 500 assentamentos de pequenos agricultores que foram legalizados pelo Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra). Mas restam mais de cem acampamentos de fam&iacute;lias que vivem em barracas e ranchos de palha &agrave; espera de que o governo federal concretize a legaliza&ccedil;&atilde;o. Conseguir do governo o confisco de uma fazenda e sua destina&ccedil;&atilde;o &agrave; reforma agr&aacute;ria demora, em m&eacute;dia, cinco anos.</p>
<p>Para chegar ao acampamento Frei Henri &eacute; preciso percorrer um longo trecho da poeirenta BR-155, cheia de ondula&ccedil;&otilde;es e caminh&otilde;es carregados de minerais que viajam dia e noite. A regi&atilde;o era rica em castanheiros, dizimados para dar lugar a pastagens. Em plena Amaz&ocirc;nia profunda, a beleza das &aacute;rvores de copas altas deixou de existir h&aacute; muito tempo, e a paisagem &eacute; plana e lisa, sem rastros da selva exuberante.</p>
<p>A ocupa&ccedil;&atilde;o da Fazendinha acontece em meio a um duro confronto com os latifundi&aacute;rios locais, que est&atilde;o organizados e contratam seguran&ccedil;a privada armada para intimidar os camponeses e arruinar seus cultivos. &quot;Plantamos para ter um alimento saud&aacute;vel. Os fazendeiros n&atilde;o produzem nada e dizem que suas terras s&atilde;o produtivas. As amea&ccedil;as s&atilde;o constantes. A justi&ccedil;a no Par&aacute; &eacute; muito lenta. &Eacute; um espera e desespera&quot;, descreveu Santos.</p>
<p>&quot;Aqui a terra &eacute; poder&quot;, definiu Maria Raimunda C&eacute;sar, de 39 anos e integrante da coordena&ccedil;&atilde;o do MST no Par&aacute;. &quot;O conflito &eacute; permanente. No Par&aacute; se mata gente como se mata boi. Um corte bovino para exporta&ccedil;&atilde;o vale mais do que um ser humano. H&aacute; muita injusti&ccedil;a e um processo de opress&atilde;o e viol&ecirc;ncia crescentes&quot;, afirmou. E acrescentou que a reforma agr&aacute;ria est&aacute; ausente das pol&iacute;ticas nacionais. Tanto o atual governo de Dilma Rousseff como o de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011) &quot;retiraram o tema da agenda&quot;.</p>
<p>Aqui ocorre um ciclo perverso no uso da terra, segundo Raimunda. Primeiro se abre caminho para a minera&ccedil;&atilde;o e o corte de &aacute;rvores para carv&atilde;o, depois chega a invas&atilde;o privada de terrenos fiscais, a devasta&ccedil;&atilde;o da selva e a planta&ccedil;&atilde;o de capim, uma gram&iacute;nea que serve de pasto para o gado. Em m&eacute;dia, h&aacute; uma cabe&ccedil;a de gado por hectare, garantiu.</p>
<p>Pela mesma BR-155, mas pr&oacute;ximo de Marab&aacute;, fica o acampamento Helenira Resende, que desde 1&ordm; de mar&ccedil;o de 2010 abriga 150 fam&iacute;lias sem terra. Al&eacute;m das provoca&ccedil;&otilde;es por parte de homens armados, a amea&ccedil;a aqui tamb&eacute;m chega pelo ar. Os camponeses denunciam o uso de venenos agr&iacute;colas jogados sobre suas casas e planta&ccedil;&otilde;es. Segundo o argentino Ra&uacute;l Montenegro, que integrou uma miss&atilde;o internacional de solidariedade aos camponeses do Par&aacute;, &quot;o uso de bala e veneno combinados &eacute; como uma luta qu&iacute;mica contra essas popula&ccedil;&otilde;es&quot;.</p>
<p>&quot;Os latifundi&aacute;rios dizem que jogam esses produtos em suas terras, mas &eacute; uma maneira de se livrar da responsabilidade&quot;, acrescentou Montenegro, ganhador em 2004 do pr&ecirc;mio Nobel alternativo concedido pela Funda&ccedil;&atilde;o Right Livelihood Award, com sede em Estocolmo.</p>
<p>&quot;Pudemos comprovar que grupos armados chegaram a sitiar uma comunidade inteira sob uma chuva noturna de disparos e bombas que provocavam barulho ensurdecedor no acampamento Frei Henri des Rozier. Tamb&eacute;m vimos que empresas como a Santa B&aacute;rbara aplicam pesticidas por via a&eacute;rea&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o presidente da Funda&ccedil;&atilde;o para a Defesa do Meio Ambiente, com sede na cidade argentina de C&oacute;rdoba. &quot;Esse veneno chega com total impunidade a crian&ccedil;as, adolescentes e adultos, sem que o Estado controle, sem a exist&ecirc;ncia de estudos epidemiol&oacute;gicos ou ambientais&quot;, criticou Montenegro.</p>
<p>&quot;Nosso lema &eacute; ocupar e resistir, mas eles s&atilde;o um grupo poderos&iacute;ssimo. Os homens da fazenda est&atilde;o fortemente armados e atiram&quot;, contou Aldemir Monteiro de Souza, de 28 anos, que vive no acampamento Helenira Resende, uma &aacute;rea de 50 hectares dentro da fazenda Cedro, com extens&atilde;o de quase 15 mil hectares. Os poderosos a que se refere s&atilde;o os propriet&aacute;rios da Agropecu&aacute;ria Santa B&aacute;rbara, que tem como um de seus principais acionistas o banqueiro Daniel Dantas, detido em 2008 por crimes financeiros e lavagem de dinheiro.</p>
