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	<title>IBSA news and media portal - India, Brazil and South Africa &#187; Portuguese</title>
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	<description>IBSAnews.com provides the latest news and media on the IBSA - India, Brazil and South Africa - tripartite Dialogue Forum.</description>
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		<title>ECONOMÍA: Países gigantes, potências tardias</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Feb 2011 17:28:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>

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		<description><![CDATA[Mario Osava Rio de Janeiro, Brasil, 15/2/2011, (IPS) &#8211; Há duas décadas, a ameaça à primazia econômica mundial dos Estados Unidos era o Japão, que se diluiu antes de ingressar neste século. Agora, os novos campeões do crescimento, China e Índia, sugerem que o tamanho da população se converteu em fator decisivo. Os dois países [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mario Osava</p>
<p><strong> <img class="alignright size-thumbnail wp-image-238" title="A purse seiner (right) unloads its catch of frozen skipjack and bigeye tuna to a freezer ship (left), for canning in Asia. Credit: Christopher Pala/IPS" src="http://www.ibsanews.com/library/5323762338_efd73f175a_m-150x150.jpg" alt="A purse seiner (right) unloads its catch of frozen skipjack and bigeye tuna to a freezer ship (left), for canning in Asia. Credit: Christopher Pala/IPS" width="150" height="150" />Rio de Janeiro, Brasil, 15/2/2011, (IPS) &#8211;   Há duas décadas, a ameaça à primazia econômica mundial dos Estados  Unidos era o Japão, que se diluiu antes de ingressar neste século. </strong><br />
<span id="more-237"></span><br />
Agora, os novos campeões do crescimento,  China e Índia, sugerem que o tamanho da população se converteu em fator  decisivo. Os dois países emergentes mais populosos do mundo ganharam voz  e protagonismo no cenário internacional, a ponto de tentarem ter uma  identidade grupal, como é o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), apesar  de seu desenvolvimento e história totalmente diferentes.</p>
<p>O peso  deste quarteto de nações não era, na época, proporcional diante de seu  escasso poder econômico e político, com exceção da Rússia quando  liderava a União Soviética, em comparação com a projeção internacional  de países como França, Grã-Bretanha e Itália, com cerca de 60 milhões de  habitantes cada um, um terço da população brasileira e um vigésimo da  chinesa.</p>
<p>Agora essa “convergência” entre os poderosos países  industrializados e os grandes do mundo em desenvolvimento deverá se  acentuar com a continuação do ciclo de maior crescimento dos emergentes,  prevista pelo Banco Mundial e por outras instituições, disse o  brasileiro Claudio Dedecca, professor da Universidade de Campinas e  pesquisador em Economia do Trabalho. A igualdade entre esses países  diminui, mas restam “os desequilíbrios internacionais de forma  diferente”, explicou, após lamentar a sorte da África, com esses  problemas ainda sem rumo de solução, ao contrário de América Latina e  Ásia.</p>
<p>Muitos países africanos estão entre os que mais crescerão  economicamente nos próximos anos, segundo as previsões, e isso será  devido aos investimentos da China e às vendas que os africanos fazem de  produtos primários, em um comércio desequilibrado que também afeta o  Brasil. Este país, China e Índia se beneficiam de sua enorme população  porque adotaram políticas que “combinam desenvolvimento do mercado  interno e inserção internacional” para um crescimento acelerado, disse  Claudio.</p>
<p>Nos anos 1980 e 1990, a hegemonia do que Claudio chama  de pensamento conservador e a economia-cassino, “havia desacreditado a  importância do mercado interno”, cujo potencial aumenta em países de  população gigante e baixo nível de consumo. O trabalho também se tornou  “preponderante” depois do desprezo anterior, acrescentou. A  liberalização comercial das últimas décadas favoreceu esse processo ao  promover o deslocamento das indústrias em busca de mão-de-obra barata e  abundante, como a chinesa e a indiana, e a escala de produção permitida  pelos imensos mercados internos.</p>
