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	<title>Notícias IBAS e portal de mídia – Índia, Brasil e África do Sul &#187; África do Sul</title>
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		<title>Novo regime contra o HIV gera temores na &#193;frica do Sul</title>
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		<pubDate>Thu, 09 May 2013 11:12:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Melany Bendix Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 9/5/2013 (IPS) &#8211; &#34;Se ficar sem meus comprimidos, n&#227;o sei o que acontecer&#225;. Provavelmente adoecerei de novo, muito gravemente. Talvez morra&#34;, disse Xoliswa Mbana (nome fict&#237;cio) enquanto arrumava seus quatro filhos para irem &#224; escola em um assentamento informal desta cidade. Mbana foi diagnosticada como portadora do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Melany Bendix</p>
<p> <div id="attachment_16429" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/ips-300x225.jpg"><img class="size-medium wp-image-16429" title="Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/ips-300x225.jpg" alt="Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV." width="200" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Entre 5,5 milh&Atilde;&micro;es e 5,9 milh&Atilde;&micro;es de sul-africanos est&Atilde;&pound;o infectados com o v&Atilde;&shy;rus HIV.</p></div> <strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 9/5/2013 (IPS) &#8211; &quot;Se ficar sem meus comprimidos, n&atilde;o sei o que acontecer&aacute;. Provavelmente adoecerei de novo, muito gravemente. Talvez morra&quot;, disse Xoliswa Mbana (nome fict&iacute;cio) enquanto arrumava seus quatro filhos para irem &agrave; escola em um assentamento informal desta cidade.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16429"></span></p>
<p>Mbana foi diagnosticada como portadora do v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia humana (HIV, causador da aids) em 2008, e sua recontagem de c&eacute;lulas CD4 h&aacute; dois anos foi menor do que 200. Adoeceu gravemente e na cl&iacute;nica do superpovoado bairro de Masiphumelele a convenceram a iniciar um tratamento antirretroviral.</p>
<p>&quot;Eu n&atilde;o confiava muito na &#39;muti&#39; (palavra zulu para se referir &agrave; medicina) porque havia escutado muitas coisas ruins sobre ela. Mas estava morrendo e n&atilde;o tive op&ccedil;&atilde;o. Quando comecei a me sentir melhor me alegrei. Espero que o governo n&atilde;o me tire a felicidade&quot;, disse &agrave; IPS esta mulher de 42 anos, que tem medo de n&atilde;o receber mais esses comprimidos que salvam a sua vida.</p>
<p>O Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV/aids calcula que entre 5,5 milh&otilde;es e 5,9 milh&otilde;es dos 49,3 milh&otilde;es de sul-africanos est&atilde;o infectados com o HIV. Em  maio passado, Mbana n&atilde;o p&ocirc;de receber tratamento durante tr&ecirc;s semanas porque sua cl&iacute;nica ficou sem antirretrovirais. A cl&iacute;nica foi uma das centenas de pontos de distribui&ccedil;&atilde;o em seis prov&iacute;ncias sul-africanas afetadas pela escassez geral de medicamentos, a &uacute;ltima sofrida pelo programa de tratamento antirretroviral, lan&ccedil;ado pelo governo em 2004 dentro de sua luta contra a aids.</p>
<p>Esta instabilidade no fornecimento &eacute; que leva ativistas a demonstrarem preocupa&ccedil;&atilde;o pela decis&atilde;o do Departamento de Sa&uacute;de, adotada em 1&ordm; de abril, de iniciar a distribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos de combina&ccedil;&atilde;o em dose fixa (CDF). At&eacute; agora, o tratamento fornecido pelos servi&ccedil;os estatais consistia em tr&ecirc;s comprimidos diferentes que o paciente deveria ingerir ao longo do dia. A nova dose combina os tr&ecirc;s princ&iacute;pios ativos desses comprimidos em um s&oacute;.</p>
<p>Embora a CDF pare&ccedil;a mais conveniente para os pacientes, ativistas e profissionais da sa&uacute;de alertam que um esgotamento da droga poder&aacute; ter efeito catastr&oacute;fico no programa de tratamento antirretroviral sul-africano, o maior do mundo em sua classe. Com o regime anterior, &quot;se havia escassez de um antirretroviral as pessoas ainda podiam tomar os outros dois comprimidos, embora n&atilde;o fosse o ideal. Agora, se faltarem os comprimidos de CDF, os pacientes n&atilde;o ter&atilde;o outro recurso&quot;, explicou &agrave; IPS o diretor-executivo de sa&uacute;de e justi&ccedil;a social da organiza&ccedil;&atilde;o Section 27, Mark Heywood.</p>
<p>Com ele concordou Kevin Rebe, do Instituto de Sa&uacute;de Anova, que administra o programa Health4Men, focado na preven&ccedil;&atilde;o e no tratamento do HIV. &quot;O risco da CDF &eacute; que n&atilde;o tem um bom plano B&quot;, disse &agrave; IPS, alertando que basta deixar de tomar umas poucas doses para que o organismo rejeite o tratamento. &quot;&Eacute; necess&aacute;rio administrar corretamente 95 de cada cem doses. Se n&atilde;o for assim, corre-se o risco de o tratamento fracassar e o paciente precisar optar por outro, possivelmente mais complexo e caro. Por isso, se houver uma escassez de medicamentos CDF, as consequ&ecirc;ncias poder&atilde;o ser graves&quot;, alertou Rebe.</p>
<p>Por sua vez, Linda Gail Bekker, subdiretora do Centro Desmond Tutu contra o HIV, da Universidade da Cidade do Cabo, alertou que um eventual esgotamento poder&aacute; constituir um &quot;grave perigo para a sa&uacute;de&quot; das pessoas que rec&eacute;m-iniciaram o tratamento antirretroviral. Bekker tamb&eacute;m teme que eventuais faltas das doses afetem os avan&ccedil;os conseguidos em convencer as pessoas soropositivas a fazerem o tratamento.</p>
<p>Por&eacute;m, Bekker acredita que os riscos de desabastecimento podem ser mitigados prevendo-se exatamente a demanda e assegurando um fornecimento adequado. Apesar de admitir que isto n&atilde;o &eacute; simples, insistiu que uma administra&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida das doses &eacute; a &uacute;nica maneira de assegurar o sucesso do regime com a CDF. &quot;N&atilde;o &eacute; nenhuma proeza fazer com que este grande n&uacute;mero de pessoas comece uma terapia e depois assegurar que a recebam pelo resto de suas vidas. E temos que faz&ecirc;-lo, e bem feito&quot;, ressaltou.</p>
<p>Por sua vez, Rebe destacou a import&acirc;ncia de n&atilde;o se quebrar a cadeia de fornecimento da CDF, e disse que o plano inicial do Departamento de Sa&uacute;de &eacute; promissor. &quot;Parecem ter sido bem inteligentes, especialmente com a ideia de introduzir a CDF em etapas: primeiro as mulheres gr&aacute;vidas, depois pacientes com tuberculose, e por fim os que est&atilde;o come&ccedil;ando o tratamento antirretroviral&quot;, acrescentou.</p>
<p>&quot;Esse enfoque gradual ajudar&aacute; muito a evitar um esgotamento&quot; de rem&eacute;dios, disse Rebe, destacando que o Departamento de Sa&uacute;de dividiu a licita&ccedil;&atilde;o para o tratamento do per&iacute;odo 2013-2014 em v&aacute;rios contratos. &quot;Isto &eacute; bom porque, se um fornecedor n&atilde;o entregar, outros poder&atilde;o cobrir o que faltar&quot;, ponderou.</p>
<p>Joe Maila, porta-voz do Departamento de Sa&uacute;de, disse &agrave; IPS que somente ser&atilde;o convocados outros fornecedores se os tr&ecirc;s atuais &#8211; as companhias farmac&ecirc;uticas Mylan, Cipla e Aspen &#8211; n&atilde;o puderem atender a demanda. A oferta e a demanda s&atilde;o seguidas de perto e controladas em reuni&otilde;es semanais entre os fornecedores e as autoridades provinciais de sa&uacute;de, informou. Isso permite ao departamento &quot;detectar com anteced&ecirc;ncia problemas de distribui&ccedil;&atilde;o e intervir&quot;, destacou. Por&eacute;m, o mais importante &eacute; que o departamento armazenou v&aacute;rias quantidades de CDF &quot;para aliviar a escassez quando ela ocorrer&quot;, explicou.</p>
<p>O governo sul-africano tamb&eacute;m espera que a introdu&ccedil;&atilde;o da CDF reduza significativamente os custos de seu plano de tratamento contra HIV/aids. O regime anterior custava cerca de 120 rands (US$ 13,4) por pessoa ao m&ecirc;s, enquanto no sistema com a CDF custa 93 rands (US$ 10,38). A economia de US$ 3 &eacute; significativa, considerando que 1,9 milh&atilde;o de pacientes recebem tratamento antirretroviral dos servi&ccedil;os estatais.</p>
<p>&quot;Ter os tr&ecirc;s agentes em comprimidos de dose &uacute;nica &eacute; o melhor que temos atualmente. Tamb&eacute;m est&aacute; demonstrado que reduzir o n&uacute;mero de comprimidos e as doses di&aacute;rias &eacute; fundamental para que os pacientes respeitem o regime de tratamento&quot;, enfatizou Rebe. Para Mbana, o mais importante &eacute; sempre ter seus medicamentos. &quot;N&atilde;o me importa se tenho de tomar um comprimido ao dia ou mais, desde que tenha algo para tomar&quot;, afirmou. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>O primeiro abra&#231;o salva-vidas na &#193;frica do Sul</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/o-primeiro-abrao-salva-vidas-na-frica-do-sul/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Apr 2013 10:38:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Stanley Karombo [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &#195;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Stanley Karombo</p>