<p>Segundo o MST e a Comiss&atilde;o Pastoral, apenas nos &uacute;ltimos dez anos, esse grupo comprou 800 mil hectares de terras em seis munic&iacute;pios do Par&aacute;. &quot;O grupo se apropria de terras p&uacute;blicas, utiliza trabalho escravo e comete crimes ambientais&quot;, denunciou Charles Trocate, da coordena&ccedil;&atilde;o do MST neste Estado.</p>
<p>A esperan&ccedil;a &eacute; que t&eacute;cnicos do Incra inspecionem a fazenda Cedro para determinar se &eacute; produtiva e legal. Caso constatem irregularidades, ter&aacute; in&iacute;cio um processo de expropria&ccedil;&atilde;o e depois ser&atilde;o entregues parcelas aos camponeses. Para 22 de maio est&aacute; prevista uma audi&ecirc;ncia com a fiscaliza&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria do Incra no F&oacute;rum de Justi&ccedil;a de Marab&aacute;. Este ser&aacute; o primeiro passo, ap&oacute;s anos de ocupa&ccedil;&atilde;o e acampamento.</p>
<p>*                                                                                 </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Agroexportadores brasileiros alertam que o &quot;apag&#227;o log&#237;stico&quot; &#233; agora</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/agroexportadores-brasileiros-alertam-que-o-apago-logstico-agora/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Apr 2013 10:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comércio e desenvolvimento]]></category>
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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil,, 9/4/2013 (IPS) &#8211; Edson Godinho, caminhoneiro h&#225; 35 anos, teve sorte desta vez. Nos primeiros dias do m&#234;s, quando chegou ao porto de Santos, j&#225; havia diminu&#237;do muito a fila de espera de caminh&#245;es. Precisou aguardar 12 horas para descarregar a soja. Nas semanas anteriores, muitos outros caminhoneiros tiveram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil,, 9/4/2013 (IPS) &#8211; Edson Godinho, caminhoneiro h&aacute; 35 anos, teve sorte desta vez. Nos primeiros dias do m&ecirc;s, quando chegou ao porto de Santos, j&aacute; havia diminu&iacute;do muito a fila de espera de caminh&otilde;es.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16418"></span></p>
<p>Precisou aguardar 12 horas para descarregar a soja. Nas semanas anteriores, muitos outros caminhoneiros tiveram que esperar mais de 24 horas para ter acesso &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es portu&aacute;rias por onde sai a maior parte das exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas brasileiras. Durante v&aacute;rios dias o ac&uacute;mulo de ve&iacute;culos de carga superou os 20 quil&ocirc;metros.</p>
<p>Os portos s&atilde;o o funil que mais contribui para o &quot;apag&atilde;o log&iacute;stico anunciado&quot; para este ano de produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;colas recordes, segundo Marcos Jank, especialista do setor e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). O Brasil duplicou sua produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os no come&ccedil;o deste s&eacute;culo, sem melhorar sua log&iacute;stica. As proje&ccedil;&otilde;es indicam que as exporta&ccedil;&otilde;es de soja e milho crescer&atilde;o 30% este ano em rela&ccedil;&atilde;o a 2012, alcan&ccedil;ando 41 milh&otilde;es e 25 milh&otilde;es de toneladas, respectivamente, e dessa forma superando os Estados Unidos.</p>
<p>Essa lideran&ccedil;a se estende &agrave; pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o de soja, que chegar&aacute; a 84 milh&otilde;es de toneladas este ano, segundo a consultoria Agroconsult. Estes s&atilde;o resultados conjunturais, ajudados pela seca nos Estados Unidos, mas que adiantam uma tend&ecirc;ncia marcada pela expans&atilde;o dos cultivos de soja, inclusive em zonas da semi&aacute;rida regi&atilde;o nordeste. O crescimento das vendas externas e as chuvas em excesso que ca&iacute;ram em janeiro retardaram os embarques de milho que, acumulados com os da soja, superlotaram em mar&ccedil;o os portos de Santos e Paranagu&aacute;, os principais do pa&iacute;s. Esse gargalo ser&aacute; novamente sentido com as vendas de a&ccedil;&uacute;car a partir deste m&ecirc;s e da nova colheita do milho, em julho, segundo Jank.</p>
<p>Embora este caos n&atilde;o seja novo, agora se agravou. Diante disso, espera-se que sejam aceleradas as mudan&ccedil;as nas normas da atividade portu&aacute;ria, j&aacute; definidas pelo governo da presidente Dilma Rousseff mas de aprova&ccedil;&atilde;o incerta no parlamento, onde o projeto j&aacute; recebeu mais de 600 propostas de emendas. Tamb&eacute;m s&atilde;o necess&aacute;rios elevados investimentos. Uma &quot;solu&ccedil;&atilde;o definitiva exigir&aacute; dez anos&quot;, afirmou Jank &agrave; IPS. &quot;Temos uma agricultura do s&eacute;culo 21 e uma log&iacute;stica do s&eacute;culo 19&quot;, acrescentou.</p>