<p>A menor proteção nos mercados  nacionais acentuou a competição internacional, forçando as empresas a  reduzirem custos, pelas migrações ou pressionando seu próprio país para  flexibilizar as leis trabalhistas, baixar os tributos, os salários e os  direitos sociais, reconheceu Claudio. A pressão “se dilui” quando a  economia cresce, ressaltou. Esta migração para custos menores, por  exemplo, contribui para o desenvolvimento do Nordeste, região mais pobre  do Brasil e onde mais cresce o produto industrial ultimamente, devido à  atração de empresas intensivas em trabalho. Os trabalhadores locais já  não partem, como antes, em busca de empregos em outras partes do país.</p>
<p>Também  o Paraguai se beneficia do alto custo da energia e da mão-de-obra no  Brasil. Muitas indústrias estão se mudando para o país mais pobre do  Mercosul, que ambos compartilham com Argentina e Uruguai, atraídos por  sua ampla oferta de eletricidade barata e salários menores. Este é um  processo recente. O auge japonês se destacou no final do Século 20 com a  tecnologia, a indústria e marcas de qualidade, a gestão eficiente e a  obsessão educacional.</p>
<p>Os veículos e bens econômicos produzidos no  Japão invadiam todos os mercados, seus relógios digitais Seiko, Citizen  e Orient destronaram a imagem de precisão suíça e suas máquinas  fotográficas se tornaram onipresentes. Sony, Toshiba, Toyota, Honda,  Nikon, Canon e muitas outras marcas conquistaram a preferência de  consumidores em todo o mundo. Além disso, na esteira japonesa surgiram  os “tigres asiáticos”, fortalecendo a bacia do Pacífico como novo eixo  central da economia global.</p>
<p>Isso confirmava, ao que parece, as  opiniões que apontavam a tecnologia como o principal fator do  desenvolvimento, acima dos recursos naturais e da maior população. O  Japão, carente de matérias-primas, especialmente petróleo, conseguiu  manter um forte crescimento econômico mesmo após a crise desse  combustível na década de 1970. O país acumulou também um poder  financeiro que permitiu que estendesse seus tentáculos pelo mundo.</p>
<p>Seus  investimentos externos aumentaram de US$ 85 bilhões para US$ 300  bilhões entre 1985 e 1990. Em 1989, a Sony adquiriu a gigante do cinema,  a Columbia Pictures, e a Mitsubishi comprou o Rockfeller Center, em  Nova York, em um desafiador golpe simbólico à hegemonia norte-americana.  A essa altura, no entanto, o Japão já havia selado sua queda, ao  aceitar valorizar sua moeda, o iene, em relação ao dólar, em um acordo  assinado em 1985 com quatro potências ocidentais.</p>
<p>Agora, a China  se nega a repetir esse “erro”, enquanto o Brasil luta para atenuar o  fortalecimento de sua moeda, o que tira competitividade de seus produtos  industriais, especialmente diante dos chineses. Ainda assim, o Brasil  conseguiu criar 15 milhões de novos empregos nos últimos oito anos,  ampliando seu mercado interno também com aumentos reais do salário  mínimo e programas sociais que tiraram da pobreza 28 milhões de pessoas.  Gerar empregos também é uma obsessão da China atualmente, inclusive no  exterior, onde seus investimentos são feitos com numerosa participação  de trabalhadores desse país. Na Índia, estima-se ser necessária a  criação de 200 milhões de postos de trabalho nos próximos 20 anos para  absorver os jovens.</p>
<p>Com seu crescimento, esses três países, que  somam 40% da população mundial, destacam um passado que dissociava  tamanho e economia. Apenas em meados do Século 20 teve fim a era na qual  nações pequenas, como Bélgica, Holanda e Portugal, dominavam países e  territórios muito mais extensos. Porém, era latente a tendência de  predomínio de Estados grandes, da qual “talvez a disputa entre Estados  Unidos e União Soviética tenha sido o primeiro capítulo” e a Zona do  Euro uma resposta, disse o sociólogo Willian Nozaki, pesquisador do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e doutorando em  Desenvolvimento Econômico.</p>