<p> [caption id=&#8221;attachment_16425&#8243; align=&#8221;alignright&#8221; width=&#8221;200&#8243; caption=&#8221;A &Atilde;</p>
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		<title>Li&#231;&#245;es do desmantelamento nuclear da &#193;frica do Sul</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/lies-do-desmantelamento-nuclear-da-frica-do-sul/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Jan 2013 08:06:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[John Fraser Johannesburgo, &#193;frica do Su, 11/1/2013 (IPS) &#8211; Nos &#250;ltimos dias do regime de segrega&#231;&#227;o racial apartheid, as autoridades da &#193;frica do Sul tomaram uma decis&#227;o com grandes consequ&#234;ncias para o pa&#237;s e o continente: puseram fim ao seu programa de armas nucleares. &#34;A primeira etapa implicou o desmantelamento de seis dispositivos nucleares completos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>John Fraser</p>
<p> <div id="attachment_16382" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/nuvem.jpg"><img class="size-medium wp-image-16382" title="Nuvem de fuma&Atilde;&sect;a saindo de uma central nuclear de teste. &#47; National Nuclear Security Administration&#47;CC-BY-ND-2.0" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/nuvem.jpg" alt="Nuvem de fuma&Atilde;&sect;a saindo de uma central nuclear de teste. &#47; National Nuclear Security Administration&#47;CC-BY-ND-2.0" width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Nuvem de fuma&Atilde;&sect;a saindo de uma central nuclear de teste. &#47; National Nuclear Security Administration&#47;CC-BY-ND-2.0</p></div> <strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Su, 11/1/2013 (IPS) &#8211; Nos &uacute;ltimos dias do regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial apartheid, as autoridades da &Aacute;frica do Sul tomaram uma decis&atilde;o com grandes consequ&ecirc;ncias para o pa&iacute;s e o continente: puseram fim ao seu programa de armas nucleares.                         </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16382"></span></p>
<p>&quot;A primeira etapa implicou o desmantelamento de seis dispositivos nucleares completos (e um parcialmente montado)&quot;, disse Greg Mills, que dirige a Funda&ccedil;&atilde;o Brenthurst, com sede em Johannesburgo e que assessora governos africanos.</p>
<p>&quot;A decis&atilde;o foi tomada pelo presidente na &eacute;poca, F. W. de Klerk, em fevereiro de 1991, pouco depois da liberta&ccedil;&atilde;o de Nelson Mandela e do fim da proibi&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional Africano (CNA), do Congresso Pan-Africano e do Partido Comunista Sul-Africano&quot;, explicou Mills. A &Aacute;frica do Sul assinou o Tratado de N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear em 10 de julho de 1991. Sete semanas depois, em 16 de setembro, assinou o Acordo Integral de Salvaguardas com a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA), o que permitiu inspe&ccedil;&otilde;es frequentes &agrave;s suas instala&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;As autoridades sul-africanas cooperaram com a AIEA durante todo o processo de verifica&ccedil;&atilde;o, e foram elogiadas em 1992 pelo ent&atilde;o diretor geral da ag&ecirc;ncia, Hans Blix, por dar aos inspetores acesso ilimitado e mais dados do que os previstos pelo Acordo de Salvaguardas&quot;, destacou Mills. &quot;O segundo passo foi o desmantelamento do programa de m&iacute;sseis bal&iacute;sticos da &Aacute;frica do Sul, que come&ccedil;ou em 1992 e durou 18 meses&quot;, acrescentou. &quot;Este processo levou &agrave; sua incorpora&ccedil;&atilde;o ao Regime de Controle de Tecnologia de M&iacute;sseis em setembro de 1995, ap&oacute;s a verifica&ccedil;&atilde;o da destrui&ccedil;&atilde;o do &uacute;ltimo de seus dispositivos&quot;, prosseguiu.</p>
<p>&quot;E a terceira etapa incluiu o fechamento do programa de guerra biol&oacute;gica e qu&iacute;mica&quot;, afirmou Mills, destacando que a &quot;&Aacute;frica do Sul &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s do mundo que desmantelou de forma volunt&aacute;ria sua capacidade armamentista nuclear&quot;. &quot;A experi&ecirc;ncia sul-africana assinala a import&acirc;ncia de se criar um ambiente prop&iacute;cio,no qual os regimes possam ter suficiente confian&ccedil;a para se desarmar e se manter assim&quot;, ressaltou.</p>
<p>A quest&atilde;o aqui &eacute; qual foi o motivo do desarmamento, o interesse em um continente livre de armas nucleares ou, reconhecendo a queda do apartheid, o de impedir que Nelson Mandela e o futuro governo do CNA tivessem o controle do armamento? &quot;O atual presidente, Jacob Zuma, sem d&uacute;vida, acredita, como muitos de seus companheiros ativos durante a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, que as pessoas que constru&iacute;ram o arsenal at&ocirc;mico da &Aacute;frica do Sul n&atilde;o quiseram que o CNA pusesse suas m&atilde;os nele&quot;, escreveu Terence McNamee, subdiretor da Funda&ccedil;&atilde;o Brenthurst, no jornal Star, de Johannesburgo.</p>
<p>McNamee afirmou que De Klerk esperou at&eacute; mar&ccedil;o de 1993 para informar ao mundo sobre o desmantelamento do arsenal nuclear da &Aacute;frica do Sul, e at&eacute; ent&atilde;o &quot;ningu&eacute;m, nem mesmo Nelson Mandela, havia sido notificado de que o programa tinha sido abolido&quot;, e, menos ainda, que existia. As armas at&ocirc;micas j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m lugar na &Aacute;frica do Sul nem no continente, mas h&aacute; grande expectativa por esta alternativa para gerar energia. &quot;A fonte nuclear pode ajudar a responder ao extraordin&aacute;rio atraso dos pa&iacute;ses africanos em mat&eacute;ria energ&eacute;tica, pois o continente tem uma produ&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; da Espanha, mas com 20 vezes mais pessoas&quot;, disse Mills &agrave; IPS. &quot;Por&eacute;m, as preocupa&ccedil;&otilde;es pelo uso da energia at&ocirc;mica na &Aacute;frica v&atilde;o ao pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o pela qual h&aacute; um atraso: a governan&ccedil;a&quot;, acrescentou.</p>
<p>Segundo o especialista em estrat&eacute;gia de marketing Jeremy Sampson, presidente executivo da consultoria Interbrand Sampson, em termos de imagem, a decis&atilde;o da &Aacute;frica do Sul de desmantelar seu arsenal nuclear melhorou sua autoridade moral em mat&eacute;ria de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o. &quot;Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas houve um dr&aacute;stico aumento da import&acirc;ncia das quest&otilde;es de marca e reputa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o se aplica apenas a empresas, produtos e servi&ccedil;os, mas tamb&eacute;m a pessoas e at&eacute; pa&iacute;ses&quot;, afirmou.</p>
<p>Sobre as raz&otilde;es que levaram as autoridades sul-africanas a encerrar seu programa nuclear, Sampson especulou que o regime pode ter recebido incentivos que n&atilde;o foram levados ao p&uacute;blico. &quot;A &Aacute;frica do Sul realmente desenvolveu dispositivos nucleares? Quem a ajudou? Houve uma simula&ccedil;&atilde;o no fundo do Atl&acirc;ntico? Como foram usados?&quot;, questionou. Tamb&eacute;m afirmou que a decis&atilde;o volunt&aacute;ria das autoridades sul-africanas apresenta muitas outras interroga&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;O regime do apartheid estava realmente desesperado? As san&ccedil;&otilde;es estavam causando estragos? Qual foi o interc&acirc;mbio? Quais garantias foram oferecidas? Realmente pagou-se aos integrantes do regime em fuga para usos il&iacute;citos como ocorreu na Alemanha ao final da Segunda Guerra Mundial?, insistiu Sampson. Qualquer que tenha sido o incentivo, o consultor afirmou que deve ter sido &quot;muito, muito significativo. A atividade militar em Angola e o apoio ao l&iacute;der rebelde angolano Jonas Savimbi provavelmente ocuparam um lugar importante na agenda&quot;.</p>
<p>Frans Cronje, subdiretor geral do Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Raciais da &Aacute;frica do Sul, disse que o regime do apartheid sofreu uma forte press&atilde;o do Ocidente, e, talvez, tamb&eacute;m da R&uacute;ssia, para renunciar ao seu programa nuclear. &quot;Todo o assunto foi disfar&ccedil;ado como retirada com honra de uma &Aacute;frica at&ocirc;mica&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;&Eacute; como se os pa&iacute;ses ocidentais e a R&uacute;ssia tamb&eacute;m se preocupassem pela exist&ecirc;ncia de um Estado africano independente e com arsenal nuclear&quot;, pontuou.</p>