<p>Segundo Jank, um al&iacute;vio r&aacute;pido dos entraves vir&aacute; com a implanta&ccedil;&atilde;o de hidrovias, o aumento das ferrovias, a pavimenta&ccedil;&atilde;o de estradas para o norte, a amplia&ccedil;&atilde;o de portos fluviais e mar&iacute;timos dessa mesma regi&atilde;o e dos locais de armazenamento em terminais mar&iacute;timos do sul. Santos, no Estado de S&atilde;o Paulo, fica a dois mil quil&ocirc;metros da principal zona produtora de soja, no norte do Mato Grosso. Por seu porto &eacute; exportada quase 60% dessa produ&ccedil;&atilde;o, a maior parte levada at&eacute; ali por caminh&otilde;es.</p>
<p>O transporte de cada tonelada de soja custa cerca de US$ 70 a mais do que nos Estados Unidos, ressaltam analistas, alertando que &eacute; poss&iacute;vel aliviar essa drenagem de ganhos retirando a produ&ccedil;&atilde;o pelos portos do norte, mais pr&oacute;ximos dos cultivos e dos mercados de destino. O predom&iacute;nio dos caminh&otilde;es, que respondem por 60% do transporte de cargas no Brasil, tamb&eacute;m encarece a log&iacute;stica.</p>
<p>Godinho &eacute; um dos cerca de 600 mil caminhoneiros aut&ocirc;nomos que percorrem as estradas do Brasil, &agrave;s vezes em estado prec&aacute;rio, sem pavimenta&ccedil;&atilde;o. Em geral, transporta soja e milho das proximidades de onde vive, a cidade paulista de Ituverava, at&eacute; Santos, 480 quil&ocirc;metros para o sul, de onde regressa carregando fertilizantes.</p>
<p>Se n&atilde;o houver carga na volta &quot;n&atilde;o compensam&quot; os custos, porque os ped&aacute;gios somam R$ 580, quase o mesmo que se deve desembolsar para o combust&iacute;vel do caminh&atilde;o, que pode carregar at&eacute; 32 toneladas, explicou &agrave; IPS, ap&oacute;s deixar a soja no porto. A vantagem &eacute; que as estradas que percorre, no Estado de S&atilde;o Paulo, s&atilde;o mantidas em boas condi&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;O ped&aacute;gio e os ladr&otilde;es&quot; s&atilde;o os piores inimigos dos caminhoneiros, contou Godinho, que n&atilde;o sofreu nenhum assalto nas estradas, &quot;mas muitos amigos foram assaltados&quot;, disse. Aos 57 anos de idade, considera que teve &quot;uma boa vida&quot; em seu trabalho, mas comemora o fato de seus tr&ecirc;s filhos terem optado por outras profiss&otilde;es. Os portos congestionados s&atilde;o a ponta mais vis&iacute;vel, mas a longa cadeia log&iacute;stica compreende muitos outros gargalos.</p>
<p>Volmar Michelon, cofundador da empresa Pedromar Transportes, que conta com 85 ve&iacute;culos e uma centena de empregados, contou &agrave; IPS que seu pessoal &quot;espera at&eacute; 48 horas para descarregar a soja&quot; em Alto Araguaia, na fronteira sudeste do Mato Grosso, onde chegam trens que percorrem 1.420 quil&ocirc;metros at&eacute; Santos.</p>
<p>Esse tempo perdido &quot;por falta de infraestrutura de descarga e mais vag&otilde;es&quot; priva a empresa de outras tr&ecirc;s viagens do mesmo caminh&atilde;o no trajeto usual, lamentou Volmar. Nessas ocasi&otilde;es h&aacute; milhares de ve&iacute;culos estacionados nas estradas, que acabam servindo como &quot;armaz&eacute;ns&quot;, ressaltou. N&atilde;o h&aacute; d&eacute;ficit de caminh&otilde;es, como avaliam muitos analistas e a imprensa, &quot;mas excesso&quot;, porque s&atilde;o necess&aacute;rios dois ou tr&ecirc;s ve&iacute;culos para fazer o trabalho de um, devido &agrave;s demoras nos transbordos e outros obst&aacute;culos, pontuou o empres&aacute;rio. Aumentar sua quantidade sem corrigir esses entraves seria obstruir definitivamente as estradas, concluiu.</p>
<p>A Pedromar Transportes nasceu em 1981 no sul do Brasil e acompanhou o desenvolvimento agr&iacute;cola no centro-oeste. Em 2001, instalou-se em Rondon&oacute;polis, centro comercial e industrial no sudeste do Mato Grosso. Seus caminh&otilde;es operam apenas dentro desse Estado, que se consolidou como o maior produtor de gr&atilde;os do pa&iacute;s.</p>
<p>Entre 1950 e 1980, os governos brasileiros constru&iacute;ram longas estradas, sonhando levar o desenvolvimento agr&iacute;cola para o oeste e norte do pa&iacute;s. Assim, produziram ondas de migra&ccedil;&otilde;es, desmatamento, mal&aacute;ria e conflitos pela posse da terra. Mas o agroneg&oacute;cio, especialmente o da soja, n&atilde;o seguiu exatamente esses grandes eixos vi&aacute;rios e agora reclama uma infraestrutura log&iacute;stica que lhe d&ecirc; acesso menos caro aos seus mercados, sobretudo os externos. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Elei&#231;&#245;es venezuelanas s&#227;o uma encruzilhada para o F&#243;rum S&#227;o Paulo</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/eleies-venezuelanas-so-uma-encruzilhada-para-o-frum-so-paulo/</link>