<p>O crescimento econômico de Brasil,  China e Índia pode ser considerado uma continuação desse processo, mas  são casos distintos e mantêm “relações assimétricas” entre eles, com o  Brasil exportando quase unicamente matérias-primas para esses sócios  asiáticos, alertou Willian. China e Índia possuem parques produtivos  inovadores e complexos e estimularam avanços industriais e tecnológicos,  destacou. Os países com territórios e populações grandes tendem a se  sobressair na economia internacional contemporânea, mas “o lugar de cada  um dependerá de como se posicionarem regionalmente, além da força de  suas moedas e suas armas”, concluiu o pesquisador.</p>
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		<title>FÓRUM SOCIAL MUNDIAL: Lula e Wade em cantos opostos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Feb 2011 17:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>

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		<description><![CDATA[Koffigan E. Adigbli Dacar, Senegal, 9/2/2011 (IPS/TerraViva), (IPS) &#8211; As doutrinas do liberalismo impostas aos países mais pobres não têm mais espaço na sociedade moderna, disse o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Crédito: Abdullah Vawda/IPS Ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, como é conhecido popularmente, apareceu ao lado do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #666666; font-size: xx-small;"> </span>Koffigan E. Adigbli</p>
<p><strong> Dacar, Senegal, 9/2/2011 (IPS/TerraViva),  (IPS) &#8211;  As doutrinas do liberalismo impostas aos países mais pobres não  têm mais espaço na sociedade moderna, disse o ex-presidente do Brasil,  Luiz Inácio Lula da Silva. </strong><br />
<span id="more-259"></span></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td><img src="../../_images/transparente.gif%22%20width=" alt="" height="1" /></td>
<td id="eltd" width="180" align="center"><img src="../../ipsbrasil.net/imagenes/images_site/97490-20110208.jpg" border="0" alt="" hspace="0" vspace="0" /></p>
<div><em> Crédito:  Abdullah Vawda/IPS</em></div>
<p><span> Ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.</span></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="2"><img src="../../imagenes/transparente.gif" alt="" width="1" height="2" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Lula, como é conhecido popularmente, apareceu ao lado do presidente  senegalês, Abdoulaye Wade, no Fórum Social Mundial em Dacar, onde está  participando de um encontro com altermundistas de todo o mundo. Lula  declarou no seu discurso que está otimista diante dos dados econômicos  atuais.</p>
<p>“A ordem econômica mundial não será mais moldada por algumas economias dominantes”, disse ele.</p>
<p>“Na  América do Sul, mas acima de tudo nas ruas de Túnis e do Cairo, e em  muitas outras cidades africanas, está nascendo uma nova esperança.  Milhões de pessoas estão se erguendo contra a pobreza à qual estão  sujeitas, contra o domínio de tiranos e contra a submissão dos seus  países a uma política dos grandes poderes”, afirmou Lula.</p>
<p>Ele  também fez um apelo para que a África tome conhecimento do potencial que  o continente tem e do futuro extraordinário que o espera, com seus 800  milhões de habitantes e seu território imenso e rico, que permitiriam  que seja a primeira no mundo a atingir uma independência na produção de  alimentos.</p>
<p>“Por muito tempo, os países ricos nos consideraram um  problema e uma ameaça marginal, mas aqueles que nos deram lições de  forma arrogante sobre como deveríamos conduzir nossas economias não  foram capazes, eles mesmos, de escapar da crise que nasceu no centro do  mundo capitalista”, destacou Lula.</p>
<p>Por outro lado, o presidente  Wade se apresentou como um defensor da liberalização econômica. Ele  chegou ao ponto de revelar que não estava tão de acordo com os  movimentos antiglobalização, e que, mesmo compartilhando da ideia de que  o mundo precisa de mudanças, o que ele acredita é na necessidade de  reformas.</p>