<p>A &Aacute;frica do Sul teria maior for&ccedil;a no cen&aacute;rio internacional se tivesse armas at&ocirc;micas, afirmou Cronje. &quot;Tivessem levado a s&eacute;rio um Estado africano com arsenal nuclear e ele teria desempenhado um papel de lideran&ccedil;a mais s&oacute;lido, pois obriga as pessoas a levaram a s&eacute;rio&quot;, acrescentou. &quot;Em termos de lideran&ccedil;a, renunciar &agrave;s armas at&ocirc;micas leva ao contr&aacute;rio, reduzindo a influ&ecirc;ncia em assuntos internos e na pol&iacute;tica internacional&quot;, explicou.</p>
<p>Talvez nunca saibamos as verdadeiras raz&otilde;es, mas o desmantelamento do programa nuclear deu &agrave; &Aacute;frica do Sul benef&iacute;cios morais que perduram at&eacute; hoje. Deu uma voz em mat&eacute;ria de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o e autoridade moral para criar sua pr&oacute;pria ind&uacute;stria el&eacute;trica nuclear sem atrair as suspeitas da comunidade internacional, como ocorre com o Ir&atilde;. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>H&#225; um Bricsit no horizonte</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/pt/h-um-bricsit-no-horizonte/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Nov 2012 09:05:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[John Freaser Johannesburgo, &#193;frica do Sul, 22/11/2012 (IPS) &#8211; Analistas sul-africanos vislumbram que o Brics, formado por Brasil, R&#250;ssia, &#205;ndia, China e &#193;frica do Sul, poderia somar no futuro Indon&#233;sia e Turquia, para expandir rumo a novas regi&#245;es. &#34;Estive em Moscou h&#225; pouco tempo, e ali conversei sobre a possibilidade de o Brics se ampliar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>John Freaser</p>
<p><strong>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 22/11/2012 (IPS) &#8211; Analistas sul-africanos vislumbram que o Brics, formado por Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul, poderia somar no futuro Indon&eacute;sia e Turquia, para expandir rumo a novas regi&otilde;es. &quot;Estive em Moscou h&aacute; pouco tempo, e ali conversei sobre a possibilidade de o Brics se ampliar e se converter no Bricsit&quot;, disse o chefe-executivo da consultoria sobre mercados emergentes Frontier Advisory, Martyn Davies.                        </p>
<p></strong></p>
<p><span id="more-16358"></span></p>
<p>Segundo Daveis, &quot;h&aacute; s&oacute;lidas raz&otilde;es geopol&iacute;ticas e geoecon&ocirc;micas para incorporar a Indon&eacute;sia e a Turquia ao bloco&quot;. Estes dois pa&iacute;ses s&atilde;o os que ocupam os primeiros lugares na fila de entrada para o clube de na&ccedil;&otilde;es emergentes do Sul em desenvolvimento. O primeiro porque sua entrada permitiria a extens&atilde;o do Brics &agrave; importante regi&atilde;o do sudeste asi&aacute;tico, e o segundo porque acrescentaria ao bloco maior diversidade geogr&aacute;fica.</p>
<p>&quot;N&atilde;o haveria nenhum conflito com os atuais membros, pois a R&uacute;ssia &eacute; o &uacute;nico integrante do Brics que abrange mais de uma regi&atilde;o&quot; (Europa e &Aacute;sia), acrescentou Davies. Por outro lado, destacou que o Brics &eacute; uma alian&ccedil;a que n&atilde;o conta com uma secretaria nem com uma infraestrutura elaborada. Isto permitiria a r&aacute;pida admiss&atilde;o de novos membros, como ocorreu com a &Aacute;frica do Sul em 2010, por consenso entre os integrantes e sem necessidade de longas negocia&ccedil;&otilde;es.</p>
<p>&quot;N&atilde;o existe nenhum processo normativo. Seria f&aacute;cil faz&ecirc;-lo&quot;, observou Davies. Como exemplo contr&aacute;rio, citou o que ocorre na Uni&atilde;o Europeia, onde os candidatos a membros devem subscrever uma s&eacute;rie de legisla&ccedil;&otilde;es e tamb&eacute;m contar com aprova&ccedil;&atilde;o do Parlamento Europeu, bem como das assembleias legislativas nacionais.</p>
<p>Por sua vez, o analista Chris Gilmour, da ABSA Investments, bra&ccedil;o de investimentos de um dos maiores bancos sul-africanos, disse &agrave; IPS que o atual governo da &Aacute;frica do Sul colocou como prioridade fortalecer as rela&ccedil;&otilde;es com outras na&ccedil;&otilde;es emergentes. &quot;Creio que o Brics se converter&aacute; em um esteio central da pol&iacute;tica externa da &Aacute;frica do Sul&quot;, previu. &quot;Este pa&iacute;s sozinho &eacute; muito pequeno e insignificante para ter influ&ecirc;ncia em n&iacute;vel global, mas, aliado a pa&iacute;ses de interesses semelhantes, pode conseguir um impacto&quot;, acrescentou.</p>
<p>Entretanto, Gilmour reconhece que ainda h&aacute; d&uacute;vidas sobre o compromisso da &Aacute;frica do Sul com o Brics. &quot;Um dos perigos que vejo &eacute; a &Aacute;frica do Sul n&atilde;o ter capacidade para permanecer no bloco&quot;, apontou. &quot;Nossa taxa de crescimento, comparada com as de outros pa&iacute;ses-membros, &eacute; muito baixa, completamente irris&oacute;ria. Assim, temos um longo caminho pela frente para justificar nossa inclus&atilde;o neste grupo&quot;, afirmou o analista.</p>
<p>Calcula-se que o crescimento econ&ocirc;mico da &Aacute;frica do Sul ser&aacute; menor do que 3% este ano. Por&eacute;m, Davies destacou que houve uma &quot;dr&aacute;stica mudan&ccedil;a, real ou percebida&quot;, na pol&iacute;tica externa sul-africana a favor de um v&iacute;nculo mais estreito com as demais na&ccedil;&otilde;es emergentes, desde que Jacob Zuma assumiu a Presid&ecirc;ncia, em 2009. O governo de Thabo Mbeki (1999-2008) &quot;sempre esteve c&ocirc;modo em Washington, Londres, Paris ou T&oacute;quio, menos no mundo em desenvolvimento&quot;, ressaltou.</p>
<p>&quot;A &Aacute;frica e o Sul em desenvolvimento estiveram relativamente marginalizados&quot; no governo de Mbeki. Em contraste, Zuma est&aacute; &quot;muito mais &agrave; vontade&quot; entre seus colegas das na&ccedil;&otilde;es emergentes, destacou Davies. &quot;Isto se v&ecirc; estimulado pela rela&ccedil;&atilde;o que a &Aacute;frica do Sul mant&eacute;m com a China, pa&iacute;s com o qual goza dos mais fortes v&iacute;nculos bilaterais dentro do Brics&quot;, acrescentou. O analista tamb&eacute;m explicou que Pequim e Pret&oacute;ria se aproximaram mais, ideologicamente, desde a crise econ&ocirc;mica mundial, que afetou a credibilidade do livre mercado. &quot;O Brics est&aacute; na primeira fila dos mercados emergentes, e representa uma nova realidade mundial&quot;, afirmou Davies.</p>
<p>A cidade sul-africana de Durban ser&aacute; sede da pr&oacute;xima c&uacute;pula do Brics, em mar&ccedil;o de 2013, e espera-se que Zuma aproveite a ocasi&atilde;o para dissipar toda d&uacute;vida sobre o compromisso de seu pa&iacute;s com o bloco. Tamb&eacute;m se espera que no encontro haja avan&ccedil;os nas diferentes iniciativas econ&ocirc;micas discutidas dentro do grupo. A mais elaborada destas &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um banco do Brics, onde seriam reunidas as reservas estrangeiras dos pa&iacute;ses-membros, assim mantendo um fundo que serviria &agrave;s na&ccedil;&otilde;es do Sul. Para Davies, a iniciativa poderia servir de &quot;contrapeso do Fundo Monet&aacute;rio Internacional&quot;.</p>
<p>A c&uacute;pula tamb&eacute;m revisar&aacute; os progressos sobre a alian&ccedil;a alcan&ccedil;ada entre as diferentes bolsas de valores do Brics, bem como uma iniciativa pela qual os membros outorgar&atilde;o cr&eacute;ditos uns aos outros em moedas locais. Esta &uacute;ltima &eacute; uma ideia da China, pela qual o com&eacute;rcio aconteceria sem necessidade de d&oacute;lares ou euros dentro do Brics, ou Bricsit, se Indon&eacute;sia e Turquia se tornarem membros. Envolverde/IPS                                        </p>
<p> (FIN/2013)</p>
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		<title>SA&#218;DE-&#193;FRICA DO SUL&#058; Quando a vida depende de um gen&#233;rico</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 15:29:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Kristin Palitza Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 21/11/2011 (IPS) &#8211; Os governos devem utilizar os mecanismos legais &#224; sua disposi&#231;&#227;o para promover a redu&#231;&#227;o ou importa&#231;&#227;o de medicamentos gen&#233;ricos em seus pa&#237;ses, afirmam especialistas sul-africanos. As patentes farmac&#234;uticas fazem subir os pre&#231;os dos medicamentos e encarecem o tratamento dos pacientes. Isto limita o acesso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Kristin Palitza</p>
<p> <div id="attachment_15845" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/1202.jpg"><img class="size-medium wp-image-15845" title="Medicamentos patenteados limitam o acesso de pacientes aos tratamentos necess&aacute;rios. &#47; Kristin Palitza&#47;IPS" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/1202.jpg" alt="Medicamentos patenteados limitam o acesso de pacientes aos tratamentos necess&aacute;rios. &#47; Kristin Palitza&#47;IPS" width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Medicamentos patenteados limitam o acesso de pacientes aos tratamentos necess&aacute;rios. &#47; Kristin Palitza&#47;IPS</p></div> <strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 21/11/2011 (IPS) &#8211; Os governos devem utilizar os mecanismos legais &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para promover a redu&ccedil;&atilde;o ou importa&ccedil;&atilde;o de medicamentos gen&eacute;ricos em seus pa&iacute;ses, afirmam especialistas sul-africanos.</strong></p>