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		<pubDate>Wed, 03 Apr 2013 10:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Headlines]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Humberto M&#225;rquez Caracas, Venezuela, 3/4/2013 (IPS) &#8211; O F&#243;rum S&#227;o Paulo, que re&#250;ne partidos de esquerda da Am&#233;rica Latina e do Caribe, considera crucial para seu futuro, e para poder &#34;conter a direita&#34; na regi&#227;o, que o presidente interino da Venezuela, Nicol&#225;s Maduro, ven&#231;a as elei&#231;&#245;es do dia 14. Maduro, novo l&#237;der do Partido Socialista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Humberto M&aacute;rquez</p>
<p> <div id="attachment_16415" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/Forum-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16415" title="O F&Atilde;&sup3;rum de S&Atilde;&pound;o Paulo apoia Nicol&Atilde;&iexcl;s Maduro nas elei&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es presidenciais da Venezuela." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/Forum-300x225.jpg" alt="O F&Atilde;&sup3;rum de S&Atilde;&pound;o Paulo apoia Nicol&Atilde;&iexcl;s Maduro nas elei&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es presidenciais da Venezuela." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">O F&Atilde;&sup3;rum de S&Atilde;&pound;o Paulo apoia Nicol&Atilde;&iexcl;s Maduro nas elei&Atilde;&sect;&Atilde;&micro;es presidenciais da Venezuela.</p></div> <strong>Caracas, Venezuela, 3/4/2013 (IPS) &#8211; O F&oacute;rum S&atilde;o Paulo, que re&uacute;ne partidos de esquerda da Am&eacute;rica Latina e do Caribe, considera crucial para seu futuro, e para poder &quot;conter a direita&quot; na regi&atilde;o, que o presidente interino da Venezuela, Nicol&aacute;s Maduro, ven&ccedil;a as elei&ccedil;&otilde;es do dia 14.</strong></p>
<p><span id="more-16415"></span></p>
<p>Maduro, novo l&iacute;der do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e Henrique Capriles, candidato da coaliz&atilde;o opositora Mesa de Unidade Democr&aacute;tica, disputar&atilde;o nas urnas o mandato presidencial de seis anos para o qual foi reeleito em outubro o agora falecido Hugo Ch&aacute;vez.</p>
<p>&quot;Para n&oacute;s, as elei&ccedil;&otilde;es aqui s&atilde;o fundamentais, porque uma eventual derrota do chavismo na Venezuela significar&aacute; um retrocesso no processo de integra&ccedil;&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS o historiador Valter Pomar, secret&aacute;rio-executivo do F&oacute;rum e dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil. &quot;N&atilde;o &eacute; a economia brasileira, ou a argentina, que seria afetada caso essa derrota aconte&ccedil;a &#8211; o que n&atilde;o ocorrer&aacute; &#8211; mas toda a economia latino-americana, afetando especialmente os pa&iacute;ses mais d&eacute;beis ou atrasados do ponto de vista industrial&quot;, afirmou.</p>
<p>Partidos integrantes do F&oacute;rum, criado em 1990 em S&atilde;o Paulo por iniciativa do PT, governam atualmente na Bol&iacute;via, Brasil, Cuba, Dominica, Equador, El Salvador, Nicar&aacute;gua, Peru, Rep&uacute;blica Dominicana, Uruguai e Venezuela. V&aacute;rios desses Estados se re&uacute;nem no pacto integracionista Alian&ccedil;a Bolivariana para os Povos de Nossa Am&eacute;rica (Alba) e s&atilde;o benefici&aacute;rios do programa venezuelano de coopera&ccedil;&atilde;o petroleira e financeira, conhecido como Petrocaribe.</p>
<p>O F&oacute;rum reivindica que a primeira elei&ccedil;&atilde;o de Ch&aacute;vez como presidente da Venezuela, em dezembro de 1998, marcou o in&iacute;cio da ascens&atilde;o ao governo de v&aacute;rios de seus partidos filiados da regi&atilde;o e desde ent&atilde;o n&atilde;o o perderam mediante elei&ccedil;&otilde;es onde o conquistaram. Essa contabilidade tem como exce&ccedil;&atilde;o o Partido Socialista do Chile, porque perdeu o governo em 2010 para o direitista Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era, como um integrante a mais da centro-esquerdista Concerta&ccedil;&atilde;o de Partidos pela Democracia, formada em 1990, muito antes do ciclo de vit&oacute;rias assinalado.</p>
<p>O Grupo de Trabalho do F&oacute;rum, com 38 delegados de 27 partidos procedentes de 18 pa&iacute;ses, se reuniu no dia 1&ordm; em Caracas para homenagear Ch&aacute;vez e dar apoio a Maduro. &quot;&Eacute; um excelente apoio, que expressa aos movimentos populares da Am&eacute;rica Latina e do Caribe que a Venezuela &eacute; estrat&eacute;gica e que a vit&oacute;ria de Nicol&aacute;s tamb&eacute;m &eacute; a vit&oacute;ria dos povos&quot;, disse &agrave; IPS o anfitri&atilde;o Rodrigo Cabezas, dirigente do PSUV e deputado do Parlamento Latino-Americano.</p>
<p>Maduro, por sua vez, afirmou que &quot;este &eacute; o momento de maior expans&atilde;o das lutas da nova independ&ecirc;ncia da Am&eacute;rica Latina, diante da hegemonia e domina&ccedil;&atilde;o imperial norte-americana. O caminho apenas come&ccedil;a nesta nova fase&quot;. Maduro, ao comparecer junto com delegados do F&oacute;rum ao mausol&eacute;u que guarda os restos mortais de Ch&aacute;vez, em Caracas, fez &quot;um especial reconhecimento &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana, como antecedente deste processo latino-americano e caribenho. Cravou a primeira estaca, libertou o primeiro territ&oacute;rio e gerou a din&acirc;mica de resistir, lutar e vencer&quot;, declarou</p>