<p>“Sou um apoiador da economia de mercado e não da  economia gerida pelo Estado, que já falhou em todos os lugares ou está  perto disso”, disse ele, acrescentando que não está mais fazendo  campanha pela África por um lugar no Conselho de Segurança das Nações  Unidas.</p>
<p>“Se vocês que estão aqui, se tivessem apoiado essa ideia,  então a África já estaria no Conselho de Segurança. Desde 2000, eu  segui o movimento de vocês, mas continuo – e me desculpem a franqueza –  me fazendo a mesma pergunta: Vocês já obtiveram sucesso em mudar o mundo  em nível global?”, questionou Wade. Envolverde/IPS                                         (FIN/2011)</p>
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		<title>DESENVOLVIMENTO: O BRIC promete pouco aos países africanos</title>
		<link>http://www.ibsanews.com/desenvolvimento-o-bric-promete-pouco-aos-paises-africanos/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Feb 2011 17:31:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Portuguese]]></category>

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		<description><![CDATA[Servaas van den Bosch Windhoek, Namíbia, 2/2/2011, (IPS) &#8211; A África do Sul conseguiu o cobiçado ingresso no bloco BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) promovendo-se como uma porta de entrada para a África, mas vários analistas duvidam que este passo implique benefícios reais para os países pobres do resto do continente. Crédito: Servaas van [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #666666; font-size: xx-small;"> </span>Servaas van den Bosch</p>
<p><strong> Windhoek, Namíbia, 2/2/2011, (IPS) &#8211;  A  África do Sul conseguiu o cobiçado ingresso no bloco BRIC (Brasil,  Rússia, Índia e China) promovendo-se como uma porta de entrada para a  África, mas vários analistas duvidam que este passo implique benefícios  reais para os países pobres do resto do continente. </strong><br />
<span id="more-242"></span></p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" align="right">
<tbody>
<tr>
<td><img src="../../_images/transparente.gif%22%20width=" alt="" height="1" /></td>
<td id="eltd" width="180" align="center"><img src="../../ipsbrasil.net/imagenes/images_site/86302.jpg" border="0" alt="" hspace="0" vspace="0" /></p>
<div><em> Crédito: Servaas van den Bosch/IPS</em></div>
<p><span> Logotipos de empresas sul-africanas em um supermercado de Windhoek, Namíbia.</span></td>
</tr>
<tr>
<td colspan="2"><img src="../../imagenes/transparente.gif" alt="" width="1" height="2" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Seja visto como um presente de Natal da China ou como uma vitória  diplomática da África do Sul, o convite para integrar o BRIC em abril  fez as atenções se voltarem para esta potência emergente. E os analistas  questionam, inclusive, se o rótulo – de potência emergente – é  justificado.</p>
<p>Com um produto interno bruto nominal de US$ 286  bilhões, a África do Sul se vê ofuscada por Brasil (US$ 2 trilhões),  Índia (US$ 2 trilhões), Rússia (US$ 1,6 trilhão) e China (US$ 5,5  trilhões). Além disso, os 50 milhões de habitantes da África do Sul  parecem insignificantes ao lado dos 1,3 bilhão da China e 1,2 bilhão da  Índia. Em termos de crescimento, a capacidade elétrica da África  registrou magros 3% no ano passado, contra 10,5% da China.</p>
<p>Muito  se fala a respeito da posição da África do Sul como porta de entrada  para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), contando  com cerca de 250 milhões de consumidores, e para o mercado africano em  sua totalidade, cujas projeções indicam que aumentará para dois bilhões  de pessoas nas próximas duas décadas.</p>
<p>No final de janeiro, o  ministro de Comércio e Indústria da África do Sul, Rob Davies, defendeu a  entrada do país no BRIC segundo estes parâmetros durante o Fórum  Econômico Mundial de Davos: “O continente africano é a próxima grande  história econômica. Somos bastante pequenos, mas quando olhamos o continente africano em seu conjunto os números começam a somar”.</p>