<p><span id="more-15845"></span></p>
<p>As patentes farmac&ecirc;uticas fazem subir os pre&ccedil;os dos medicamentos e encarecem o tratamento dos pacientes. Isto limita o acesso aos servi&ccedil;os m&eacute;dicos, especialmente nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, onde o peso da doen&ccedil;a &eacute; grande e o or&ccedil;amento para a sa&uacute;de &eacute; baixo, acrescentam.</p>
<p>Os governos podem voltar &agrave; Declara&ccedil;&atilde;o de Doha, a respeito do Acordo sobre os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados com o Com&eacute;rcio (Adpic) e Sa&uacute;de P&uacute;blica, que foi assinada h&aacute; dez anos pelos pa&iacute;ses-membros da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio na capital do Catar. A Declara&ccedil;&atilde;o existe para garantir que as patentes n&atilde;o afetem a capacidade dos pa&iacute;ses de garantir o direito &agrave; sa&uacute;de.</p>
<p>&ldquo;Pa&iacute;ses como &Aacute;frica do Sul podem interpretar o Adpic como lhes convier. Podem sancionar leis para que haja menos patentes e promover a produ&ccedil;&atilde;o de rem&eacute;dios gen&eacute;ricos para universalizar a disponibilidade de medicamentos&rdquo;, explicou a respons&aacute;vel por inova&ccedil;&atilde;o e acesso da organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras na &Aacute;frica do Sul, Mara Kardas-Nelson. A disponibilidade de medicamentos gen&eacute;ricos tem consequ&ecirc;ncias dr&aacute;sticas em mat&eacute;ria de sa&uacute;de p&uacute;blica.</p>
<p>&ldquo;Quando foram produzidos antirretrovirais gen&eacute;ricos para o tratamento de pacientes com o v&iacute;rus HIV (causador da aids), o custo do tratamento baixou rapidamente de US$ 10 mil por paciente ao ano para cerca de US$ 600&rdquo;, disse Kardas-Nelson. &ldquo;Permite que milh&otilde;es de pessoas tenham acesso aos medicamentos&rdquo;, acrescentou. Quando o Adpic foi assinado em 1995, as companhias farmac&ecirc;uticas puderam solicitar patentes de 20 anos para seus medicamentos, prazo durante o qual n&atilde;o se podia produzir vers&otilde;es gen&eacute;ricas desses medicamentos.</p>
<p>Isto reduziu de forma dr&aacute;stica a disponibilidade de gen&eacute;ricos. Contudo, seis anos depois, quando foi assinada a Declara&ccedil;&atilde;o de Doha, os governos puderam superar a r&iacute;gida regula&ccedil;&atilde;o de patentes para proteger o acesso de seus cidad&atilde;os &agrave; sa&uacute;de. Surpreende, ent&atilde;o, que pouqu&iacute;ssimos pa&iacute;ses em desenvolvimento, inclu&iacute;da a &Aacute;frica do Sul, tenham reformado sua lei de patentes para aproveitar as possibilidades oferecidas pela Declara&ccedil;&atilde;o de Doha.</p>
<p>Isto se deve principalmente &agrave; press&atilde;o dos laborat&oacute;rios, bem como dos Estados Unidos e da Uni&atilde;o Europeia, onde s&atilde;o produzidos muitos dos medicamentos patenteados, afirmam especialistas. &ldquo;Os pa&iacute;ses n&atilde;o devem aceitar a press&atilde;o&rdquo;, alertou a pesquisadora Catherine Tomlinson, da organiza&ccedil;&atilde;o Treatment Action Campaign (Campanha de A&ccedil;&atilde;o para o Tratamento). Al&eacute;m disso, a &Aacute;frica do Sul protege as patentes mais do que o estipulado pelo Adpic, acrescentou.</p>
<p>&ldquo;Por outro lado, Brasil, &Iacute;ndia e Tail&acirc;ndia aproveitaram a flexibilidade outorgada pelo Adpic para conter o excesso de patentes e promover a sa&uacute;de p&uacute;blica&rdquo;, explicou Tomlinson. &ldquo;Enquanto a &Aacute;frica do Sul concedeu 2.442 licen&ccedil;as em 2008, no Brasil foram apenas 278 entre 2003 e 2008&rdquo;, acrescentou. Publicamente, o governo da &Aacute;frica do Sul confirmou a necessidade de medicamentos gen&eacute;ricos.</p>
<p>Em uma declara&ccedil;&atilde;o conjunta com Brasil e &Iacute;ndia, o presidente sul-africano, Jacob Zuma reconheceu no come&ccedil;o deste ano que o impacto da propriedade intelectual sobre a sa&uacute;de, a disponibilidade de rem&eacute;dios e os pre&ccedil;os pode diminuir se aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de gen&eacute;ricos. Entretanto, seu compromisso, por enquanto, &eacute; da boca para fora. &ldquo;Queremos que Zuma respeite seu compromisso. N&atilde;o vemos sinais concretos de que o governo tomar&aacute; medidas para reformar a lei de patentes. Falta vontade pol&iacute;tica&rdquo;, lamentou Tomlinson.</p>
<p>A Campanha de A&ccedil;&atilde;o pelo Tratamento e a organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras tamb&eacute;m reclamam uma revis&atilde;o r&iacute;gida e independente da aplica&ccedil;&atilde;o das patentes, bem como a possibilidade de terceiros poderem se opor &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o de licen&ccedil;as pendentes assim como durante o primeiro ano de sua concess&atilde;o.</p>
<p>A &Aacute;frica do Sul deveria fazer uso de seu direito de conceder licen&ccedil;as obrigat&oacute;rias no contexto da Declara&ccedil;&atilde;o de Doha para habilitar a disponibilidade de vers&otilde;es gen&eacute;ricas de medicamentos patenteados nos casos em que os pre&ccedil;os s&atilde;o proibitivos, dizem as organiza&ccedil;&otilde;es. Ao contr&aacute;rio de outras na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, como a Tail&acirc;ndia, este pa&iacute;s nunca utilizou essa op&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>A Mediscor, companhia que administra benef&iacute;cios farmac&ecirc;uticos na &Aacute;frica do Sul, informou, em sua avalia&ccedil;&atilde;o de 2010, que o gasto em medicamentos aumentou 25,2% entre 2008 e 2010, enquanto o uso de rem&eacute;dios aumentou apenas 5,8%. Para pacientes com problemas cr&ocirc;nicos, que precisam de medica&ccedil;&atilde;o permanente para viver, a disponibilidade de gen&eacute;ricos pode ser a diferen&ccedil;a entre a vida e a morte.</p>
<p>Nokwanda Pani &eacute; portadora do v&iacute;rus HIV e vive no assentamento de Khayelitsha, o terceiro em tamanho da &Aacute;frica do Sul, perto da Cidade do Cabo. Pani recebe antirretrovirais desde 2005. Quatro anos depois, criou resist&ecirc;ncia aos medicamentos e come&ccedil;ou a ser tratada com rem&eacute;dios de segunda gera&ccedil;&atilde;o. Agora, se preocupa com o que acontecer&aacute; se seu organismo deixar de responder &agrave; medica&ccedil;&atilde;o atual. Na &Aacute;frica do Sul, o tratamento de terceira gera&ccedil;&atilde;o s&oacute; est&aacute; dispon&iacute;vel no setor privado ao custo de US$ 4,2 mil por paciente ao ano, quantia que Pani n&atilde;o pode pagar.</p>
<p>Sem a competi&ccedil;&atilde;o dos gen&eacute;ricos, o custo dos antirretrovirais de segunda e terceira gera&ccedil;&otilde;es podem custar at&eacute; 20 vezes mais do que os de primeira, confirmou a M&eacute;dicos Sem Fronteiras. A diferen&ccedil;a tamb&eacute;m se aplica a outros medicamentos, como os utilizados contra c&acirc;ncer, tuberculose, diabetes e press&atilde;o alta. &ldquo;Como dependo da sa&uacute;de p&uacute;blica, n&atilde;o tenho acesso ao tratamento de terceira gera&ccedil;&atilde;o. Se voltar a apresentar resist&ecirc;ncia, tudo acabou para mim&rdquo;, disse Pani. Para ela, tudo se resume em uma pergunta: &ldquo;Por que o governo prioriza o lucro das companhias farmac&ecirc;uticas acima das nossas vidas?&rdquo;. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>&#193;FRICA DO SUL&#058; Enquanto os pol&#237;ticos discutem as altera&#231;&#245;es clim&#225;ticas, outros adaptam-se</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Sep 2011 08:10:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Kristin Palitza Cidade do Cabo, 28 de setembro (IPS) &#8211; Enquanto muitos cientistas, acad&#233;micos e pol&#237;ticos continuam a avana&#231;r teorias sobre as altera&#231;&#245;es clim&#225;ticas, uma organiza&#231;&#227;o da sociedade civil sul-africana lan&#231;ou um projecto pr&#225;tico que mobiliza as comunidades no sentido de darem pequenos passos para a redu&#231;&#227;o de emiss&#245;es de carbono. Designado Projecto 90 at&#233; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Kristin Palitza</p>
<p><strong>Cidade do Cabo, 28 de setembro (IPS) &#8211; Enquanto muitos cientistas, acad&eacute;micos e pol&iacute;ticos continuam a avana&ccedil;r teorias sobre as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, uma organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil sul-africana lan&ccedil;ou um projecto pr&aacute;tico que mobiliza as comunidades no sentido de darem pequenos passos para a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de carbono.</strong></p>
<p><span id="more-15811"></span></p>
<p>Designado Projecto 90 at&eacute; 2030, o projecto encoraja indiv&iacute;duos, organiza&ccedil;&otilde;es e companhias a modificarem a forma como vivem e funcionam em 90 por cento at&eacute; ao ano 2030. A ideia partiu da sugest&atilde;o de George Monbiot, activista das causas ambientais, que referiu no seu livro &ldquo;Calor&rdquo; que os pa&iacute;ses industrializados precisam de reduzir as suas pegadas de carbono em 90 por cento at&eacute; 2030.</p>