<p>&quot;Sim, estamos preocupados no sentido de que a direita est&aacute; armando uma opera&ccedil;&atilde;o internacional, n&atilde;o apenas opera&ccedil;&otilde;es nacionais, para nos golpear. H&aacute; um processo contraofensivo na regi&atilde;o, como se viu em Honduras e no Paraguai, este &uacute;ltimo um caso de golpe parlamentar&quot;, apontou Pomar. Diante deste cen&aacute;rio, &quot;vemos uma situa&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio. A direita n&atilde;o consegue nos golpear nos principais pa&iacute;ses que governamos, mas tampouco conseguimos tir&aacute;-los, por exemplo, do M&eacute;xico. Este equil&iacute;brio relativo n&atilde;o vai durar para sempre&quot;, acrescentou.</p>
<p>Segundo Pomar, &quot;o que pode nos favorecer &eacute; acelerar as mudan&ccedil;as em cada pa&iacute;s e aprofundar a integra&ccedil;&atilde;o, tema fundamental, porque, para muitos pa&iacute;ses da regi&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; como avan&ccedil;ar nos processos de mudan&ccedil;a isoladamente. Por isso, a elei&ccedil;&atilde;o presidencial na Venezuela &eacute; essencial para n&oacute;s&quot;. E o &eacute;, a ponto de o F&oacute;rum ter deixado em segundo plano as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais do Paraguai, onde a esquerda participa sem maiores chances diante dos candidatos favoritos, os dois tradicionais partidos, Colorado e Liberal.</p>
<p>A reuni&atilde;o do Grupo de Trabalho tamb&eacute;m examinou brevemente outros temas da atualidade internacional, em particular as amea&ccedil;as &agrave; paz global derivadas dos conflitos na pen&iacute;nsula da Coreia, na S&iacute;ria e o desenvolvimento nuclear do Ir&atilde;. Embora o grupo tenha acordado alertar sobre a provoca&ccedil;&atilde;o norte-americana na pen&iacute;nsula coreana, na reuni&atilde;o houve vozes que reclamaram da conduta da Coreia do Norte por &quot;facilitar a provoca&ccedil;&atilde;o&quot; atribu&iacute;da a Washington.</p>
<p>No debate sobre a Coreia foi ventilada a tese de que esse conflito aviva o protagonismo norte-americano na regi&atilde;o &Aacute;sia-Pac&iacute;fico em detrimento da China e de seus s&oacute;cios no grupo Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, &Aacute;frica do Sul), de pot&ecirc;ncias emergentes. No terreno regional considerou-se que a situa&ccedil;&atilde;o mais urgente &eacute; a negocia&ccedil;&atilde;o de paz &#8211; que tem como cen&aacute;rio Havana &#8211; entre as For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias da Col&ocirc;mbia e o governo desse pa&iacute;s, do direitista Juan Manuel Santos, considerado o primeiro benefici&aacute;rio pol&iacute;tico do processo.</p>
<p>Como em quase cada reuni&atilde;o do F&oacute;rum, os independentistas porto-riquenhos, desta vez pela boca de H&eacute;ctor Pesquera, do Movimento Nacional Hostosiano, apresentaram a necessidade de n&atilde;o atravessar a luta contra atrasos do colonialismo na Am&eacute;rica Latina e pediram que se exija a liberdade, por raz&otilde;es humanit&aacute;rias, de seu compatriota Oscar L&oacute;pez Rivera, preso nos Estados Unidos h&aacute; 32 anos. Envolverde/IPS                    </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Tabagismo no centro</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 08:41:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz* Rio de Janeiro, Brasil, 1 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Terram&#233;rica).- O Brasil, que em menos de tr&#234;s d&#233;cadas reduziu o tabagismo de 40% para 15% de sua popula&#231;&#227;o, inaugura um centro de pesquisa que ter&#225; proje&#231;&#227;o mundial. O Brasil deu mais um passo em mat&#233;ria de preven&#231;&#227;o do h&#225;bito de fumar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz*</p>
<p><strong>Rio de Janeiro, Brasil, 1 de abril de 2013 (IPS) &#8211; (Terram&eacute;rica).- O Brasil, que em menos de tr&ecirc;s d&eacute;cadas reduziu o tabagismo de 40% para 15% de sua popula&ccedil;&atilde;o, inaugura um centro de pesquisa que ter&aacute; proje&ccedil;&atilde;o mundial.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16413"></span></p>
<p>O Brasil deu mais um passo em mat&eacute;ria de preven&ccedil;&atilde;o do h&aacute;bito de fumar com a cria&ccedil;&atilde;o do Centro de Estudos Sobre Tabaco e Sa&uacute;de (Cetab). Na realidade, se pretende ir mais al&eacute;m. O Cetab &#8211; criado pela Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz, estatal), como parte da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica S&eacute;rgio Arouca &#8211; estar&aacute; dedicado a pesquisar os outros tr&ecirc;s fatores de risco das doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis, al&eacute;m do tabagismo: &aacute;lcool, sedentarismo e maus h&aacute;bitos alimentares.</p>