<p>O  ingresso da África do Sul também refletirá uma campanha geopolítica da  China para criar um eixo no Sul e aumentar o peso da reforma do Conselho  de Segurança da Organização das Nações Unidas, do Fundo Monetário  Internacional e do Banco Mundial para refletir a crescente importância  das potências emergentes. Entretanto, o que o BRIC pode levar à região  (excetuando a África do Sul), considerando que a maior parte do  continente está presa no status de países menos adiantados? Muito pouco,  inclusive no melhor dos cenários, disseram à IPS vários críticos em  matéria de comércio.</p>
<p>“Nesta etapa parece ser mais uma campanha  política do que econômica”, disse o analista comercial independente  Wallie Roux, da Namíbia, país que atualmente preside o SADC. “O BRIC é o  veículo para a recuperação econômica mundial, e como tal coloca a  África do Sul no centro das atenções, mas não espero que isso signifique  nada para os demais países africanos no médio ou curto prazo”,  acrescentou.</p>
<p>No pior dos casos, o BRIC frustrará ainda mais o  problemático acesso da integração regional na SADC e na África,  afirmaram os analistas. “Na região há uma obsessão constante em  conectar-se com a economia mundial e aderir a uma agenda neoliberal de  ‘livre comércio’”, disse a especialista sul-africana Michelle Pressend.  “Isto reflete o enfoque linear que a SADC deu à integração regional. A  África do Sul pertencer ao BRIC, com sua ênfase no acesso ao mercado  regional, é exemplo disto”, acrescentou.</p>
<p>“A maioria dos países da  SADC tem economia baseada em um único recurso, com bases industriais  muito pequenas. A África do Sul acredita nas normas do comércio  liberalizado, como redução das tarifas alfandegárias e flexibilização  das regulações sobre o controle de capitais. O próprio BRIC nem sempre  se guiou necessariamente por estas regras e procura centrar-se mais em  primeiro construir suas próprias economias”, disse Michelle.</p>
<p>Sua  conclusão é que o acesso da África do Sul ao BRIC pode impulsionar uma  campanha maior rumo ao acesso ao mercado (desta vez dos demais membros  do bloco), que não necessariamente seja do interesse de países que ainda  têm de construir suas bases industriais. Isto pode fazer com que  continuem sendo economias dependentes da exportação de matérias-primas.</p>
<p>Sanusha  Naidu, do programa Potências Emergentes na África, da rede de  comunicações Fahamu, tem um ponto de vista semelhante. “A maioria das  pessoas não se dá conta de que, ao integrar-se ao BRIC, a África do Sul  oferece uma associação estratégica para os investidores destes países,  que, não necessariamente, possuem o senso comum de fazer negócios no  continente, nem querem assumir todos os riscos que isso representa.  Conectar-se com a capital sul-africana pode proporcionar a virada que  estão buscando”, afirmou.</p>
<p>Por meio deste tipo de aliança, o BRIC  facilitará um maior fluxo de capital sul-africano no continente. Segundo  Sanusha, “vai ampliar a presença das corporações sul-africanas na  região e incluir mais a agenda de comércio e investimentos da capital  sul-africana”. Isto pode somar-se às tensões diplomáticas, devido ao  polêmico status hegemônico da África do Sul na região, disse o analista  sul-africano Dot Keet.</p>
<p>“A África do Sul se posiciona fortemente  como uma porta de entrada para a África e um facilitador do comércio. No  entanto, a região não necessariamente se identifica com esta posição.  Atualmente, os países perseguem uma agenda dupla, que implica  beneficiar-se do poder da África e enfrentá-lo, o que frequentemente  deriva em políticas comerciais inconsistentes”, acrescentou Dot.</p>
<p>Segundo  Siphamandla Zondi, diretor do sul-africano Instituto para o Diálogo  Mundial, o BRIC beneficiará a região apenas de uma maneira marginal.  “Haverá maior diversidade nos investimento e o BRIC também oferecerá  maiores mercados de consumo para a pequena indústria africana.  Finalmente, poderá introduzir significativas correntes turísticas de  países que não sejam Estados Unidos ou da Europa ocidental. Em termos  gerais, os benefícios para o BRIC serão mais amplos do que para os  países africanos”, afirmou.</p>
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