<p>&ldquo;&Eacute; uma abordagem com fins espec&iacute;ficos e orientada para a pr&aacute;xis. &Eacute; ali&aacute;s muito simples,&rdquo; afirmou a directora do Projecto 90 at&eacute; 2030.</p>
<p>Ela explicou que o principal objectivo do projecto &eacute; desafiar os sul-africanos a modificarem a forma como vivem e como se relacionam com o meio ambiente. &ldquo;Como maior emissor de carbono no continente, a &Aacute;frica do Sul tem a maior responsabilidade em &Aacute;frica no combate contra as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas,&rdquo; acrescentou Martin.</p>
<p>Com a firme convic&ccedil;&atilde;o que todas as pessoas podem dar um pequeno contributo para um meio ambiente mais saud&aacute;vel, Martin sugere que as pessoas comecem por reduzir a sua pegada de carbono em 10 por cento por ano, &ldquo;mantendo esse n&iacute;vel ao longo de v&aacute;rios anos at&eacute; atingirem 90 por cento.&rdquo; Acrescenta que se trata de estabelecer metas exequ&iacute;veis.</p>
<p>Todavia, Martin tem plena consci&ecirc;ncia da urg&ecirc;ncia que existe para impedir altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas adicionais. &ldquo;Se continuarmos a actuar t&atilde;o lentamente como agora, esgotaremos o tempo para reduzir as emiss&otilde;es de carbono,&rdquo; disse. &ldquo;Mas penso que podemos modificar a situa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; op&ccedil;&otilde;es suficientes de fontes de energia limpa &agrave; nossa disposi&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Para dar o exemplo, a iniciativa do Projecto 90 at&eacute; 2030 j&aacute; construiu 15 centros de demonstra&ccedil;&atilde;o de energias renov&aacute;veis nos &uacute;ltimos quatro anos. Estes centros apresentam solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas e acess&iacute;veis, como digestores de biog&aacute;s, pain&eacute;is solares e sistemas solares de aquecimento de &aacute;gua. Desta forma, a organiza&ccedil;&atilde;o quer desmistificar a produ&ccedil;&atilde;o de energias renov&aacute;veis ao p&uacute;blico e mostrar como elas podem fornecer energia barata, fi&aacute;vel e em quantidade suficiente de modo a n&atilde;o terem um impacto negativo nas actividades profissionais.  </p>
<p>&ldquo;Queremos mostrar &agrave;s pessoas o que elas podem fazer para reduzir as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas no dia a dia,&rdquo; explica Martin. &ldquo;Todos podem e devem fazer algo. Enquanto os decisores continuam a debater, n&oacute;s j&aacute; estamos a fazer algo.&rdquo;</p>
<p>Um dos centros de demonstra&ccedil;&atilde;o &eacute; o Jardim Zool&oacute;gico de Joanesburgo, onde foram instalados 15 grandes pain&eacute;is solares no telhado do seu centro educacional para reduzir a pegada de carbono.</p>
<p>&ldquo;Neste momento, a energia solar &eacute; transmitida &agrave; rede de electricidade mas, no futuro, esperamos tornar o centro totalmente neutro em carbono,&rdquo; afirmou a directora da equipa verde do Jardim Zool&oacute;gico, Lorna Fuller. </p>
<p>O Jardim Zool&oacute;gico tamb&eacute;m explora o seu restaurante com a ajuda do digestor de biog&aacute;s. &ldquo;Deitamos os restos dos alimentos da cozinha e os res&iacute;duos animais para dentro do digestor para ser convertido em g&aacute;s que usamos depois para cozinhar no restaurante,&rdquo; explicou Fuller. </p>
<p>Participar na iniciativa n&atilde;o constituiu um problema para a direc&ccedil;&atilde;o do Jardim Zool&oacute;gico, relatou Fuller, visto que &ldquo;nos preocupamos com o impacto que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas ter&atilde;o no meio ambiente e no habitat dos animais.&rdquo;</p>
<p>Uma vez que o Jardim Zool&oacute;gico tem meio milh&atilde;o de visitantes por ano, Fuller espera que a exposi&ccedil;&atilde;o ambiental venha a ter muitos imitadores. &ldquo;Mostramos aos visitantes como &eacute; que tudo funciona. Algumas pessoas visitam o Jardim Zool&oacute;gico especificamente para verem as nossas instala&ccedil;&otilde;es verdes,&rdquo; disse.</p>
<p>O Projecto 90 at&eacute; 2030 tamb&eacute;m gere 30 clubes escolares onde as crian&ccedil;as participam em projectos simples e pr&aacute;ticos sobre altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, como promo&ccedil;&atilde;o da poupan&ccedil;a de energia e projectos de reciclagem. A &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o &eacute; que estes projectos tenham um impacto mais alargado do que simplemente a escola. Necessitam de beneficiar toda a comunidade envolvente. &ldquo;E assim que garantimos um amplo impacto em grandes grupos de pessoas,&rdquo; explicou Martin.</p>
<p>Depois de os projectos estarem em funcionamento h&aacute; v&aacute;rias semanas, os alunos aprendem a avaliar e a medir a quantidade de energia e de emiss&otilde;es de &aacute;gua e carbono poupada. </p>
<p>&ldquo;Decidimos trabalhar com crian&ccedil;as em idade escolar para ajudar a criar uma gera&ccedil;&atilde;o mais consciente das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e daquilo que se pode fazer,&rdquo; declarou Martin. &ldquo;Queremos moldar os jovens e encoraj&aacute;-los a criarem um mundo melhor.&rdquo;</p>
<p>Na Escola Secund&aacute;ria do Convento de Springfield, na Cidade do Cabo, um grupo de alunos iniciou o seu envolvimento no Projecto 90 at&eacute; 2030 com uma auditoria verde para avaliar o consumo de electricidade e &aacute;gua na escola, e para avaliar a quantidade de lixo que &eacute; produzido.</p>
<p>O resultado foi preocupante e os alunos decidiram fazer algumas mudan&ccedil;as importantes na forma como a escola &eacute; gerida: instalaram chuveiros de caudal reduzido, protectores para esquentadores de &aacute;gua e ainda um contador de &aacute;gua para medir o rio que atravessa o parque da escola e que &eacute; usado para irrigar o jardim. Tamb&eacute;m come&ccedil;aram a reciclar o lixo e a usar menos papel.</p>
<p>&ldquo;Real&ccedil;&aacute;mos as ac&ccedil;&otilde;es individuais que se transformam num estilo de vida e t&ecirc;m um impacto colectivo,&rdquo; afirma a directora da cadeira de geografia na escola, Fiona Smith, que promove o clube escolar. Muitos alunos tamb&eacute;m come&ccedil;aram a implementar iniciativas semelhantes em casa. </p>
<p>Segundo Smith, &ldquo;Esperamos que os nossos alunos cres&ccedil;am e se tornem adultos que tratam o planeta com mais cuidado.&rdquo;</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>&#8220;Lei do segredo&#8221;, um trope&#231;o continental</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 16:06:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terna Gyuse* Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 21/9/2011 (IPS) &#8211; Seus cr&#237;ticos a chamam de &#8220;lei do segredo&#8221;, e chega paradoxalmente em um momento em que v&#225;rios pa&#237;ses da &#193;frica adotam promissoras legisla&#231;&#245;es de acesso &#224; informa&#231;&#227;o. Ativistas afirmam que a Lei de Prote&#231;&#227;o &#224; Informa&#231;&#227;o da &#193;frica do Sul representa um rev&#233;s para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terna Gyuse*</p>
<p> <div id="attachment_15796" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/1202.jpg"><img class="size-medium wp-image-15796" title="Marcha da Campanha Right2Know em protesto contra a lei do segreto &#47; Davison Makanga." src="http://www.ibsanews.com/pt/library/1202.jpg" alt="Marcha da Campanha Right2Know em protesto contra a lei do segreto &#47; Davison Makanga." width="200" height="133" /></a><p class="wp-caption-text">Marcha da Campanha Right2Know em protesto contra a lei do segreto &#47; Davison Makanga.</p></div> <strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 21/9/2011 (IPS) &#8211; Seus cr&iacute;ticos a chamam de &ldquo;lei do segredo&rdquo;, e chega paradoxalmente em um momento em que v&aacute;rios pa&iacute;ses da &Aacute;frica adotam promissoras legisla&ccedil;&otilde;es de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o.</strong></p>
<p><span id="more-15796"></span></p>
<p>Ativistas afirmam que a Lei de Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul representa um rev&eacute;s para todo o continente. Destinada a substituir uma legisla&ccedil;&atilde;o sobre segredos de Estado que data da era do apartheid (sistema de segrega&ccedil;&atilde;o racial em preju&iacute;zo da maioria negra), o projeto enfrenta v&aacute;rias cr&iacute;ticas por parte de partidos de oposi&ccedil;&atilde;o, jornalistas e cidad&atilde;os comuns.</p>
<p>Estes condenaram os amplos poderes que outorgava originalmente ao governo para definir uma determinada informa&ccedil;&atilde;o como &ldquo;segredo&rdquo;, bem com a vaga defini&ccedil;&atilde;o de &ldquo;interesse nacional&rdquo; que justificava essa classifica&ccedil;&atilde;o. Diante da forte e sustentada press&atilde;o p&uacute;blica, o governo reviu a lei, mas ativistas continuam se opondo &agrave; falta de defesa do interesse p&uacute;blico e &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de penas severas para quem tiver acesso a dados oficiais.</p>