<p>Em 2011, o Brasil aprovou o Plano de A&ccedil;&otilde;es Estrat&eacute;gicas para Enfrentar Enfermidades N&atilde;o Transmiss&iacute;veis, como c&acirc;ncer, diabete e doen&ccedil;as cardiovasculares e respirat&oacute;rias. &quot;Vamos focar nelas e fazer pesquisas sobre os fatores de risco. O cigarro aparece como um grande vil&atilde;o. Seu consumo n&atilde;o acarreta nenhum benef&iacute;cio, n&atilde;o existe um consumo razo&aacute;vel de cigarros que seja in&oacute;cuo, s&oacute; causa males&quot;, disse ao Terram&eacute;rica a coordenadora do rec&eacute;m-criado Cetab, Vera da Costa e Silva.</p>
<p>O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de destinar&aacute; US$ 6,2 milh&otilde;es ao plano apresentado em 2011, que prev&ecirc; a&ccedil;&otilde;es at&eacute; 2022. Entre outros fins, se prop&otilde;e a reduzir em 2% ao ano a mortalidade prematura de pessoas de at&eacute; 70 anos por estas causas, para chegar a 2022 com 196 mortes para cada cem mil habitantes. Em 2011, essa rela&ccedil;&atilde;o era de 225 para cada cem mil.</p>
<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) considera o tabagismo a principal causa de morte evit&aacute;vel em todo o mundo, e estima que um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o mundial maior de 15 anos fuma (um em cada tr&ecirc;s adultos). A presen&ccedil;a de mais de 4.700 subst&acirc;ncias nocivas na fuma&ccedil;a dos derivados do tabaco faz com que este v&iacute;cio cause cerca de 50 enfermidades.</p>
<p>No Brasil, o c&acirc;ncer de pulm&atilde;o &eacute; o tipo de tumor mais letal e tamb&eacute;m uma das principais causas de morte. Na medida em que se conseguir diminuir a exposi&ccedil;&atilde;o a esses fatores ser&aacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m reduzir estas doen&ccedil;as, destacou a coordenadora do Cetab. O novo centro de estudos busca trabalhar na capacita&ccedil;&atilde;o, pesquisa e coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, dentro e fora do Brasil.</p>
<p>&quot;Queremos trabalhar com informa&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o, regulamenta&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a preven&ccedil;&atilde;o. Vamos proporcionar aos profissionais da sa&uacute;de da rede p&uacute;blica capacita&ccedil;&atilde;o e tratamento dos fatores de risco. Os cursos poder&atilde;o ser feitos &agrave; dist&acirc;ncia&quot;, explicou Vera. No campo da coopera&ccedil;&atilde;o internacional o olhar est&aacute; voltado a atender os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e os africanos de l&iacute;ngua portuguesa, o que implicar&aacute; levar profissionais brasileiros aos escrit&oacute;rios que a Fiocruz mant&eacute;m no exterior, por exemplo, em Mo&ccedil;ambique, e, por outro lado, atrair especialistas desses lugares para o Brasil.</p>
<p>O Cetab pretende tamb&eacute;m apoiar a OMS e a Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana de Sa&uacute;de (OPS). &quot;J&aacute; tivemos bons retornos com eles como s&oacute;cios internacionais, e vislumbramos possibilidades&quot;, apontou a coordenadora. O Cetab come&ccedil;a com uma equipe de nove pesquisadores de &aacute;reas como economia, engenharia, farmac&ecirc;utica, medicina e biologia. O tabagismo &eacute; uma epidemia e o maior fator de risco conhecido, afirmou o presidente da Academia Nacional de Medicina, Marcos Moraes.</p>
<p>No final da d&eacute;cada de 1980, quase 40% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira era de fumantes. Em 25 anos, essa propor&ccedil;&atilde;o caiu para cerca de 15%. O Brasil tem atualmente mais de 192 milh&otilde;es de habitantes. &quot;Gra&ccedil;as &agrave;s medidas de controle, conseguimos chegar a esses resultados. A ind&uacute;stria do tabaco sempre est&aacute; muito ativa, apesar de ter consci&ecirc;ncia de que vende uma doen&ccedil;a, e n&oacute;s buscamos que o pa&iacute;s controle sua sa&uacute;de e n&atilde;o permita a venda de produtos prejudiciais&quot;, disse Marcos ao Terram&eacute;rica.</p>
<p>Marcos apontou que se nota uma queda acentuada de fumantes entre a juventude de classe m&eacute;dia, mas h&aacute; &quot;um avan&ccedil;o lento, por&eacute;m cont&iacute;nuo&quot; de jovens fumantes procedentes de classes mais pobres. &quot;Um dos pontos mais importantes no controle do tabagismo &eacute; aumentar o pre&ccedil;o do cigarro. O Brasil conseguiu, no ano passado, grav&aacute;-lo de modo substancial, e, no entanto, &eacute; um dos mais baratos do mundo. Onde h&aacute; pobreza h&aacute; tabagismo&quot;, enfatizou Marcos.</p>
<p>E acrescentou que, segundo a OMS, para cada d&oacute;lar arrecadado por estes impostos, s&atilde;o gastos US$ 4,5 em cuidados sanit&aacute;rios de doen&ccedil;as relacionadas com o tabaco. O Brasil destina US$ 10 bilh&otilde;es de seus gastos em sa&uacute;de p&uacute;blica para tratar problemas causados pelo cigarro, enquanto arrecada US$ 3 bilh&otilde;es em impostos da ind&uacute;stria do setor, ressaltou Moraes. Os dados sobre a evolu&ccedil;&atilde;o da quantidade de fumantes no Brasil servem para medir a efic&aacute;cia da pol&iacute;tica de preven&ccedil;&atilde;o, mas &quot;essa pol&iacute;tica sempre est&aacute; amea&ccedil;ada&quot;, alertou.</p>
<p>Apesar de ser reconhecido como um exemplo no mundo, o Brasil n&atilde;o pode &quot;soltar foguetes, pois &eacute; uma luta eterna&quot;, advertiu Marcos. A cria&ccedil;&atilde;o de um centro de estudos ser&aacute; uma ferramenta a mais para contribuir com a rede de institui&ccedil;&otilde;es que j&aacute; atua nesta &aacute;rea. Frequentemente, o Brasil &eacute; solicitado a fornecer coopera&ccedil;&atilde;o internacional e trocar experi&ecirc;ncias sobre o cumprimento do Conv&ecirc;nio Marco da OMS para Controle do Tabaco, que orienta os pa&iacute;ses a adotarem determinadas medidas para controlar o h&aacute;bito de fumar. Envolverde/Terram&eacute;rica</p>
<p>* A autora &eacute; correspondente da IPS.                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>Quando a escola alimenta e ensina a comer</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Mar 2013 10:22:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Fab&#237;ola Ortiz Rio de Janeiro, Brasil, 20/3/2012 (IPS) &#8211; Alimentar na escola 45 milh&#245;es de estudantes que disso necessitam &#233; um &#234;xito not&#225;vel no Brasil. Mas a iniciativa enfrenta dificuldades espec&#237;ficas e outras pr&#243;prias de qualquer plano nacional neste extenso pa&#237;s com mais de 192 milh&#245;es de pessoas. O Programa Nacional de Alimenta&#231;&#227;o Escolar (PNAE) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fab&iacute;ola Ortiz</p>
<p> <div id="attachment_16410" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/sa22-225x300.jpg"><img class="size-medium wp-image-16410" title="Coordenadora do Programa Nacional de Alimenta&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o Escolar do Brasil, Albaneide Peixinho." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/sa22-225x300.jpg" alt="Coordenadora do Programa Nacional de Alimenta&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o Escolar do Brasil, Albaneide Peixinho." width="150" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Coordenadora do Programa Nacional de Alimenta&Atilde;&sect;&Atilde;&pound;o Escolar do Brasil, Albaneide Peixinho.</p></div> <strong>Rio de Janeiro, Brasil, 20/3/2012 (IPS) &#8211; Alimentar na escola 45 milh&otilde;es de estudantes que disso necessitam &eacute; um &ecirc;xito not&aacute;vel no Brasil.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16410"></span></p>
<p>Mas a iniciativa enfrenta dificuldades espec&iacute;ficas e outras pr&oacute;prias de qualquer plano nacional neste extenso pa&iacute;s com mais de 192 milh&otilde;es de pessoas. O Programa Nacional de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar (PNAE) evoluiu do mero assistencialismo com que nasceu h&aacute; 58 anos para uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento multiprop&oacute;sito, com metas educativas e de anima&ccedil;&atilde;o das economias locais. A IPS conversou com sua coordenadora, Albaneide Peixinho, sobre seus &ecirc;xitos e problemas.</p>
<p>IPS: O PNAE existe desde 1955. Em que avan&ccedil;ou desde ent&atilde;o?</p>
<p>ALBANEIDE PEIXINHO: Hoje se baseia em v&aacute;rios princ&iacute;pios, como o direito humano a uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada para garantir a seguran&ccedil;a alimentar e nutricional, mediante a universalidade e a gratuidade da aten&ccedil;&atilde;o para todos os estudantes da rede p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. E, tamb&eacute;m, na equidade, que compreende o direito constitucional &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o escolar, como forma de assegurar o acesso igualit&aacute;rio aos alimentos. O PNAE faz parte da estrat&eacute;gia Fome Zero do governo federal, que engloba 30 programas destinados a combater as causas do problema e contribuir para erradicar a indig&ecirc;ncia. A vis&atilde;o social do governo foi determinante para a queda dr&aacute;stica da pobreza neste pa&iacute;s e se refletiu no PNAE, que desde 2003 obteve aumento de recursos de 300% e ampliou a aten&ccedil;&atilde;o a alunos do ensino m&eacute;dio. Ao mesmo tempo, pela obrigatoriedade de compra de produtos da agricultura familiar local, tem um papel importante na redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade social.</p>
<p>IPS: Quais seus &ecirc;xitos?</p>