<p>O projeto de lei estabelece penas de pris&atilde;o de at&eacute; 15 anos para quem possuir informa&ccedil;&atilde;o relacionada com qualquer aspecto dos servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a. Tamb&eacute;m fixa penas de at&eacute; 25 anos para os que tiveram acesso a informa&ccedil;&atilde;o classificada. &ldquo;Ainda que o comit&ecirc; tenha acrescentado limitadas prote&ccedil;&otilde;es para os informantes, muitas outras cl&aacute;usulas permitem que sejam julgados&rdquo;, disse Sithembile Mbete, da Campanha Right2Know, coaliz&atilde;o da sociedade civil criada para opor-se ao projeto. Os ativistas realizaram, no dia 17, uma marcha diante do parlamento na Cidade do Cabo. O projeto deve ser apresentado hoje aos legisladores.</p>
<p>Por outro lado, em outras partes do continente h&aacute; sinais positivos. A Nig&eacute;ria adotou uma lei de liberdade de informa&ccedil;&atilde;o em 2010, como Uganda em 2005. Nesse &uacute;ltimo pa&iacute;s, tamb&eacute;m foi discutido um projeto para proteger informantes, tudo com o objetivo de criar um ambiente que permita aos cidad&atilde;os divulgar livremente informa&ccedil;&atilde;o sobre condutas corruptas ou impr&oacute;prias no setor p&uacute;blico e privado.</p>
<p>No Qu&ecirc;nia, ativistas e advogados pressionam o governo para que introduza mudan&ccedil;as para cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o, que garante o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o para todos os cidad&atilde;os. Paul Waihenya, jornalista em Nair&oacute;bi, disse que aos artigos da nova Carta Magna sobre acesso a informa&ccedil;&atilde;o representa um grande salto adiante para o governo em termos de transpar&ecirc;ncia.</p>
<p>Entretanto, lamentou uma recente instru&ccedil;&atilde;o dada pelo Minist&eacute;rio da Seguran&ccedil;a Interna, exortando as autoridades a terem cuidado na hora de falar com a imprensa, depois que um funcion&aacute;rio local no norte ter informado a jornalistas sobre a severa fome em determinadas partes do pa&iacute;s. &ldquo;A interdi&ccedil;&atilde;o contra o chefe que deu a informa&ccedil;&atilde;o sobre sua comunidade &eacute; uma lembran&ccedil;a de que o direito de acesso a informa&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o &eacute; absoluto&rdquo;, disse o jornalista &agrave; IPS.</p>
<p>Outros observadores disseram que ainda &eacute; imposs&iacute;vel conhecer detalhes das finan&ccedil;as p&uacute;blicas ou divulgar dados oficiais sobre investiga&ccedil;&otilde;es de corrup&ccedil;&atilde;o. Foram apresentadas a&ccedil;&otilde;es legais contra a demora nas respostas a pedidos de dados, bem como contra outros obst&aacute;culos para os cidad&atilde;os que querem obter informa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, sobre propriedade de terras ou registros de ve&iacute;culos.</p>
<p>Entretanto, Laura Neuman, administradora do Projeto de Acesso a Informa&ccedil;&atilde;o do Centro Carter, v&ecirc; sinais de progresso no continente. E destacou o papel central da sociedade civil na Lib&eacute;ria  ativamente apoiada pelo Centro  na reda&ccedil;&atilde;o da nova Lei de Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o. Por telefone desde Washington, Neuman disse &agrave; IPS que esta participa&ccedil;&atilde;o ajudar&aacute; a garantir que a lei tenha um impacto positivo na vida di&aacute;ria dos cidad&atilde;os comuns. &ldquo;&Eacute; um mito pensar que estas leis s&atilde;o para a m&iacute;dia ou para a elite, porque, francamente, esses grupos j&aacute; t&ecirc;m acesso a informa&ccedil;&atilde;o. Vimos leis usadas em formas transformadoras em todo o mundo&rdquo;, explicou Neuman.</p>
<p>&ldquo;Vimos pessoas us&aacute;-las para promover seus direitos educacionais em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Vimos que s&atilde;o usadas para proteger crian&ccedil;as em orfanatos. H&aacute; incont&aacute;veis bons usos do direito a informa&ccedil;&atilde;o para proteger o meio ambiente&rdquo;, destacou Neuman. Al&eacute;m disso, acrescentou que um componente essencial &eacute; estabelecer processos pelos quais os governos possam fornecer informa&ccedil;&atilde;o, e no caso destes falharem deve dar aos cidad&atilde;os uma via clara e acess&iacute;vel para exigi-la.</p>
<p>&Eacute; paradoxal que a &Aacute;frica do Sul agora se encaminhe precisamente na dire&ccedil;&atilde;o oposta. &ldquo;A &Aacute;frica do Sul perdeu sua lideran&ccedil;a na melhora do direito a informa&ccedil;&atilde;o no continente africano&rdquo;, disse Mukelani Dimba, do Centro de Assessoramento para uma Democracia Aberta, com sede na Cidade do Cabo. &ldquo;Na d&eacute;cada iniciada com a ado&ccedil;&atilde;o das leis de Liberdade de Informa&ccedil;&atilde;o e de Promo&ccedil;&atilde;o do Acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o (Paia), este pa&iacute;s foi um importante ponto de refer&ecirc;ncia para outros pa&iacute;ses do continente&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>Entretanto, Dimba disse que boas leis fracassaram na hora de serem executadas, e Mbete, da Campanha Right2Know, concorda. &ldquo;O problema &eacute; que, de muitas formas, a Paia n&atilde;o foi funcional e sua implanta&ccedil;&atilde;o foi problem&aacute;tica&rdquo;, afirmou Mbete. &ldquo;A maioria dos pedidos fica sem resposta, o que, na verdade, &eacute; uma nega&ccedil;&atilde;o. E n&atilde;o h&aacute; mecanismos independentes para apelar&rdquo;, acrescentou. Envolverde/IPS</p>
<p>* Com colabora&ccedil;&atilde;o de Miriam Gathigah (Nair&oacute;bi).</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>SA&#218;DE-&#193;FRICA DO SUL&#058; Multiplicam-se as mortes maternas</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 15:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Terna Gyuse Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 15/8/2011 (IPS) &#8211; A mortalidade materna cresceu mais de quatro vezes desde 1990 na &#193;frica do Sul, devido principalmente a controles pr&#233;-natais inadequados, neglig&#234;ncia e at&#233; discrimina&#231;&#227;o contra mulheres portadoras de HIV. Em toda a &#193;frica subsaariana, a mortalidade materna foi reduzida em um quarto, em compara&#231;&#227;o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terna Gyuse</p>
<p><strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 15/8/2011 (IPS) &#8211; A mortalidade materna cresceu mais de quatro vezes desde 1990 na &Aacute;frica do Sul, devido principalmente a controles pr&eacute;-natais inadequados, neglig&ecirc;ncia e at&eacute; discrimina&ccedil;&atilde;o contra mulheres portadoras de HIV.</strong></p>
<p><span id="more-15775"></span></p>
<p>Em toda a &Aacute;frica subsaariana, a mortalidade materna foi reduzida em um quarto, em compara&ccedil;&atilde;o com os n&iacute;veis de 1990. Contudo, a economia mais avan&ccedil;ada do continente caminha na dire&ccedil;&atilde;o oposta: a &Aacute;frica do Sul passou de 150 para 625 mortes maternas para cada cem mil nascimentos de beb&ecirc;s vivos.</p>
<p>O primeiro registro corresponde a 1990 e o segundo consta de seu informe de 2010 de avalia&ccedil;&atilde;o quanto aos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). &ldquo;O HIV (v&iacute;rus causador da aids) &eacute; um grande fator de mortalidade materna na &Aacute;frica do Sul&rdquo;, disse a pesquisadora Agnes Odhiambo, da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch (HRW). &Eacute; poss&iacute;vel que, no passado, as mortes tenham ficado sem registro, mas agora foram somadas todas, acrescentou. De todo modo, destacou que h&aacute; &ldquo;neglig&ecirc;ncia&rdquo;, e que &ldquo;o atendimento de m&aacute; qualidade &eacute; um grande problema&rdquo;.</p>
<p>Entre agosto de 2010 e abril deste ano, a HRW entrevistou 157 mulheres que precisaram de atendimento materno no sistema de sa&uacute;de p&uacute;blica na prov&iacute;ncia de Cabo Oriental. Os pesquisadores tamb&eacute;m visitaram 16 cl&iacute;nicas em distritos que o Departamento Nacional de Sa&uacute;de identificou entre os de maior propor&ccedil;&atilde;o de mortalidade materna no pa&iacute;s, e conversou com trabalhadores, hierarcas e especialistas do setor. O estudo &ldquo;Deixem de procurar desculpas: a responsabilidade pelo atendimento &agrave; sa&uacute;de materna na &Aacute;frica do Sul&rdquo; revela um panorama de s&eacute;rio abandono.</p>
<p>O documento apresenta casos de mulheres que chegaram a hospitais em pleno trabalho de parto e foram enviadas de volta para casa sem ao menos serem examinadas, de enfermeiros que as ignoraram ou as fizeram esperar horas e at&eacute; mesmo dias, de mulheres que sofreram abusos f&iacute;sicos e verbais por parte do pessoal do hospital, e de outras obrigadas a trocarem seus pr&oacute;prios len&ccedil;&oacute;is ou carregarem seus rec&eacute;m-nascidos por todo hospital quando ainda estavam fracas ap&oacute;s darem &agrave; luz.</p>
<p>Mulheres portadoras do HIV procedentes de outras partes da &Aacute;frica tamb&eacute;m informaram que foram discriminadas. &ldquo;Para mim, isto &eacute; falhar com as mulheres&rdquo;, disse Odhiambo. &ldquo;Falha-se com uma mulher quando esta perde seu beb&ecirc; e ningu&eacute;m se preocupa em explicar-lhe o que causou essa morte. Ou quando ela &eacute; obrigada a limpar o pr&oacute;prio sangue, ou &eacute; obrigada a dormir na mesma cama que os beb&ecirc;s apenas tr&ecirc;s horas depois de uma cesariana, quando ainda n&atilde;o est&aacute; suficientemente forte&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>O secret&aacute;rio provincial da Uni&atilde;o Nacional de Trabalhadores da Educa&ccedil;&atilde;o, Sa&uacute;de e Afins em Cabo Oriental, Xolani Malamlela, admitiu que o desempenho dos funcion&aacute;rios da sa&uacute;de &agrave;s vezes n&atilde;o &eacute; suficiente, mas disse que o sindicato avaliou que o problema come&ccedil;a por uma mal manejo das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Malamlela acrescentou que &eacute; frequente o pessoal se ver sobrecarregado de trabalho e muitas vezes n&atilde;o receber em dia, o que &eacute; desmoralizante.</p>
<p>Tamb&eacute;m afirmou que as pol&iacute;ticas de compras que centralizaram o controle das exist&ecirc;ncias de rem&eacute;dios e equipamentos na capital provincial privaram hospitais da capacidade individual de administrar suprimentos vitais. &ldquo;Por&eacute;m, n&atilde;o se pode negar que em todos os lados &eacute; poss&iacute;vel encontrar pessoal insensato. E n&oacute;s tamb&eacute;m devemos incentivar nossos membros a n&atilde;o tratarem os pacientes de maneira muito insensata&rdquo;, disse Malamlela.</p>
<p>O informe de Odhiambo critica a falta de a&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s queixas, n&atilde;o somente em sancionar trabalhadores da sa&uacute;de individualmente, como tamb&eacute;m em reconhecer problemas do sistema em geral que contribuem para os abusos e o abandono. Segundo ela, as autoridades sanit&aacute;rias da &Aacute;frica do Sul s&atilde;o negligentes em outro plano, ao deixar de coletar informa&ccedil;&atilde;o detalhada sobre a mortalidade materna que ajude a orientar as pol&iacute;ticas.</p>
<p>O pa&iacute;s n&atilde;o realiza uma Pesquisa de Demografia e Sa&uacute;de desde 2003, por exemplo. Argumenta-se que a demora se deve ao seu alto custo, mas pa&iacute;ses com menos recursos t&ecirc;m estat&iacute;sticas mais atualizadas. &ldquo;Nossos sistemas de sa&uacute;de s&atilde;o deficientes&rdquo;, afirmou Marion Stevens, parteira e integrante da organiza&ccedil;&atilde;o Mulheres pelos Direitos e pela Sa&uacute;de Sexual e Reprodutiva. Ela considera que a principal causa de mortes maternas &eacute; o HIV/aids, mas que o Departamento Nacional de Sa&uacute;de n&atilde;o se concentra adequadamente na pandemia.</p>
<p>Por exemplo, n&atilde;o se diz &agrave;s mulheres que precisam fazer exames pr&eacute;-natais at&eacute; a vig&eacute;sima semana de gravidez, porque as cl&iacute;nicas est&atilde;o lotadas de pacientes. &ldquo;Ent&atilde;o, se as mulheres est&atilde;o doentes durante a gravidez querem ficar bem, ou se s&atilde;o HIV positivas, ou se querem praticar um aborto, chegam muito tarde, e isto &eacute; problem&aacute;tico&rdquo;, disse Stevens.</p>
<p>O sistema de sa&uacute;de da &Aacute;frica do Sul n&atilde;o &eacute; adequadamente controlado pelos pacientes, disse Odhiambo. &ldquo;Muitos dos controles sobre o que est&aacute; ocorrendo s&atilde;o feitos do ponto de vista de um provedor, mas &eacute; preciso que os pacientes digam o que n&atilde;o funciona&rdquo;, ressaltou. Segundo ela, isto pode ajudar a romper a barreira que separa os trabalhadores da sa&uacute;de dos usu&aacute;rios do sistema.</p>
<p>&ldquo;Os trabalhadores da sa&uacute;de sentem-se alvo das queixas dos pacientes, mas isto se deve ao fato de o mecanismo n&atilde;o ser usado como deveria&rdquo;, disse Odhiambo. &ldquo;Se as queixas dos pacientes fossem adequadamente implementadas, os usu&aacute;rios e os trabalhadores da sa&uacute;de deveriam ser amigos, unir for&ccedil;as e pressionar o governo para que realize as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias&rdquo;, acrescentou. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>&#193;GUA-AFRICA DO SUL&#058; Transpar&#234;ncia recuperada</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 16:57:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Kristin Palitza Cidade do Cabo, &#193;frica do Sul, 8/7/2011 (IPS) &#8211; Cientistas sul-africanos desenvolveram um m&#233;todo para potabilizar &#225;gua altamente t&#243;xica sem prejudicar o meio ambiente, que, asseguram, poder&#225; reduzir drasticamente o impacto da contamina&#231;&#227;o industrial. A engenheira qu&#237;mica Alison Lewis explicou que 99,9% do l&#237;quido contaminado pode ser reutilizado com a nova t&#233;cnica. Ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Kristin Palitza</p>
<p> <div id="attachment_15751" class="wp-caption alignright" style="width: 141px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/04.jpg"><img class="size-medium wp-image-15751" title="Cientistas desenvolveram um m&eacute;todo para potabilizar &aacute;gua altamente t&oacute;xica sem prejudicar o meio ambiente. &#47; Kristin Paltiza&#47;IPS" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/04.jpg" alt="Cientistas desenvolveram um m&eacute;todo para potabilizar &aacute;gua altamente t&oacute;xica sem prejudicar o meio ambiente. &#47; Kristin Paltiza&#47;IPS" width="131" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Cientistas desenvolveram um m&eacute;todo para potabilizar &aacute;gua altamente t&oacute;xica sem prejudicar o meio ambiente. &#47; Kristin Paltiza&#47;IPS</p></div> <strong>Cidade do Cabo, &Aacute;frica do Sul, 8/7/2011 (IPS) &#8211; Cientistas sul-africanos desenvolveram um m&eacute;todo para potabilizar &aacute;gua altamente t&oacute;xica sem prejudicar o meio ambiente, que, asseguram, poder&aacute; reduzir drasticamente o impacto da contamina&ccedil;&atilde;o industrial.</strong></p>
<p><span id="more-15751"></span></p>
<p>A engenheira qu&iacute;mica Alison Lewis explicou que 99,9% do l&iacute;quido contaminado pode ser reutilizado com a nova t&eacute;cnica. Ao contr&aacute;rio de outras t&eacute;cnicas, a chamada cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica por congelamento quase n&atilde;o produz desperd&iacute;cios t&oacute;xicos.</p>
<p>Lewis, professora na Universidade da Cidade do Cabo, come&ccedil;ou as pesquisas em 2007 para chegar a esse m&eacute;todo, que consiste em congelar a &aacute;gua &aacute;cida a fim de produzir &aacute;gua pot&aacute;vel e sais &uacute;teis, como s&oacute;dio e sulfato de c&aacute;lcio. &ldquo;&Eacute; uma tecnologia que n&atilde;o prejudica o meio ambiente e &eacute; rent&aacute;vel, podendo ser usada em quase todos os setores industriais que contaminam &aacute;gua e produzir sais, entre eles minera&ccedil;&atilde;o, g&aacute;s e petr&oacute;leo, qu&iacute;mica, processamento de papel, ou saneamento&rdquo;, destacou a engenheira.</p>
<p>O m&eacute;todo de separa&ccedil;&atilde;o e purifica&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea consiste em baixar a temperatura da &aacute;gua contaminada at&eacute; o ponto eut&eacute;tico, a temperatura mais baixa de solidifica&ccedil;&atilde;o dos elementos. As toxinas se cristalizam e formam sais que se assentam na base do recipiente, enquanto a &aacute;gua pot&aacute;vel se congela e flutua na superf&iacute;cie.</p>
<p>&ldquo;Por natureza, o gelo &eacute; o estado mais puro da &aacute;gua porque repele as impurezas. De fato, &eacute; muito simples&rdquo;, explicou Lewis. &ldquo;&Eacute; um m&eacute;todo ecologicamente significativo porque transforma desperd&iacute;cios t&oacute;xicos em um produto &uacute;til&rdquo;, afirmou. Companhias sul-africanas j&aacute; demonstraram interesse, bem como outras alem&atilde;s, holandesas, canadenses e australianas, disse a engenheira.</p>
<p>O m&eacute;todo de purifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua contou com apoio da Comiss&atilde;o de Pesquisa de &Aacute;gua da &Aacute;frica do Sul. &ldquo;A cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica congelada &eacute; uma brilhante t&eacute;cnica para reciclar a &aacute;gua, muito melhor do que outros&rdquo;, disse o respons&aacute;vel pela Comiss&atilde;o, Jo Burgess. Atualmente, a &aacute;gua contaminada pela ind&uacute;stria &eacute; purificada de duas formas, os sais s&atilde;o armazenados em grandes tanques de evapora&ccedil;&atilde;o, com o perigo de contaminar len&ccedil;&oacute;is fre&aacute;ticos, ou por meio da cristaliza&ccedil;&atilde;o por evapora&ccedil;&atilde;o, que exige grande quantidade de eletricidade.</p>
<p>A cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica utiliza seis vezes menos eletricidade do que o m&eacute;todo de evapora&ccedil;&atilde;o convencional, afirmou Lewis. &ldquo;Al&eacute;m disso, os dois m&eacute;todos deixam dejetos s&oacute;lidos e n&atilde;o s&atilde;o ecologicamente sustent&aacute;veis&rdquo;, acrescentou Burgess. As t&eacute;cnicas convencionais produzem s&oacute;lidos perigosos, o ac&uacute;mulo das toxinas nos sais, que depois devem ser processados de forma correta.</p>