<p>AP: O programa nasceu como uma mera assist&ecirc;ncia aos alunos. Hoje chega a 45 milh&otilde;es de estudantes do ensino b&aacute;sico durante os 200 dias letivos. Ao longo destes anos foi acumulando experi&ecirc;ncias em um &acirc;mbito cada vez mais amplo, promovendo a melhoria dos indicadores educativos, do desenvolvimento econ&ocirc;mico e social e da participa&ccedil;&atilde;o social na sa&uacute;de, mediante o ensino de bons h&aacute;bitos alimentares. Na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 est&aacute; garantido o direito a todos os matriculados na escola prim&aacute;ria. A partir de 1994, o programa antes centralizado, com um &oacute;rg&atilde;o diretor que elaborava os card&aacute;pios, adquiria os alimentos e os distribu&iacute;a em todo o pa&iacute;s, passou a ser gerido localmente, por meio de conv&ecirc;nios. Desde 1998, melhorou mais, como com a exig&ecirc;ncia de respeito aos h&aacute;bitos alimentares e a voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola de cada lugar, a forma&ccedil;&atilde;o de conselhos de alimenta&ccedil;&atilde;o escolar como &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores, com representantes de pa&iacute;is, alunos, professores, comunidade e dos poderes Executivo e Legislativo. Um dos marcos principais foi a lei 11.947 de 2009, que imp&ocirc;s a exig&ecirc;ncia de que pelo menos 30% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa&ccedil;&atilde;o se destinem &agrave; compra de alimentos da agricultura familiar, al&eacute;m de atender a todos os alunos do ensino prim&aacute;rio, incluindo jovens e adultos.</p>
<p>IPS: Quais os problemas do programa?</p>
<p>AP: H&aacute; dificuldades pr&oacute;prias e outras inerentes a qualquer programa de alcance nacional: a extens&atilde;o territorial do pa&iacute;s, as diferentes voca&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas das regi&otilde;es, a baixa capacidade produtiva da agricultura familiar para suprir a demanda. Tamb&eacute;m os diferentes costumes locais, as necessidades de nutri&ccedil;&atilde;o diversas dos alunos, a falta de infraestrutura para armazenar, transportar e preparar as refei&ccedil;&otilde;es e de espa&ccedil;os para os refeit&oacute;rios, bem como problemas para desenvolver um ensino alimentar e nutricional permanente e intr&iacute;nseco ao processo educacional. Tamb&eacute;m existe &quot;competi&ccedil;&atilde;o&quot; entre as refei&ccedil;&otilde;es oferecidas pela escola e as das cantinas ou bares com doces, refrigerantes, alimentos salgados e fritos, os &quot;favoritos&quot; de crian&ccedil;as e adolescentes. Uma resolu&ccedil;&atilde;o de 2009 restringe a quantidade de gordura, a&ccedil;&uacute;car e sal dos alimentos do PNAE.</p>
<p>IPS: Quais s&atilde;o os desafios que pretendem abordar?</p>
<p>AP: Realizar um diagn&oacute;stico bem feito das necessidades nutricionais dos estudantes e compatibiliz&aacute;-las com uma alimenta&ccedil;&atilde;o adequada e que eles aceitem, com a cultura agr&iacute;cola e de dietas de cada lugar. Outro desafio &eacute; contar com profissionais bem formados nesta &aacute;rea.</p>
<p>IPS: &Eacute; poss&iacute;vel chegar a todas as escolas de ensino prim&aacute;rio, federais, estaduais e municipais?</p>
<p>AP: O programa atende todas as escolas que tenham constitu&iacute;do seu pr&oacute;prio Conselho de Alimenta&ccedil;&atilde;o Escolar e contratado um nutricionista. Em 2012, foram 161.670 escolas, 83% do total.</p>
<p>IPS: O que acontece com a elabora&ccedil;&atilde;o dos card&aacute;pios?</p>
<p>AP: Devem ser feitos respeitando a faixa de idade, a modalidade de ensino e o hor&aacute;rio em que o estudante permanece na escola. Quando s&atilde;o oferecidas duas ou mais refei&ccedil;&otilde;es, deve-se atender no m&iacute;nimo 30% das necessidades nutricionais di&aacute;rias. Nas escolas de tempo integral, este m&iacute;nimo sobe para 70%.</p>
<p>IPS: Esta comprovado que fazer uma refei&ccedil;&atilde;o na escola melhora o desempenho escolar?</p>
<p>AP: Existem diversas evid&ecirc;ncias do papel da alimenta&ccedil;&atilde;o no desenvolvimento neurol&oacute;gico, cognitivo e intelectual durante a inf&acirc;ncia. As prote&iacute;nas, o c&aacute;lcio, o ferro, o iodo, o zinco, as vitaminas e os &oacute;leos de pescado cumprem fun&ccedil;&otilde;es essenciais, como demonstram diversos estudos. O ambiente escolar &eacute; muito prop&iacute;cio para formar h&aacute;bitos. Estes v&atilde;o se formando desde o nascimento, por meio dos costumes familiares e dos induzidos pela sociedade (escola, c&iacute;rculos sociais e meios de comunica&ccedil;&atilde;o) at&eacute; a vida adulta, quando junto com os aspectos simb&oacute;licos pautam o consumo individual e da sociedade. O PNAE incentiva o consumo de frutas, verduras e legumes, e prev&ecirc; o controle sanit&aacute;rio dos alimentos, preceitos que conduzem a uma oferta adequada e a uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. Quanto mais cedo se adquire estes h&aacute;bitos, maior &eacute; a probabilidade de se perpetuarem na vida adulta. Envolverde/IPS                                         </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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