<p>Na cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica por congelamento se obt&eacute;m 99% de produtos utiliz&aacute;veis, &aacute;gua pot&aacute;vel e sais puros. &ldquo;&Eacute; totalmente ecol&oacute;gica&rdquo;, insistiu Lewis. Al&eacute;m disso, as empresas podem vender os sais, o que para a engenheira pode ser um incentivo para utilizar o novo m&eacute;todo.</p>
<p>Reciclar &aacute;gua tem um valor econ&ocirc;mico. Para cada d&oacute;lar investido para deixar a &aacute;gua pot&aacute;vel &eacute; gerada uma &ldquo;renda&rdquo; em sa&uacute;de, social e ecol&oacute;gica entre US$ 3 e US$ 34, diz um estudo da Iniciativa Econ&ocirc;mica Verde, o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que ajuda os governos na realiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, investimentos em diversos setores verdes.</p>
<p>&ldquo;Investir em &aacute;gua pot&aacute;vel traz m&uacute;ltiplos dividendos&rdquo;, afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma. &ldquo;N&atilde;o &eacute; um luxo, mas uma a&ccedil;&atilde;o prudente, pr&aacute;tica e transformadora capaz de melhorar a sa&uacute;de p&uacute;blica, garantir a sustentabilidade dos recursos naturais e incentivar o emprego de forma mais inteligente na gest&atilde;o da &aacute;gua&rdquo;, acrescentou.</p>
<p>A cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica por congelamento tamb&eacute;m pode ser usada na minera&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, que h&aacute; d&eacute;cadas produz mais sais do que as empresas podem reciclar. &Eacute; a atividade econ&ocirc;mica mais importante do pa&iacute;s que produz ouro, platina, diamantes e carv&atilde;o. Durante anos a &aacute;gua contaminada foi armazenada em grandes tanques de evapora&ccedil;&atilde;o em todo o pa&iacute;s.</p>
<p>&ldquo;O problema &eacute; que produzimos muito mais sais do que pode evaporar. E ainda mesmo se conseguimos que evapore toda, os dejetos t&oacute;xicos n&atilde;o recicl&aacute;veis permanecem. Os tanques de evapora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o uma solu&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica sustent&aacute;vel&rdquo;, alertou Burgess.</p>
<p>A nova t&eacute;cnica pode ajudar o governo a economizar muito dinheiro. O Minist&eacute;rio de Assuntos Ambientais anunciou que precisa de pelo menos US$ 30 milh&otilde;es para limpar os sais das &aacute;reas de minera&ccedil;&atilde;o maiores, fora da cidade de Johannesburgo. A &aacute;gua &aacute;cida permanece em canais de Gauteng, a prov&iacute;ncia onde fica Johannesburgo, a apenas 500 metros da superf&iacute;cie. Seu processamento deveria ser de alta prioridade, alertou a ministra do Meio Ambiente, Edna Molewa.</p>
<p>Contudo, ainda faltam entre quatro e seis anos para que o m&eacute;todo de cristaliza&ccedil;&atilde;o eut&eacute;tica por congelamento esteja dispon&iacute;vel para uso industrial. A equipe de pesquisa de Lewis construir&aacute; uma unidade-piloto este ano. O projeto, de US$ 1,3 milh&atilde;o estar&aacute; operacional dentro de dois ou tr&ecirc;s anos e poder&aacute; purificar um metro c&uacute;bico de sais por hora. Depois dessa etapa, ser&atilde;o necess&aacute;rios outros dois ou tr&ecirc;s anos para desenvolver a tecnologia para uso industrial. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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		<title>&#193;frica austral n&#227;o aproveita a &#225;gua como deveria</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 16:08:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Mantoe Phakathi, Manzini, Suazil&#226;ndia, 1/7/2011 (IPS) &#8211; A regi&#227;o da &#193;frica austral n&#227;o aproveita ao m&#225;ximo a &#225;gua que possui, e os habitantes continuam com um acesso muito limitado devido &#224; falta de infraestrutura. Mike Muller, da Associa&#231;&#227;o Global da &#193;gua, disse a especialistas que levar os recursos &#224; popula&#231;&#227;o &#233; o maior desafio dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mantoe Phakathi,</p>
<p> <div id="attachment_15746" class="wp-caption alignright" style="width: 183px"><a href="http://www.ibsanews.com/library/12.jpg"><img class="size-medium wp-image-15746" title="Mike Muller. &#47; Marianne Pretorius&#47;IPS" src="http://www.ibsanews.com/pt/library/12.jpg" alt="Mike Muller. &#47; Marianne Pretorius&#47;IPS" width="173" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Mike Muller. &#47; Marianne Pretorius&#47;IPS</p></div> <strong>Manzini, Suazil&acirc;ndia, 1/7/2011 (IPS) &#8211; A regi&atilde;o da &Aacute;frica austral n&atilde;o aproveita ao m&aacute;ximo a &aacute;gua que possui, e os habitantes continuam com um acesso muito limitado devido &agrave; falta de infraestrutura.</strong></p>
<p><span id="more-15746"></span></p>
<p>Mike Muller, da Associa&ccedil;&atilde;o Global da &Aacute;gua, disse a especialistas que levar os recursos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o &eacute; o maior desafio dos pa&iacute;ses da Comunidade para o Desenvolvimento da &Aacute;frica Austral (SADC).</p>
<p>&ldquo;&Eacute; verdade que os pa&iacute;ses da &Aacute;frica austral t&ecirc;m problemas de &aacute;gua&rdquo;, disse Muller. &ldquo;E ficar&aacute; pior com o aumento da popula&ccedil;&atilde;o e o impacto da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&rdquo;, alertou. Esta situa&ccedil;&atilde;o agravou a pobreza na regi&atilde;o, acrescentou o especialista em sua participa&ccedil;&atilde;o no Di&aacute;logo sobre &Aacute;gua, da SADC, realizado esta semana em Manzini, Suazil&acirc;ndia.</p>
<p>Muller disse que, apesar da ideia predominante de que os pa&iacute;ses com grandes desertos como Botsuana e Nam&iacute;bia s&atilde;o os que sofrem maior escassez, a realidade &eacute; que &Aacute;frica do Sul e Malawi s&atilde;o os que t&ecirc;m menor acesso a &aacute;gua por habitante. O problema est&aacute; no n&iacute;vel de investimento no setor de infraestrutura h&iacute;drica e como aproxim&aacute;-la da popula&ccedil;&atilde;o, algo que todos os pa&iacute;ses do SADC est&atilde;o em falta.</p>
<p>Embora Mo&ccedil;ambique lidere o caminho em disponibilidade de &aacute;gua, com 11.320 metros c&uacute;bicos por pessoa ao ano, esse pa&iacute;s utiliza apenas 0,3% de seus recursos, e a &Aacute;frica do Sul fornece 1.100 metros c&uacute;bicos por habitante anualmente, e utiliza somente 31% de seus recursos. No entanto, &eacute; o pa&iacute;s africano que mais utiliza sua &aacute;gua.</p>
<p>Muller explicou que a regi&atilde;o n&atilde;o sabe explorar seus recursos h&iacute;dricos para produzir alimento suficiente por meio da agricultura e da hidroenergia. &ldquo;A agricultura industrial poderia transformar a regi&atilde;o&rdquo;, assegurou. Para ele, o Projeto de Desenvolvimento do Baixo Usutu &eacute; um claro exemplo da integra&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua.</p>
<p>Nesse plano cooperam os governos de Mo&ccedil;ambique, &Aacute;frica do Sul e Suazil&acirc;ndia para utiliza&ccedil;&atilde;o do Rio Usutu com fins agr&iacute;colas. Por meio deste projeto, o governo suazi construiu uma represa no Usutu, que nasce na &Aacute;frica do Sul, para beneficiar suas comunidades rurais pobres em torno da localidade de Siphofaneni. E a Suazil&acirc;ndia permite que a &aacute;gua flua livremente para Mo&ccedil;ambique, onde o Rio morre, desembocando no Maputo.</p>
<p>Segundo Muller, a &aacute;gua deveria ser usada n&atilde;o apenas para se ter lucro, mas tamb&eacute;m para melhorar o sustento dos habitantes, e, assim, destacou que a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades &eacute; crucial. &ldquo;As comunidades foram convidadas a participar ativamente desde as fases de planejamento do projeto&rdquo;, destacou Gugulethu Hlophe, chefe-executivo interino na Empresa de &Aacute;gua e Agricultura de Suazil&acirc;ndia. A princesa Tsandzile, ministra de Recursos Naturais e Energia do pa&iacute;s, afirmou que este projeto e outro semelhante, o Desenvolvimento da Ba&iacute;a do Komati, est&atilde;o transformando o sustento dos moradores da &aacute;rea.</p>
<p>Embora construir represas seja caro, os governos devem se esfor&ccedil;ar, afirmou o subdiretor de Assuntos H&iacute;dricos de Botsuana, Bogadi Mathangwane. &ldquo;O maior problema de levar &aacute;gua &agrave;s pessoas &eacute; que h&aacute; algumas aldeias que est&atilde;o muito distantes da infraestrutura, e fazer a &aacute;gua chegar a elas &eacute; muito caro&rdquo;, explicou.</p>
<p>O di&aacute;logo &eacute; fundamental para enfrentar os problemas da &aacute;gua em um momento em que os 15 pa&iacute;ses do SADC buscam formas de financiar medidas contra a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. &ldquo;Apesar de haver financiamento dispon&iacute;vel para a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, ter acesso a ele &eacute; muito dif&iacute;cil porque o setor da &aacute;gua est&aacute; fragmentado entre diferentes departamentos em nosso pa&iacute;s&rdquo;, disse Mathangwane. Envolverde/IPS</p>
<p> (FIN/2012)</p>
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